{"id":18217,"date":"2021-06-28T06:08:35","date_gmt":"2021-06-28T09:08:35","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=18217"},"modified":"2021-06-27T14:21:33","modified_gmt":"2021-06-27T17:21:33","slug":"no-dia-do-orgulho-lgbtqia-globo-exibe-o-especial-falas-de-orgulho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/no-dia-do-orgulho-lgbtqia-globo-exibe-o-especial-falas-de-orgulho\/","title":{"rendered":"No Dia do Orgulho LGBTQIA+, Globo exibe o especial Falas de orgulho"},"content":{"rendered":"<h3>Especial <em>Falas de orgulho<\/em> trar\u00e1 depoimento de oito pessoas sobre as lutas e conquistas da comunidade LGBTQIA+ no pa\u00eds<\/h3>\n<p>A Globo vem aproveitando datas alusivas \u00e0s minorias para exibir especiais dando vozes a elas, geralmente feitos no capricho. Ao <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/especial-falas-negras-merece-ser-visto-sempre-nao-so-em-novembro\/\"><strong>excelente Falas negras<\/strong><\/a> juntaram-se o <em>Falas femininas<\/em> e o <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/especial-falas-da-terra-da-voz-aos-indigenas-na-globo-nesta-segunda-feira\/\"><strong>Falas da terra<\/strong><\/a>. Agora, \u00e9 a vez do <em>Falas de orgulho<\/em>, que vai ao ar nesta segunda-feira (28\/6), <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/influenciador-digital-vitor-dicastro-aponta-que-as-historias-de-lgbtqias-na-ficcao-estao-mais-bem-desenvolvidas\/\"><strong>Dia do Orgulho LGBTQIA+<\/strong><\/a>, depois da novela <em>Imp\u00e9rio<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/dia-internacional-do-orgulho-lgbtqia-abre-espaco-para-a-tematica-chegar-a-televisao-e-ao-streaming\/\"><strong><em>Falas de orgulho<\/em> vai reunir a hist\u00f3ria de oito personagens<\/strong><\/a>, narradas em primeira pessoa e acompanhadas de um clipe em que veremos a rotina de cada um deles. Estar\u00e3o sob os holofotes o jovem transg\u00eanero Richard Alc\u00e2ntara, 24 anos, que faz terapia com horm\u00f4nios e espera na fila do SUS pela cirurgia de retirada dos seios; a transg\u00eanero Ariadne Ribeiro, 40 anos, assessora de apoio comunit\u00e1rio do Unaids; a pedreira e eletricista Geisa Garibaldi, 37 anos cujo um filho de 11 anos v\u00ea com naturalidade a sexualidade dela; a aposentada \u00c2ngela Fontes, 69 anos, que se assumiu para a fam\u00edlia na terceira idade; F\u00e1bio Henrique dos Santos, 30 anos, que tem a drag queen Sasha Zimmer; o delegado da Pol\u00edcia Civil M\u00e1rio Leony, 46 anos, que integra um grupo que combate a LGBTfobia na pol\u00edcia; Maycon Douglas, 27 anos, que demorou a entender a pr\u00f3pria bissexualidade; e a m\u00e9dica Mariana Ferreira, 35 anos, que chegou a se casar na Igreja antes de se revelar l\u00e9sbica.<\/p>\n<p>O <strong>Pr\u00f3ximo Cap\u00edtulo<\/strong> conversou com \u00c2ngela Fontes e com M\u00e1rio Leony sobre as lutas e as conquistas a serem lembradas e celebradas nesta data. Confira!<\/p>\n<h3>Entrevista \/\/ \u00c2ngela Fontes e M\u00e1rio Leony<\/h3>\n<figure id=\"attachment_18210\" aria-describedby=\"caption-attachment-18210\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18210\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho1.jpg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho1-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho1-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho1-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho1-800x433.