{"id":14075,"date":"2020-06-07T08:26:07","date_gmt":"2020-06-07T11:26:07","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=14075"},"modified":"2020-06-07T08:26:07","modified_gmt":"2020-06-07T11:26:07","slug":"segunda-temporada-de-transmissao-traz-linn-da-quebrada-e-jup-do-bairro-mais-a-vontade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/segunda-temporada-de-transmissao-traz-linn-da-quebrada-e-jup-do-bairro-mais-a-vontade\/","title":{"rendered":"Segunda temporada de TransMiss\u00e3o traz Linn da Quebrada e Jup do Bairro mais \u00e0 vontade"},"content":{"rendered":"<h3>No talk show <em>TransMiss\u00e3o<\/em>\u00a0Linn da Quebrada e Jup do Bairro trazem entrevistas bem-humoradas sobre temas identit\u00e1rios<\/h3>\n<p>O tom \u00e9 de uma conversa informal entre as apresentadoras Linn da Quebrada e Jup do Bairro. Mas n\u00e3o se engane: entre risadas e muito bom humor, elas e os convidados do programa <em>TransMiss\u00e3o<\/em> est\u00e3o discutindo assuntos pra l\u00e1 de s\u00e9rios. O talk show chegou semana passada \u00e0 segunda temporada no Canal Brasil, sendo exibido \u00e0s segundas-feiras. Nesta segunda (8\/6), a convidada \u00e9 Liniker e, na outra semana (15\/6), o papo \u00e9 com o jornalista Pedro Bial. A estreia foi com Dira Paes e a temporada ainda tem Criolo e Xico S\u00e1, entre outros.<\/p>\n<p>\u201cAs entrevistas v\u00e3o al\u00e9m das identidades individuais. Constru\u00edmos uma perspectiva conjunta de v\u00e1rias possibilidades com esses encontros. Passamos por possibilidades, novas vis\u00f5es e questionamentos pertencentes ao nosso tempo. Conversamos com diversas pessoas com recortes de classes diferentes, ra\u00e7as, g\u00eaneros, idades e diferentes pontos de vistas, contudo, pessoas muito fi\u00e9is ao que acreditam. Isso faz com que eu entenda cada vez mais que nossa identidade pode e deve ser moldada e remendada para pertencemos a novas urg\u00eancias\u201d, afirma Jup do Bairro em entrevista ao <strong>Pr\u00f3ximo Cap\u00edtulo<\/strong>.<\/p>\n<p>Linn conta que as duas est\u00e3o mais \u00e0 vontade nesta temporada, inclusive para fugir do roteiro, como aconteceu na entrevista com o ator Matheus Nachtergaele. \u201cConseguimos elaborar quest\u00f5es e caminhos muito interessantes a seguir, o que n\u00e3o quer dizer que est\u00e1vamos engessadas nos temas propostos. Tanto que com o Matheus Nachtergaele n\u00f3s abandonamos completamente o roteiro. Esse dia, confesso que fiquei ligeiramente mais nervosa, por al\u00e9m da admira\u00e7\u00e3o pessoal ao artista, perceber que precisaria estar presente e tra\u00e7ar um novo trajeto a conduzir\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Matheus, outro momento marcante na temporada foi com a escritora Djamila Ribeiro. \u201cPodemos trocar sobre \u2018local de fala\u2019 e enfatizar que o local de fala de um indiv\u00edduo n\u00e3o significa o local de sil\u00eancio do outro. Podemos falar sobre todos os assuntos, mas \u00e9 importante frisar que a minha fala ser\u00e1 sobre as perspectivas que atravessam o meu corpo, minhas viv\u00eancias, habita\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e vice-versa\u201d, justifica Jup.<\/p>\n<h2>Entrevista\/\/ Linn da Quebrada e Jup do Bairro<\/h2>\n<figure id=\"attachment_14076\" aria-describedby=\"caption-attachment-14076\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/06\/Transmiss\u00e3o2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14076\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/06\/Transmiss\u00e3o2.jpg\" alt=\"Dira Paes foi a convidada da estreia da segunda temporada de TransMiss\u00e3o\" width=\"1200\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/06\/Transmiss\u00e3o2.jpg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/06\/Transmiss\u00e3o2-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/06\/Transmiss\u00e3o2-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/06\/Transmiss\u00e3o2-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/06\/Transmiss\u00e3o2-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/06\/Transmiss\u00e3o2-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-14076\" class=\"wp-caption-text\">. Cr\u00e9dito: Canal Brasil\/Divulga\u00e7\u00e3o. Dira Paes foi a convidada da estreia da segunda temporada de TransMiss\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Algum convidado deixou voc\u00eas mais nervosas? Porque?