{"id":2054,"date":"2017-06-04T09:30:20","date_gmt":"2017-06-04T12:30:20","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=2054"},"modified":"2017-06-01T18:31:46","modified_gmt":"2017-06-01T21:31:46","slug":"sistema-prisional-na-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/sistema-prisional-na-tv\/","title":{"rendered":"Sistema prisional na TV: o cotidiano da vida por tr\u00e1s das grades"},"content":{"rendered":"<h3>Seriados retratam o sistema prisional na TV por meio do cotidiano de personagens que vivem a realidade carcer\u00e1ria<\/h3>\n<p>O dia a dia dentro de uma penitenci\u00e1ria. \u00c9 isso que as s\u00e9ries <em>Orange is the new black<\/em>, da Netflix, e <em>Carcereiros<\/em>, da Rede Globo, pretendem mostrar em suas tramas. \u201cDeve-se ter em mente que o contato da popula\u00e7\u00e3o com temas dessa natureza por meio da televis\u00e3o e do cinema, os torna mais palp\u00e1veis, fomentando nos espectadores sentimentos de amor, \u00f3dio, revolta, insatisfa\u00e7\u00e3o com situa\u00e7\u00f5es da vida real, que ultrapassam a fic\u00e7\u00e3o nas telas\u201d, afirma Raquel de Naday Di Creddo, mestre em ci\u00eancias jur\u00eddicas pela Universidade Estadual do Norte do Paran\u00e1 (UENP) e uma das autoras do artigo <em>Das telas \u00e0 vida real: O cumprimento da pena e o m\u00e9todo APAC<\/em>.<\/p>\n<p>Os dois seriados t\u00eam como inspira\u00e7\u00e3o os livros de Piper Kerman e Drauzio Varella, respectivamente, que, s\u00e3o ambos, inspirados em hist\u00f3rias reais. <em>Orange is the new black<\/em>, na hist\u00f3ria da pr\u00f3pria Piper, que ficou presa em uma cadeia feminina nos Estados Unidos, e, <em>Carcereiros<\/em>, que tem depoimentos de agentes penitenci\u00e1rios brasileiros entrevistados por Varella.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o estamos aqui para glamorizar nada. Mas para mostrar como \u00e9. Olhar o que n\u00e3o queremos ver\u201d, define o ator Rodrigo Lombardi, o protagonista de <em>Carcereiros<\/em>, em teaser promocional da s\u00e9rie dispon\u00edvel no aplicativo da emissora. O elenco tem ainda Caco Ciocler, Matheus Nachtergaele, Projota, Let\u00edcia Sabatella, Caio Blat, Tony Tornado e Carol Castro. Em um modo in\u00e9dito de disponibiliza\u00e7\u00e3o, o canal incluir\u00e1 o seriado no cat\u00e1logo do <a href=\"https:\/\/globoplay.globo.com\/carcereiros\/p\/10124\/\">Globo Play <\/a>em 8 de junho, quase um ano antes da estreia na televis\u00e3o, prevista apenas para 2018.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2056\" aria-describedby=\"caption-attachment-2056\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2056\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/carcereiros.jpg\" alt=\"Cenas da s\u00e9rie Carcereiros da Globo.\" width=\"1200\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/carcereiros.jpg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/carcereiros-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/carcereiros-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/carcereiros-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/carcereiros-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/carcereiros-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2056\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Ram\u00f3n Vasconcelos\/Divulga\u00e7\u00e3o. Personagem de Rodrigo Lombardi, Adriano \u00e9 um dos agentes prisionais que tentam conter uma rebeli\u00e3o em um pres\u00eddio<\/figcaption><\/figure>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o nacional tem como base o livro hom\u00f4nimo de Varella lan\u00e7ado em 2012 e que faz parte de uma trilogia, que inclui ainda <em>Esta\u00e7\u00e3o Carandiru<\/em> (1999) e <em>Prisioneiras<\/em> (2017). Como o pr\u00f3prio nome indica, a s\u00e9rie ter\u00e1 como foco os agentes prisionais, em vez dos presos. \u201cO carcereiro \u00e9 um personagem muito pouco representado nas hist\u00f3rias de cadeias. Se fala dos prisioneiros, mas n\u00e3o dos homens que tomam conta deles\u201d, analisa Drauzio Varella em teaser da s\u00e9rie.