{"id":19975,"date":"2022-01-10T05:28:08","date_gmt":"2022-01-10T08:28:08","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=19975"},"modified":"2022-01-08T10:49:35","modified_gmt":"2022-01-08T13:49:35","slug":"atriz-a-maia-conta-os-desafios-de-interpretar-a-morte-na-novela-das-19h","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/atriz-a-maia-conta-os-desafios-de-interpretar-a-morte-na-novela-das-19h\/","title":{"rendered":"Atriz A. Maia conta os desafios de interpretar a Morte na novela das 19h"},"content":{"rendered":"<h3>Em entrevista, a atriz A. Maia fala sobre<em> Quanto mais vida, melhor!<\/em> e sobre as conquistas de uma atriz trans viver um papel geralmente dado a mulheres cis<\/h3>\n<p>Imensa. \u00c9 assim que a Morte (A. Maia) aparece para os protagonistas de <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/mais-romantica-e-menos-comedia-quanto-mais-vida-melhor-e-a-novela-certa-na-hora-certa\/\"><strong><em>Quanto mais vida, melhor!<\/em> <\/strong><\/a>sempre que eles se metem em apuros. Na verdade, foi ela quem salvou Paula (Giovanna Antonelli), Fl\u00e1via (Valentina Herszage), Guilherme (Mateus Solano) e Nen\u00e9m (Vladimir Brichta), dando a eles mais um ano de vida.<\/p>\n<p>Imensa. Esse \u00e9 o tamanho da responsabilidade que a atriz A. Maia carrega ao quebrar paradigmas por ser uma atriz transexual interpretando uma personagem cuja sexualidade n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o. &#8220;\u00c9 uma quebra de paradigmas. \u00c9 genial que o diretor Allan Fiterman e o autor Mauro Wilson tenham escolhido esse caminho, pois quebra com alguns estigmas e faz a gente rever imagens do que j\u00e1 est\u00e1 bem consolidado. A morte, muitas vezes, foi representada de forma t\u00e9trica. Fazer esta personagem como uma mulher, jovem e bela, ressignifica alguns valores. Isso \u00e9 importante em muitos sentidos&#8221;, afirma A.Maia, em entrevista ao <strong>Correio<\/strong>.<\/p>\n<p>Embora <em>Quanto mais vida, melhor!<\/em> seja uma com\u00e9dia leve, A. Maia comemora o fato de a presen\u00e7a dela proporcionar uma certa reflex\u00e3o ao p\u00fablico. &#8220;Por muito tempo e, ainda nos dias atuais, o caminho de uma pessoa trans segue o da marginaliza\u00e7\u00e3o. Ainda existe muito preconceito, muito tabu, muita moraliza\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o e tudo isso \u00e9 viol\u00eancia com nossos corpos. Um papel desse, que n\u00e3o coloca \u00e0 frente a quest\u00e3o de g\u00eanero, \u00e9 necess\u00e1rio, justamente porque mostra o quanto estamos al\u00e9m&#8221;, explica a atriz. que se diz ainda mais desafiada porque Fernanda Montenegro e Patr\u00edcia Pillar foram nomes cogitados para o papel anteriormente.<\/p>\n<h2><strong>Entrevista \/\/ A. Maia<\/strong><\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19977\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte3.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte3.jpg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte3-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte3-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte3-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte3-800x433.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte3-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte3-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Os quatro personagens recebem o prazo de um ano para mudar, pois um deles morrer\u00e1 nesse tempo. O que voc\u00ea &#8220;consertaria&#8221; em um ano?<br \/>\n<\/strong>Dif\u00edcil pensar nisso. Mas acredito que n\u00e3o tentaria consertar nada em especial, mas, sim,\u00a0viver a vida da melhor maneira. Tentaria realizar os sonhos que me fossem poss\u00edveis, praticar o amor entre os meus, ficar mais pr\u00f3xima da minha m\u00e3e, dos amigos. Tentaria ser feliz ao m\u00e1ximo.<\/p>\n<p><strong>Acredita que sua presen\u00e7a em Quanto mais vida, melhor! pode ajudar a diminuir o preconceito?<\/strong><br \/>\nAcredito que sim. Ajuda a quebrar estere\u00f3tipos, que \u00e9 a base de muitos preconceitos e o preconceito \u00e9 a base de muitas viol\u00eancias. Muitos desses valores t\u00eam como representa\u00e7\u00e3o a figura masculina, branca, h\u00e9tero, cis. Tudo isso \u00e9 inven\u00e7\u00e3o social, \u00e9 conveniente. S\u00e3o valores constru\u00eddos por grupos dominantes em sua imagem e semelhan\u00e7a. Mas estes estere\u00f3tipos n\u00e3o representam a maioria. Os corpos, os g\u00eaneros, as cren\u00e7as, as etnias s\u00e3o plurais e diversas. Entender isso e existir pr\u00e1ticas mais inclusivas e de quebra de padr\u00f5es \u00e9 fundamental para uma sociedade menos preconceituosa e mais igualit\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>A morte \u00e9 um personagem recorrente em filmes, novelas, espet\u00e1culos teatrais. Alguma interpreta\u00e7\u00e3o serviu como uma inspira\u00e7\u00e3o maior para voc\u00ea?