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho1-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho1-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18210\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Globo\/Divulga\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Leony<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>O especial se chama Falas de orgulho. O Dia Internacional do Orgulho LGBT \u00e9 mais de luta, comemora\u00e7\u00e3o ou de orgulho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c2ngela Fontes<\/strong> &#8211; Acho que esse programa vai dar visibilidade e voz a todos n\u00f3s e vai conseguir atingir muita gente. Muitas pessoas pelo Brasil v\u00e3o ouvir nossos gritos de liberdade e de tudo mais que precisamos. N\u00f3s, idosos, que vivemos tanto tempo dentro do arm\u00e1rio e que lutamos tanto para conquistar os mesmos direitos dos casais heterossexuais, vamos conseguir mostrar ao mundo que podemos ser um casal, que podemos formar uma fam\u00edlia de uni\u00e3o e respeito, que podemos criar nossos filhos com dignidade e amor. Esse programa vai ser muito importante porque vai mostrar para muita gente a nossa luta e, talvez, ajude a reduzir a homofobia que mata tantos LGBTs no Brasil.<\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio Leony<\/strong> &#8211; Eu acredito que seja mais um dia de luta, uma luta cotidiana que enfrentamos nos 365 dias do ano para que um dia n\u00e3o precisemos mais de uma data especial. Mas comemorar as vit\u00f3rias e conquistas tamb\u00e9m \u00e9 fundamental e necess\u00e1rio. Apesar de todas as adversidades, n\u00f3s temos avan\u00e7ado. A exemplo do casamento civil igualit\u00e1rio, o respeito \u00e0s identidades de g\u00eanero, o direito a ado\u00e7\u00e3o&#8230; S\u00e3o conquistas que n\u00e3o ca\u00edram em nosso colo. Foram frutos de muita mobiliza\u00e7\u00e3o, de muita luta, de uma agenda pol\u00edtica que a gente vem construindo e reivindicando h\u00e1 d\u00e9cadas. Comemorar essas vit\u00f3rias \u00e9 importante e nos fortalece, nos irmana, para que possamos avan\u00e7ar ainda mais em busca da plena cidadania LGBT. O orgulho \u00e9 uma consequ\u00eancia da luta. Sem as lutas, vit\u00f3rias e conquistas, n\u00e3o existe orgulho.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de se dar voz \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBQTIA+ em primeira pessoa, como faz o especial?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c2ngela<\/strong> &#8211; Se hoje ainda temos homofobia no Brasil, imagina como era 45 anos atr\u00e1s. No seu trabalho, caso descobrissem, voc\u00ea se tornaria chacota do povo. Voc\u00ea n\u00e3o podia sair ou ir a um barzinho porque, caso algu\u00e9m desconfiasse que voc\u00ea tinha um relacionamento homossexual, voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o era mais bem vista no local. Tamb\u00e9m no meio de seus amigos, voc\u00ea sempre ficava pensando: \u2018se eu revelar isso a esse pessoal com quem convivo, como eles v\u00e3o aceitar?\u2019. O medo sempre estava presente. Fiquei sempre \u00e0s escondidas, sempre dentro do arm\u00e1rio e para mim foi muito dif\u00edcil sair.<\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio<\/strong> &#8211; A import\u00e2ncia de dar voz \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ em primeira pessoa \u00e9 a possibilidade de fazer com que milhares de pessoas como eu possam se enxergar, possam se identificar, possam se perceber ali na telinha. Que essas hist\u00f3rias de resist\u00eancia e supera\u00e7\u00e3o possam fortalecer e servir de inspira\u00e7\u00e3o e encorajamento a milhares de LGBTs. Acho que essa \u00e9 a import\u00e2ncia do protagonismo. O Dia de Orgulho LGBT reivindica visibilidade. N\u00f3s existimos &#8211; e resistimos! Se isso servir, j\u00e1 me sinto muito gratificado. Que o Dia do Orgulho seja um dia para refletirmos sobre a import\u00e2ncia da luta coletiva. Juntes somos mais fortes.<\/p>\n<p><strong>Como e quando voc\u00ea se assumiu gay?