{"id":23111,"date":"2023-07-30T11:00:33","date_gmt":"2023-07-30T14:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=23111"},"modified":"2023-11-24T21:34:31","modified_gmt":"2023-11-25T00:34:31","slug":"a-inquietude-de-uma-potencia-chamada-debora-falabella","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/a-inquietude-de-uma-potencia-chamada-debora-falabella\/","title":{"rendered":"A inquietude de uma pot\u00eancia chamada D\u00e9bora Falabella"},"content":{"rendered":"<h3>No ar em Terra e paix\u00e3o, atriz vive uma mulher v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica neste retorno, ap\u00f3s seis anos, ao g\u00eanero que marcou sua carreira com personagens intensas e viscerais<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por Patrick Selvatti<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando se fala\u00a0em D\u00e9bora Falabella, o que vem\u00a0\u00e0 mente, em primeiro lugar, \u00e9 a sua\u00a0pot\u00eancia c\u00eanica. O corpo pequeno com tra\u00e7os delicados e fei\u00e7\u00f5es de menina da ex-<em>Chiquitita<\/em> (1999\/2001) abriga uma das int\u00e9rpretes com maior\u00a0musculatura da gera\u00e7\u00e3o \u00e0 qual pertence a atriz mineira de 44 anos, que\u00a0acumula na estante da carreira uma admir\u00e1vel cole\u00e7\u00e3o de pr\u00eamios. N\u00e3o \u00e0 toa. Sua composi\u00e7\u00e3o, sempre visceral, posicionou personagens mais populares, como a Mel de <em>O clone<\/em> (2001), a Sarah \u2014 dividida com Mar\u00edlia P\u00eara \u2014 de <em>JK<\/em> (2006) e a Nina de <em>Avenida Brasil<\/em> (2012), na elite dos gigantes da teledramaturgia brasileira. Esta \u00faltima, por exemplo, figura no ranking das\u00a0novelas mais marcantes da tev\u00ea, mas ela quer sempre ir al\u00e9m. &#8220;Eu acho que o mais interessante dessa profiss\u00e3o \u00e9 voc\u00ea nunca se acomodar&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A inquieta D\u00e9bora\u00a0\u2014 que tamb\u00e9m\u00a0soma sucessos no cinema, como <em>Lisbela e o prisioneiro<\/em> (2003), <em>Primo Bas\u00edlio<\/em> (2007), <em>Depois a louca sou eu<\/em> (2021) e o mais recente, <em>Bem-vinda, Violeta!<\/em> (2023) \u2014,\u00a0no momento, pode ser vista, na televis\u00e3o, em dose dupla, na pele de duas personagens que real\u00e7am a for\u00e7a que a mineirinha carrega em cena: como a gerente de cooperativa Lucinda, em <em>Terra e paix\u00e3o<\/em>, novela das 21h da Globo, e como a jornalista ativista Natalie,\u00a0em <em>Aruanas<\/em>, s\u00e9rie original da Globoplay, com\u00a0duas temporadas dispon\u00edveis. Essas produ\u00e7\u00f5es trazem discuss\u00f5es atuais e importantes\u00a0para a sociedade brasileira: a viol\u00eancia dom\u00e9stica e a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente. &#8220;Talvez o mais importante de fazer uma personagem como essa seja causar identifica\u00e7\u00e3o e empatia nas pessoas&#8221;, avalia a pisciana, natural de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Em uma conversa com o <strong>Pr\u00f3ximo Cap\u00edtulo<\/strong>, D\u00e9bora Falabella fala sobre\u00a0os tra\u00e7os de loucura presentes em algumas personagens, empoderamento feminino e maternidade \u2014 tema de uma pe\u00e7a teatral que deve virar filme, no qual a atriz pretende se lan\u00e7ar como diretora.<\/p>\n<figure id=\"attachment_11838\" aria-describedby=\"caption-attachment-11838\" style=\"width: 998px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11838\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/10\/323463.jpg\" alt=\"\" width=\"998\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/10\/323463.jpg 998w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/10\/323463-300x195.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/10\/323463-768x500.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/10\/323463-550x358.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/10\/323463-230x150.