<br \/>\n<\/strong>Muitas vezes, vimos a Morte sendo representada de forma f\u00fanebre, s\u00e9ria, macabra. Temos o exemplo da morte representada no cl\u00e1ssico de Ingmar Bergman, O s\u00e9timo selo. N\u00e3o fui por esse caminho. Tivemos muito cuidado em trazer uma Morte mais leve, mais l\u00fadica. Tentamos represent\u00e1-la quebrando estes estere\u00f3tipos, e pensando que \u00e9 uma novela das 19h, uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica, e que a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 falar de vida na verdade. Acabei me inspirando em algumas vil\u00e3s da Disney, como a ic\u00f4nica Mal\u00e9vola, interpretada pela Angelina Jolie, e tamb\u00e9m em outras culturas, que encaram a morte mais como um rito de passagem do que como algo negativo, assim como alguns povos do Oriente e tamb\u00e9m a cultura nativa mexicana, com o Dia dos Mortos.<\/p>\n<p><strong>Em s\u00e9ries como <em>Todxs n\u00f3s<\/em>, da HBO, essa liga\u00e7\u00e3o com a causa LGBTQIA \u00e9 mais clara por causa da tem\u00e1tica explorada no roteiro. Acha que esse tipo de s\u00e9rie acaba levando a discuss\u00e3o apenas para um nicho, ao contr\u00e1rio de uma novela das 19h?<\/strong><br \/>\nSim. Uma novela das 19h, que \u00e9 um hor\u00e1rio nobre na TV, comunica em massa. A televis\u00e3o \u00e9 uma cultura de massa, com grande alcance popular. Os assuntos s\u00e3o levados pensando nisso. Nas s\u00e9ries em canais fechados voc\u00ea tem um p\u00fablico que vai escolher a programa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o voc\u00ea nichar e falar com mais abertura sobre certos temas, \u00e9 direcionado. Por isso que levar algumas discuss\u00f5es, que antigamente eram consideradas um grande tabu, para o grande p\u00fablico representa muitas vit\u00f3rias.<\/p>\n<figure id=\"attachment_19978\" aria-describedby=\"caption-attachment-19978\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19978\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte2.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte2.jpg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte2-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte2-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte2-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte2-800x433.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte2-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/01\/morte2-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-19978\" class=\"wp-caption-text\">Morte (A Maia)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>A trama tem outros personagens da comunidade LGBTQIA +, como a Chefe e a personagem da Nanny People. O caminho para a representatividade est\u00e1 sendo percorrido, mesmo que lentamente?<\/strong><br \/>\nSim, podemos ver alguns avan\u00e7os. Hoje existem mais pol\u00edticas e espa\u00e7os de inclus\u00e3o e discuss\u00e3o. Podemos ver artistas trans em novela, sem que sua sexualidade seja o foco. Trazer mais de uma artista trans para trama \u00e9 um ganho. As disparidades ainda s\u00e3o grandes, mas precisamos sempre enaltecer os ganhos e lutar por mais avan\u00e7os.<\/p>\n<p><strong>Vivemos uma \u00e9poca dicot\u00f4mica que, ao mesmo tempo em que em alguns setores h\u00e1 mais representatividade e respeito \u00e0s diferen\u00e7as, em outros a sociedade parece mais odiosa, mais transf\u00f3bica ainda. Como v\u00ea essa quest\u00e3o? Sente-se mais segura hoje?<br \/>\n<\/strong>Vejo que hoje temos muitas janelas e muitos espa\u00e7os de discuss\u00e3o. As opini\u00f5es est\u00e3o mais escancaradas e p\u00fablicas. \u00c0 medida que vemos um levante e progressos, vemos tamb\u00e9m as rea\u00e7\u00f5es, e o \u00f3dio. Parece-me que hoje temos alguns avan\u00e7os nesse sentido, mas, justamente, num per\u00edodo em que o \u00f3dio \u00e0s diferen\u00e7as foi institucionalizado. J\u00e1 me senti insegura em muitos momentos.<\/p>\n<p><strong>Antes de <em>Quanto mais vida, melhor!<\/em> voc\u00ea estava de mudan\u00e7a para Portugal. Essa mudan\u00e7a tem a ver com o preconceito e a viol\u00eancia no Brasil?<br \/>\n<\/strong>Morei em alguns pa\u00edses, e morei na Europa por um tempo. O Brasil \u00e9 o lugar do mundo que mais mata pessoas trans. Amo meu pa\u00eds, mas, com esses \u00edndices, \u00e9 imposs\u00edvel se sentir totalmente segura. Fora do pa\u00eds, a vida, em muitos n\u00edveis, acaba se tornando mais tranquila, mais f\u00e1cil para trabalhar e para viver.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista, a atriz A. 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