{"id":11491,"date":"2019-09-01T10:05:44","date_gmt":"2019-09-01T13:05:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=11491"},"modified":"2019-09-02T09:09:14","modified_gmt":"2019-09-02T12:09:14","slug":"mouhamed-harfouch-e-um-cidadao-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/mouhamed-harfouch-e-um-cidadao-do-mundo\/","title":{"rendered":"Mouhamed Harfouch \u00e9 um cidad\u00e3o do mundo"},"content":{"rendered":"<h3>Filho de s\u00edrio, ator Mouhamed Harfouch representa muito bem a miscigena\u00e7\u00e3o que \u00e9 base da novela <em>\u00d3rf\u00e3os da terra<\/em><\/h3>\n<p>\u201cUm personagem n\u00e3o se encerra em sua origem, somos todos brasileiros e nem por isso somos iguais.\u201d Assim Mouhamed Harfouch defende que a origem \u00e1rabe \u00e9 apenas um tra\u00e7o em comum entre v\u00e1rios personagens da carreira dele. Atualmente no ar como o Ali Al Aud de <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/movido-pela-paixao-vitor-thire-esta-em-orfaos-da-terra-e-em-aruanas\/\"><strong><em>\u00d3rf\u00e3os da Terra<\/em><\/strong><\/a>, Mouhamed Harfouch completa: \u201cO fato de ter uma origem parecida ou ter um sotaque n\u00e3o delimita o personagem. Pelo contr\u00e1rio, o exerc\u00edcio at\u00e9 se torna mais rico.\u201d<\/p>\n<p>Na novela das 18h, Ali se apaixona pela judia Sara (Ver\u00f4nica Debom), o que levou Mouhamed a receber muitos relatos de hist\u00f3rias proibidas, como esse. Mas o ator acredita na for\u00e7a do amor: \u201cAcredito no amor como uma for\u00e7a transformadora capaz de promover grandes revolu\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, Mouhamed Harfouch fala sobre \u00d3rf\u00e3os da terra, toler\u00e2ncia e imigra\u00e7\u00e3o. Confira!<\/p>\n<h2>Leia entrevista com Mouhamed Harfouch!<\/h2>\n<figure id=\"attachment_11516\" aria-describedby=\"caption-attachment-11516\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/09\/mouhamed2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11516 size-full\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/09\/mouhamed2.jpg\" alt=\"Ator Mouhamed Harfouch\" width=\"1200\" height=\"650\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11516\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ricardo Penna\/Divulga\u00e7\u00e3o. Mouhamed Harfouch: \u201cAcredito no amor como uma for\u00e7a transformadora capaz de promover grandes revolu\u00e7\u00f5es\u201d<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Voc\u00ea j\u00e1 interpretou v\u00e1rios personagens de ascend\u00eancia \u00e1rabe na tev\u00ea. Como fazer para que um n\u00e3o repita o outro?<\/strong><br \/>\nCada um tem uma verdade, cada um tem uma hist\u00f3ria interessante a ser contada. Um personagem n\u00e3o se encerra em sua origem, somos todos brasileiros e nem por isso somos iguais. O fato de ter uma origem parecida ou ter um sotaque n\u00e3o delimita o personagem. Pelo contr\u00e1rio, o exerc\u00edcio at\u00e9 se torna mais rico. Assim que penso quando componho qualquer personagem, mas sobretudo, personagens que possam parecer repetidos. Esse \u00e9 meu desafio pessoal quando vou contar qualquer hist\u00f3ria, achar a verdade.<\/p>\n<p><strong><em>\u00d3rf\u00e3os da terra<\/em> traz \u00e0 luz um tema muito importante: a toler\u00e2ncia com os imigrantes. Sua fam\u00edlia chegou a ter problemas com isso?<\/strong><br \/>\nMeu pai, quando chegou na d\u00e9cada de 1970, passou muitas dificuldades, mas nunca sofreu preconceito. Pelo menos nenhum que o obstasse a lutar pelo seu espa\u00e7o e construir sua vida. O Brasil nessa \u00e9poca era um pa\u00eds cheio de oportunidades e quem tivesse vontade de trabalhar conseguiria. Meu pai lutou muito e construiu a vida, a fam\u00edlia e p\u00f4de ajudar nossa fam\u00edlia na S\u00edria. Ele tem um carinho enorme pelo Brasil, pa\u00eds que chama de seu tamb\u00e9m, hoje ele \u00e9 naturalizado. Fala que n\u00f3s n\u00e3o entendemos a dimens\u00e3o da riqueza que este pa\u00eds possui. O Brasil sempre foi uma p\u00e1tria acolhedora e sempre fez disso seu crescimento. Afinal, fomos colonizados, nos estruturamos como na\u00e7\u00e3o, e a imigra\u00e7\u00e3o sempre ajudou a construir e a fortalecer nossa economia, agricultura, nosso com\u00e9rcio, nossa cultura&#8230;esse \u00e9 o nosso DNA. O mundo hoje mudou, as oportunidades tamb\u00e9m, mas n\u00e3o ser\u00e1 fechando nossos olhos e nossas portas que resolveremos nossos problemas. Precisamos estar atentos para n\u00e3o abra\u00e7armos a intoler\u00e2ncia e muito menos o preconceito. Isso, sim, \u00e9 involuir.