{"id":21873,"date":"2022-10-16T10:05:47","date_gmt":"2022-10-16T13:05:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=21873"},"modified":"2022-10-15T16:16:06","modified_gmt":"2022-10-15T19:16:06","slug":"leona-cavalli-sera-iris-abravanel-na-tv-e-encara-o-desafio-do-classico-fausto-nos-palcos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/leona-cavalli-sera-iris-abravanel-na-tv-e-encara-o-desafio-do-classico-fausto-nos-palcos\/","title":{"rendered":"Leona Cavalli ser\u00e1 Iris Abravanel na TV e encara o desafio do cl\u00e1ssico Fausto nos palcos"},"content":{"rendered":"<h3>Leona Cavalli vive Iris Abravanel em O rei da TV, s\u00e9rie sobre Silvio Santos que o Star+ estreia quarta-feira. Em entrevista, ela tamb\u00e9m fala sobre os palcos e pol\u00edtica. Confira!<\/h3>\n<p>Imposs\u00edvel falar da hist\u00f3ria da TV brasileira sem passar por Silvio Santos. Goste ou n\u00e3o do apresentador, ele \u00e9 respons\u00e1vel por um cap\u00edtulo importante dessa jornada. \u00c9 isso que <em>O rei da TV<\/em>, s\u00e9rie da Star+ que estreia quarta-feira, mostra. Mas ela vai al\u00e9m do \u00eddolo. O roteiro n\u00e3o deixa de fora passagens que humanizam o empres\u00e1rio, como a descoberta de um c\u00e2ncer de garganta, nos anos 1980, e altos e baixos do casamento.<\/p>\n<p>Em cena, Jos\u00e9 Rubens Chach\u00e1 e Mariano Mattos Martins dividem o papel de Silvio. \u00c0 atriz Leona Cavalli coube o papel de Iris Abravanel, esposa dele e &#8220;grande ponto de liga\u00e7\u00e3o entre o Silvio apresentador, empres\u00e1rio e o ser humano&#8221;. O <strong>Correio<\/strong> conversou com ela sobre o desafio de viver esse papel e o atual cen\u00e1rio do streaming brasileiro.<\/p>\n<h3>Entrevista \/\/ Leona Cavalli<\/h3>\n<p><strong>No streaming, voc\u00ea ser\u00e1 Iris Abravanel, a esposa de Silvio Santos. Como foi essa experi\u00eancia?<br \/>\n<\/strong>Interpretar a \u00cdris foi um desafio, porque \u00e9 uma mulher conhecida, contempor\u00e2nea. Em nenhum momento, tentei imit\u00e1-la, mas, sim, me inspirar nela, a partir de entrevistas e pesquisa. O que mais gosto na s\u00e9rie \u00e9 o fato de mostrar os bastidores, a parte ainda desconhecida do grande p\u00fablico da TV aberta; ao mesmo tempo em que mistura fatos hist\u00f3ricos, cenas de audit\u00f3rio, envolvimento pol\u00edtico, esc\u00e2ndalos.<\/p>\n<p><strong>A Iris \u00e9 uma personagem sobre a qual sabemos pouco, apesar de ela ser esposa de um dos homens mais conhecidos do Brasil. Em que ponto a trajet\u00f3ria dela te surpreendeu?<br \/>\n<\/strong>O que me surpreendeu foi a for\u00e7a e a intelig\u00eancia dela. \u00c9 uma mulher direta, franca, que, por vezes, deixa o Silvio desconcertado. A Iris \u00e9 o grande ponto de liga\u00e7\u00e3o entre o Silvio apresentador, empres\u00e1rio e o ser humano com suas quest\u00f5es, conflitos, a parte \u00edntima familiar, desconhecida, e ao mesmo tempo base de toda trajet\u00f3ria desse artista t\u00e3o popular.<\/p>\n<p><strong>De uns tempos para c\u00e1, vimos contratos fixos da Globo n\u00e3o sendo renovados. Ao mesmo tempo, a produ\u00e7\u00e3o brasileira do streaming parece cada vez mais s\u00f3lida. Esse cen\u00e1rio acaba trazendo mais inseguran\u00e7a para o ator por causa do contrato fixo ou mais seguran\u00e7a pelo aumento da demanda?<br \/>\n<\/strong>Vejo esse momento como uma grande abertura, em que novas formas de comunica\u00e7\u00e3o est\u00e3o se apresentando. \u00c9 natural o caminho da n\u00e3o exclusividade, no mundo inteiro, cada vez mais. E traz novas oportunidades de trabalho, gera novos conte\u00fados; ao mesmo tempo em que a TV aberta continua chegando ao p\u00fablico. Acho que \u00e9 positivo.