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Linn da Quebrada<\/strong> &#8211; Nervosa n\u00e3o seria bem a palavra, porque sinto que nos preparamos muito bem para receber todas as convidadas e os convidados. Inclusive, me senti mais segura como apresentadora. Afinal, j\u00e1 \u00e9 a nossa segunda temporada. Estava ansiosa, mas de um jeito bom e saud\u00e1vel. Conseguimos elaborar quest\u00f5es e caminhos muito interessantes a seguir, o que n\u00e3o quer dizer que est\u00e1vamos engessadas nos temas propostos. Tanto que com o Matheus Nachtergaele n\u00f3s abandonamos completamente o roteiro. Esse dia confesso que fiquei ligeiramente mais nervosa, por al\u00e9m da admira\u00e7\u00e3o pessoal ao artista, perceber que precisaria estar presente e tra\u00e7ar um novo trajeto a conduzir. As perguntas e a pesquisa feitas anteriormente nos servem como base, como ponto de partida, mas n\u00e3o necessariamente como objetivo final.<\/p>\n<p><strong>Houve medo de a primeira temporada n\u00e3o ser aceita pela sociedade mais conservadora? A segunda temporada \u00e9 um sinal de que a sociedade est\u00e1 mais tolerante ou um ato de resist\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jup do Bairro<\/strong> &#8211; Acredito que tem muita coisa acontecendo, muitas pessoas, institui\u00e7\u00f5es e espa\u00e7os se adaptando a uma conscientiza\u00e7\u00e3o maior, mas ainda s\u00e3o casos isolados. O corpo LGBT+, principalmente T e negro, precisa muito mais do que uma data comemorativa para \u201clembrarmos da nossa luta\u201d, que \u00e9 vivida todos os dias. Precisamos de afeto, de trabalho, de sentirmos pertencimento. Nossas ancestrais n\u00e3o lutaram e muitas teriam suas vidas ceifadas para que fosse data comemorativa. Precisamos falar sobre dignidade, respeito, empregabilidade e n\u00e3o s\u00f3 para as protagonistas de sua campanha, marca ou canal. Precisamos de oportunidade para redatoras l\u00e9sbicas, negras, produ\u00e7\u00e3o trans, homens trans pegando em m\u00e1quinas&#8230; Precisamos sair dessa l\u00f3gica de representa\u00e7\u00e3o una, como se a hist\u00f3ria sendo registrada pelas lentes cisg\u00eaneras e brancas fosse o bastante. Reconhecer seus privil\u00e9gios \u00e9 tamb\u00e9m abrir m\u00e3o muitas vezes. De que celebra\u00e7\u00e3o estamos falando?<\/p>\n<p><strong>As entrevistas de <em>TransMiss\u00e3o<\/em> falam sobre identidade indo por diferentes vieses. Estamos sempre em busca de uma identidade? Voc\u00eas acham que temos apenas uma identidade? A arte de voc\u00eas acaba sendo uma forma de firmar essa(s) identidade(s), n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jup do Bairro<\/strong> &#8211; Acredito que as entrevistas v\u00e3o al\u00e9m das identidades individuais, constru\u00edmos uma perspectiva conjunta de v\u00e1rias possibilidades com esses encontros. Passamos por possibilidades, novas vis\u00f5es e questionamentos pertencentes ao nosso tempo. Uma ideia que levo comigo desde a primeira temporada \u00e9 uma fala de Ant\u00f4nio Pitanga de que precisamos nos atentar ao nosso tempo agora, para que n\u00e3o fiquemos caducos \u00e0s novas performances sociais. Conversamos com diversas pessoas com recortes de classes diferentes, ra\u00e7as, g\u00eaneros, idades e diferentes pontos de vistas, contudo, pessoas muito fi\u00e9is ao que acreditam. Isso faz com que eu entenda cada vez mais que nossa identidade pode e deve ser moldada e remendada para pertencemos a novas