{"id":12225,"date":"2019-11-19T21:34:49","date_gmt":"2019-11-20T00:34:49","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=12225"},"modified":"2019-11-19T20:17:20","modified_gmt":"2019-11-19T23:17:20","slug":"saiba-mais-sobre-a-atriz-ingrid-gaigher-a-aline-de-segunda-chamada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/saiba-mais-sobre-a-atriz-ingrid-gaigher-a-aline-de-segunda-chamada\/","title":{"rendered":"Saiba mais sobre a atriz Ingrid Gaigher, a Aline de Segunda chamada"},"content":{"rendered":"<h3>Ingrid Gaigher traz personagem que fala sobre feminismo e viol\u00eancia contra a mulher na s\u00e9rie <em>Segunda chamada<\/em>. Leia entrevista com a atriz, que tamb\u00e9m pode ser vista como Let\u00edcia na segunda temporada de <em>Rio heroes<\/em>!<\/h3>\n<p>Aos 28 anos de idade, a atriz <strong>Ingrid Gaigher<\/strong> pode ser considerada uma especialista em teatro musical e em s\u00e9ries da televis\u00e3o. Mas nada que a prenda a um papel s\u00f3. No palco, foram v\u00e1rios espet\u00e1culos elogiados e consagrados. Na telinha, a lista vai da com\u00e9dia de <em>P\u00e9 na cova<\/em> \u00e0 aventura de <em>Rio heroes<\/em>, passando pelo drama de <em>Carcereiros<\/em> e por 13 personagens de <em>A hist\u00f3ria b\u00eabada<\/em>. Na excelente s\u00e9rie <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/ariane-souza-de-segunda-chance\/\"><em>Segunda chamada<\/em><\/a>, Ingrid vive Aline.<\/p>\n<p>Aline \u00e9 duas mulheres em uma s\u00f3. A primeira \u00e9 engajada, durona, batalhadora, lidera uma manifesta\u00e7\u00e3o feminista em que as meninas mostram os peitos em plena sala de aula para que uma colega n\u00e3o seja discriminada ao amamentar. A outra sofre, calada. \u00c9 v\u00edtima de um relacionamento abusivo. As duas, em comum, trazem \u00e0 tona temas urgentes a serem discutidos, como feminismo e viol\u00eancia contra a mulher. Essa \u00e9 a principal for\u00e7a de <strong><em>Segunda chamada<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cA viol\u00eancia contra a mulher, racismo, machismo, xenofobia, LGTQIfobia, a desvaloriza\u00e7\u00e3o dos professores, a neglig\u00eancia com o povo perif\u00e9rico, entre outras coisas que discutimos na s\u00e9rie, s\u00e3o temas que dizem respeito ao Estado e ao fomento \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 urgente, \u00e9 de extrema import\u00e2ncia\u201d, afirma Aline, em entrevista ao <strong>Pr\u00f3ximo Cap\u00edtulo<\/strong>.<\/p>\n<p>Aline sabe da import\u00e2ncia social da profiss\u00e3o e, brasileira, n\u00e3o foge \u00e0 luta. Est\u00e1 no ar ou nos palcos para divertir, sim, mas especialmente para levar reflex\u00e3o e, quem sabe, para transformar. \u201cSe ajudei algu\u00e9m, seja com um sorriso, seja com uma mudan\u00e7a de paradigma de vida, eu atingi meu objetivo\u201d, resume.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, Ingrid fala de <em>Segunda chamada<\/em>, da necessidade de a classe art\u00edstica se unir e do desejo de fazer novela. Estamos esperando, Ingrid!<\/p>\n<h2>Entrevista\/\/ Ingrid Gaigher<\/h2>\n<p><strong>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de a Globo exibir uma s\u00e9rie como <em>Segunda chamada<\/em>, com v\u00e1rios temas contempor\u00e2neos?<\/strong><br \/>\nA import\u00e2ncia \u00e9 enorme. Penso que temas como o sucateamento da educa\u00e7\u00e3o, o preconceito, a exclus\u00e3o, entre v\u00e1rios outros que s\u00e3o discutidos na s\u00e9rie, na verdade, s\u00e3o antigos mas ganharam espa\u00e7o nesse momento pela urg\u00eancia de serem discutidos. Acho que, nos \u00faltimos cinco anos, ganhamos muito nesse sentido porque estamos caminhando para uma liberdade individual, inclusive para sermos respeitados democraticamente, como cidad\u00e3os, como contribuintes de um governo que fomenta a viol\u00eancia se n\u00e3o abarca todas as diferen\u00e7as, se n\u00e3o reconhece responsabilidade. A viol\u00eancia contra a mulher, racismo, machismo, xenofobia, LGTQIfobia, a desvaloriza\u00e7\u00e3o dos professores, a neglig\u00eancia com o povo perif\u00e9rico, entre outras coisas que discutimos na s\u00e9rie, s\u00e3o temas que dizem respeito ao Estado e ao fomento \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 urgente, \u00e9 de extrema import\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>A Aline vai passar por uma situa\u00e7\u00e3o abusiva na s\u00e9rie. O que pode adiantar sobre essa trama?