<\/p>\n<p><strong>Estamos em um ano eleitoral e em um processo bem polarizado, com algumas pessoas cobrando que as outras se posicionem. O que voc\u00ea acha dessa &#8220;obriga\u00e7\u00e3o&#8221; que acabou caindo sobre artistas? A artista e a cidad\u00e3 Leona Cavalli andam de m\u00e3os dadas ou \u00e9 poss\u00edvel separ\u00e1-las?<br \/>\n<\/strong>\u00c9 imposs\u00edvel separar arte de cidadania, porque essa uni\u00e3o somos n\u00f3s, uma parte complementa a outra. Respeito os que preferem n\u00e3o se posicionar. N\u00e3o acho que seja algo &#8220;obrigat\u00f3rio&#8221;, claro; mas, por outro lado, da forma como a cultura e a educa\u00e7\u00e3o v\u00eam sendo atacadas, vejo como algo natural. Eu mesma fui a Bras\u00edlia recentemente duas vezes, para participar de um ato contra a libera\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos e outro a favor da libera\u00e7\u00e3o dos vetos \u00e0s Leis culturais Paulo Gustavo e Aldir Blanc. Foi importante.<\/p>\n<figure id=\"attachment_21875\" aria-describedby=\"caption-attachment-21875\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/10\/leona2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-21875\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/10\/leona2.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"650\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-21875\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Jonathan Giuliani\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Voc\u00ea vive Mephisto na montagem de <em>Fausto<\/em> dirigida por Jos\u00e9 Celso. Como \u00e9 interpretar a personifica\u00e7\u00e3o do mal? \u00c9 desafiador?<\/strong><br \/>\nEstou interpretando Mephisto nessa montagem de Fausto, de Marlowe, dirigida pelo Z\u00e9 Celso. A pe\u00e7a \u00e9 um cl\u00e1ssico, e o personagem, muito dif\u00edcil e desafiador, pois faz parte de um mito que est\u00e1 no inconsciente de todos, cada um tem sua vis\u00e3o de bem e de mal. O que mais gosto dessa vers\u00e3o \u00e9 o fato de o \u201cmal\u201d, personificado pela personagem, ser colocado como um aspecto interno de Fausto, o que torna a montagem mais contempor\u00e2nea; com uma linguagem acess\u00edvel, que dialoga com muitos aspectos do que vivemos hoje, quando v\u00e1rios conceitos est\u00e3o mudando.<\/p>\n<p><strong>O papel deve ter uma carga negativa muito grande. Como n\u00e3o deixar isso te afetar quando est\u00e1 fora de cena?<\/strong><br \/>\nO papel n\u00e3o gera carga negativa. S\u00f3 mostra e traz uma reflex\u00e3o sobre o tema; mas \u00e9 muito bem escrito, tem humor, fica no plano da arte. Al\u00e9m disso, sempre achei que t\u00e3o importante quanto entrar na personagem, \u00e9 sair dela. Deixo tudo l\u00e1, no c\u00edrculo sagrado do teatro, que aceita tudo sem julgamentos.<\/p>\n<p><strong><em>Fausto<\/em> marca a retomada da sua parceria com Z\u00e9 Celso. Como est\u00e1 sendo esse reencontro?<\/strong><br \/>\nEst\u00e1 sendo muito emocionante pra mim esse momento. Eu comecei a minha carreira com o Z\u00e9 e fiz muitas pe\u00e7as incr\u00edveis com ele. Ensaiar, atuar com o Z\u00e9, \u00e9 sempre muito rico. Ele \u00e9 um diretor que tem uma cultura e uma vis\u00e3o muito amplas do teatro, da arte, da atua\u00e7\u00e3o; tem sido muito especial.<\/p>\n<p><strong>A obra de Z\u00e9 Celso costuma ter um di\u00e1logo muito grande com a pol\u00edtica e com a realidade brasileira, mesmo quando \u00e9 um cl\u00e1ssico alem\u00e3o. Como isso se d\u00e1 em <em>Fausto<\/em>?