{"id":10799,"date":"2019-06-25T09:30:01","date_gmt":"2019-06-25T12:30:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=10799"},"modified":"2019-06-24T22:46:09","modified_gmt":"2019-06-25T01:46:09","slug":"critica-olhos-que-condenam-da-netflix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/critica-olhos-que-condenam-da-netflix\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: Olhos que condenam, da Netflix, \u00e9 um soco no est\u00f4mago necess\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<h3>Lan\u00e7ada em 31 de maio no cat\u00e1logo da Netflix, miniss\u00e9rie <em>Olhos que condenam<\/em> retrata o caso de cinco jovens que foram injustamente acusados de um estupro no Central Park<\/h3>\n<blockquote><p>&#8220;- Por que nos tratam assim?<br \/>\n&#8211; De que outra maneira nos tratariam?<\/p><\/blockquote>\n<p>Esse \u00e9 um dos di\u00e1logos que permeia a miniss\u00e9rie <em>Olhos que condenam<\/em>, criada, dirigida, escrita e pensada por Ava DuVernay (nome por tr\u00e1s do filme <em>Selma<\/em>) sobre um dos casos mais emblem\u00e1ticos da hist\u00f3ria norte-americana que envolve a condena\u00e7\u00e3o e a pris\u00e3o de cinco jovens negros do bairro do Harlem sob a falsa acusa\u00e7\u00e3o de estupro de uma mulher no Central Park em 1989. Os questionamentos dos personagens, que ocorrem enquanto eles aguardam a primeira audi\u00eancia do caso &#8212; exibida no segundo epis\u00f3dio &#8211;, servem para definir a principal tem\u00e1tica e debate da produ\u00e7\u00e3o: a invisibilidade dos jovens negros, que historicamente est\u00e3o entre os que mais morrem e os mais encarcerados do mundo.<\/p>\n<p>Sob essa perspectiva, <em>Olhos que condenam<\/em> quer, como o nome original diz <em>When they see us<\/em> (Quando eles nos v\u00eaem, em tradu\u00e7\u00e3o livre), colocar luz a uma hist\u00f3ria que aconteceu por erros graves no in\u00edcio da investiga\u00e7\u00e3o e pela forma como Korey Wise, Antron McCray, Yuseff Salaam, Raymond Santana e Kevin Richardson foram tratados na noite de 19 de abril, o que os levou a uma condena\u00e7\u00e3o injusta e uma absolvi\u00e7\u00e3o apenas 13 anos depois.<\/p>\n<p>A narrativa come\u00e7a exatamente na noite de 19 de abril de 1989, quando quatro dos cinco jovens protagonistas &#8212; Antron (Caleel Harris), Yuseff (Ethan Herisse), Raymond (Marquis Rodriguez) e Kevin (Asante Blackk) &#8212; participavam de uma &#8220;arrua\u00e7a&#8221; no Central Park com outros adolescentes. O fato aconteceu na mesma noite em que Patricia Meili (Alexandra Templer) foi estuprada no mesmo local. Assim que o corpo da mulher foi encontrado desacordado na mata a pol\u00edcia iniciou uma busca nas redondezas do Central Park, l\u00e1 encontraram o grupo de jovens e os quatro foram apreendidos. Mesmo sem ter estado no local, Korey Wise (Jharrel Jerome) acabou seguindo para a delegacia apenas para acompanhar o amigo Yuseff.<\/p>\n<p>\u00c9 na delegacia que a hist\u00f3ria ganha corpo e onde os meninos acabam sendo acusados injustamente pelo estupro. Com uma ideia fixa na cabe\u00e7a, a promotora Linda McCray (Felicity Huffman) passa por cima da lei e vai contra a aus\u00eancia de ind\u00edcios e provas para criar a narrativa que lhe conv\u00e9m: de que os jovens &#8212; mesmo sem se conhecerem &#8212; praticaram juntos o abuso sexual. Para isso, ela faz com que os agentes pressionem os quatro, que na \u00e9poca tinham menos do que 16 anos, a admitirem de qualquer jeito o crime, sem a presen\u00e7a dos pais ou de advogados. Fica a cargo de Korey, o \u00fanico com 16 anos completos &#8212; o que nos EUA quer dizer que um adolescente j\u00e1 pode responder criminalmente por crimes hediondos &#8211;, unificar essa narrativa.<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=InMokMK3ji4<\/p>\n<h2>Cr\u00edtica de <em>Olhos que condenam<\/em><\/h2>\n<p>Em quatro epis\u00f3dios, <em>Olhos que condenam<\/em> vai se destrinchando sobre essa hist\u00f3ria real que revela um dos maiores erros do sistema judici\u00e1rio norte-americano. O primeiro epis\u00f3dio, um dos mais dif\u00edceis de assistir da miniss\u00e9rie, tem como foco o tempo em que os jovens passaram na delegacia sofrendo amea\u00e7as e agress\u00f5es tanto f\u00edsicas quanto psicol\u00f3gicas. O segundo retrata as audi\u00eancias e o julgamento que geraram a condena\u00e7\u00e3o dos cinco a reclus\u00e3o de 5 a 14 anos.<\/p>\n<p>O terceiro mostra o per\u00edodo em que quatro dos cinco jovens estiveram na cadeia cumprindo o per\u00edodo de pena at\u00e9 o momento em que eles saem e buscam viver a partir desse trauma. O quarto, o mais pesado da produ\u00e7\u00e3o, fica na narrativa de Korey, o \u00fanico a cumprir desde o in\u00edcio a pena em uma cadeia regular, j\u00e1 que ele tinha 16 anos na \u00e9poca. Cabe ao epis\u00f3dio tamb\u00e9m mostrar os desdobramentos do caso, a reabertura em 2002 quando o verdadeiro culpado Matias Reyes (Reece Noi) assume a responsabilidade e o momento em que os cinco s\u00e3o absolvidos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil assistir <em>Olhos que condenam<\/em>. \u00c9 dific\u00edlimo. D\u00f3i. Incomoda. Principalmente porque \u00e9 tudo verdade. O sofrimento dos cinco meninos na delegacia est\u00e1 muito bem explicitado na tela, \u00e9 latente e \u00e9 um dos trunfos de Ava DuVernay e do elenco da primeira parte.