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c2ngela<\/strong> &#8211; Praticamente n\u00e3o fui eu que revelei: dei uma entrevista achando que ficaria \u00e0s escondidas. A mat\u00e9ria foi publicada na sexta e, no s\u00e1bado, j\u00e1 estava nas redes sociais. Minha fam\u00edlia toda soube, mas a rea\u00e7\u00e3o deles foi muito bonita. Me deixou mais tranquila. Recebi parab\u00e9ns de todos os meus sobrinhos, de todas as minhas cunhadas, de meus irm\u00e3os. S\u00f3 elogios e palavras bonitas. Inclusive, um de meus sobrinhos me escreveu assim: \u201cTia, n\u00e3o d\u00ea satisfa\u00e7\u00e3o de sua vida a ningu\u00e9m. Voc\u00ea sempre trabalhou, \u00e9 independente financeiramente \u2014 voc\u00ea \u00e9 respons\u00e1vel pela sua vida. D\u00ea satisfa\u00e7\u00f5es de sua vida a si mesma. Viva feliz. Viva sua vida como voc\u00ea quiser!\u201d. Com isso, consegui realmente apresentar a Wilman como minha esposa e hoje vivemos mais tranquilas.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cTirei um peso das minhas costas. Parecia que minha coluna estava envergando, de tanto peso que eu levava.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>M\u00e1rio<\/strong> &#8211; N\u00e3o gosto muito da express\u00e3o \u201cse assumir\u201d porque \u00e9 algo cont\u00ednuo. N\u00e3o \u00e9 da noite para o dia; n\u00e3o tem um dia espec\u00edfico. Acontece \u00e0 medida que a sexualidade e o desejo v\u00e3o despertando em voc\u00ea. O dia em que me declarei gay publicamente foi um divisor de \u00e1guas pra mim. Foi em 2007, em um semin\u00e1rio no Rio de Janeiro em que fui como pesquisador da academia de pol\u00edcia &#8211; o primeiro sobre preven\u00e7\u00e3o e combate \u00e0 homofobia. O tema da minha disserta\u00e7\u00e3o era \u201cHomofobia: Controle Social e Pol\u00edticas P\u00fablicas de Atendimento\u201d. Quando percebi a animosidade da sociedade civil e das lideran\u00e7as do movimento LGBT, me senti instigado a falar da minha pesquisa no p\u00falpito. Eu era muito t\u00edmido, mas subi e me apresentei falando &#8220;Sou M\u00e1rio, delegado de pol\u00edcia do Departamento de Homic\u00eddios de Aracaju, gay com muito orgulho e policial com muito orgulho\u201d. O audit\u00f3rio veio abaixo (risos). Naquele momento, assumi o compromisso de voltar para Sergipe e empunhar a bandeira da diversidade dentro e fora da minha institui\u00e7\u00e3o, a Pol\u00edcia Civil.<\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio, a escolha de sua profiss\u00e3o teve liga\u00e7\u00e3o com sua sexualidade, como uma forma de punir o preconceito, a intoler\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio<\/strong> &#8211; A escolha do Direito &#8211; e depois da carreira de delegado &#8211; como profiss\u00e3o teve a ver com o ideal de justi\u00e7a e de combate \u00e0s opress\u00f5es. Quando jovem, fiz essa escolha de uma forma muito romantizada e ing\u00eanua. Depois se tornou algo concreto e, apesar de todas as adversidades, o cargo que eu ocupo me d\u00e1 ferramentas que permitem que eu possa reunir ind\u00edcios de autoria e de materialidade desses crimes, para que esses agressores sejam responsabilizados.<\/p>\n<p><strong>Teve medo de n\u00e3o ter o respeito da corpora\u00e7\u00e3o policial ou mesmo de perder a autoridade com bandidos por ser gay? Isso nunca aconteceu?<\/strong><\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio<\/strong> &#8211; Tive, sim. No in\u00edcio da minha carreira, logo quando ingressei, tive muito medo da homofobia e de n\u00e3o ser respeitado pela minha corpora\u00e7\u00e3o. Mas isso nunca aconteceu. Acho que isso est\u00e1 muito relacionado com a forma que voc\u00ea conduz, e tamb\u00e9m como conduz o seu trabalho: com profissionalismo, com respeito aos colegas.