<\/strong><br \/>\nA pe\u00e7a foi escrita no s\u00e9culo XVI, com a tradu\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o do Z\u00e9 e do Fernando de Carvalho, fazendo liga\u00e7\u00e3o com a nossa realidade atual, desde refer\u00eancias \u00e0 guerra da Ucr\u00e2nia, at\u00e9 o momento pol\u00edtico que estamos vivendo e os movimentos pela preserva\u00e7\u00e3o da democracia. Tem uma linguagem direta, comunica muito com o p\u00fablico, e une teatro, audiovisual, m\u00fasica. A rea\u00e7\u00e3o da plateia tem sido muito forte, at\u00e9 mais do que esper\u00e1vamos, por ser uma pe\u00e7a medieval; parece ter sido escrita pra hoje.<\/p>\n<p><strong>Esse di\u00e1logo entre a arte e a pol\u00edtica existe h\u00e1 muito tempo no Brasil. Sente ele enfraquecido nesse momento de ataques \u00e0 democracia que vivemos?<\/strong><br \/>\nAo contr\u00e1rio, sinto que neste momento esse di\u00e1logo entre arte e pol\u00edtica \u00e9 necess\u00e1rio e inevit\u00e1vel, n\u00e3o h\u00e1 como ignorar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/10\/leona3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21876\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2022\/10\/leona3.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"650\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Apesar de fazer muito teatro e TV, \u00e9 no cinema que voc\u00ea me parece mais \u00e0 vontade. \u00c9 realmente assim?<\/strong><br \/>\nAmo fazer cinema, mas tamb\u00e9m amo teatro e televis\u00e3o. Acho que o que gosto mesmo \u00e9 de me comunicar com o p\u00fablico. Cada ve\u00edculo tem sua linguagem, e essa diversidade \u00e9 maravilhosa!<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea estar\u00e1 em <em>A cerca<\/em>, filme de Rog\u00e9rio Gomes, ao lado do Jos\u00e9 Loreto e do Jorge Pontual. O que pode adiantar desse trabalho?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um filme de suspense, conta a hist\u00f3ria de Elisa, personagem que fa\u00e7o, uma jornalista ga\u00facha que vai fazer uma mat\u00e9ria sobre uma regi\u00e3o e acaba descobrindo uma liga\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias do local com o seu pr\u00f3prio passado. Foi rodado pouco antes da pandemia, mas ficaram algumas cenas a terminar, que filmamos h\u00e1 poucos dias. Adorei fazer, pois ainda n\u00e3o havia filmado no Sul, e a personagem tem o nome da minha av\u00f3, a meu pedido.<\/p>\n<p><strong>Apesar de estarem sem muito incentivo, sem representatividade na Esplanada dos Minist\u00e9rios, os artistas me parecem divididos. Acha que seria importante mais uni\u00e3o da classe?<\/strong><br \/>\nCom certeza \u00e9 mais importante essa uni\u00e3o da classe, fundamental. Est\u00e1 melhor do que j\u00e1 foi, mas ainda precisamos nos acolher mais, afinar desejos comuns a todos, nos fortalecermos.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea participa da ONG Paz Sem Fronteiras distribuindo cestas b\u00e1sicas para moradores de rua e de iniciativas que auxiliam comunidades ind\u00edgenas, al\u00e9m de abra\u00e7ar causas ambientais. Essa \u00e9 uma forma apartid\u00e1ria que voc\u00ea encontrou de fazer pol\u00edtica. Qual a import\u00e2ncia disso em sua forma\u00e7\u00e3o pessoal?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma forma de cidadania, e, sobretudo, uma forma de exercer minha humanidade. Acredito que somos uma \u00fanica ra\u00e7a, vivendo no mesmo planeta, que precisamos nos ajudar mutuamente, atrav\u00e9s de uma cultura de paz, de integra\u00e7\u00e3o. Auxiliar os outros \u00e9 auxiliar tamb\u00e9m a n\u00f3s mesmos, ao nosso presente e futuro. Todos queremos um mundo melhor e isso s\u00f3 se constr\u00f3i na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leona Cavalli vive Iris Abravanel em O rei da TV, s\u00e9rie sobre Silvio Santos que o Star+ estreia quarta-feira. 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