{"id":15403,"date":"2020-09-27T06:09:21","date_gmt":"2020-09-27T09:09:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=15403"},"modified":"2020-09-28T09:14:20","modified_gmt":"2020-09-28T12:14:20","slug":"lovecraft-country-saiba-mais-sobre-o-livro-e-o-podcast-da-serie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/lovecraft-country-saiba-mais-sobre-o-livro-e-o-podcast-da-serie\/","title":{"rendered":"Lovecraft Country: Saiba mais sobre o livro e o podcast da s\u00e9rie"},"content":{"rendered":"<h3><em>Lovecraft Country<\/em>, s\u00e9rie de Jordan Peele e J.J. Abrams, aborda quest\u00f5es raciais em narrativa de sci-fi e horror. Exibida aos domingos na HBO, obra \u00e9 inspirada em livro de Matt Ruff<\/h3>\n<p>A express\u00e3o em ingl\u00eas \u201ctiming\u201d \u00e9 o modo perfeito de explicar tudo o que ronda a franquia <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/lovecraft-country-da-hbo-primeiro-episodio\/\"><em>Lovecraft Country<\/em><\/a> (ou <em>Territ\u00f3rio Lovecraft<\/em>, no t\u00edtulo em portugu\u00eas), produ\u00e7\u00e3o que estreou este ano na HBO. Tudo come\u00e7ou em 2007, quando o escritor norte-americano Matt Ruff, a pedido de produtores televisivos, criou uma ideia de s\u00e9rie. F\u00e3 de <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/critica-11a-temporada-de-arquivo-x\/\"><em>Arquivo X<\/em><\/a>, ele pensou numa hist\u00f3ria no mesmo molde, envolvendo fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e criaturas sobrenaturais, tendo como protagonista uma fam\u00edlia negra que seguisse um guia, como o<em> Green book<\/em> usado pelos viajantes afro-americanos nos anos 1950, e, numa jornada, deparasse-se com situa\u00e7\u00f5es de paranormalidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_15408\" aria-describedby=\"caption-attachment-15408\" style=\"width: 236px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15408\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202287-236x300.jpg\" alt=\"\" width=\"236\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202287-236x300.jpg 236w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202287-768x977.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202287-550x700.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202287-230x293.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202287.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 236px) 100vw, 236px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15408\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Lisa Gold\/Divulga\u00e7\u00e3o. Matt Ruff, autor.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A ideia n\u00e3o foi para frente na \u00e9poca. Mas Ruff n\u00e3o desistiu e a transformou num livro, seguindo o formato epis\u00f3dico da televis\u00e3o, com um cap\u00edtulo para cada personagem e uma trama envolvendo um \u201cmonstro da semana\u201d. A obra foi lan\u00e7ada nos Estados Unidos em 2016 \u2014 neste ano, ela chegou ao Brasil com o lan\u00e7amento da s\u00e9rie \u2014 e, pouco tempo depois, o autor foi procurado por Jordan Peele, cineasta vencedor do Oscar de melhor roteiro original por <em>Corra!<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cJordan Peele tinha acabado de lan\u00e7ar Corra!, estava pensando no pr\u00f3ximo projeto e eu tive o benef\u00edcio do tempo. Recebi uma liga\u00e7\u00e3o do meu agente de Hollywood falando que ele queria falar comigo sobre <em>Lovecraft Country<\/em>. Tivemos uma \u00f3tima conversa. Fiquei empolgado de trabalhar com ele e Misha Green (produtora e roteirista da s\u00e9rie). Depois da conversa, vi o trailer de Corra! e naquele momento entendi o porqu\u00ea de ele estar interessado nessa hist\u00f3ria\u201d, explica Matt Ruff em entrevista exclusiva ao <strong>Correio<\/strong>.<\/p>\n<p>O motivo \u00e9 que as duas narrativas conversam. O terror de <em>Corra!<\/em> e as quest\u00f5es raciais latentes no filme, como o racismo, tamb\u00e9m est\u00e3o em <em>Lovecraft Country<\/em>. A diferen\u00e7a \u00e9 que a s\u00e9rie perpassa por mais g\u00eaneros, tem um enredo central distinto e se passa na d\u00e9cada de 1950 nos Estados Unidos legalmente segregado. \u201cMinha ideia era criar uma produ\u00e7\u00e3o semanal de uma aventura paranormal sobre essa fam\u00edlia negra que, ao mesmo tempo, lida com o horror da vida nos Estados Unidos quando a segrega\u00e7\u00e3o racial era legal e o caos, paranormal. Ent\u00e3o, seria algo sobre esse contraste, esses dois modos de horror. Foi assim que surgiu o t\u00edtulo, porque eu precisava de uma ponte sem\u00e2ntica entre o horror e o realismo do racismo. E H.P. Lovecraft (escritor norte-americano de terror) \u00e9 famoso pelos dois. Ele era um talentoso escritor de horror e tamb\u00e9m uma pessoa comprometida com a supremacia branca. Assim surgiram o tema e o t\u00edtulo\u201d, completa.