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEu respeito para ser respeitado\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Mas nunca teve problema?<\/strong><\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio<\/strong> &#8211; Houve uma situa\u00e7\u00e3o em que fui deslocado para trabalhar num local, reconhecidamente, mais hostil, dif\u00edcil. Embora n\u00e3o tenha certeza, acredito que tenha sido mandado pra l\u00e1 por causa da minha sexualidade. Talvez achassem que eu n\u00e3o suportaria e ia pedir pra sair. S\u00f3 que fiz o movimento exatamente contr\u00e1rio. Eu percebi a hostilidade da comunidade e eu fui com uma proposta completamente diferente. Comecei a me reunir com eles \u00e0 noite. E comecei a ter a confian\u00e7a deles. Eu fiz um trabalho de pol\u00edcia comunit\u00e1ria e eles entenderam o que eu estava propondo com muito respeito, sem esse estigma do delegado truculento. Foi t\u00e3o bom que, quando sa\u00ed de l\u00e1, eles fizeram um abaixo-assinado para que eu voltasse. E eu me orgulho muito dessa passagem.<\/p>\n<p>Fico at\u00e9 emocionado quando eu lembro. Existem formas e formas de se pensar a pol\u00edcia, inclusive uma que seja promotora de Direitos Humanos e pedagoga da cidadania, uma pol\u00edcia comunit\u00e1ria.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEu acho que a minha milit\u00e2ncia no movimento dos policiais antifascismo se d\u00e1 nessa perspectiva de buscar ressignificar o nosso papel.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Voc\u00ea \u00e9 delegado e deve se deparar com crimes de LGBTfobia no seu dia a dia. Como lida com isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio<\/strong> &#8211; Eu j\u00e1 peguei alguns casos de assassinatos de LGBTs. Esses crimes mexem muito comigo, como assassinatos de vulner\u00e1veis ou grupos vulnerabilizados da nossa sociedade: feminic\u00eddios, crimes LGBTf\u00f3bicos, crimes contra crian\u00e7as e adolescentes. Lido com isso buscando reunir todas as ferramentas que o meu cargo me permite reunir pra conseguir elucidar esses crimes e responsabilizar esses agressores. Pelo lado pessoal, eu busco trabalhar a minha espiritualidade na terapia. Busco me fortalecer para que esses epis\u00f3dios n\u00e3o me abatam assim, para que eu n\u00e3o adoe\u00e7a no exerc\u00edcio da minha profiss\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18219\" aria-describedby=\"caption-attachment-18219\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18219\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho3.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho3.jpg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho3-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho3-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho3-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho3-800x433.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho3-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/06\/falas_orgulho3-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18219\" class=\"wp-caption-text\">Wilman e \u00c2ngela<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u00c2ngela, antes de se assumir, voc\u00ea levava como se fosse uma vida \u00e0s escondidas? Como era isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c2ngela<\/strong> &#8211; Antes de me assumir, vivi por 10 anos com uma pessoa que era homof\u00f3bica. Era muito dif\u00edcil porque eu n\u00e3o podia, por exemplo, enviar um ramalhete de flores. N\u00e3o podia fazer um gesto de carinho, caso a gente estivesse em p\u00fablico. Mesmo um simples olhar, jamais fiz e jamais poderia fazer. Foi muito dif\u00edcil. J\u00e1 com a Wilman foi mais tranquilo. Quando fui morar com ela, a fam\u00edlia dela toda j\u00e1 sabia que t\u00ednhamos um relacionamento. Mesmo assim, \u00e0s vezes ainda \u00e9 muito dif\u00edcil. Quando voc\u00ea vai a um hotel, por exemplo, sempre nos veem como duas amigas, n\u00e3o como um casal. Se voc\u00ea vai a um restaurante, a mesma coisa. Se voc\u00ea faz uma viagem, talvez te coloquem at\u00e9 separados. Isso \u00e9 muito ruim.