<\/p>\n<p>No livro, Varella aborda diferentes hist\u00f3rias de agentes, mas no seriado esses relatos estar\u00e3o, principalmente, reunidos na figura do carcereiro Adriano, papel do ator Rodrigo Lombardi, um homem que seguiu a carreira do pai Tib\u00e9rio (Othon Bastos) e ter\u00e1 que conter uma rebeli\u00e3o dentro da cadeia e, para isso, usar\u00e1 o poder da palavra. \u201cCada epis\u00f3dio ser\u00e1 uma hist\u00f3ria diferente desse carcereiro, que representa muitos e tem que lidar com dilemas \u00e9ticos da profiss\u00e3o e lidar com quest\u00f5es da vida pessoal\u201d, explica o diretor brasiliense Jos\u00e9 Eduardo Belmonte. Al\u00e9m dos dramas da pris\u00e3o, Adriano tem que lidar com a cobran\u00e7a da mulher Jana\u00edna (Mariana Nunes) para ter um filho e a cria\u00e7\u00e3o da filha adolescente L\u00edvia (Giovanna R\u00edspoli).<\/p>\n<p>Os epis\u00f3dios da primeira temporada de <em>Carcereiros<\/em> foram gravados em um pres\u00eddio brasileiro. Para Belmonte, isso fez com que a imagem da s\u00e9rie fosse mais opressiva. \u201cIsso muda toda a sua percep\u00e7\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o limite\u201d, afirma o diretor. Lombardi ainda diz que, por conta da tem\u00e1tica, o seriado conseguir\u00e1 abordar o campo de batalha vivido pelos agentes. \u201cQuem s\u00e3o esses carcereiros? Qual \u00e9 o valor e o pre\u00e7o que a vida tem quando se est\u00e1 em uma penitenci\u00e1ria? \u00c9 um campo de batalha, em que ele obedece regras dos dois sistemas\u201d, defende o ator.<\/p>\n<p><strong><em>Orange is the new black<\/em>: Rebeli\u00e3o em Litchfield<\/strong><\/p>\n<p>Se <em>Carcereiros<\/em> tem uma pegada mais realista em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, <em>Orange is the new black<\/em> consegue ser mais ficcional, ao mesmo tempo em que retrata muito do que acontece no sistema carcer\u00e1rio norte-americano. A hist\u00f3ria come\u00e7ou a ser contada em 2013 pela Netflix em seriado desenvolvido por Jenji Kohan, Sara Hess e Tara Herrmann com foco, inicialmente, na personagem Piper Chapman (Taylor Schilling), uma mulher de classe m\u00e9dia que \u00e9 condenada a pris\u00e3o por participar de um esquema de tr\u00e1fico internacional de drogas.<\/p>\n<p>Com o passar das temporadas e o sucesso da produ\u00e7\u00e3o, o seriado passou a contar mais sobre as outras detentas do pres\u00eddio de Litchfield, local em que se passa a trama. Na quinta temporada, que estreia em 9 de junho na Netflix, a hist\u00f3ria se passar\u00e1 em tr\u00eas dias de uma rebeli\u00e3o organizada pelas prisioneiras ap\u00f3s a morte de uma das encarceradas por um dos agentes. O principal tema ser\u00e1 o embate entre presos e agentes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2061\" aria-describedby=\"caption-attachment-2061\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2061\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/orangeisthenewblack-3.jpg\" alt=\"Cenas da quinta temporada de Orange is the new black, da Netflix.