{"id":18788,"date":"2021-08-22T05:52:21","date_gmt":"2021-08-22T08:52:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=18788"},"modified":"2021-08-20T14:23:57","modified_gmt":"2021-08-20T17:23:57","slug":"atores-brasilienses-brilham-como-drags-em-pega-pega","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/atores-brasilienses-brilham-como-drags-em-pega-pega\/","title":{"rendered":"Atores brasilienses brilham como drags em Pega pega"},"content":{"rendered":"<h3>Alessandro Brand\u00e3o e Gabriel Sanches vivem as drag queens Rouge e R\u00fabia na novela <em>Pega pega<\/em>. Tom de leveza refor\u00e7a a import\u00e2ncia das personagens<\/h3>\n<p>Os atores brasilienses Alessandro Brand\u00e3o e Gabriel Sanches est\u00e3o mais do que acostumados com o universo drag queen. Titulares do conceituado projeto Sara e Nina, eles foram parar na novela <em>Pega pega<\/em> (2018), trama de Cl\u00e1udia Souto que <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/malagueta-pedrinho-e-sandra-helena-estao-de-volta-pega-pega-reestreia-nesta-segunda-feira\/\"><strong>est\u00e1 sendo reprisada \u00e0s 19h, na Globo<\/strong><\/a>, como Rouge e R\u00fabia.<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos depois, a import\u00e2ncia das personagens parece ainda maior. \u201cEm <em>Pega pega<\/em>, as pessoas podem ver quest\u00f5es importantes de forma leve, amorosa e sem banalizar ou enfraquecer nossas quest\u00f5es\u201d, afirma Alessandro, em entrevista ao <strong>Correio<\/strong>. \u201cLevar o personagem \u00e0 novela \u00e9 oferecer representatividade e inclus\u00e3o para aqueles que se identificam e, muitas vezes, n\u00e3o se veem fazendo parte de lugares de destaque e import\u00e2ncia social\u201d, completa Gabriel.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, Gabriel Sanches e Alessandro Brand\u00e3o falam sobre representatividade, adiantam os pr\u00f3ximos passos na telinha e se declaram para Bras\u00edlia. Confira!<\/p>\n<h2>Entrevista \/\/ Gabriel Sanches e Alessandro Brand\u00e3o<\/h2>\n<figure id=\"attachment_18790\" aria-describedby=\"caption-attachment-18790\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel-e-alessandro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18790\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel-e-alessandro.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel-e-alessandro.jpg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel-e-alessandro-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel-e-alessandro-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel-e-alessandro-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel-e-alessandro-800x433.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel-e-alessandro-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel-e-alessandro-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18790\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Oseias Barbosa<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><em>Pega pega<\/em> \u00e9 uma novela leve, das 19h, mas toca em assuntos relevantes. Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de um personagem drag queen estar nesse contexto?<\/strong><br \/>\n<strong>Gabriel<\/strong> \u2014 Todo assunto pode e deve ser leve. Mas n\u00e3o \u00e9 para ser leviano ou superficial. Leve, eu quero dizer livre de tabu, livre de preconceito, de estigma. \u00c9 preciso libertar nosso pensamento dos julgamentos e estigmas. Conceitualmente, o hor\u00e1rio das 19h \u00e9 para hist\u00f3rias leves. Ali tamb\u00e9m pode ser falado sobre tudo. Desproblematizando as diferen\u00e7as, libertando as crendices, alargando a reflex\u00e3o. E tudo isso, muitas vezes, por meio do riso. A R\u00fabia fez hist\u00f3ria desse jeito. Uma personagem que entrou despretensiosamente na trama e foi sendo requisitada pelo p\u00fablico. Muita gente, inclusive, torceu e \u201cshippou\u201d o casal R\u00fabia e Pedrinho (Marcos Caruso).