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea passou por algumas gera\u00e7\u00f5es. O preconceito no Brasil vem diminuindo com o tempo? Est\u00e1 mais f\u00e1cil se assumir l\u00e9sbica nos dias de hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c2ngela<\/strong> &#8211; Sim, hoje no Brasil est\u00e1 mais f\u00e1cil. Hoje, em v\u00e1rios lugares que vamos, j\u00e1 nos apresentamos como \u201cesposas\u201d. N\u00e3o nos apresentamos mais como \u201camigas\u201d ou \u201ccompanheiras\u201d. Se quero enviar flores a ela, digo que estou enviando para a minha esposa. Quando passeamos em S\u00e3o Paulo, aos domingos, na Paulista, andamos de m\u00e3os dadas. At\u00e9 nos atrevemos a dar um selinho (risos). A cidade onde moramos agora \u00e9 bem pequena, mas todos sabem do nosso relacionamento. Uma das coisas mais gostosas que tive o prazer de sentir foi que as pessoas da minha fam\u00edlia, agora, quando me enviam convites de casamento, mandam com meu nome e o de minha esposa. Isso era muito dif\u00edcil antigamente. Vinha s\u00f3 com o nome de uma e a outra n\u00e3o se sentia convidada a ir \u00e0quela festa.<\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio, voc\u00ea \u00e9 casado e est\u00e1 na fila de espera pela ado\u00e7\u00e3o. As pessoas ainda &#8220;olham torto&#8221; quando veem dois homens ou duas mulheres adotando uma crian\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio<\/strong> &#8211; Infelizmente existem pessoas que olham torto quando dois homens ou duas mulheres adotam uma crian\u00e7a, quando expressam o seu amor ou seu afeto com um carinho, uma car\u00edcia ou um beijo publicamente. As pessoas ainda se incomodam por conta de seu preconceito.<\/p>\n<p><strong>Como mudar isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio<\/strong> &#8211; Acho que com educa\u00e7\u00e3o, avan\u00e7ando em pol\u00edticas p\u00fablicas por uma educa\u00e7\u00e3o mais inclusiva. Acho que a gente precisa naturalizar o amor e desnaturalizar o preconceito. Esse programa tem uma fun\u00e7\u00e3o social muito grande porque ele busca o cotidiano de cada um dos oito personagens para despertar empatia em quem est\u00e1 assistindo. E s\u00e3o milhares de lares brasileiros que v\u00e3o assistir e que podem despertar para o fato de que n\u00f3s temos as nossas diferen\u00e7as, mas somos parecidos em muita coisa.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO que nos move \u00e9 o amor, da mesma forma.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O processo de ado\u00e7\u00e3o teoricamente n\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil para um casal homoafetivo. Na pr\u00e1tica, tamb\u00e9m n\u00e3o houve entraves por preconceito?<\/strong><\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio<\/strong> &#8211; O processo de ado\u00e7\u00e3o hoje, de casais homo ou transafetivos, est\u00e1 pacificado na nossa jurisprud\u00eancia. O que n\u00e3o significa que na pr\u00e1tica n\u00e3o haja entraves. Sim, h\u00e1 casos de promotores e ju\u00edzes que, por conta do preconceito, colocam obst\u00e1culos. Infelizmente esses entraves acontecem e, quando acontecem, precisam ser denunciados aos \u00f3rg\u00e3os competentes, no Conselho Nacional de Justi\u00e7a, na corregedoria do Tribunal de Justi\u00e7a, para que seja instaurado um procedimento administrativo disciplinar contra esse magistrado, contra esse delegado, contra esse juiz, promotor ou seja l\u00e1 quem for que tenha praticado algum abuso de poder ou de autoridade.