{"id":12544,"date":"2019-12-26T08:35:03","date_gmt":"2019-12-26T11:35:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=12544"},"modified":"2019-12-25T10:51:15","modified_gmt":"2019-12-25T13:51:15","slug":"edu-coutinho-chegou-para-ficar-como-fabio-em-bom-sucesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/edu-coutinho-chegou-para-ficar-como-fabio-em-bom-sucesso\/","title":{"rendered":"Edu Coutinho chegou para ficar como F\u00e1bio em Bom Sucesso"},"content":{"rendered":"<h3>O personagem confere ar de mist\u00e9rio \u00e0 trama de <em>Bom Sucesso<\/em>. Leia entrevista com Edu Coutinho, ator que estreia na televis\u00e3o vivendo o F\u00e1bio da novela das 19h.<\/h3>\n<p>A trama de <em>Bom Sucesso<\/em> tem se destacado por um lado l\u00edrico, que <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/entrevista-com-david-junior\/\"><strong>trata da morte de maneira delicada e traz a literatura como pano de fundo<\/strong><\/a>. Mas uma outra face da novela das 19h: o mist\u00e9rio em torno do assassinato de Felipe (Arthur Sales). \u00c9 a\u00ed que entra Edu Coutinho, ator que faz sua estreia na televis\u00e3o como F\u00e1bio, irm\u00e3o que far\u00e1 de tudo para esclarecer a morte de Felipe.<\/p>\n<p>\u00c9 curioso que o p\u00fablico j\u00e1 sabe que Diogo (Armando Babaioff) est\u00e1 por tr\u00e1s disso, mas os personagens n\u00e3o fazem a menor ideia. \u201cEssa \u00e9 realmente uma investiga\u00e7\u00e3o cujo desfecho o p\u00fablico j\u00e1 prev\u00ea, porque sabe de cada fato que aconteceu. Mas a novela \u00e9 escrita com tantas reviravoltas que, quando os personagens chegam perto de descobrir o culpado, algo acontece, e isso \u00e9 tamb\u00e9m interessante para n\u00f3s, atores, porque nos ajuda a manter um frescor&#8221;, afirma Edu, em entrevista ao <strong>Pr\u00f3ximo Cap\u00edtulo<\/strong>.<\/p>\n<p>A atmosfera de suspense n\u00e3o \u00e9 bem uma novidade na vida de Edu. Desde crian\u00e7a, ele e a irm\u00e3 espiavam a m\u00e3e assistir a filmes policiais. &#8220;Na minha adolesc\u00eancia eu gostava muito de livros e filmes policiais. Esse foi um h\u00e1bito que acabei pegando da minha m\u00e3e. A gente brinca l\u00e1 em casa dizendo que fomos apresentados a esse g\u00eanero cedo demais&#8230; Minha m\u00e3e assistia muito e, como a TV ficava na sala de casa, eu e minha irm\u00e3, mesmo pequenos, acab\u00e1vamos dando uma espiada&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>Por outro lado, estar na televis\u00e3o \u00e9 uma novidade para esse baiano que tem experi\u00eancia como ator e assistente de dire\u00e7\u00e3o nos palcos. Ser visto &#8212; e de certa forma avaliado &#8212; por milhares de pessoas ao mesmo tempo &#8220;assusta muito. Principalmente quando eu entendi que iria ter que aprender a fazer errando, e errando na frente de milh\u00f5es de pessoas. O tempo da TV \u00e9 outro. S\u00e3o muitas cenas gravadas num mesmo dia, uma atr\u00e1s da outra.&#8221;<\/p>\n<p>Quer saber mais sobre Edu Coutinho? Na entrevista a seguir, o ator fala sobre novela, teatro, pol\u00edtica cultural e muitos outros assuntos. Confira!<\/p>\n<h2>Entrevista \/\/ Edu Coutinho<\/h2>\n<figure id=\"attachment_12545\" aria-describedby=\"caption-attachment-12545\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/12\/edu2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-12545\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/12\/edu2.jpg\" alt=\"Ator Edu Coutinho, o Felipe de Bom Sucesso\" width=\"1200\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/12\/edu2.jpg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/12\/edu2-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/12\/edu2-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/12\/edu2-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/12\/edu2-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/12\/edu2-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-12545\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ricardo Borges\/Divulga\u00e7\u00e3o. Edu Coutinho leva mist\u00e9rio a Bom Sucesso<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Entrar numa novela em andamento \u00e9 um desafio maior?