<br \/>\n<strong>Alessandro<\/strong> \u2014 \u00c9 muito importante trazer pautas LGBTQIAP+ para todos os lugares, para que as pessoas vejam e se aproximem das nossas demandas. Em Pega pega, as pessoas podem ver quest\u00f5es importantes de forma leve, amorosa, e sem banalizar ou enfraquecer nossas quest\u00f5es. Umas das maiores relev\u00e2ncias da Rouge\/Rog\u00e9rio \u00e9 esse desvelar da drag queen.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acha que trazer uma drag para a novela das 19h tem impacto na aceita\u00e7\u00e3o por parte da sociedade?<\/strong><br \/>\n<strong>Gabriel \u2014<\/strong> Claro! Porque traz conhecimento e informa\u00e7\u00e3o. Tem gente que n\u00e3o conhece por falta de acesso, tem gente que nega, que n\u00e3o quer ver ou saber por preconceito e ignor\u00e2ncia. S\u00f3 que o conhecimento \u00e9 o que nos liberta. Ent\u00e3o, levar uma drag queen ao p\u00fablico de novela \u2014 principalmente \u00e0s 19h, quando a fam\u00edlia pode se reunir, o p\u00fablico jovem est\u00e1 junto \u2014 \u00e9 levar possibilidade de descoberta, de acesso ao desconhecido. E \u00e9 tamb\u00e9m oferecer representatividade e inclus\u00e3o para aqueles que conhecem, que se identificam e, muitas vezes, n\u00e3o se veem fazendo parte de lugares de destaque e import\u00e2ncia social.<\/p>\n<p><strong>Alessandro Brand\u00e3o<\/strong> &#8211; Sim, e muito. N\u00e3o s\u00f3 por trazer uma drag queen, mas por revelar a vida dessa drag. Porque as pessoas podem ver que n\u00f3s n\u00e3o somos desconectados do mundo e isso tira esse estigma de que n\u00f3s temos sempre assuntos muito duros, que somos agressivos e de dif\u00edcil trato. Mostra que, apesar de todo o conflito e sofrimento que passamos, n\u00f3s somos pessoas que tamb\u00e9m trabalham, estudam, pagam impostos, aluguel e que precisam ser vistas como parte integrante da sociedade. E que, acima de tudo, somos pessoas que amam e que querem ser amadas. E isso a Claudia Souto ( autora da novela) fez com muita destreza.<\/p>\n<p><strong>Rouge \u00e9 uma drag queen, mas a trama dela vai al\u00e9m disso, com conflitos como outro personagem qualquer. Qual a import\u00e2ncia disso?<\/strong><br \/>\n<strong>Alessandro<\/strong> \u2014 A maior import\u00e2ncia de Rouge e da R\u00fabia \u00e9 trazer o olhar da popula\u00e7\u00e3o para o universo \u00edntimo da drag queen. Mostrar que somos pessoas que amam, que querem ser amadas. Que vivem uma vida como qualquer outra pessoa que n\u00e3o esteja sob o guarda-chuva da sigla LGBTQIAP+. \u00c9 preciso quebrar o estigma de ser exclu\u00eddo, impr\u00f3prio, proibido. Trazer a p\u00fablico que somos lindes, animades, amoroses, felizes, capazes e queremos mostrar isso pra sociedade. E estar em uma novela das 19 que alcan\u00e7a todas as faixas et\u00e1rias \u00e9 maravilhoso e de extrema import\u00e2ncia para isso.<br \/>\n.<\/p>\n<p><strong>Da primeira vez que a novela foi exibida, como foi a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico ao personagem?<\/strong><br \/>\n<strong>Gabriel<\/strong> \u2014 Eu s\u00f3 recebi carinho! Em todo o lugar que ia sempre me paravam para comentar alguma coisa. A vez mais marcante, para mim, foi quando eu estava no metr\u00f4 do Rio e uma mulher me chamou para conversar dizendo que ela assistia \u00e0 novela todo dia com o filho dela por causa da R\u00fabia. Ela dizia que o filho era novo ainda, mas que tinha muita vontade de se montar, que assistir \u00e0 R\u00fabia na televis\u00e3o a ajudava a desmistificar a arte drag, o universo LGBTQIA+. Ela me agradeceu com l\u00e1grimas nos olhos. E eu me emocionei junto com ela. No final, nos demos um abra\u00e7o forte e eu s\u00f3 conseguia pensar que o que eu estava fazendo cumpria prop\u00f3sitos at\u00e9 maiores do que eu podia prever.