<\/p>\n<p><strong>Que Brasil voc\u00ea espera para seus filhos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio<\/strong> &#8211; A nossa milit\u00e2ncia por direitos humanos busca deixar um legado para os nossos filhos, nossos netos: um pa\u00eds menos desigual e mais justo, onde as pessoas dos segmentos mais vulnerabilizados da sociedade tenham assegurados os seus direitos e a sua cidadania plena.<\/p>\n<p><strong>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade LGBTQIA+ houve alguns avan\u00e7os sociais, mas ainda h\u00e1 muito o que avan\u00e7ar. Quais pontos voc\u00ea acha serem mais urgentes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c2ngela<\/strong> &#8211; Avan\u00e7amos muito, mas ainda precisamos conquistar muito mais. Precisamos garantir o casamento civil, em leis. Precisamos de sa\u00fade p\u00fablica com cuidado especial para mulheres e homens transg\u00eanero. Seguran\u00e7a para todos, para os idosos e para os jovens LGBTs, que muitas vezes vemos serem espancados ou mortos sem que ningu\u00e9m fa\u00e7a nada.<\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio<\/strong> &#8211; Muita luta e muitos avan\u00e7os. Conquistamos o casamento civil igualit\u00e1rio reconhecido pela jurisprud\u00eancia &#8211; n\u00e3o pela lei, infelizmente -, a ado\u00e7\u00e3o homoparental, respeito ao nome social, reconhecimento e possibilidade de retifica\u00e7\u00e3o dos registros civis por travestis e transsexuais, a criminaliza\u00e7\u00e3o da homofobia, direito a doa\u00e7\u00e3o de sangue por LGBTs.<\/p>\n<p>Entre os pontos mais urgentes, a educa\u00e7\u00e3o inclusiva. Que os nossos educadores sejam capacitados e qualificados para saber acolher e proteger um jovem LGBT. E que esses educadores tamb\u00e9m despertem isso em seus alunos. Os nossos jovens LGBTs s\u00e3o &#8220;expulsos&#8221; da escola por sofrerem bullying. Sem a educa\u00e7\u00e3o inclusiva, o nosso trabalho &#8211; l\u00e1 na outra ponta &#8211; \u00e9 o de enxugar gelo.<\/p>\n<p>A gente tamb\u00e9m precisa avan\u00e7ar em pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o e conten\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. Via de regra, os estados est\u00e3o de costas para esse atendimento a essa popula\u00e7\u00e3o. E o resultado disso \u00e9 que somos o pa\u00eds que mais mata LGBTs, principalmente pessoas trans.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m precisamos de forma\u00e7\u00e3o permanente dos nossos policiais &#8211; para que eles saibam como abordar ou revistar uma pessoa trans, por exemplo. \u00c9 preciso que haja campanhas de fomento \u00e0 den\u00fancia, voltadas para a sociedade. Campanhas de preven\u00e7\u00e3o voltadas \u00e0 comunidade LGBT. A gente precisa valorizar as delegacias especializadas, que s\u00e3o as que t\u00eam mais condi\u00e7\u00f5es de fazer uma investiga\u00e7\u00e3o mais apurada desses crimes e evitar que caiam na impunidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especial Falas de orgulho trar\u00e1 depoimento de oito pessoas sobre as lutas e conquistas da comunidade LGBTQIA+ no pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"author":57,"featured_media":18220,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[4142,22],"class_list":["post-18217","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-programas","tag-falas-do-orgulho","tag-globo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/57"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18217"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18217\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18221,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18217\/revisions\/18221"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}