<\/strong><br \/>\nA Aline, como muitas mulheres nesse tipo de situa\u00e7\u00e3o, se v\u00ea entre a raz\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o. A raz\u00e3o, quando se vive num relacionamento abusivo, \u00e9 a primeira coisa que se perde. Por isso o combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher deve ter aten\u00e7\u00e3o e estudo, porque as marcas da viol\u00eancia muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o vis\u00edveis. Ela \u00e9 feminista, ela puxou um &#8220;peita\u00e7o&#8221; em sala de aula porque uma amiga estava sendo oprimida por outros homens na sala de aula. Mesmo sendo empoderada, ela tem envolvimento com esse relacionamento, ent\u00e3o o conflito \u00e9 esse: como, mesmo gostando dessa pessoa e estando com o psicol\u00f3gico abalado, arrumo for\u00e7as para sair dessa situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<figure id=\"attachment_12226\" aria-describedby=\"caption-attachment-12226\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/11\/INGRID2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-12226\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/11\/INGRID2.jpg\" alt=\"Atriz Ingrid Gaigher\" width=\"1200\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/11\/INGRID2.jpg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/11\/INGRID2-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/11\/INGRID2-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/11\/INGRID2-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/11\/INGRID2-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/11\/INGRID2-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-12226\" class=\"wp-caption-text\">Globo\/Divulga\u00e7\u00e3o. Ingrid Gaigher: &#8220;A trama da Aline \u00e9 muito pertinente porque traz empatia \u00e0s mulheres que muitas vezes n\u00e3o saem dessa situa\u00e7\u00e3o&#8221;<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>A trama de Aline pode ajudar outras mulheres a enfrentar situa\u00e7\u00f5es semelhantes? Como?<\/strong><br \/>\nSim! A trama da Aline \u00e9 muito pertinente porque traz empatia \u00e0s mulheres que muitas vezes n\u00e3o saem dessa situa\u00e7\u00e3o. Porque a sociedade tira a sua responsabilidade nisso, na justificativa de que &#8220;briga de marido e mulher n\u00e3o se mete a colher&#8221;, e \u00e9 justamente o contr\u00e1rio, viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 uma quest\u00e3o p\u00fablica, da sociedade e do Estado. Ent\u00e3o, trazer empatia e entendimento do que uma mulher que sofre f\u00edsica e psicologicamente pode ajud\u00e1-las a tomar coragem de sair dessa situa\u00e7\u00e3o, buscar redes de apoio. E quem sabe, com luz nesse assunto, a gente consiga ajudar com o aumento das den\u00fancias e as pol\u00edticas p\u00fablicas sejam cada vez mais colocadas em pr\u00e1tica? Eu sonho com isso.<\/p>\n<p><strong>Essa fun\u00e7\u00e3o social da arte te assusta de alguma forma, por saber que voc\u00ea pode ajudar na transforma\u00e7\u00e3o na vida de algu\u00e9m?<\/strong><br \/>\nMe assusta n\u00e3o entenderam a fun\u00e7\u00e3o da arte. Atualmente questionam nossa import\u00e2ncia, e isso sim, me assusta. Acho que a representa\u00e7\u00e3o, quando atinge seu objetivo final, ajuda as pessoas. Ent\u00e3o como atriz eu sei que se ajudei algu\u00e9m, seja com um sorriso ou com uma mudan\u00e7a de paradigma de vida, eu atingi meu objetivo. Fico na verdade muito honrada com essa fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea teve alguma prepara\u00e7\u00e3o para viver a Aline, como conversar com alunos da EJA, por exemplo?