<\/p>\n<p>Mesmo sendo uma hist\u00f3ria em que se sabe in\u00edcio, meio e fim, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel n\u00e3o querer entrar na tela ou torcer para que se tenha um desfecho diferente. S\u00f3 que n\u00e3o importa a torcida, n\u00e3o tem. \u00c9 a realidade nua, crua e dura desse caso em que os cinco meninos perderam a adolesc\u00eancia para cumprir uma pena de um crime que nunca cometeram.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10801\" aria-describedby=\"caption-attachment-10801\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-10801\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/06\/olhos-que-condenam-2-1024x555.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"555\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/06\/olhos-que-condenam-2-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/06\/olhos-que-condenam-2-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/06\/olhos-que-condenam-2-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/06\/olhos-que-condenam-2-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/06\/olhos-que-condenam-2-230x125.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/06\/olhos-que-condenam-2.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-10801\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Netflix\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>O drama de tudo isso tamb\u00e9m \u00e9 muito bem transpassado na trama. Ava DuVernay mostra desde as pequenas coisas que eles perderam at\u00e9 as maiores. Revela desde o in\u00edcio da pena at\u00e9 o momento em que eles saem e enfrentam barreiras para se recolocarem na sociedade &#8212; a vida p\u00f3s-senten\u00e7a tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Nos quatro epis\u00f3dios, o telespectador \u00e9 levado ao inferno que esses meninos viveram. Mas n\u00e3o s\u00f3 eles, as fam\u00edlias deles tamb\u00e9m. Afinal de contas, a pris\u00e3o nunca \u00e9 solit\u00e1ria. Ela arrasta tamb\u00e9m a fam\u00edlia.<\/p>\n<p><em>Olhos que condenam<\/em> merece todos os pr\u00eamios poss\u00edveis. Primeiramente por colocar na tela uma hist\u00f3ria dif\u00edcil e real de uma forma extremamente humana e respeitosa com essas v\u00edtimas. Por levantar um debate e expor uma narrativa invis\u00edvel. E ainda pela forma como dire\u00e7\u00e3o e elenco contam isso. Todos parecem ter mesmo encarnado os personagens reais.<\/p>\n<p>Asante Blackk, que vive Kevin na adolesc\u00eancia, \u00e9 o destaque do primeiro epis\u00f3dio. Jharrel Jerome, o \u00fanico que interpreta o mesmo personagem na adolesc\u00eancia e na inf\u00e2ncia, \u00e9 outro ator que merece aplausos ao retratar o pesadelo vivido por Korey Wise durante toda essa saga. Mas n\u00e3o s\u00f3 eles, o elenco como um todo \u00e9 extremamente preciso.<\/p>\n<p><em>Olhos que condenam<\/em> \u00e9 daquelas produ\u00e7\u00f5es que refletem a import\u00e2ncia do entretenimento como incentivador de debates. Assim como a pr\u00f3pria Ava DuVernay diz no especial <em>When they see us now com Oprah Winfrey<\/em> &#8212; tamb\u00e9m dispon\u00edvel na Netflix, no entanto, s\u00f3 em ingl\u00eas &#8211;, &#8220;o objetivo era criar algo que fosse um catalisador para uma conversa&#8221;. E a miss\u00e3o foi cumprida!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lan\u00e7ada em 31 de maio no cat\u00e1logo da Netflix, miniss\u00e9rie Olhos que condenam retrata o caso de cinco jovens que foram injustamente acusados de um estupro no Central Park<\/p>\n","protected":false},"author":58,"featured_media":10800,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[2781,8,5,2779,2780],"class_list":["post-10799","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-minisserie","tag-ava-duvernay","tag-critica","tag-netflix","tag-olhos-que-condenam","tag-when-they-see-us"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10799","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/58"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10799"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10799\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10805,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10799\/revisions\/10805"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10800"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10799"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10799"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10799"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}