urg\u00eancias, abordamos novos assuntos. Na segunda temporada, em um encontro com Djamila Ribeiro, podemos trocar sobre \u201clocal de fala\u201d e enfatiza que o local de fala de um indiv\u00edduo n\u00e3o significa o local de sil\u00eancio do outro. Podemos falar sobre todos os assuntos, mas \u00e9 importante frisar que a minha fala ser\u00e1 sobre as perspectivas que atravessam o meu corpo, minhas viv\u00eancias, habita\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e vice-versa. N\u00e3o podemos justificar nossas imperfei\u00e7\u00f5es \u00e0 nossa identidade e manuten\u00e7\u00e3o da mesma, precisamos dar um F5 no nosso HD a todo momento para pertencemos com responsabilidade a nossa conjuntura atual.<\/p>\n<p><strong>Mesmo falando de assuntos muitas vezes mais s\u00e9rios voc\u00eas t\u00eam humor nas entrevistas. O bom humor \u00e9 um ant\u00eddoto contra coisa desagrad\u00e1veis ou mesmo contra o Brasil de hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Linn da Quebrada<\/strong> &#8211; O humor \u00e9 algumas vezes cir\u00fargico porque nos permite desarmar a convidada ou convidado e repensar com mais cuidado e delicadeza temas e assuntos para o qual j\u00e1 ter\u00edamos uma resposta pronta. \u00c9 uma brincadeira s\u00e9ria. Eu amo usar um humor pouco convencional, ir\u00f4nico. Fazer rir de barbaridades e j\u00e1 n\u00e3o ter certeza se estou rindo de mim ou de algo fora de mim. \u00c9 criar uma intimidade casual que nos permite, inclusive, revelar de forma humanizada e delicada preconceitos e pensamentos tradicionais e obsoletos, enraizados, contradit\u00f3rios e com um sabor levemente azedo. Que s\u00f3 percebemos quando mordemos. O humor \u00e9 uma isca.<\/p>\n<p><strong>A segunda temporada acendeu uma vontade maior de continuarem sendo entrevistadoras?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Linn da Quebrada<\/strong> &#8211; Sinto, e sinto muito. Desta vez pude sentir ainda mais, pois pude exercer essa fun\u00e7\u00e3o com outra postura. Uma postura curiosa, experimental e arriscada, por\u00e9m, com mais seguran\u00e7a no que estava fazendo. \u00c9 um novo programa, com novas convidadas, mas eu j\u00e1 passei por aqui. Aprendi muito com a primeira temporada e agora me sinto preparada para errar em outros lugares. Pude, com um dos convidados, discordar de seus pontos de vista. Senti na pele a responsabilidade, como apresentadora, de construir um espa\u00e7o seguro para ambas as partes de disputa de ideias. De constru\u00e7\u00e3o de pensamento. Sem estar fixa nos meus argumentos e propiciando uma discuss\u00e3o horizontal e madura. Essa foi inclusive uma das minhas entrevistas favoritas.<\/p>\n<p><strong>Jup do Bairro<\/strong> &#8211; Eu sempre fui muito curiosa, gosto de conversar, saber mais sobre assuntos que n\u00e3o domino e tamb\u00e9m respeito muito o meu sil\u00eancio quando n\u00e3o tenho algo materializado a falar. Acredito que o programa traz muito essa sensa\u00e7\u00e3o de estar desprendida para gerar uma conversa ali, com aquela mente, aquele humor, aquela possibilidade. O <em>TransMiss\u00e3o<\/em> foi uma possibilidade de materializar esse meu lado investigador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No talk show TransMiss\u00e3o\u00a0Linn da Quebrada e Jup do Bairro trazem entrevistas bem-humoradas sobre temas identit\u00e1rios<\/p>\n","protected":false},"author":57,"featured_media":14077,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[58,3394,3395,3396,3397],"class_list":["post-14075","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","tag-canal-brasil","tag-jup-do-bairro","tag-linn-da-quebrada","tag-talkshow","tag-transmissao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/57"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14075"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14075\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14077"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}