<\/p>\n<h2>Narrativa de Lovecraft Country<\/h2>\n<figure id=\"attachment_15407\" aria-describedby=\"caption-attachment-15407\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15407 size-full\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT220920201956.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT220920201956.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT220920201956-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT220920201956-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT220920201956-550x366.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT220920201956-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15407\" class=\"wp-caption-text\">2020. Cr\u00e9dito: HBO\/Divulga\u00e7\u00e3o. Cultura. Cenas das s\u00e9rie Lovecraft Country.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A hist\u00f3ria tem Atticus (Jonathan Majors) como o centro da narrativa, que tem in\u00edcio quando o personagem, um veterano de guerra, volta da Coreia para os Estados Unidos para encontrar o pai, que est\u00e1 desaparecido. Para isso, come\u00e7a uma jornada de carro ao lado do tio George (Courtney B. Vance), respons\u00e1vel por fazer notas para o guia de viagem para negros, e da amiga de inf\u00e2ncia Letitia (Jurnee Smollett). Nesse caminho, h\u00e1 um reencontro com o passado, a presen\u00e7a de situa\u00e7\u00f5es e criaturas sobrenaturais, al\u00e9m do racismo caracter\u00edstico do per\u00edodo nos EUA.<\/p>\n<p>Apesar de Atticus ser o protagonista, a cada cap\u00edtulo e epis\u00f3dio \u2014 falando dos dois produtos \u2014 os outros personagens da s\u00e9rie v\u00e3o ganhando espa\u00e7o. H\u00e1 mais detalhes do passado deles e um conflito espec\u00edfico fica a cargo daquele personagem, numa hist\u00f3ria que tem come\u00e7o, meio e fim. Todas as narrativas, apesar de serem quase independentes, t\u00eam um fio condutor que segue at\u00e9 o fim da hist\u00f3ria. O livro \u00e9 composto por oito cap\u00edtulos. J\u00e1 a s\u00e9rie tem um total de 10. Neste domingo, a HBO exibe, \u00e0s 23h, o epis\u00f3dio sete. Os demais est\u00e3o dispon\u00edveis na HBO GO e no Now.<\/p>\n<p>Para Ruff, a adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante fiel ao esp\u00edrito do livro. Mas, claro, tem algumas mudan\u00e7as. \u201cEles n\u00e3o tiveram medo de adicionar mais coisas e fazer mudan\u00e7as que faziam sentido. Fiquei bem feliz com isso. Mas, a sensa\u00e7\u00e3o que tenho \u00e9 que parece mesmo com a minha hist\u00f3ria\u201d, revela. O autor n\u00e3o chegou a trabalhar na adapta\u00e7\u00e3o. Entregou o livro, anota\u00e7\u00f5es e pesquisas para Misha Green e deixou a equipe, que ainda tem J.J. Abrams, trabalhar livremente. \u201cMinha atitude foi s\u00f3 de que a minha vers\u00e3o da hist\u00f3ria foi contada. Se eu puder ajudar, \u00f3timo. Mas eu queria ver o que eles fariam na vers\u00e3o deles. O que foi \u00f3timo, porque fiquei muito feliz com o resultado\u201d, admite.<\/p>\n<figure id=\"attachment_15409\" aria-describedby=\"caption-attachment-15409\" style=\"width: 203px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15409\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202279-203x300.jpg\" alt=\"\" width=\"203\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202279-203x300.jpg 203w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202279-768x1138.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202279-691x1024.jpg 691w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202279-550x815.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202279-230x341.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202279.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 203px) 100vw, 203px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15409\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Editora Intr\u00ednseca\/Divulga\u00e7\u00e3o. Livro Territ\u00f3rio Lovecraft, do autor, Matt Ruff.