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 998px) 100vw, 998px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11838\" class=\"wp-caption-text\">Nina, no grande sucesso &#8216;Avenida Brasil&#8217; (2012)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea \u00e9 considerada uma das atrizes mais potentes da sua gera\u00e7\u00e3o. Contribuiu muito para essa estrelinha que recebeu em seu nome a interpreta\u00e7\u00e3o visceral dada a Mel de <em>O clone<\/em>, l\u00e1 no in\u00edcio da carreira. Como voc\u00ea lidou, \u00e0 \u00e9poca, com a responsabilidade de dar vida a uma personagem com carga dram\u00e1tica t\u00e3o forte?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que esse reconhecimento vem de v\u00e1rias formas. Quando eu fiz a Mel, apesar de muito jovem, eu j\u00e1 tinha iniciado a minha carreira no teatro e no cinema. Essa experi\u00eancia, que a gente ganha no palco, nas telas, contribui para entrar mais preparada. Acho que \u00e9\u00a0o ac\u00famulo de pap\u00e9is e de personagens fortes que deixa as pessoas com essa sensa\u00e7\u00e3o. Porque eu mesma n\u00e3o me sinto assim. Eu me sinto ainda aprendendo e tenho muitas dificuldades. Acho que, ao longo da carreira do ator, entendo essas dificuldades, porque os pap\u00e9is s\u00e3o sempre diferentes. Voc\u00ea vai ganhando experi\u00eancia, mas vai pegando personagens que passam por experi\u00eancias diferentes. Eu acho que o mais interessante dessa profiss\u00e3o \u00e9 voc\u00ea nunca se acomodar.<\/p>\n<p><strong>A que voc\u00ea atribui o sucesso estrondoso de <em>Avenida Brasil<\/em>, que at\u00e9 hoje \u00e9 citada como refer\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p><em>Avenida Brasil<\/em> teve muitos fatores que a fizeram ser essa novela. Acho que o texto do Jo\u00e3o Emanuel&#8230; Ele tem uma maneira de escrever muito \u00fanica, e ao mesmo tempo que acompanha esse ritmo contempor\u00e2neo que a gente tem vivido, das s\u00e9ries, de cap\u00edtulos que finalizam, que d\u00e3o gancho grande para o segundo. J\u00e1 era uma novela escrita de uma forma diferente do que a gente estava acostumado. Para um mundo diferente, que a gente vive hoje. Eu acho que tamb\u00e9m foi uma grande quest\u00e3o essa invers\u00e3o que\u00a0o autor faz com as personagens. Nenhuma personagem \u00e9 muito boa, nem muito m\u00e1. Elas s\u00e3o muito humanas. Ele brinca com todas essas quest\u00f5es dentro dessas personagens&#8230; Acho que os atores, a dire\u00e7\u00e3o ousada, os atores tendo muita liberdade nas cenas. S\u00e3o atores criando. Isso era muito importante para a gente. Todos esses fatores fizeram ela ser realmente um fen\u00f4meno, num momento certo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea reencontrou Gl\u00f3ria Perez na s\u00e9rie <em>Dupla identidade<\/em> (2014) e na novela <em>A for\u00e7a de um querer<\/em> (2017). Em ambas as produ\u00e7\u00f5es, suas personagens tinham nuances psiqui\u00e1tricas muito fortes. Foi uma coincid\u00eancia ou existe uma esp\u00e9cie de tend\u00eancia da autora em te escalar para pap\u00e9is com camadas mais densas?<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, eu nunca tinha pensado nisso. Eu acho que\u00a0a Gl\u00f3ria escreve personagens muito complexos. E eu amo personagens assim. Talvez ela enxergue isso em mim, essa capacidade de entender um pouco essas personagens, que muitas vezes as pessoas veem com mais defeitos, mas que s\u00e3o muito humanas. Porque a gente n\u00e3o pode julgar essas personagens. Elas t\u00eam vidas e passam por quest\u00f5es muito parecidas com as que a gente passa. Muitas vezes a gente s\u00f3 n\u00e3o as exp\u00f5e. Claro que n\u00e3o no caso da Irene [de <em>A for\u00e7a de um querer<\/em>], que ela era praticamente uma psicopata, mas, ao mesmo tempo, uma vil\u00e3 muito interessante e divertida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2438\" aria-describedby=\"caption-attachment-2438\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-2438\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/debora-Falabella-1024x555.jpg\" alt=\"D\u00e9bora Falabella\" width=\"1024\" height=\"555\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/debora-Falabella-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/debora-Falabella-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/debora-Falabella-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/debora-Falabella-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/debora-Falabella-230x125.