<\/p>\n<p><strong>Por ser de ascend\u00eancia \u00e1rabe, voc\u00ea acaba sendo uma esp\u00e9cie de consultor de outros atores do elenco da novela?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sou um consultor \u30fc at\u00e9 porque estamos bem servidos deles em \u00d3rf\u00e3os da terra, mas acabo ajudando no sotaque quando algum ator me pergunta. Fiz v\u00e1rios personagens com sotaque. Agora entrou na hist\u00f3ria o Miguel Nader, por exemplo, e acabei dando uma for\u00e7a maior para ele com rela\u00e7\u00e3o ao sotaque. Mas o sotaque \u00e9 algo pessoal, vai da embocadura pessoal e da hist\u00f3ria de cada personagem.<\/p>\n<p><strong>O amor entre um \u00e1rabe e uma judia at\u00e9 hoje \u00e9 visto como tabu?<\/strong><br \/>\nAqui no Brasil nem tanto. Mas confesso que j\u00e1 recebi relatos de pessoas que passaram dificuldades com as o Ali na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea \u00e9 rom\u00e2ntico? Acredita que o amor pode vencer barreiras como essa?<\/strong><br \/>\nSou rom\u00e2ntico, sim. Acredito no amor como uma for\u00e7a transformadora capaz de promover grandes revolu\u00e7\u00f5es. Ali\u00e1s quando constru\u00ed o Ali, fui mais pela constru\u00e7\u00e3o verdadeira desse amor com frescor, com leveza, com a alegria do verdadeiro encontro do que pela problematiza\u00e7\u00e3o das sua origens. Sabia que, se o amor dessas personagens fosse verdadeiro, o p\u00fablico poderia comprar a hist\u00f3ria e entender que eles poderiam superar toda dificuldade. O mundo est\u00e1 carente de afeto e nesses momentos onde cresce a intoler\u00e2ncia, a beliger\u00e2ncia, a avers\u00e3o \u00e0s diferen\u00e7as constatamos que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o \u00e9 um olhar mais emp\u00e1tico, mais solid\u00e1rio, mais afetuoso e para isso \u00e9 necess\u00e1rio amor ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p><strong>O p\u00fablico est\u00e1 acostumado a ver o Mouhamed &#8220;escondido&#8221; por um personagem. No Popstar era mais voc\u00ea, apesar da m\u00fasica escolhida para voc\u00ea defender. Como foi essa exposi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nO <em>Popstar<\/em> foi um dos maiores desafios da minha vida. Algo que realmente exigiu uma aten\u00e7\u00e3o enorme e um grande exerc\u00edcio de autoconhecimento e supera\u00e7\u00e3o. Mas foi tamb\u00e9m um momento de muitas alegrias e vit\u00f3rias pessoais. Foi um momento lindo em que pude celebrar o amor que tenho pela m\u00fasica e pude crescer como artista. \u00c9 um programa no qual \u00e9 preciso perder para poder ganhar. Parece louco, mas faz muito sentido. Quando sa\u00edmos da nossa zona de conforto e perdemos nossa seguran\u00e7a ou perdemos nossa certeza, vem o p\u00e2nico, o medo, a vontade de sair correndo e desistir. Mas vem tamb\u00e9m uma for\u00e7a que n\u00e3o conhecemos e, nesse verdadeiro estado de necessidade, aprendemos a nos reinventar e aprendemos a crescer. Conquistamos novos limite e por fim ganhamos. Foi assim que me senti nessa competi\u00e7\u00e3o, sa\u00ed mais seguro, sa\u00ed mais forte e sa\u00ed com vontade de explorar cada vez mais os meus limites. Isso para um artista \u00e9 um caminho lindo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acabou indo bem no reality. Vem um disco por a\u00ed?