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O fato de ser um homem branco e ter pensado nessa narrativa pode causar surpresa. Por\u00e9m, Matt Ruff diz que sempre gostou de escrever sobre os outros e os olhares deles, e n\u00e3o personagens que fossem vers\u00f5es dele mesmo. Ele acredita que isso tem a ver com a pr\u00f3pria origem. A m\u00e3e \u00e9 brasileira e o pai, um mission\u00e1rio norte-americano. \u201cCresci numa casa multicultural. Aprendi logo que estaria sempre cercado de pessoas diferentes, o que me fez ter uma vis\u00e3o de mundo mais ampla\u201d, explica.<\/p>\n<p>Outra motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de que achava relevante, no momento atual, colocar os negros dentro da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de modo n\u00e3o estereotipado e ainda trazer \u00e0 tona hist\u00f3rias n\u00e3o contadas, como do pr\u00f3prio <em>Green book<\/em> que evidenciava a segrega\u00e7\u00e3o racial, inclusive, em locais que n\u00e3o se diziam racistas nos Estados Unidos. \u201cDescobri que havia muitos incidentes que foram esquecidos, silenciados. Ainda hoje voc\u00ea v\u00ea locais nos EUA em que n\u00e3o espera ver negros. N\u00e3o \u00e9 porque eles n\u00e3o gostam do daquele local, \u00e9 porque, quando eles tentaram morar l\u00e1, lidaram com a viol\u00eancia. \u00c9 uma hist\u00f3ria importante para mostrar e entender os Estados Unidos\u201d, completa. E acrescenta: \u201c\u00c9 uma hist\u00f3ria de terror, da paranoia da viol\u00eancia de estar no lugar errado, de estar sob constante amea\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p><em><strong>Territ\u00f3rio Lovecraft<\/strong><\/em><br \/>\nDe Matt Ruff. Tradu\u00e7\u00e3o: Thais Paiva. Editora Intr\u00ednseca, 352 p\u00e1ginas. Pre\u00e7o: R$ 59,90 (impresso) e R$ R$ 39,90 (e-book).<\/p>\n<h2>Complexidade de <em>Lovecraft Country<\/em><\/h2>\n<p>Com tantas nuances e refer\u00eancias,<em> Lovecraft Country<\/em> foi mais uma das s\u00e9ries da HBO que ganharam um <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/1RMgqtbhz9ycdujzvtummY?si=7vlDQFraRe-L_g6hHYhpBw\">podcast<\/a> para que toda a complexidade da trama possa ser melhor entendida pelo p\u00fablico. <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/watchmen-para-entender\/\">A emissora fez isso tamb\u00e9m com <em>Watchmen<\/em>, produ\u00e7\u00e3o que se sagrou vencedora do Emmy<\/a> de Melhor miniss\u00e9rie no domingo passado,<em> His dark materials<\/em> e <em>Westworld<\/em>.<\/p>\n<p>A atra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma conversa comandada por M.M. Izidoro com a booktuber Milena Souza e o roteirista e cineasta Valter Rege. \u201cQueria trazer pessoas que n\u00e3o s\u00f3 fossem f\u00e3s de conte\u00fados pop e fantasia, mas que tamb\u00e9m estivessem tendo essas viv\u00eancias na pele. Com isso, a gente conseguiu formar um time que analisa a s\u00e9rie com propriedade, com a Milena vindo do mundo da literatura, o Valter e eu vindo do audiovisual e, ao mesmo tempo, conseguimos aterrar algumas hist\u00f3rias e conversas para o dia a dia do brasileiro, porque estamos vivendo algumas das coisas representadas na s\u00e9rie\u201d, explica Izidoro.<\/p>\n<p>Os cap\u00edtulos s\u00e3o lan\u00e7ados sempre depois da exibi\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie na tev\u00ea. A ideia \u00e9 pegar situa\u00e7\u00f5es de impacto: \u201cA gente mira em quest\u00f5es tem\u00e1ticas e que podem trazer algo a mais para a vida dos ouvintes, tanto pela s\u00e9rie quanto para ressignificar muitas coisas que nos foram ensinadas sobre ra\u00e7a, g\u00eanero, cultura e tudo mais que a gente consegue\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_15410\" aria-describedby=\"caption-attachment-15410\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-15410\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202277.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202277.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202277-300x225.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202277-768x576.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202277-550x413.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2020\/09\/CBNFOT210920202277-230x173.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15410\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Fernanda Thompson\/Divulga\u00e7\u00e3o. M.M Izidoro<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Entrevista \/\/ M.M. Izidoro, do podcast de <em>Lovecraft Country<\/em><\/h2>\n<p><strong>A s\u00e9rie tem um casamento entre cultura pop, atualidade e hist\u00f3ria. Ent\u00e3o como \u00e9 o processo de prepara\u00e7\u00e3o para comentar cada epis\u00f3dio?