\" width=\"1200\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/orangeisthenewblack-3.jpg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/orangeisthenewblack-3-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/orangeisthenewblack-3-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/orangeisthenewblack-3-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/orangeisthenewblack-3-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/orangeisthenewblack-3-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2061\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: JoJo Whilden\/Netflix. Nova temporada de Orange is the new black mostrar\u00e1 as detentas cobrando medidas ap\u00f3s assassinato dentro da cadeira<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nos epis\u00f3dios, as personagens dizem frases, como \u201cestamos nessa situa\u00e7\u00e3o porque eles n\u00e3o sabem manter esse local\u201d, \u201cas pessoas n\u00e3o se importam\u201d e \u201ctodas n\u00f3s estamos com raiva\u201d, para justificar a rebeli\u00e3o e os problemas internos da penitenci\u00e1ria feminina, que tem oprimido as presas por conta da superlota\u00e7\u00e3o e do mau preparo de quem comanda a cadeia.<\/p>\n<p>Claro que a s\u00e9rie se utiliza bastante da fic\u00e7\u00e3o, mas retrata aspectos da estrutura prisional dos EUA, que tem uma discrep\u00e2ncia estrutural se comparada com o Brasil. \u201cNa pris\u00e3o de Litchfield todas as presas t\u00eam camas, colch\u00f5es, cobertas, atividades di\u00e1rias, trabalho e at\u00e9 condi\u00e7\u00f5es de estudo, n\u00e3o permitindo que fiquem ociosas. T\u00eam ainda \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o atendimento psicol\u00f3gico e religioso para que consigam cumprir sua pena com dignidade. Essa estrutura \u00e9 pouco vista nas pris\u00f5es brasileiras, devendo a\u00ed ser tra\u00e7ada a oposi\u00e7\u00e3o. Por outro lado, os dramas particulares das personagens, suas a\u00e7\u00f5es e os motivos que as levaram at\u00e9 a pris\u00e3o, as rela\u00e7\u00f5es travadas dentro do sistema, alinham fic\u00e7\u00e3o e realidade\u201d, completa Tatiana Liborio Nellessen Perestrelo, graduada em direito pela UENP e uma das autoras do artigo Das telas \u00e0 vida real: O cumprimento da pena e o m\u00e9todo APAC.<\/p>\n<h2>Sistema prisional na TV: Palavra do especialista<\/h2>\n<p><em>\u201cAs produ\u00e7\u00f5es que abordam o sistema prisional conseguem representar uma parte dos problemas ligados ao c\u00e1rcere, visto que nas telas eles aparecem eufemizados, como por exemplo, o conv\u00edvio entre os presos e a entrada irregular de celular e drogas dentro dos estabelecimentos.<\/em><\/p>\n<p><em>Os problemas encontrados no c\u00e1rcere s\u00e3o pouco debatidos, principalmente pelo pensamento segregacionista carregado pela pr\u00f3pria sociedade, que ainda defende ideias como &#8216;bandido bom \u00e9 bandido morto&#8217;.<\/em><\/p>\n<p><em>Para que as apari\u00e7\u00f5es de presos em produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas, televisivas e teatrais se aproximem ainda mais da realidade, \u00e9 relevante que sejam retratados em sua complexidade humana. S\u00e3o pessoas, humanos que possuem fam\u00edlia, traumas, medos, sentem dores, fome, frio e, al\u00e9m de tudo, sofrem todos os dias com a des\u00eddia estatal, que os afasta do conv\u00edvio em sociedade e os mant\u00e9m trancafiados em um local distante e, na maioria das vezes, sem qualquer estrutura de higiene, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>Raquel de Naday Di Creddo e Tatiana Liborio Nellessen Perestrelo, autoras do artigo Das telas \u00e0 vida real: O cumprimento da pena e o m\u00e9todo APAC<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sSeriados retratam o sistema prisional na TV por meio do cotidiano de personagens que vivem a realidade carcer\u00e1ria. 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