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/06\/debora-Falabella.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2438\" class=\"wp-caption-text\">Irene, a vil\u00e3 psicopata de &#8216;A for\u00e7a do querer&#8217; (2017)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em que lugar voc\u00ea se conectou com essas personagens com tra\u00e7os mais doentios? Existe alguma loucura na sua persona que voc\u00ea ativa quando se depara com essas personagens?<\/strong><\/p>\n<p>Eu acho que existe uma loucura em todos n\u00f3s. Se a gente entrou em contato ou n\u00e3o, em algum momento das nossas vidas, \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo. Mesmo quando a gente interpreta vil\u00f5es\u00a0\u2014 os cl\u00e1ssicos vil\u00f5es da teledramaturgia porque hoje em dia essas linhas est\u00e3o muito mais t\u00eanues \u2014, a gente se depara com quest\u00f5es e defeitos nossos, que, muitas vezes, a gente n\u00e3o tem coragem de expor, mas todos n\u00f3s passamos por esses momentos, pensamos nessas coisas&#8230; Acho que esses pensamentos e todas essas quest\u00f5es nos invadem ao longo da vida.\u00a0\u00c9 claro que, em alguns personagens, essas quest\u00f5es s\u00e3o muito mais intensas. Ent\u00e3o, a gente precisa realmente entender como dosar e, ao mesmo tempo, mergulhar nessas hist\u00f3rias. Interpretar um personagem assim \u00e9 sempre um grande aprendizado. A gente lida com as nossas quest\u00f5es, com os nossos medos&#8230;<\/p>\n<p><strong>A Lucinda, de <em>Terra e paix\u00e3o<\/em>, marca seu retorno \u00e0s novelas ap\u00f3s esse hiato de seis anos. \u00c9 uma escolha sua dar esse intervalo mais longo nas obras abertas?<\/strong><\/p>\n<p>Esse intervalo entre as novelas foi algo que aconteceu. Eu fiz muitas s\u00e9ries: <em>Nada ser\u00e1 como antes, Se eu fechar os olhos agora<\/em>, <em>Dupla identidade<\/em> e duas temporadas de <em>Aruanas<\/em>. Mas quando veio a novela, eu estava realmente com muita vontade de fazer de novo. Porque a novela \u00e9 uma experi\u00eancia que eu acho que todo ator precisa passar para entender como \u00e9. Gostando ou n\u00e3o, e eu tenho gostado. Acho que agora, depois de um tempo, eu olho para a novela de uma maneira diferente. \u00c9 um super aprendizado. A gente precisa estar muito aberto para essa obra aberta. E \u00e9 um trabalho de desapego.<\/p>\n<p><strong>Uma mulher de neg\u00f3cios, empoderada, que sofre viol\u00eancia dom\u00e9stica. Como voc\u00ea descreve a responsabilidade de tratar desse tema no hor\u00e1rio nobre da TV aberta?<\/strong><\/p>\n<p>Talvez isso seja interessante de mostrar. \u00c9 uma mulher que trabalha no meio de muitos homens dentro da cooperativa, mas, dentro de casa, por ela lutar muito por essa fam\u00edlia, por querer manter uma fam\u00edlia, tamb\u00e9m muito por conta do filho que ela tem, ela acaba sendo subjugada pelo marido. Talvez o mais importante de fazer uma personagem como essa \u00e9 causar identifica\u00e7\u00e3o e empatia nas pessoas. N\u00e3o sei se uma mulher assistindo vai entender que tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 sozinha, que isso acontece, que \u00e9 dif\u00edcil sair de uma rela\u00e7\u00e3o. Que essa mulher busque for\u00e7as, que esse assunto seja discutido. Quando o assunto vem \u00e0 tona, ele chega mais r\u00e1pido em outras mulheres e talvez elas se sintam mais encorajadas para entender o que est\u00e1 acontecendo com elas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-9980\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/04\/olhos3-1024x555.jpg\" alt=\"D\u00e9bora Falabella como Isabel em Se eu fechar os olhos agora\" width=\"1024\" height=\"555\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/04\/olhos3-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/04\/olhos3-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/04\/olhos3-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/04\/olhos3-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/04\/olhos3-230x125.