<\/strong><br \/>\nSem d\u00favidas. O elenco e a equipe j\u00e1 est\u00e3o entrosados, eles j\u00e1 v\u00eam de meses de prepara\u00e7\u00e3o e de grava\u00e7\u00e3o, j\u00e1 t\u00eam um ritmo, j\u00e1 t\u00eam os personagens bem constru\u00eddos, j\u00e1 existe uma rela\u00e7\u00e3o estabelecida inclusive com o p\u00fablico. E, no meu caso, a esse desafio de pegar o bonde andando se soma o fato de nunca ter feito nada em televis\u00e3o. Estou aprendendo a atuar desse outro jeito, pois \u00e9 tudo muito diferente. Apesar dessas dificuldades, <em>Bom Sucesso<\/em> tem um clima de trabalho muito bom e toda a equipe tem sido muito acolhedora. Isso torna as coisas mais leves, com certeza.<\/p>\n<p><strong>O F\u00e1bio fica at\u00e9 o fim de Bom Sucesso?<\/strong><br \/>\nTudo indica que sim. O F\u00e1bio est\u00e1 envolvido em tramas importantes para o desfecho da hist\u00f3ria. Podemos dizer que ele \u00e9 parte do n\u00facleo &#8220;investigativo&#8221; da novela. Ent\u00e3o tem muita coisa para acontecer ainda.<\/p>\n<p><strong>O F\u00e1bio entra na novela sob uma atmosfera de suspense. Voc\u00ea gosta de tramas policiais?<\/strong><br \/>\nNa minha adolesc\u00eancia eu gostava muito de livros e filmes policiais. Esse foi um h\u00e1bito que acabei pegando da minha m\u00e3e. A gente brinca l\u00e1 em casa dizendo que fomos apresentados a esse g\u00eanero cedo demais&#8230; Minha m\u00e3e assistia muito e, como a TV ficava na sala de casa, eu e minha irm\u00e3, mesmo pequenos, acab\u00e1vamos dando uma espiada. Dali para sentar no sof\u00e1, ao lado dela, e opinar sobre os desfechos das hist\u00f3rias, foi um pulo. Tem tamb\u00e9m um livro que me marcou muito, <em>O g\u00eanio do crime<\/em>, de Jo\u00e3o Carlos Marinho, que \u00e9 um cl\u00e1ssico da literatura infantojuvenil. \u00c9 uma esp\u00e9cie de policial para crian\u00e7as. Narra a hist\u00f3ria de quatro crian\u00e7as que investigam uma m\u00e1fia envolvendo uma f\u00e1brica de figurinhas clandestinas. Foi a primeira coisa que li na vida.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea se arriscaria para investigar a morte de um parente como o F\u00e1bio est\u00e1 fazendo?<\/strong><br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil afirmar com tanta certeza, pois o que o F\u00e1bio est\u00e1 fazendo \u00e9 muito arriscado. Mas ele \u00e9 um personagem desapegado, que vive pelo mundo sozinho, e que de alguma forma est\u00e1 acostumado a diferentes tipos de risco. \u00c9 como se ele n\u00e3o tivesse nada a perder. Eu sou um pouco diferente disso, mas o que enxergo em mim de parecido com o F\u00e1bio \u00e9 o valor que ele d\u00e1 \u00e0 justi\u00e7a. \u00c9 a justi\u00e7a que o move. E a justi\u00e7a \u00e9 tamb\u00e9m pra mim um valor inegoci\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Embora o F\u00e1bio e os personagens n\u00e3o saibam o que aconteceu, o p\u00fablico acompanha tudo. Como segurar o ar de suspense da trama desse jeito?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 realmente uma investiga\u00e7\u00e3o cujo desfecho o p\u00fablico j\u00e1 prev\u00ea, porque sabe de cada fato que aconteceu. Mas a novela \u00e9 escrita com tantas reviravoltas que, quando os personagens chegam perto de descobrir o culpado, algo acontece, e isso \u00e9 tamb\u00e9m interessante para n\u00f3s, atores, porque nos ajuda a manter um frescor. \u00c9 um exerc\u00edcio constante: entrar no est\u00fadio, fingir que aquilo n\u00e3o \u00e9 uma novela, fingir que eu sou mesmo o F\u00e1bio, que n\u00e3o fa\u00e7o ideia do que aconteceu, e tentar ser surpreendido por aquelas situa\u00e7\u00f5es que surgem na cena. Tudo isso cercado por uma equipe t\u00e9cnica gigantesca, por c\u00e2meras, refletores. Pra mim tem sido um desafio e um treino enorme, pois \u00e9 a primeira vez que fa\u00e7o televis\u00e3o. E \u00e9 muito diferente de tudo o que j\u00e1 fiz.