<\/p>\n<p><strong>Espera que desta vez, com a reprise, seja a mesma repercuss\u00e3o? Ou o Brasil est\u00e1 num momento diferente, menos intolerante?<\/strong><br \/>\n<strong>Gabriel<\/strong> \u2014 O Brasil est\u00e1 num momento diferente definitivamente. Mas n\u00e3o diria menos intolerante. Ali\u00e1s, pelo contr\u00e1rio. Vivemos um momento de muita tens\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da pandemia e da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ambas s\u00e3o raz\u00f5es de muito desamparo, desespero, frustra\u00e7\u00e3o, luto. E o nosso contexto pol\u00edtico, na verdade, agrava ainda mais a crise sanit\u00e1ria gerada pela pandemia. Num contexto como o que estamos vivendo, honestamente, n\u00e3o sei o que esperar da repercuss\u00e3o da novela. Mas tor\u00e7o para que tenhamos dias melhores em breve, que tenhamos a popula\u00e7\u00e3o vacinada e que saibamos votar melhor nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<strong>Alessandro \u2014<\/strong> Eu espero que dessa vez seja ainda maior a repercuss\u00e3o. Pois precisamos, a sociedade precisa. N\u00e3o acho que o Brasil esteja num momento menos intolerante, n\u00e3o. Continuamos a ser o pa\u00eds que mais mata pessoas LGBTQIAP+ e tristemente superamos essa marca a cada ano. O que vejo \u00e9 que nossa luta e nossa resist\u00eancia est\u00e3o mais aparente por causa das redes sociais. Mas o Brasil est\u00e1 longe de superar toda essa LGBTfobia. Somos um dos pa\u00edses mais perigosos para uma pessoa LGBTQIAP+ viver. Ver <em>Pega pega<\/em> no ar de novo com essas personagens t\u00e3o lindas me d\u00e1 um sopro de alegria.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18792\" aria-describedby=\"caption-attachment-18792\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18792\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel.jpg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel-800x433.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2021\/08\/gabriel-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18792\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Arquivo Pessoal. Gabriel Sanches como R\u00fabia<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Voc\u00ea teme ficar estigmatizado com esse personagem na televis\u00e3o?<\/strong><br \/>\n<strong>Gabriel \u2014<\/strong> Eu sou um artista t\u00e3o dedicado, t\u00e3o diverso, entregue, estudioso. Posso fazer tanta coisa. \u00c9 triste me reduzir a uma vers\u00e3o s\u00f3. Eu temo falta de trabalho, falta de oportunidade. Tenho raiva de preconceito. Mas tenho muito orgulho do que fa\u00e7o. Se algu\u00e9m tentar me reduzir a um estere\u00f3tipo, ela estar\u00e1 me tratando com o preconceito dela.<br \/>\n<strong>Alessandro \u2014<\/strong> N\u00e3o temo ficar estigmatizado. Eu passei minha vida sendo estigmatizado como o garoto gay, o viadinho da quadra, a crian\u00e7a viada do col\u00e9gio Objetivo. Quando olhei para mim e vi que sou a pot\u00eancia que sou, eu me livrei do estigma. Meu trabalho como drag queen tem muita relev\u00e2ncia. Para mim, \u00e9 um lugar de luta. Eu quero conquistar mais lugares, fazer personagens diferentes porque eu sei que sou capaz.<\/p>\n<p><strong>Como eram os bastidores de Pega pega? Rouge aprontava muito?