<\/strong><br \/>\nO carinho do p\u00fablico que me abra\u00e7ou me fez ir at\u00e9 a final, algo que nunca imaginei. Cheguei a parar na repescagem, poderia ter sido o primeiro eliminado do programa. Quando acabou o programa decidi agradecer ao rock, aos amigos que me ajudaram tanto, ao p\u00fablico que me abra\u00e7ou, torceu e votou e falei com o Marcelo Sussekind, um dos meus produtores do programa, para produzir uma m\u00fasica autoral minha. Acabamos fazendo tr\u00eas. A primeira delas ser\u00e1 lan\u00e7ada em agosto pelo selo Fluve, da Som Livre. Chama Volta. Minha pretens\u00e3o? Agradecer e celebrar!<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea est\u00e1 no elenco de Pitada de sorte, ao lado de Fabiana Karla. O que pode adiantar do projeto?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma com\u00e9dia divertid\u00edssima, na qual repito uma parceria linda com a Fabiana Karla. A primeira foi no teatro numa pe\u00e7a do Neil Labute chamada Gorda. No filme, fa\u00e7o o Lug\u00e3o, um amigo de inf\u00e2ncia apaixonado pela personagem da Fabiana. Um cara que est\u00e1 sempre ao seu lado e faz tudo para ajud\u00e1-la. Ele \u00e9 taxista e f\u00e3 de Velozes e furiosos. (risos) Seu sonho \u00e9 ter uma academia e, entre suas excentricidades, s\u00f3 escuta Mozart e conversa com os b\u00edceps aos quais chama de Lugones! O filme vai ser lan\u00e7ado em novembro deste ano e espero que todos voc\u00eas se divirtam tanto quanto eu.<\/p>\n<p><strong>O p\u00fablico da televis\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o acostumado a te ver em com\u00e9dias. \u00c8 uma quest\u00e3o de prefer\u00eancia sua ou simplesmente n\u00e3o aconteceu?<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 muito curioso. Fui formado na com\u00e9dia, foi o g\u00eanero que mais fiz na minha carreira no teatro e onde comecei na TV. O \u00e1rabe Hussein, de P\u00e9 na jaca, era muito divertido. Assim como o Farid, liban\u00eas em Cordel encantado. Mas depois acabei pegando uma s\u00e9rie de pap\u00e9is mais densos e que acabaram me distanciando do g\u00eanero. Mas a com\u00e9dia \u00e9 um lugar de conforto para mim. Adoro estar nela, mas n\u00e3o s\u00f3 nela. Gosto da com\u00e9dia que vem da situa\u00e7\u00e3o, do ris\u00edvel da condi\u00e7\u00e3o humana. Acho que em todas as com\u00e9dias h\u00e1 espa\u00e7o tamb\u00e9m para a dor e suas verdades. E a\u00ed, que que pegamos o contrap\u00e9 e puxamos o tapete do p\u00fablico no bom sentido. Osmar Prado faz isso magistralmente. n\u00e3o somos uma coisa s\u00f3. Nunca.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem alguns trabalhos no teatro infantil. O g\u00eanero ainda sofre preconceito? Como fazer para que as crian\u00e7as queiram ir ao teatro? E como fazer com que elas voltem?<\/strong><br \/>\nQuando contamos uma boa hist\u00f3ria n\u00e3o interessa para qual p\u00fablico ela se destina. Ela \u00e9 capaz de nos tocar e nos prender. \u00c9 assim que muitos filmes para crian\u00e7as hoje est\u00e3o abarrotados de adultos. \u00c9 assim que podemos formar novas plateias no teatro. O teatro dito infantil tem um papel fundamental na forma\u00e7\u00e3o dos novos p\u00fablicos. \u00c9 um erro olharmos como algo menor ou menos importante. Para mim, \u00e9 teatro de gente grande e \u00e9 preciso ser encarado dessa forma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filho de s\u00edrio, ator Mouhamed Harfouch representa muito bem a miscigena\u00e7\u00e3o que \u00e9 base da novela \u00d3rf\u00e3os da terra<\/p>\n","protected":false},"author":57,"featured_media":11514,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[2922,2565],"class_list":["post-11491","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","tag-ali","tag-orfaos-da-terra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11491","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/57"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11491"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11491\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11517,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11491\/revisions\/11517"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}