<\/p>\n<p><strong>No teatro voc\u00ea tem, se comparado \u00e0 televis\u00e3o, poucos espectadores por noite e uma sess\u00e3o pode ser melhorada com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 anterior. Na televis\u00e3o isso n\u00e3o acontece. Assusta estar na casa de milhares de pessoas ao mesmo tempo?<\/strong><br \/>\nAssusta muito. Principalmente quando eu entendi que iria ter que aprender a fazer errando, e errando na frente de milh\u00f5es de pessoas. O tempo da TV \u00e9 outro. S\u00e3o muitas cenas gravadas num mesmo dia, uma atr\u00e1s da outra. Voc\u00ea tem que chegar de alguma forma pronto, pois n\u00e3o d\u00e1 pra experimentar, testar, repetir, mas ao mesmo tempo tem que entregar algo vivo, fresco, verdadeiro, ou seja, algo que n\u00e3o pare\u00e7a pronto. N\u00e3o \u00e9 mais f\u00e1cil ou mais dif\u00edcil que o teatro, \u00e9 diferente. E, por ser o meu primeiro trabalho na televis\u00e3o, eu estou aprendendo esse novo jeito de fazer. A primeira semana inteira em que apareci na novela foi gravada no meu primeiro dia de est\u00fadio, e era um dia em que eu estava quase uma m\u00famia de tens\u00e3o. Os dias seguintes foram mais leves, mais tranquilos, mas at\u00e9 hoje, com um m\u00eas de grava\u00e7\u00e3o, cada nova cena que gravo \u00e9 um desafio enorme. Mas um desafio gostoso. Estou adorando aprender. E estou cercado por uma equipe muito acolhedora, isso ajuda muito.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea se mudou para o Rio de Janeiro. A gente costuma ver a Bahia como um estado onde, proporcionalmente, a arte \u00e9 incentivada. Mesmo assim ainda \u00e9 preciso ir para o eixo Rio-S\u00e3o Paulo para despontar nacionalmente?<\/strong><br \/>\nO dinheiro ainda fica muito concentrado no eixo Rio-S\u00e3o Paulo. Ent\u00e3o essa j\u00e1 \u00e9 uma barreira muito grande para, por exemplo, conseguir patroc\u00ednio para projetos culturais na Bahia. Existem os mecanismos de incentivo estaduais, e municipais, mas eles atendem a uma parcela de produ\u00e7\u00e3o muito pequena. E estamos, agora, em um momento ainda mais cr\u00edtico nesse sentido, com as pol\u00edticas p\u00fablicas federais amea\u00e7adas, com cada vez menos recursos e cada vez mais ataques \u00e0 cultura. A Bahia \u00e9 um estado que produz muito, e que tem uma produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica de alt\u00edssima qualidade, que n\u00e3o deve nada a nenhum outro estado, nas mais diversas linguagens. Falando especificamente do campo de trabalho para atores e atrizes no audiovisual, eu noto um esfor\u00e7o cada vez maior dos diretores, autores e produtores de elenco de descentralizar, buscar artistas de fora do eixo Rio-S\u00e3o Paulo. Mas acredito que ainda h\u00e1 um caminho longo para que haja igualdade de oportunidades.<\/p>\n<p><strong>Isso deixa uma certa m\u00e1goa?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei se m\u00e1goa. Na verdade, eu tenho tido muito cuidado para lidar com esse momento de fazer uma novela como mais uma experi\u00eancia, e n\u00e3o como uma experi\u00eancia que define o meu futuro, ou que me garante qualquer outra coisa. A profiss\u00e3o do ator \u00e9 muito inst\u00e1vel, muito imprevis\u00edvel, mesmo para quem j\u00e1 emplacou trabalhos na televis\u00e3o. Fazer Bom Sucesso \u00e9, antes de qualquer coisa, uma oportunidade maravilhosa de trabalhar com profissionais que eu admiro muito, de aprender com artistas que j\u00e1 me inspiravam desde muito antes, e de fazer um trabalho no qual eu acredito. Eu j\u00e1 assistia \u00e0 novela antes de imaginar que pudesse entrar no elenco, j\u00e1 admirava a forma po\u00e9tica como ela fala da vida e da morte, a forma como celebra e apresenta a literatura, o jeito sutil e ao mesmo tempo contundente que ela trata de muitos temas sociais. Tenho concentrado muito no agora. Sei que \u00e9 uma oportunidade valiosa, mas tenho focado em como aproveit\u00e1-la no presente, em como aprender a fazer. Para o ator n\u00e3o tem nada garantido. \u00c9 tudo um grande risco. Essa \u00e9 a \u00fanica certeza da nossa profiss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea \u00e9 assistente de dire\u00e7\u00e3o em Embarque imediato. Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de celebrar mestres como Antonio Pitanga?<\/strong><br \/>\nAnt\u00f4nio Pitanga \u00e9 um \u00edcone do cinema e do teatro brasileiro. \u00c9 uma escola viva. E est\u00e1 celebrando os seus 80 anos em cima do palco, com uma for\u00e7a e uma vitalidade que d\u00e3o inveja a qualquer jovem ator, como eu. Assistir ao Pitanga em cena \u00e9 uma aula. Assim como foi uma aula maravilhosa fazer a assist\u00eancia de dire\u00e7\u00e3o de Embarque imediato, em que pude tamb\u00e9m voltar a trabalhar com o diretor Marcio Meirelles, que \u00e9 uma figura muito importante na minha forma\u00e7\u00e3o como artista. Embarque imediato \u00e9 um texto forte, necess\u00e1rio, escrito pelo dramaturgo Aldri Anuncia\u00e7\u00e3o, que fala de identidade, mem\u00f3ria, que reflete sobre a di\u00e1spora africana e os seus mais diversos efeitos no momento presente. E \u00e9 um projeto que tamb\u00e9m nos confirma que precisamos celebrar e homenagear os nossos mestres e mestras em vida, reconhecer publicamente as suas contribui\u00e7\u00f5es enquanto eles ainda est\u00e3o aqui para nos ensinar. O Brasil tem uma hist\u00f3ria marcada por muitas injusti\u00e7as e muitos silenciamentos. Estamos no momento de reparar isso.<\/p>\n<p><strong>A dire\u00e7\u00e3o \u00e9 um caminho natural para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nAcredito que sim. A minha primeira experi\u00eancia como assistente de dire\u00e7\u00e3o foi em 2013, na pe\u00e7a Destinat\u00e1rio desconhecido, meu primeiro trabalho ao lado de Zeca de Abreu, que al\u00e9m de uma grande amiga \u00e9 uma diretora que me ensinou e me ensina muito. Foi um espet\u00e1culo bonito, forte, que nos rendeu muitos frutos e nos orgulhou muito. Foi ali que eu fiquei encantado por esse lugar da dire\u00e7\u00e3o. Depois vieram outros trabalhos como assistente de Zeca, veio o Embarque imediato ao lado de Marcio Meirelles&#8230; Eu me pego muitas vezes assistindo a uma pe\u00e7a e observando as escolhas de encena\u00e7\u00e3o&#8230; Acho que \u00e9 essa vontade que eu guardo de trabalhar tamb\u00e9m como diretor. Essa hora vai chegar.<\/p>\n<p><strong>Como o ator e o jornalista convivem? Eles &#8220;ficam juntos&#8221; ou voc\u00ea deixa um &#8220;descansando&#8221; para o outro entrar em cena?<\/strong><br \/>\nEu me formei como jornalista e como ator simultaneamente, e depois trabalhei ao mesmo tempo como ator e como coordenador de comunica\u00e7\u00e3o de um teatro, o Teatro Vila Velha, que, ali\u00e1s, \u00e9 um lugar fundamental na minha trajet\u00f3ria. Por muito tempo o Edu &#8220;jornalista&#8221; e o Edu &#8220;ator&#8221; brigaram muito, pois \u00e0s vezes eu entrava no ensaio, como ator, pensando nas estrat\u00e9gias de divulga\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a. Cheguei at\u00e9 a entrar em cena uma vez e, nos 10 ou 15 minutos de entrada de p\u00fablico, em que n\u00f3s, atores, fic\u00e1vamos parados no palco, come\u00e7ar a contar quantas pessoas estavam ali, e a estimar quanto tinha entrado de bilheteria, e a pensar nas despesas de produ\u00e7\u00e3o, e nas estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o para contornar aquele problema de falta de p\u00fablico&#8230; Era uma loucura. Hoje tenho tido a oportunidade de deixar o jornalista e o produtor descansando. Tenho &#8220;apenas&#8221; entrado em cena com o Edu ator.