<\/strong><br \/>\n<strong>Alessandro Brand\u00e3o<\/strong> &#8211; Era uma del\u00edcia. Estou lembrando aqui e dando muita risada (queria colocar um emoji de risada agora, porque sou cringe). A gente se divertia demais, no camarim, no est\u00fadio, na cidade cenogr\u00e1fica. A gente ria muito. Todos n\u00f3s, diretores, t\u00e9cnicos, atores. Imagina quatro drags aprontando nos camarins. A gente levava umas quatro horas s\u00f3 na maquiagem. Os maquiadores amavam quando a gente chegava para gravar. E todos adoravam estar l\u00e1 com a gente, Marcos Caruso, Camila Queiroz, Elizabeth Savalla, Guilherme Weber. Era demais. Lembran\u00e7as maravilhosas eu tenho.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas t\u00eam o projeto Sara e Nina, tamb\u00e9m desse universo de R\u00fabia e Rouge. Como a est\u00e9tica drag chegou a voc\u00ea?<\/strong><br \/>\n<strong>Gabriel \u2014<\/strong> O convite para fazer o teste para a R\u00fabia veio justamente por causa desse meu outro trabalho. Em 2010, eu e Alessandro desenvolvemos um projeto chamado O manifesto do bicho, para um festival do Rio de Janeiro. A partir desse espet\u00e1culo, descobri um mundo de possibilidades na minha feminilidade e comecei a investigar isso. E descobri o mundo drag. Assistia a todas temporadas de RuPaul\u2019s Drag Race repetidamente. At\u00e9 que, em 2014, uma amiga estilista nos convidou a posar montados para um cat\u00e1logo de moda dela. No dia em que nos montamos juntos para essa sess\u00e3o de fotos, surgiu a dupla Sara e Nina, que, em 2016, se tornou um trabalho musical. De l\u00e1 para c\u00e1, temos essa vertente de nosso trabalho art\u00edstico. Sara e Nina, atualmente, s\u00e3o uma banda gravando o segundo \u00e1lbum.<br \/>\nAlessandro \u2014 Eu e Gabriel t\u00ednhamos fundado um grupo de estudos e experimentos art\u00edsticos, o In.pulso, e nossa pesquisa estava toda se voltando para as quest\u00f5es de g\u00eanero. Foi a\u00ed que sentimos que era hora de deixar as meninas, que estavam quietinhas em n\u00f3s desde pequenos, aparecer. Estavam quietinhas porque crescemos ouvindo que isso era errado, mas o teatro, o trabalho art\u00edstico nos deu for\u00e7a e chegaram Sara e Nina. Ser drag \u00e9 uma ato de coragem.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas s\u00e3o brasilienses. Qual \u00e9 a import\u00e2ncia da cidade na forma\u00e7\u00e3o de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\n<strong>Gabriel<\/strong> \u2014 Eu sou um brasiliense apaixonado! Confesso que quando sa\u00ed de Bras\u00edlia aos 17 anos, n\u00e3o imaginava o quanto a cidade era diferente de toda outra que conheci posteriormente e isso me deixou intrigado e at\u00e9 chateado. Pensava \u201cmeu Deus, eu estava vivendo numa ilha isolada!\u201d Com o tempo, fui percebendo o que \u00e9 que me forma enquanto brasiliense. Uma das caracter\u00edsticas mais marcantes pra mim \u00e9 que convivi a vida toda com gente de tudo quanto \u00e9 estado desse pa\u00eds. Meus pais s\u00e3o mineiros de BH, meus av\u00f3s s\u00e3o mineiros do interior. Uma das minhas melhores amigas era da Para\u00edba, meus primos eram de Goi\u00e2nia, outros do Rio de Janeiro, uma tia morava em S\u00e3o Paulo, fui apaixonado por uma menina do Acre, meu ex-marido tinha a fam\u00edlia entre Salvador e Macei\u00f3. Olha quanta diversidade cultural na minha forma\u00e7\u00e3o! Um dos pilares da cultura brasiliense \u00e9 justamente ser uma cidade jovem, formada por gente de todos os cantos, uma identidade em forma\u00e7\u00e3o. Isso sou eu tamb\u00e9m. S\u00f3 conheci o teatro formalmente com 15 anos. Antes disso, eu tinha feito teatro sem saber direito o que era. Eu montava pe\u00e7as no quintal da minha av\u00f3 e vendia entrada para os vizinhos. Eu fazia teatro, mas n\u00e3o sabia que eu poderia fazer aquilo como escolha de vida.