{"id":21798,"date":"2022-10-06T05:15:30","date_gmt":"2022-10-06T08:15:30","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=21798"},"modified":"2022-10-05T15:20:10","modified_gmt":"2022-10-05T18:20:10","slug":"luiz-felipe-lucas-a-nossa-raca-nao-faz-parte-da-profissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/luiz-felipe-lucas-a-nossa-raca-nao-faz-parte-da-profissao\/","title":{"rendered":"Luiz Felipe Lucas: \u201cA nossa ra\u00e7a n\u00e3o faz parte da profiss\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<h3>Luiz Felipe Lucas conta como foi a experi\u00eancia de estar em <em>Santo<\/em>, na qual vive Paulo. Na entrevista, ele tamb\u00e9m fala sobre as dificuldades de ser ator negro no pa\u00eds<\/h3>\n<p>Desafiador. A palavra \u00e9 usada pelo ator Luiz Felipe Lucas para definir o trabalho dele em Santo. Na produ\u00e7\u00e3o hispano-brasileira da Netflix, Luiz Felipe \u00e9 Paulo, bra\u00e7o direito de Ernesto, policial federal vivido por Bruno Gagliasso.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, Luiz Felipe fala sobre o desafio f\u00edsico das cenas de a\u00e7\u00e3o, sobre racismo e sobre os obst\u00e1culos enfrentados pelo ator brasileiro para viver de arte.<\/p>\n<h3>Entrevista \/\/ Luiz Felipe Lucas<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/10\/luiz_felipe2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21799\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/10\/luiz_felipe2.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/10\/luiz_felipe2.jpg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/10\/luiz_felipe2-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/10\/luiz_felipe2-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/10\/luiz_felipe2-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/10\/luiz_felipe2-800x433.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/10\/luiz_felipe2-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/10\/luiz_felipe2-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Como foi participar de <em>Santo<\/em>, uma produ\u00e7\u00e3o internacional da Netflix?<\/strong><br \/>\nBem desafiador. \u00c9 um formato novo de s\u00e9rie intercontinental, de entender as duas fases da s\u00e9rie: a que acontece no Brasil e a da Espanha. Foi bem gostoso de fazer, mas n\u00e3o foi f\u00e1cil. Foi uma s\u00e9rie dif\u00edcil e a\u00ed que mora a parte legal e que gosto de trabalhar: o desafio. Foi uma experi\u00eancia bem intensa e bonita.<\/p>\n<p><strong>O Paulo tem uma reviravolta durante a s\u00e9rie. Isso \u00e9 mais desafiador para o ator?<\/strong><br \/>\nAs reviravoltas na vida j\u00e1 s\u00e3o desafios pra gente como ser humano. Para o ator que interpreta aquele personagem tamb\u00e9m. A partir do momento que a personagem tem uma reviravolta, mexemos em ferramentas do nosso corpo para dar essa amplitude.<\/p>\n<p><strong>Em <em>Santo<\/em>, o Paulo \u00e9 um personagem que n\u00e3o carrega com ele a quest\u00e3o racial. Personagens que t\u00eam outros conflitos entregues a atores negros est\u00e3o mais frequentes? Isso \u00e9 bom?<\/strong><br \/>\nFalta muito o que caminhar. A nossa ra\u00e7a n\u00e3o faz parte da profiss\u00e3o. N\u00e3o sou um ator negro. Sou um ator. Ent\u00e3o, se vem um casting para m\u00e9dico, chamem atores. Se vem um casting para bandido, chamem atores. Para professor, pai de fam\u00edlia\u2026 chamem atores! N\u00e3o coloque a gente em uma caixinha porque j\u00e1 n\u00e3o cola mais. Sempre escolho pegar trabalhos onde eu n\u00e3o seja estereotipado. Agora, fazer por fazer, personagens estereotipados s\u00f3 pela minha cor, prefiro n\u00e3o fazer.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem algumas cenas de a\u00e7\u00e3o na s\u00e9rie. Precisou de dubl\u00ea?<\/strong><br \/>\nUsei muito pouco o dubl\u00ea. S\u00f3 quando era caso de seguran\u00e7a mesmo, altura, coisas que realmente precisavam de t\u00e9cnicas que ainda n\u00e3o tinha conhecimento. Tenho um trabalho f\u00edsico muito bem elaborado. Havia um t\u00e9cnico acompanhando tudo para saber se pod\u00edamos mesmo fazer aquela cena. Fiz basicamente todas as cenas.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 mais &#8220;f\u00e1cil&#8221; ser ator na Espanha, devido \u00e0 falta de incentivo cultural no Brasil?<\/strong><br \/>\nEu diria que tem dois pontos: voc\u00ea ser um ator imigrante na Espanha \u00e9 um desafio muito grande. Primeiro, porque tem uma quest\u00e3o de ra\u00e7a, que al\u00e9m de ser um ator imigrante, sou um ator negro. Aqui ainda tem muito o que caminhar, como sociedade e constru\u00e7\u00e3o de imagem. Eles exigem que se fale um espanhol com sotaque perfeito. \u00c0s vezes te colocam em fen\u00f3tipos que s\u00e3o estereotipados e que n\u00e3o \u00e9 legal. No Brasil, acho que h\u00e1 outros desafios, mas o principal \u00e9 a falta de incentivo, especialmente nesse per\u00edodo que estamos passando. Acredito que logo sairemos dele. Esse momento da extrema direita, que segue n\u00e3o entendendo a cultura como essencial, \u00e9 pior do que qualquer outro destino. Na conjuntura atual, ser ator no Brasil \u00e9 mais dif\u00edcil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Felipe Lucas conta como foi a experi\u00eancia de estar em Santo, na qual vive Paulo. 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