{"id":1883,"date":"2017-05-21T09:00:21","date_gmt":"2017-05-21T12:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=1883"},"modified":"2017-05-19T14:33:11","modified_gmt":"2017-05-19T17:33:11","slug":"laerte-se-estreia-na-netflix-com-historia-da-cartunista-leia-entrevista-com-laerte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/laerte-se-estreia-na-netflix-com-historia-da-cartunista-leia-entrevista-com-laerte\/","title":{"rendered":"Laerte-se estreia na Netflix com hist\u00f3ria da cartunista. Leia entrevista com a Laerte!"},"content":{"rendered":"<h3>Document\u00e1rio da Netflix, <em>Laerte-se<\/em>, mostra intimidade da cartunista Laerte Coutinho por meio da trajet\u00f3ria e das quest\u00f5es de ser uma mulher<\/h3>\n<p>Foi publicamente que a cartunista Laerte Coutinho, 65 anos, assumiu a identidade de mulher. Apesar disso, ela sempre foi discreta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 intimidade. N\u00e3o se sente \u00e0 vontade em entrevistas, tem resist\u00eancia a se tornar objeto de aten\u00e7\u00e3o e n\u00e3o gosta de ter pessoas dentro de casa. Tudo isso precisou ser superado para o document\u00e1rio <em>Laerte-se<\/em>, dispon\u00edvel na Netflix. O processo, desde a ideia at\u00e9 a finaliza\u00e7\u00e3o, durou tr\u00eas anos e contou com dire\u00e7\u00e3o de Lygia Barbosa da Silva e Eliane Brum, com roteiro tamb\u00e9m assinado por Raphael Scire e Nani Garcia.<\/p>\n<p>A primeira ideia era fazer um document\u00e1rio sobre o trabalho art\u00edstico da cartunista, que tamb\u00e9m passa pela admiss\u00e3o da Laerte mulher \u2014 foi por meio dos personagens Hugo e Muriel que ela mostrou esse desejo. Por sugest\u00e3o de Laerte, o material ganhou outro direcionamento e passou a contar a hist\u00f3ria das mudan\u00e7as na vida da cartunista. O principal questionamento naquele momento, e que segue at\u00e9 hoje, era se Laerte faria uma mudan\u00e7a em seu corpo. \u201cEnt\u00e3o, Laerte prop\u00f4s come\u00e7ar um filme que falasse dessa hist\u00f3ria que ela estava vivendo, se ia colocar peitos e o que significava toda essa mudan\u00e7a na vida dela\u201d, explica Lygia ao\u00a0<strong>Pr\u00f3ximo Cap\u00edtulo.<\/strong><\/p>\n<p>Laerte v\u00ea na decis\u00e3o de fazer a cirurgia uma aud\u00e1cia que tem um valor simb\u00f3lico. \u201cA mudan\u00e7a mais evidente (ap\u00f3s a grava\u00e7\u00e3o de <em>Laerte-se<\/em>) \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cirurgia de implante de seios, que continua indefinida. Mas passei por v\u00e1rios entendimentos do que isso significa (durante o processo)\u201d, revela Laerte.<\/p>\n<p>O principal desafio foi entrar na casa da cartunista \u2014 ato ao mesmo tempo figurativo e literal. \u201cO nosso desafio era encontrar uma nudez, que n\u00e3o era do corpo, que nos levasse a quest\u00f5es e perguntas mais complexas, complicadas e camadas mais fundas, respeitando esse processo de interroga\u00e7\u00e3o da Laerte\u201d, analisa Eliane.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"1440\" height=\"810\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eKHqtmd1_xg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Toda a constru\u00e7\u00e3o de <em>Laerte-se<\/em> \u00e9 levada pela hist\u00f3ria da reforma da casa e, ao mesmo tempo, sobre as transforma\u00e7\u00f5es de Laerte, que define no document\u00e1rio essa rela\u00e7\u00e3o entre os dois atos: \u201cA minha casa \u00e9 inadequada e, por extens\u00e3o, eu sou inadequada\u201d. J\u00e1 o nome do document\u00e1rio tem a ver com o fato de Eliane Brum encarar Laerte como um verbo, \u201cque \u00e9 ao mesmo tempo imperativo e reflexivo\u201d. \u201cEssa \u00e9 a quest\u00e3o mais importante: esse reflexivo. Nesse filme, a gente pensa nas quest\u00f5es da Laerte, mas a gente imagina que traz quest\u00f5es para todas as pessoas\u201d, completa Eliane.<\/p>\n<p>O longa mostra desde as entrevistas de Laerte, em que ela revela o desejo por homens ainda na adolesc\u00eancia e acreditar que n\u00e3o foi um ato de coragem se assumir mulher aos 60 anos, a at\u00e9 momentos \u00edntimos da cartunista, que v\u00e3o desde a rela\u00e7\u00e3o com o neto (que a chama de av\u00f4) at\u00e9 a depila\u00e7\u00e3o: \u201cA primeira roupa foi a retirada dos pelos. Era um prel\u00fadio de tudo.\u201d<\/p>\n<h2>Entrevista com Laerte sobre <em>Laerte-se<\/em><\/h2>\n<p><strong>Qual foi o momento mais dif\u00edcil durante o document\u00e1rio?<\/strong><br \/>\nAcho que foi, fora alguns momentos espec\u00edficos e algumas conversas, admitir que o filme tamb\u00e9m trafegaria na minha casa. Porque por motivos dif\u00edceis, at\u00e9 para mim de entender, \u00e9 muito complicado admitir pessoas dentro da minha casa. Receber pessoas ainda mais filmando&#8230; Ver-se filmada \u00e9 uma experi\u00eancia bem diferente de se ver no espelho. \u00c9 como se ver no olhar da outra pessoa. \u00c9 muito mais inquietante, gera um sentimento estranho. Esse foi o momento mais dif\u00edcil, mas depois que passou, ficou tranquilo. A gente partiu para um outro n\u00edvel de trabalho que acho que foi muito bom.<\/p>\n<p><strong>Em <em>Laerte-se<\/em>, voc\u00ea abre sua hist\u00f3ria e sua intimidade. Essa foi uma forma de representatividade para voc\u00ea ou para as outras pessoas?<\/strong><br \/>\nAmbas as coisas. Acho que para mim atende tanto a um desejo de autoconhecimento e autorreflex\u00e3o, como tamb\u00e9m vejo como um modo de espalhar essa experi\u00eancia e fazer ela se tornar reflex\u00e3o para outras pessoas. Eu sinto que na minha juventude houve muita falta disso. Nos anos 1970, esse tipo de material, para o pensamento e para os sentimentos n\u00e3o era f\u00e1cil de achar, n\u00e3o que n\u00e3o houvesse, mas n\u00e3o era f\u00e1cil de encontrar. Eu acho que esse filme tamb\u00e9m faz parte de um material que a nossa cultura pode usar para amadurecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Document\u00e1rio da Netflix, Laerte-se, mostra intimidade da cartunista Laerte Coutinho por meio da trajet\u00f3ria e das quest\u00f5es de ser uma mulher<\/p>\n","protected":false},"author":58,"featured_media":1889,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86,2],"tags":[596,593,6,595,594,5],"class_list":["post-1883","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","category-filmes","tag-cartunista","tag-documentario","tag-filme","tag-laerte-coutinho","tag-laerte-se","tag-netflix"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1883","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/58"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1883"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1883\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1891,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1883\/revisions\/1891"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1889"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1883"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}