<\/strong><br \/>\nSim. Vi muitos depoimentos de alunos do ensino p\u00fablico noturno . Conversei com professores tamb\u00e9m. Pesquisei muito sobre o Slam, porque duas das melhores amigas da Aline na trama s\u00e3o slamers. Estudei mais ainda sobre a viol\u00eancia contra mulher. Acho que tudo isso me ajudou a compor.<\/p>\n<p><strong>A Aline vende coxinha para complementar a renda. A Ingrid se arrisca na cozinha? Venderia coxinha tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nAdoro cozinhar, amo comer. \u00c9 uma das minhas atividades preferidas (risos). Ent\u00e3o gosto de cozinhar, cozinhar para os amigos, acho m\u00e1gico voc\u00ea transformar os alimentos, unir sabores, adoro. Venderia coxinha se estivesse na situa\u00e7\u00e3o da Aline, com certeza.<\/p>\n<p><strong>No fim de cada epis\u00f3dio de <em>Segunda chamada<\/em>, o p\u00fablico assiste a depoimentos de pessoas que passam por situa\u00e7\u00f5es parecidas com as da s\u00e9rie. Esse limite entre a fic\u00e7\u00e3o e a realidade est\u00e1 cada vez menor? Como voc\u00ea v\u00ea isso?<\/strong><br \/>\nAcho que, de forma geral, a dramaturgia tem buscado falar sobre assuntos urgentes, representar personagens que nunca tiveram voz tanto quanto agora. Mas esse \u00e9 um momento divisor de \u00e1guas e muito diferente de tudo que vivemos at\u00e9 aqui no que diz respeito \u00e0 dramaturgia, \u00e0 est\u00e9tica, \u00e0 representatividade. No caso espec\u00edfico da s\u00e9rie, as tramas s\u00e3o inspiradas em relatos reais e num misto dessas hist\u00f3rias, ent\u00e3o o limite entre realidade e fic\u00e7\u00e3o nesse caso \u00e9 pequeno. Acho importante citar que a arte tem diferentes formas de express\u00e3o sendo mais realistas ou menos que pode ir de um mito at\u00e9 ao document\u00e1rio, n\u00e3o deixa de comunicar, se n\u00e3o ca\u00edmos na falta de diversidade expressiva. Mas \u00e9 ineg\u00e1vel que agora mais do que nunca, a realidade, o que fala diretamente com a vida do brasileiro m\u00e9dio, tem ganhado espa\u00e7o por sua import\u00e2ncia, e sua beleza tamb\u00e9m. A gente precisa falar do quanto o povo resiste, do como ele ama, de como ele aprecia cultura sim, do quanto ele sustenta a f\u00e9 mesmo n\u00e3o tendo seu reconhecimento.<\/p>\n<p><strong>Antes de <em>Segunda chamada<\/em> voc\u00ea esteve no elenco de <em>P\u00e9 na cova<\/em> e <em>Carcereiros<\/em>, al\u00e9m de <em>Rio heroes<\/em> e <em>A hist\u00f3ria b\u00eabada<\/em>. Tem vontade de fazer novelas?<\/strong><br \/>\nTenho sim. Acho que vou aprender muito com o formato pelo tempo de execu\u00e7\u00e3o, tamanho da equipe, tudo \u00e9 maior, n\u00e9? Tenho curiosidade.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem uma carreira com v\u00e1rios musicais. O g\u00eanero foi um dos que mais cresceram no pa\u00eds e, agora, deve ser dos que mais sentir\u00e3o os efeitos dos cortes do governo. Como o teatro musical pode sobreviver?<\/strong><br \/>\nO que as pessoas em geral, inclusive dentro da classe, t\u00eam dificuldade de entender \u00e9 que os musicais geram muitos empregos dentro do palco, na produ\u00e7\u00e3o, e indiretamente como a rotatividade de t\u00e1xis, de vendas de ambulantes, turismo, enfim, \u00e9 muito triste n\u00e3o termos muitas op\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia num mercado t\u00e3o importante na hist\u00f3ria do teatro e para a atualidade. Falo isso sem medo. Eu reconhe\u00e7o essa import\u00e2ncia e refor\u00e7o ela porque \u00e9 muito dif\u00edcil defend\u00ea-la mesmo lotando 1500 lugares em dia de semana. O que vejo \u00e9 que, com certeza, os projetos que v\u00e3o ser encenados em 2020 ser\u00e3o aqueles que j\u00e1 foram aprovados antes do teto de R$ 1 milh\u00e3o. As pequenas produ\u00e7\u00f5es v\u00e3o sobreviver. A classe tem que se unir e propor novas alternativas, se n\u00e3o houve mobiliza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria classe nada vai ser feito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ingrid Gaigher traz personagem que fala sobre feminismo e viol\u00eancia contra a mulher na s\u00e9rie Segunda chamada. 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