{"id":23063,"date":"2023-07-23T10:45:18","date_gmt":"2023-07-23T13:45:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=23063"},"modified":"2023-07-24T11:35:15","modified_gmt":"2023-07-24T14:35:15","slug":"o-cheiro-de-naftalina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/o-cheiro-de-naftalina\/","title":{"rendered":"O cheiro de naftalina de uma gostosa nostalgia"},"content":{"rendered":"<h3>O Viva passou a exibir Escrito nas estrelas, obra que estava no ar originalmente em 2010, exatamente no ano de inaugura\u00e7\u00e3o do canal<\/h3>\n<figure id=\"attachment_23064\" aria-describedby=\"caption-attachment-23064\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-23064\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/07\/Humberto-Martins-e-Nath\u00e1lia-Dill-s\u00e3o-os-protagonistas-de-Escrito-nas-Estrelas-Divulga\u00e7\u00e3o-Globo-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/07\/Humberto-Martins-e-Nath\u00e1lia-Dill-s\u00e3o-os-protagonistas-de-Escrito-nas-Estrelas-Divulga\u00e7\u00e3o-Globo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/07\/Humberto-Martins-e-Nath\u00e1lia-Dill-s\u00e3o-os-protagonistas-de-Escrito-nas-Estrelas-Divulga\u00e7\u00e3o-Globo-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/07\/Humberto-Martins-e-Nath\u00e1lia-Dill-s\u00e3o-os-protagonistas-de-Escrito-nas-Estrelas-Divulga\u00e7\u00e3o-Globo-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/07\/Humberto-Martins-e-Nath\u00e1lia-Dill-s\u00e3o-os-protagonistas-de-Escrito-nas-Estrelas-Divulga\u00e7\u00e3o-Globo-1440x960.jpg 1440w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/07\/Humberto-Martins-e-Nath\u00e1lia-Dill-s\u00e3o-os-protagonistas-de-Escrito-nas-Estrelas-Divulga\u00e7\u00e3o-Globo-800x533.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/07\/Humberto-Martins-e-Nath\u00e1lia-Dill-s\u00e3o-os-protagonistas-de-Escrito-nas-Estrelas-Divulga\u00e7\u00e3o-Globo-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/07\/Humberto-Martins-e-Nath\u00e1lia-Dill-s\u00e3o-os-protagonistas-de-Escrito-nas-Estrelas-Divulga\u00e7\u00e3o-Globo-230x153.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/07\/Humberto-Martins-e-Nath\u00e1lia-Dill-s\u00e3o-os-protagonistas-de-Escrito-nas-Estrelas-Divulga\u00e7\u00e3o-Globo.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-23064\" class=\"wp-caption-text\">Humberto Martins e Nath\u00e1lia Dill s\u00e3o os protagonistas de Escrito nas Estrelas | Divulga\u00e7\u00e3o Globo<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Por Patrick Selvatti<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ano \u00e9 2010. A Netflix nasce com a proposta de ser uma esp\u00e9cie de video locadora de filmes e s\u00e9ries para assistir on-line, o embri\u00e3o do streaming. Surgindo no mesmo ano, o Canal Viva tamb\u00e9m causa um frenesi entre os amantes da televis\u00e3o. Especialmente na turma da nostalgia, que est\u00e1 \u00e1vida por rever antigos produtos, mas lhe resta fazer buscas desordenadas no YouTube e contentar-se com imagens de p\u00e9ssima qualidade, muitas vezes extra\u00eddas de grava\u00e7\u00f5es do bom e velho v\u00eddeo cassete.<\/p>\n<p>Logo de cara, os teleman\u00edacos s\u00e3o presenteados com a oportunidade de rever na TV uma trinca de novelas de alt\u00edssimo poder de atra\u00e7\u00e3o: <em>Quatro por quatro<\/em> (1994), <em>Por amor<\/em> (1997) e a cl\u00e1ssica das cl\u00e1ssicas, <em>Vale tudo<\/em> (1988). Esta \u00faltima, por sinal, vem com a promissora proposta de inaugurar uma faixa dedicada essencialmente \u00e0s produ\u00e7\u00f5es com cheiro de naftalina. De acordo com o novo canal da TV a cabo, pertencente ao grupo Globo, o objetivo \u00e9 trazer de volta sucessos mais antigos, campe\u00f5es de audi\u00eancia desejados e solicitados no Vale a pena ver de novo, mas que n\u00e3o t\u00eam a qualidade de imagem necess\u00e1ria para a Era HD que passa a vigorar na emissora-m\u00e3e.