{"id":17035,"date":"2021-02-20T06:47:42","date_gmt":"2021-02-20T09:47:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=17035"},"modified":"2021-02-17T15:13:14","modified_gmt":"2021-02-17T18:13:14","slug":"entrevista-elisa-volpatto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/entrevista-elisa-volpatto\/","title":{"rendered":"&#8220;Comecei a movimentar energia nessa dire\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Elisa Volpatto sobre fazer tramas que abordam viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<h3>Nos \u00faltimos anos, a atriz esteve em <em>Ass\u00e9dio<\/em>, <em>V\u00edtimas digitais<\/em> e <em>Bom dia, Ver\u00f4nica<\/em>, s\u00e9ries sobre a tem\u00e1tica. Confira entrevista com Elisa Volpatto<\/h3>\n<p>De forma consciente ou n\u00e3o, a atriz Elisa Volpatto entrou numa sequ\u00eancia de produ\u00e7\u00f5es que tinham como tem\u00e1tica a viol\u00eancia em diversos \u00e2mbitos. Ela diz que a movimenta\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio em 2016 com o espet\u00e1culo solo <em>PULSO<\/em>, inspirado na vida e obra da escritora Sylvia Plath.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, o assunto apareceu em <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/tres-motivos-para-assistir-assedio-minisserie-da-globo\/\"><em>Ass\u00e9dio<\/em>, narrativa do Globoplay<\/a> com base na hist\u00f3ria do m\u00e9dico Roger Abdelmassih, acusado de abuso sexual de pacientes; <em>V\u00edtimas digitais<\/em>, s\u00e9rie do GNT que abordava crimes de exposi\u00e7\u00e3o digital; e <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/camila-morgado-rouba-a-cena-em-bom-dia-veronica-da-netflix\/\"><em>Bom dia, Ver\u00f4nica<\/em>, da Netflix<\/a>, que retrata diferentes casos de viol\u00eancia contra a mulher. Todas produ\u00e7\u00f5es as quais Elisa integra o elenco.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o acredito muito em coincid\u00eancias e acho que esse assunto da viol\u00eancia contra a mulher, seja na esfera social, pol\u00edtica, dom\u00e9stica acabou tomando o meu pensamento. Acho que comecei a movimentar muita energia nessa dire\u00e7\u00e3o, consciente e inconscientemente&#8221;, explica em entrevista ao <strong>Pr\u00f3ximo Cap\u00edtulo<\/strong>.<\/p>\n<p>Atualmente, Elisa se prepara para mais uma s\u00e9rie. Ela est\u00e1 escalada para o elenco da segunda temporada de <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?s=aruanas\"><em>Aruanas<\/em>, s\u00e9rie do Globoplay<\/a>, que no ano passado estreou na Globo, e que tem o meio ambiente como tem\u00e1tica. Na trama, que teve as filmagens retomadas em janeiro, ela interpreta Ivona, uma conhecida ativista que volta da Europa para ajudar as aruanas.<\/p>\n<p>&#8220;T\u00f4 animada, pois \u00e9 uma s\u00e9rie da maior import\u00e2ncia que coloca as quest\u00f5es ambientais no centro do debate. E em tempos em que o Brasil alcan\u00e7a o recorde em desmatamento na Amaz\u00f4nia, \u00e9 urgente que essas quest\u00f5es se apresentem para o grande p\u00fablico, mesmo que por uma obra de fic\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Confira na entrevista a seguir, Elisa Volpatto falando sobre as experi\u00eancias nas s\u00e9ries e tamb\u00e9m os projetos criados em meio \u00e0 pandemia.