<br \/>\n<strong>Alessandro \u2014<\/strong> Import\u00e2ncia total. Bras\u00edlia est\u00e1 em mim, me formou, me fez ser quem sou hoje. Eu tive tempo de me formar artista, e acho que s\u00f3 em Bras\u00edlia isso seria poss\u00edvel porque Bras\u00edlia tinha espa\u00e7o. \u00c9ramos ainda poucos artistas por a\u00ed. A gente conhecia todo mundo. Eu acredito que sou da segunda gera\u00e7\u00e3o de artistas da cidade. Abracei tudo o que podia: dan\u00e7a, teatro, m\u00fasica. Eu me formei em bal\u00e9 na escola da Norma Lillia; fiz artes c\u00eanicas na UnB; tive tempo pra estudar canto. Tive mestres maravilhosos, como Norma Lillia, Hugo Rodas, Genilson Pulccineli, Giselle Rodrigues, Adriano e Fernando Guimar\u00e3es. Em Bras\u00edlia, ningu\u00e9m me colocava em caixinhas, eu fazia de tudo.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o muitas hist\u00f3rias, ent\u00e3o\u2026<\/strong><br \/>\n<strong>Alessandro<\/strong> \u2014 Tenho muitas hist\u00f3rias divertidas de quando trabalhava a\u00ed. As pessoas j\u00e1 sabiam que eu cochilava em qualquer lugar. Adriano Guimar\u00e3es j\u00e1 sabia: quando eu sumia, ele me procurava por entre as cadeiras da plateia que, com certeza, eu estava dormindo por l\u00e1. Uma vez, ensaiando com o Hugo Rodas, tinha um ba\u00fa em cena que eu precisava entrar. Entrei e dormi. Acordei depois, sozinho na sala de ensaio. A\u00ed me falaram que o Hugo estava chatead\u00edssimo porque eu fui embora do ensaio sem avisar. Imagina!<\/p>\n<p><strong>Deixar Bras\u00edlia foi uma op\u00e7\u00e3o ou uma necessidade?<\/strong><br \/>\n<strong>Alessandro<\/strong> \u2014 Se eu falar porque sa\u00ed de Bras\u00edlia, ningu\u00e9m acredita. N\u00e3o foi por profiss\u00e3o. Foi para casar mesmo. E foi lindo. Que bom que fiz essa mudan\u00e7a. O Rio me abriu para o mercado art\u00edstico nacional, fiz muito musical, foi o mercado que primeiro me acolheu. E claro tem Sara e Nina, a cereja do bolo. E o casamento? Foram 12 anos de muito amor, me casei com Gabriel, nos separamos h\u00e1 quatro anos e temos um lindo trabalho juntos. O Rio revelou uma pot\u00eancia em mim.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o com a cidade?<\/strong><br \/>\n<strong>Gabriel<\/strong> \u2014 Eu gostaria de visitar mais. Quem sabe at\u00e9 poder passar temporadas maiores. A maior parte da minha fam\u00edlia est\u00e1 em Bras\u00edlia, tenho saudade constante!<br \/>\n<strong>Alessandro<\/strong> \u2014 Eu amo Bras\u00edlia. Minha fam\u00edlia est\u00e1 a\u00ed, mas, por agora, minha vida est\u00e1 aqui no Rio. Tem mais de um ano que n\u00e3o volto a Bras\u00edlia por causa da pandemia. Estou cheio de saudade dos meus pais e irm\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas estar\u00e3o em <em>Quanto mais vida melhor<\/em>, a pr\u00f3xima novela das 19h. O que podem adiantar?<\/strong><br \/>\n<strong>Gabriel<\/strong> \u2014 A novela gira em torno das hist\u00f3rias de quatro personagens que t\u00eam as vidas cruzadas ap\u00f3s um acidente. Uma dessas personagens \u00e9 Paula Terrare (Giovanna Antonelli). Eu sou Roberto Cintra e estarei ao lado de Paula nas opera\u00e7\u00f5es da empresa.<br \/>\n<strong>Alessandro<\/strong> \u2014 Minha personagem \u00e9 uma drag bem diferente de Rouge. Ela \u00e9 n\u00e3o bin\u00e1ria. \u00c9 linda demais, se chama Chefe, n\u00e3o diz o nome pra ningu\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alessandro Brand\u00e3o e Gabriel Sanches vivem as drag queens Rouge e R\u00fabia na novela Pega pega. 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