{"id":22850,"date":"2023-06-18T08:00:59","date_gmt":"2023-06-18T11:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=22850"},"modified":"2023-06-17T15:26:20","modified_gmt":"2023-06-17T18:26:20","slug":"elizabeth-olsen-fala-sobre-o-processo-para-viver-uma-assassina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/elizabeth-olsen-fala-sobre-o-processo-para-viver-uma-assassina\/","title":{"rendered":"Elizabeth Olsen fala sobre o processo para viver uma assassina"},"content":{"rendered":"<h2>Elizabeth Olsen fala sobre o processo para viver Candy Montgomery em &#8216;Amor e morte&#8217; e entender a mente de uma mulher que cometeu um assassinato brutal<\/h2>\n<p><strong>Por Pedro Ibarra<\/strong><\/p>\n<p>Um dos principais questionamentos que s\u00e3o levantados em crimes muito violentos \u00e9: o que se passa na cabe\u00e7a da pessoa que praticou esse ato? As respostas s\u00e3o v\u00e1rias, desde quest\u00f5es passionais at\u00e9 dist\u00farbios mentais severos. Talvez seja por isso que o p\u00fablico tenha tanto interesse pelas hist\u00f3rias de crimes reais, que j\u00e1 viraram at\u00e9 g\u00eanero, o <em>true crime<\/em>. Uma das principais produ\u00e7\u00f5es do ano que explora esse tema \u00e9 <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-admin\/admin.php?page=stats\"><em>Amor e morte<\/em><\/a>, que apresentou o \u00faltimo epis\u00f3dio no final de maio.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie conta a hist\u00f3ria de Candy Montgomery (Elizabeth Olsen), uma mulher que decide se aventurar em um <em>affair<\/em> com o marido de uma amiga da igreja que frequentava. Mesmo muito regrada quanto ao que deveriam ou n\u00e3o fazer no caso extraconjugal para n\u00e3o gerar nenhum tipo de sentimento, Candy se v\u00ea envolvida e, em um ato passional, assassina com mais de 40 machadadas a esposa do amante. O caso \u00e9 real e ocorreu em 1980 nos Estados Unidos, gerando como\u00e7\u00e3o, principalmente por a assassina ter sido julgada inocente ap\u00f3s julgamento.<\/p>\n<p>Um dos principais fatores do seriado \u00e9 como retratar essa figura que, mesmo cometendo um assassinato brutal, cativa as pessoas, incluindo um j\u00fari formado majoritariamente por mulheres. Esse desafio caiu nas m\u00e3os de Olsen, que aceitou o papel por ter sido cativada pela hist\u00f3ria em primeiro lugar. A atriz conta que estava gravando <em>Doutor Estranho no multiverso da loucura<\/em> quando foi convidada para o papel e decidiu ler o script nos per\u00edodos de folga. &#8220;Eu tive muito tempo sem trabalhar e acabei me divertindo e me sentindo empolgada desde a primeira vez que li esses roteiros&#8221;, lembra a artista, que viu algo realmente instigante na hist\u00f3ria. &#8220;Eu, geralmente, nem gosto de ler roteiros na folga, mas esse foi diferente&#8221;, recorda.<\/p>\n<p>Para ela, Candy era uma personagem at\u00e9 ent\u00e3o \u00fanica na trajet\u00f3ria que est\u00e1 construindo como atriz. &#8220;Era uma personagem que eu sabia que conseguiria fazer, j\u00e1 tinha um esbo\u00e7o dela na minha cabe\u00e7a. Foi inspirador&#8221;, conta. Ap\u00f3s ficar conhecida pelo papel de Wanda Maximoff no <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wandavision-o-que-a-serie-deixa-de-legado-universo-marvel\/\">Universo Cinematogr\u00e1fico Marvel (MCU)<\/a>, era hora de explorar outras facetas como int\u00e9rprete. &#8220;Vi nessa produ\u00e7\u00e3o a oportunidade de fazer algo que eu nunca havia feito antes&#8221;, adiciona.<\/p>\n<p>Contudo, o maior desafio era transmitir na tela toda a complexidade de uma personagem que \u00e9 assassina e tamb\u00e9m cativante. Fazer com que o p\u00fablico se apaixonasse por Candy, mesmo sem entender exatamente o sentido dos atos que ela praticava. Deixar claro o comportamento paradoxal dessa mulher, dar as inten\u00e7\u00f5es certas para uma personagem muito complexa. &#8220;Eu fiquei animada em tentar entender que tipo de pessoa seria capaz de fazer essas coisas. O processo foi empolgante&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>Ela tra\u00e7ou as principais caracter\u00edsticas que fizeram a mulher chegar ao crime na vida real \u2014 entender o contexto em que ela estava inserida, no final dos anos 1970 e in\u00edcio dos anos 1980. &#8220;A gente n\u00e3o estava necessariamente fazendo uma s\u00e9rie de crime real, era sobre ter a oportunidade de mostrar que, mesmo em tempos progressistas, havia pessoas que estavam presas a uma estrutura de pensamento retr\u00f3grado&#8221;, explica a atriz, que acredita que Candy n\u00e3o viveu as ideias de liberdade que tomaram os norte-americanos nos anos 1970. &#8220;Pensar na trag\u00e9dia da hist\u00f3ria e como esse crime afetou as pessoas que viviam naquela cidade me fizeram olhar para Candy como atriz e pensar: &#8216;uau, que personagem!'