<\/p>\n<h2>Entrevista \/\/ Elisa Volpatto<\/h2>\n<figure id=\"attachment_17037\" aria-describedby=\"caption-attachment-17037\" style=\"width: 1196px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17037\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/02\/e10.jpg\" alt=\"\" width=\"1196\" height=\"642\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-17037\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Ita Mazzutti\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Voc\u00ea v\u00eam de uma sequ\u00eancia de s\u00e9ries que retratam situa\u00e7\u00f5es que envolvem viol\u00eancia. Foi uma coincid\u00eancia ou esses assuntos t\u00eam atra\u00eddo a sua aten\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos?<\/strong><br \/>\nEm 2016, antes de participar de <em>Ass\u00e9dio<\/em>, no Globoplay, estreei no teatro um espet\u00e1culo solo chamado <em>PULSO<\/em>, inspirado na vida e na obra da poetisa americana Sylvia Plath &#8211; que foi uma escritora invisibilizada pelo contexto patriarcal e machista onde ela estava inserida nos anos 1950. E lembro que 2016 foi tamb\u00e9m o ano em que tiraram a presidenta Dilma e um momento em que essas estruturas de poder masculinas que t\u00eam nos regido at\u00e9 aqui ficaram muito mais evidentes para mim. N\u00e3o acredito muito em coincid\u00eancias e acho que esse assunto da viol\u00eancia contra a mulher, seja na esfera social, pol\u00edtica, dom\u00e9stica acabou tomando o meu pensamento. Acho que comecei a movimentar muita energia nessa dire\u00e7\u00e3o, consciente e inconscientemente. E quando surgiram ent\u00e3o <em>Ass\u00e9dio<\/em> (Globoplay), <em>V\u00edtimas digitais<\/em> (GNT) e agora <em>Bom dia, Ver\u00f4nica<\/em> (Netflix) parece que tudo foi fazendo cada vez mais sentido pra mim. Quero falar desses assuntos. Quero traz\u00ea-los para a pauta e com isso mover as estruturas. A arte serve pra isso, n\u00e9?<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea vive a quase vil\u00e3 Anita em <em>Bom dia, Ver\u00f4nica<\/em>, s\u00e9rie da Netflix que teve uma \u00f3tima repercuss\u00e3o com p\u00fablico e cr\u00edtica. Como avalia a sua experi\u00eancia na trama? E j\u00e1 podemos pensar em ver Anita novamente na sequ\u00eancia?<\/strong><br \/>\nA Anita foi um superpresente! \u00c9 uma personagem complexa, que ajuda a aprofundar o debate sobre feminismo na s\u00e9rie, na minha opini\u00e3o. Se ela fosse um homem talvez n\u00e3o tiv\u00e9ssemos tanta surpresa com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas atitudes, mas quando vemos uma mulher reproduzindo um comportamento machista daquele jeito, percebemos o quanto estamos todos emaranhados numa ideia de poder pautada pelo masculino. Ela provavelmente cresceu vendo as rela\u00e7\u00f5es se estabelecerem dessa forma e, talvez, por isso veja com naturalidade se comportar assim com outras mulheres. \u00c9 triste e ao mesmo tempo \u00e9 uma realidade. Tomara que possamos trabalhar ainda mais essa sua complexidade na segunda temporada. Tenho vontade de ir mais a fundo na intimidade dela, compreender o passado dessa mulher e o por qu\u00ea de ela agir de forma t\u00e3o hostil num ambiente em que ela j\u00e1 ocupa um lugar de poder. Penso que devem ter acontecido muitas coisas da cria\u00e7\u00e3o dela que a fizeram ser essa pessoa. Tamb\u00e9m t\u00f4 ansiosa pra saber como o Rapha (Raphael Montes) e a Ilana (Casoy) v\u00e3o desenvolver essa trama!<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea estar\u00e1 na segunda temporada de <em>Aruanas.