<\/p>\n<p>Nesses \u00faltimos 13 anos, n\u00e3o d\u00e1 para afirmar que a promessa n\u00e3o foi cumprida. Ap\u00f3s a exibi\u00e7\u00e3o festejada da valiosa trama assinada por Gilberto Braga e Aguinaldo Silva, outros &#8220;mofos preciosos&#8221; foram retirados do fundo do arm\u00e1rio. Para matar a saudade do p\u00fablico mais antigo e a curiosidade dos mais jovens, o Canal Viva exibiu cl\u00e1ssicos de quando o Brasil ainda n\u00e3o era tetracampe\u00e3o, desconhecia o real como moeda e sequer sonhava com a internet. <em>Tieta<\/em> (1989), <em>Roque Santeiro<\/em> (1985), <em>A gata comeu<\/em> (1985), <em>Baila comigo<\/em> (1981), <em>\u00c1gua viva<\/em> (1980), <em>Dancin Days<\/em> (1978), <em>Pai Her\u00f3i<\/em> (1978) e<em> A sucessora<\/em> (1978) s\u00e3o alguns exemplos de t\u00edtulos que estavam esquecidos no churrasco e puderam ser apreciados, simultaneamente, com pe\u00e7as mais recentes do acervo, lan\u00e7adas no mundo p\u00f3s queda do muro de Berlim, mas igualmente festejadas e repletas de saudosismo. Como, por exemplo, <em>Barriga de aluguel<\/em> (1990), <em>A viagem<\/em> (1994), <em>O rei do gado<\/em> (1995), <em>Anjo mau<\/em> (1997), <em>La\u00e7os de fam\u00edlia<\/em> (2000) e tantos outros sucessos inesquec\u00edveis da teledramaturgia brasileira.<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o d\u00e1 para viver do passado. Nem mesmo o Viva, uma prestadora de servi\u00e7o que surgiu justamente desse desejo de resgate da mem\u00f3ria. Ao contr\u00e1rio de um museu, que busca manter sua cole\u00e7\u00e3o o mais \u00edntimo poss\u00edvel da antiguidade, o canal por assinatura caminha no tempo e, ao passo em que os anos avan\u00e7am, o intervalo do que \u00e9 considerado antigo tamb\u00e9m. Dessa forma, depois de trazer ao cat\u00e1logo campe\u00f5es de audi\u00eancia n\u00e3o t\u00e3o datados assim \u2014 como <em>Senhora do destino<\/em> (2004) e <em>Caminhos das \u00edndias<\/em> (2009), que poderiam muito bem retornar ao Vale a pena ver de novo \u2014, eis que, nessa semana, o Viva passou a exibir <em>Escrito nas estrela<\/em>s, obra que estava no ar originalmente em 2010, exatamente no ano de inaugura\u00e7\u00e3o do canal.<\/p>\n<p>Para os mais velhos, que ainda sentem aquela necessidade de retorno ao mais long\u00ednquo do calend\u00e1rio, fica a sensa\u00e7\u00e3o de frustra\u00e7\u00e3o. At\u00e9 porque obras desse per\u00edodo mais jur\u00e1ssico da TV ainda n\u00e3o foram revisitadas, como <em>O astro<\/em> (1977), <em>Sol de ver\u00e3o<\/em>\u00a0(1982) e<em> Louco amor<\/em> (1983), para citar alguns exemplos. De toda forma, n\u00e3o d\u00e1 para condenar o Viva pela falta de coer\u00eancia. Afinal, <em>Escrito nas estrelas<\/em> tem a mesma idade que <em>Por amor<\/em> tinha quando inaugurou o canal. A li\u00e7\u00e3o que fica \u00e9 de que, assim como as novelas, n\u00f3s tamb\u00e9m precisamos aprender a envelhecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Viva passou a exibir Escrito nas estrelas, obra que estava no ar originalmente em 2010, exatamente no ano de inaugura\u00e7\u00e3o do canal Por Patrick Selvatti &nbsp; O ano \u00e9 2010. A Netflix nasce com a proposta de ser uma esp\u00e9cie de video locadora de filmes e s\u00e9ries para assistir on-line, o embri\u00e3o do streaming. 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