<\/strong><br \/>\nComo temos um hist\u00f3rico complementar, a gente acaba vendo os epis\u00f3dios com um pouco de anteced\u00eancia e criamos um documento em conjunto com todas nossas primeiras impress\u00f5es. Com esse documento pronto, a gente pega as coisas que mais impactaram cada um e come\u00e7a a montar o roteiro do que vai ser o podcast mesmo, porque em uma s\u00e9rie com tanta refer\u00eancia e impacto como a <em>Lovecraft Country<\/em>, \u00e9 imposs\u00edvel a gente falar de tudo de maneira minuciosa. Assim, a gente mira em quest\u00f5es tem\u00e1ticas e que podem trazer algo a mais para a vida dos ouvintes, tanto pela s\u00e9rie, quanto para ressignificar muitas coisas que nos foram ensinadas sobre ra\u00e7a, g\u00eanero, cultura e tudo mais que a gente consegue.<\/p>\n<p><strong><em>Territ\u00f3rio Lovecraft<\/em> \u00e9 uma s\u00e9rie que aborda temas muito atuais apesar de se passar em outro per\u00edodo. Para voc\u00ea, qual \u00e9 a import\u00e2ncia dos assuntos abordados na obra e principalmente pelo fato de ser dentro de um g\u00eanero em que normalmente os negros n\u00e3o est\u00e3o como protagonistas?<\/strong><br \/>\nA import\u00e2ncia de s\u00e9ries como<em> Lovecraft Country<\/em> \u00e9 de mostrar que n\u00e3o importa o monstro interdimensional que voc\u00ea pode enfrentar, parece que o homem sempre inventa algum monstro ainda maior e mais perigoso. Na s\u00e9rie, vemos isso atrav\u00e9s do racismo estrutural americano e como isso mexe com gera\u00e7\u00f5es inteiras de homens e mulheres pretas. O impacto disso \u00e9 sentido em todas as camadas da sociedade, desde como as personagens se relacionam entre elas at\u00e9 no tamanho dos seus sonhos poss\u00edveis, que muitas vezes se tornam imposs\u00edveis. Ent\u00e3o, ao trazer os pretos para o centro dessas narrativas, a gente naturalmente tem de enfrentar essas narrativas de frente e olhar para o lado, para ver que algumas delas ainda acontecem hoje em dia. A\u00ed tudo dando certo, a gente consegue come\u00e7ar esse di\u00e1logo entre n\u00f3s para ressignificar tudo isso, e que possamos ter um futuro melhor e mais justo para todo mundo.<\/p>\n<p><strong>A s\u00e9rie tem esse retrato hist\u00f3rico tamb\u00e9m. Para voc\u00ea, qual \u00e9 a import\u00e2ncia de trazer esse recorte da hist\u00f3ria racial e de segrega\u00e7\u00e3o nos EUA?<\/strong><br \/>\nNesse momento que estamos com movimentos sociais nos holofotes do mundo todo, uma pandemia mundial fazendo a gente rever uma por\u00e7\u00e3o de coisas que a gente considerava certa e v\u00e1rias outras quest\u00f5es mundiais, \u00e9 muito valioso um produto pop como o <em>Lovecraft Country<\/em> trazer ainda mais elementos importantes para a discuss\u00e3o. Ainda mais esses elementos estando no meio uma narrativa \u00e1gil e divertida e n\u00e3o apenas ser uma discuss\u00e3o cabe\u00e7a e militante. A milit\u00e2ncia da Misha Green est\u00e1 em cada escolha que ela faz com a Letitia e o Atticus. A cada vez que ela coloca um peda\u00e7o de um discurso do James Baldwin ou uma m\u00fasica da Nina Simone. Quando ela mostra que o sonho de uma mulher preta, gorda e talentosa como a Ruby, \u00e9 s\u00f3 de trabalhar em uma loja de departamento e mesmo assim ela n\u00e3o consegue. Ent\u00e3o, ao iluminar e questionar o passado, a gente discute o agora. Ser\u00e1 que mudou mesmo? Ser\u00e1 que \u00e9 diferente? Ser\u00e1 que a gente mudou? E em muitas coisas digo que sim. Mas em muitas outras, com certeza n\u00e3o, e com a ajuda da fic\u00e7\u00e3o a gente consegue cada vez mais ter esses papos, como esse que a gente est\u00e1 tendo agora que ao falar de um podcast de uma s\u00e9rie a gente fala da condi\u00e7\u00e3o do negro nos EUA e aqui. Essa \u00e9 a import\u00e2ncia principal e fico muito feliz que, para o podcast, a gente consiga n\u00e3o s\u00f3 comentar esse recorte da hist\u00f3ria americana, mas tamb\u00e9m conseguimos atrav\u00e9s da Milena e do Valter, fazer um recorte da nossa realidade brasileira tamb\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lovecraft Country, s\u00e9rie de Jordan Peele e J.J. Abrams, aborda quest\u00f5es raciais em narrativa de sci-fi e horror. 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