<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea aprendeu com o <em>Lus\u00f3fonos<\/em>? Pode falar um pouco sobre esse projeto?<\/strong><br \/>\nO <em>Lus\u00f3fonos<\/em> surgiu do meu trabalho de conclus\u00e3o de curso em jornalismo. Pouco tempo antes de me formar eu fiz um interc\u00e2mbio na Espanha, l\u00e1 conheci muitos estudantes portugueses e percebi que eles consumiam muito da m\u00fasica brasileira. E que eu, brasileiro, n\u00e3o conhecia quase nada da m\u00fasica portuguesa, e menos ainda dos demais pa\u00edses que falam portugu\u00eas. Ent\u00e3o resolvi produzir um programa que apresentasse artistas musicais de Angola, Mo\u00e7ambique, Portugal, Cabo Verde, Guin\u00e9-Bissau, Timor Leste&#8230; O resultado foi muito legal e acabei sendo convidado pela coordenadora da R\u00e1dio Educadora, que era uma das avaliadoras do meu TCC, para tocar o projeto l\u00e1. \u00c9 uma forma de compartilhar com os outros uma pesquisa que fa\u00e7o muito intuitivamente&#8230; O programa se sustenta porque \u00e9 feito de um jeito leve, sem muita pretens\u00e3o, e, obviamente, porque o universo musical dos pa\u00edses lus\u00f3fonos \u00e9 riqu\u00edssimo. O Lus\u00f3fonos me ensina a abrir a escuta. A ouvir outros sons, outras vozes e outras l\u00ednguas &#8211; porque, apesar de oficialmente falarem portugu\u00eas, todos esses lugares (inclusive o Brasil) s\u00e3o marcados por uma grande diversidade de idiomas, que resistiram bravamente a todo um hist\u00f3rico de opress\u00e3o colonial.<\/p>\n<p><strong><em>Lus\u00f3fonos<\/em> \u00e9 transmitido numa r\u00e1dio educadora da Bahia. Qual \u00e9 a import\u00e2ncia desse tipo de ve\u00edculo, que vem sendo perseguido pelo governo ultimamente?<\/strong><br \/>\nEsses ve\u00edculos, justamente porque independem da l\u00f3gica comercial, s\u00e3o respons\u00e1veis pela difus\u00e3o de novos artistas, pela valoriza\u00e7\u00e3o das culturas tradicionais, pelo debate sobre quest\u00f5es sociais, pelo resgate das nossas mem\u00f3rias, pela valoriza\u00e7\u00e3o da nossa cultura, de modo geral. O atual governo federal quer matar tudo que existe de belo, de inteligente, quer destruir tudo o que educa, tudo o que faz pensar, refletir, questionar.<\/p>\n<p><strong>Em seu mestrado voc\u00ea une Bertolt Brecht e o Olodum. Como o erudito e o popular podem andar juntos?<\/strong><br \/>\no meu mestrado eu vou at\u00e9 os escritos de Brecht e, a partir do que ele escreveu sobre o trabalho de ator\/atriz, eu tra\u00e7o conex\u00f5es com o trabalho do Bando de Teatro Olodum. Mesmo separados por grandes dist\u00e2ncias no espa\u00e7o e no tempo, s\u00e3o artistas que pensam e realizam o teatro como uma ferramenta de luta e de transforma\u00e7\u00e3o social. Na verdade, Brecht, apesar de ser um autor cl\u00e1ssico, \u00e9 extremamente popular. E esse tamb\u00e9m \u00e9 outro ponto de di\u00e1logo com o Bando. Esses dois teatros s\u00e3o engra\u00e7ados, divertidos, tem uma presen\u00e7a forte da m\u00fasica e uma comunica\u00e7\u00e3o muito direta com o p\u00fablico. Existe uma tend\u00eancia comum de colocar os autores cl\u00e1ssicos nas prateleiras mais elevadas, restringindo o seu acesso a supostos estudiosos\/acad\u00eamicos\/intelectuais, refor\u00e7ando aquela ideia preconceituosa e muito cafona de \u201calta cultura\u201d. Fazem isso com Brecht, Shakespeare, S\u00f3focles, Eur\u00edpedes&#8230; Mas todos esses eram autores populares, que escreviam e encenavam para multid\u00f5es. Pra mim, n\u00e3o faz sentido pensar o teatro em um lugar de erudi\u00e7\u00e3o, se for nesse sentido excludente. Se \u00e9 teatro, \u00e9 popular. Ou deveria ser.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O personagem confere ar de mist\u00e9rio \u00e0 trama de Bom Sucesso. 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