<\/em>\u00a0Tem algo que voc\u00ea pode adiantar sobre a segunda temporada da s\u00e9rie e da sua participa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nInterpreto Ivona, uma conhecida ativista que volta da Europa para ajudar as aruanas na mais importante miss\u00e3o da hist\u00f3ria delas, que tem a ver com a sobreviv\u00eancia da pr\u00f3pria ONG. Agora, o porqu\u00ea de ela voltar, que \u00e9 o seu melhor fio condutor, voc\u00eas v\u00e3o ter que assistir pra saber&#8230; (risos). Retomamos as filmagens em janeiro. T\u00f4 animada, pois \u00e9 uma s\u00e9rie da maior import\u00e2ncia que coloca as quest\u00f5es ambientais no centro do debate. E em tempos em que o Brasil alcan\u00e7a o recorde em desmatamento na Amaz\u00f4nia, \u00e9 urgente que essas quest\u00f5es se apresentem para o grande p\u00fablico, mesmo que por uma obra de fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Na pandemia voc\u00ea lan\u00e7ou um curta-metragem. Como foi essa experi\u00eancia? Acredita que o audiovisual ter\u00e1 influ\u00eancia dessas iniciativas feitas na quarentena? O que vislumbra desse futuro p\u00f3s-pandemia para o audiovisual?<\/strong><br \/>\nTodos n\u00f3s tivemos que nos reinventar durante esse per\u00edodo. Diante da necessidade o ser humano se faz muito criativo. Foi algo muito especial poder fazer esse curta, que foi uma idealiza\u00e7\u00e3o do diretor Andr\u00e9 Gustavo. O meu companheiro, Guto Portugal escreveu o curta pensando em um retrato \u00edntimo de como algumas pessoas se sentiram num momento em que est\u00e1vamos todos, como inconsciente coletivo, muito conectados com a morte. Sou super orgulhosa do resultado porque a gente usou o que tinha, foi filmado no nosso apartamento, com meu celular, a gente usou da nossa sensibilidade para criar mesmo no meio de muitas adversidades. Tenho certeza que essas \u201cnovas formas de produ\u00e7\u00e3o\u201d v\u00e3o influenciar o audiovisual como um todo e vejo isso como algo maravilhoso e potente. Para quem n\u00e3o assistiu ainda, o projeto se chama <em>Cr\u00f4nicas da Pandemia<\/em> e o nosso curta <em>E se fossem crian\u00e7as<\/em> est\u00e1 dispon\u00edvel no meu IGTV (<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/evolpatto\/\">@evolpatto<\/a>). Para assistir aos outros curtas do projeto \u00e9 s\u00f3 acessar o site da <a href=\"http:\/\/o2filmes.com\/\">O2 Filmes<\/a>, que entrou de parceira na finaliza\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea deve estrear no pr\u00f3ximo ano no longa-metragem <em>Depois de Ser Cinza<\/em>. O que pode contar sobre o filme e a sua personagem?<\/strong><br \/>\n\u00c9 o primeiro longa do diretor ga\u00facho Eduardo Wanmacher. \u00c9 um drama que acompanha o personagem Raul (Jo\u00e3o Campos) se relacionar com tr\u00eas mulheres diferentes ao longo de sua vida. Minha personagem, a Isabel, \u00e9 uma artista pl\u00e1stica radicada na Cro\u00e1cia que est\u00e1 em crise com o trabalho e com seu relacionamento. Num impulso ela resolve largar tudo o que construiu ali e se reinventar enquanto artista e mulher. Nessa trajet\u00f3ria acaba conhecendo Raul. Al\u00e9m do Jo\u00e3o, est\u00e3o no elenco as atrizes Branca Messina e Silvia Louren\u00e7o. Al\u00e9m desse filme, no pr\u00f3ximo ano estarei envolvida no processo criativo do novo espet\u00e1culo do VULC\u00c3O [cria\u00e7\u00e3o e pesquisa c\u00eanica], o coletivo de teatro do qual eu fa\u00e7o parte aqui em S\u00e3o Paulo. Vamos adaptar a obra <em>Orlando<\/em>, da Virginia Woolf , que conta a hist\u00f3ria de um homem que ap\u00f3s 300 anos de vida, acorda mulher. A pe\u00e7a ser\u00e1 dirigida por Vanessa Bruno, que tamb\u00e9m dirigiu o meu solo <em>PULSO<\/em>, sobre Sylvia Plath.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, a atriz esteve em Ass\u00e9dio, V\u00edtimas digitais e Bom dia, Ver\u00f4nica, s\u00e9ries sobre a tem\u00e1tica. 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