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2019\/04\/olhos3.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Natalie, de <em>Aruanas<\/em>, \u00e9 uma jornalista engajada na causa ambiental. Voc\u00ea j\u00e1 era ligada nas quest\u00f5es ecol\u00f3gicas antes da s\u00e9rie? O que mudou?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma s\u00e9rie que devia ter a terceira, quarta e quinta temporadas. Talvez um dos assuntos mais importantes seja a gente falar sobre o nosso planeta, a preserva\u00e7\u00e3o dele e dos nossos povos origin\u00e1rios. Acredito que um programa\u00a0que traga o p\u00fablico para essa discuss\u00e3o seja important\u00edssimo. Isso me deixou realmente muito mais empoderada, interessada, preocupada e ativa nessa discuss\u00e3o. Porque eu realmente estava ali no meio das pessoas e entendia muito bem o que elas estavam querendo dizer, como eu nunca estive antes. Eu acreditava que fosse uma pessoa preocupada, mas entendi, depois de <em>Aruanas<\/em>, a necessidade que precisamos ter para falar sobre o nosso planeta.<\/p>\n<p><strong>Primeiro, <em>Chiquititas<\/em>; depois, <em>Avenida Brasil<\/em>; agora, <em>Bem vinda, Violeta!<\/em>, o filme rec\u00e9m-lan\u00e7ado. Como \u00e9 essa trilogia argentina na sua carreira?<\/strong><\/p>\n<p>Realmente, eu vivi uma trilogia argentina com quase oito anos de diferen\u00e7a entre elas. <em>Chiquititas<\/em> foi bem no in\u00edcio da minha carreira. Eu morei na Argentina durante\u00a0um ano, apesar de a gente fazer uma s\u00e9rie que era falada em portugu\u00eas. Aprendi com muitos profissionais argentinos\u00a0e, para mim, foi important\u00edssimo, principalmente pela experi\u00eancia de poder morar fora. Agora, em <em>Bem-vinda, Violeta!<\/em>, eu tive que ter um contato maior com a l\u00edngua. Eu adoro. Talvez se eu tivesse que escolher um lugar para trabalhar fora do Brasil, seria na Argentina. Para mim, j\u00e1 \u00e9 mais familiar.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea fundou, em conjunto com Yara Novaes e Gabriel Fontes Paiva, o Grupo 3 de teatro. O que essa trupe anda aprontando?<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, temos dois espet\u00e1culos em repert\u00f3rio. Um deles foi um pouco impedido de circular por conta da pandemia, ent\u00e3o \u00e9 uma coisa que vamos fazer, com certeza. Depois da novela, devemos rodar um pouco o Brasil. E fora isso, claro, sempre temos outros projetos&#8230;<\/p>\n<p><strong>A maternidade te levou a produzir uma pe\u00e7a de teatro, que voc\u00ea planeja levar ao cinema como diretora&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><em>Mantenha fora do alcance do beb\u00ea<\/em> \u00e9 de uma autora contempor\u00e2nea de S\u00e3o Paulo, a Silvia Gomez, um dos maiores talentos contempor\u00e2neos. Somos amigas e tivemos filhos na mesma \u00e9poca. A pe\u00e7a fala sobre uma mulher que deseja ser m\u00e3e, sobre a press\u00e3o social que as mulheres sofrem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade e sobre a mercantiliza\u00e7\u00e3o\u00a0dela. Eu tenho interesse sobre esse assunto: a liberdade que se tem tamb\u00e9m para escolher, que nunca foi aceita por uma parte da sociedade. Talvez essa pe\u00e7a tenha me despertado esse lugar que a gente visita quando \u00e9 m\u00e3e, ou quando a gente deseja ser m\u00e3e. Depois que voc\u00ea se torna m\u00e3e, voc\u00ea tem muitas perguntas. E o filme \u00e9 mais uma dessas perguntas para mim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ar em Terra e paix\u00e3o, atriz vive uma mulher v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica neste retorno, ap\u00f3s seis anos, ao g\u00eanero que marcou sua carreira com personagens intensas e viscerais &nbsp; Por Patrick Selvatti &nbsp; Quando se fala\u00a0em D\u00e9bora Falabella, o que vem\u00a0\u00e0 mente, em primeiro lugar, \u00e9 a sua\u00a0pot\u00eancia c\u00eanica. 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