&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Elizabeth classifica todo o caso como &#8220;muito esquisito&#8221;. Por\u00e9m, conta que se debru\u00e7ou na personagem para entender, de fato, a linha de racioc\u00ednio dela e chegar \u00e0 persona que iria mostrar na tela. Ela chegou a dois pontos cruciais: a feminilidade e o vazio.<\/p>\n<p>O lado feminino chama muito aten\u00e7\u00e3o em Candy. Em um per\u00edodo ainda bem mais patriarcal que os dias atuais, Candy usa de todos os privil\u00e9gios da mulher para alcan\u00e7ar o que deseja, na opini\u00e3o da atriz. &#8220;Ela usa o feminino para conquistar o que quer. Muito diferente de mim. Ela anda pelo mundo usando o que tem como mulher&#8221;, afirma Olsen. A atriz afirma que esse fator muito a desafiou, visto que n\u00e3o se identificava com a personagem no in\u00edcio. &#8220;Candy \u00e9 uma personagem que eu normalmente n\u00e3o me sinto conectada.&#8221;<\/p>\n<p>A quest\u00e3o do vazio diz respeito \u00e0s motiva\u00e7\u00f5es dessas pessoas no tempo em que viviam. Candy Montgomery tinha uma casa customizada em uma \u00e9poca em que esse tipo de obra era muito caro, um marido que ganhava bem e a sustentava para que ela cuidasse dos dois filhos, que estavam saud\u00e1veis e indo bem na escola. &#8220;Era muito importante para a gente mostrar que h\u00e1 um <em>check list<\/em> de coisas que elas querem ter na pr\u00f3pria vida. Por\u00e9m, esses objetivos foram tra\u00e7ados quando essas pessoas eram muito novas, e um dia elas acordam e percebem que j\u00e1 conseguiram tudo o que queriam&#8221;, explana Elizabeth. &#8220;O que essa lista significa quando essas pessoas j\u00e1 t\u00eam o dinheiro que querem e a fam\u00edlia que sonharam? Onde est\u00e1 a experi\u00eancia de vida? Isso \u00e9 a vida?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p>Candy era uma mulher que tinha tudo, menos um sentido para viver. Uma vida como planejou, mas que n\u00e3o dava mais prazer. &#8220;A s\u00e9rie tenta mostrar o que \u00e9 essa coisa que faz as pessoas tomarem decis\u00f5es consideradas imorais ou n\u00e3o l\u00f3gicas, como ter um <em>affair<\/em> ou at\u00e9 cometer um assassinato. Rea\u00e7\u00f5es que parecem muito absurdas, mas que v\u00eam de um sentimento de estar perdida&#8221;, acredita a artista. &#8220;Ela tinha tudo que queria, mas, mesmo assim, n\u00e3o se sentia vivendo&#8221;, completa.<\/p>\n<h3>Trabalhando com \u00edcones<\/h3>\n<p>Para al\u00e9m de uma personagem intrigante, a possibilidade de trabalhar com grandes nomes dos bastidores da televis\u00e3o chamou a aten\u00e7\u00e3o de Olsen. Lesli Linka Glatter, conhecida por trabalhos em <em>Homeland<\/em> e <em>Mad men<\/em>, dirigiu a maioria dos epis\u00f3dios do seriado, escrito por David E. Kelley, que assinou a cria\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00f5es como <em>Big little lies<\/em>, <em>Anatomia de um esc\u00e2ndalo<\/em> e <em>Goliath<\/em>. A atriz confirma que o fato de ser a primeira colabora\u00e7\u00e3o dos dois profissionais tamb\u00e9m a seduziu para o projeto.<\/p>\n<p>Nas palavras da artista: &#8220;Eu gostei muito da ideia de trabalhar com o David e com a Lesli, dois veteranos da televis\u00e3o que estavam colaborando pela primeira vez&#8221;, conta. &#8220;S\u00e3o muitas d\u00e9cadas de experi\u00eancia nas costas deles, e vi uma oportunidade legal de trabalhar com gente muito experiente. Queria aprender com gente que viveu muito.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elizabeth Olsen fala sobre o processo para viver Candy Montgomery em &#8216;Amor e morte&#8217; e entender a mente de uma mulher que cometeu um assassinato brutal Por Pedro Ibarra Um dos principais questionamentos que s\u00e3o levantados em crimes muito violentos \u00e9: o que se passa na cabe\u00e7a da pessoa que praticou esse ato? 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