{"id":23140,"date":"2023-08-06T10:00:42","date_gmt":"2023-08-06T13:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=23140"},"modified":"2023-08-04T22:46:29","modified_gmt":"2023-08-05T01:46:29","slug":"as-mulheres-apaixonadas-e-de-fe-que-elisa-lucinda-representa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/as-mulheres-apaixonadas-e-de-fe-que-elisa-lucinda-representa\/","title":{"rendered":"As mulheres apaixonadas e de f\u00e9 que Elisa Lucinda representa"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_23141\" aria-describedby=\"caption-attachment-23141\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-23141\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/08\/DSC_4494-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/08\/DSC_4494-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/08\/DSC_4494-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/08\/DSC_4494-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/08\/DSC_4494-1440x960.jpg 1440w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/08\/DSC_4494-800x533.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/08\/DSC_4494-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/08\/DSC_4494-230x153.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/08\/DSC_4494.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-23141\" class=\"wp-caption-text\">Elisa Lucinda est\u00e1 no ar em Vai na f\u00e9 e na reprise de Mulheres apaixonadas | Cr\u00e9dito: Jonathan Estrella<\/figcaption><\/figure>\n<h3><span style=\"font-family: tahoma, sans-serif\">Despedindo-se da Marlene de <em>Vai na f\u00e9<\/em>, a atriz, dramaturga e poetisa capixaba, de 65 anos, fala sobre carreira e sua luta contra o machismo, o racismo e o etarismo por meio da arte<\/span><\/h3>\n<div><span style=\"font-family: tahoma, sans-serif\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><strong><span style=\"font-family: tahoma, sans-serif\">Por Patrick Selvatti<\/span><\/strong><\/div>\n<div><span style=\"font-family: tahoma, sans-serif\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">O p\u00fablico da tev\u00ea n\u00e3o est\u00e1 muito acostumado a ver Elisa Lucinda nas novelas. Aos 65 anos de idade e mais de 40 de carreira, a atriz, escritora, cantora, dramaturga, diretora, empres\u00e1ria, cerimonialista e poetisa\u00a0esteve em poucas novelas \u2014 do in\u00edcio ao fim, no elenco principal, foram apenas tr\u00eas na Globo. Coincidentemente, a veterana bissexta est\u00e1 no ar em dose dupla na Globo. Desde o final de maio, quem assiste a reprise de <em>Mulheres apaixonadas<\/em>, sucesso de 2003, no Vale a pena ver de novo, reconhece na cantora P\u00e9rola, ex-mulher do personagem de Tony Ramos, o rosto que est\u00e1 brilhando, desde janeiro, como a matriarca Marlene, m\u00e3e da protagonista Sol (Sheron Menezzes) de <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/todas-as-novelas-ineditas-da-globo-tem-protagonistas-negros\/\"><em>Vai na f\u00e9<\/em><\/a>. &#8220;Adoro fazer novela, mas aconteceu menos do que eu desejei&#8221;, afirma ela, que n\u00e3o se exime de fazer uma cr\u00edtica \u00e0 cultura da escala\u00e7\u00e3o de pretos\u00a0para pap\u00e9is\u00a0menores e sem enredo pr\u00f3prio na teledramaturgia. Para ela, o sucesso da atual novela \u00e9 justamente considerar a hist\u00f3ria da pessoa negra. &#8220;O povo preto representa 56% da popula\u00e7\u00e3o, ele consome e quer ser considerado&#8221;, avalia a capixaba.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">Em entrevista, Elisa Lucinda \u2014 que \u00e9 do candombl\u00e9\u00a0\u2014\u00a0 fala sobre a experi\u00eancia gratificante de mergulhar no universo de uma fam\u00edlia evang\u00e9lica que desmistifica\u00a0o estere\u00f3tipo\u00a0de que \u00e9 uma religi\u00e3o &#8220;atrasada&#8221;. Ela confessa que se despiu do pr\u00f3prio preconceito. &#8220;Eu vi e quis que as pessoas pudessem ver como \u00e9 o evang\u00e9lico com amor&#8221;, declara, ressaltando tamb\u00e9m o quanto foi importante a forma como\u00a0o etarismo foi retratado na trama por meio do romance de outono de sua personagem. &#8220;A partir do amor, a Marlene renasceu&#8221;, explica a multiartista que, na vida pessoal, \u00e9 casada com um homem 30 mais jovem, o fot\u00f3grafo Jonathan Estrella. &#8220;Amores s\u00e3o encontros e n\u00e3o t\u00eam explica\u00e7\u00e3o&#8221;, conclui a incans\u00e1vel trabalhadora da arte, que\u00a0que emenda a novela com a\u00a0 grava\u00e7\u00e3o da terceira temporada da s\u00e9rie\u00a0Manh\u00e3s de Setembro\u00a0e as filmagens de um document\u00e1rio sobre sua vida. Al\u00e9m disso, Elisa vai lan\u00e7ar tr\u00eas livros: dois de poesia e um de prosa.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><strong><span class=\"selectable-text copyable-text\">A que voc\u00ea atribui o sucesso de <em>Vai na F\u00e9<\/em>?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">Uma novela hist\u00f3rica. O preto representa 56% da popula\u00e7\u00e3o, ele consome e quer ser considerado.\u00a0Quem acertar essa f\u00f3rmula, vai ficar milion\u00e1rio. E Vai na f\u00e9 considera a hist\u00f3ria do preto. Tr\u00eas roteiristas da equipe da Rosane Svartman [autora da novela] s\u00e3o negros, uma diretora \u00e9 negra, h\u00e1 negros na edi\u00e7\u00e3o, no figurino,\u00a0e os brancos s\u00e3o antirracistas. A novela representa\u00a0uma mudan\u00e7a de postura e compreens\u00e3o do negro como figura de respeito pelo que a gente sofreu at\u00e9 agora.\u00a0Ela vai na contram\u00e3o e p\u00f5e na novela das 19h temas como racismo, diversidade sexual, estupro, abuso de vulneravel&#8230; Isso tudo com muitas marcas grandes patrocinando, e eu mesma fiz muitas dessas inser\u00e7\u00f5es que a gente s\u00f3 via no hor\u00e1rio das 21h, por meio de personagens brancos.\u00a0\u00c9 como se o capitalismo tivesse enxergado que pode ganhar dinheiro onde sempre excluiu.<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><strong><span class=\"selectable-text copyable-text\">Como foi para voc\u00ea interpretar uma mulher evang\u00e9lica? Marlene te inspirou de alguma forma a algum tipo de reflex\u00e3o religiosa?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">Meu sagrado \u00e9 mais pr\u00f3ximo dos orix\u00e1s e do candombl\u00e9. A natureza \u00e9 sagrada. Acredito que Deus \u00e9 a natureza, \u00e9 o existir, n\u00e3o \u00e9 um cara sentado no trono, irritado, mandando em tudo. Esse Deus mais pr\u00f3ximo do homem mand\u00e3o, chato, patriarcal, opressor, eu n\u00e3o quero comigo. Muito obrigada, d\u00e1 licen\u00e7a, mas eu preciso de outra companhia. Mas, para a Marlene, eu me despi desse preconceito de que evang\u00e9lico n\u00e3o presta, que \u00e9 atrasado, existia uma r\u00e9gua que eu desfiz. Eu conheci muitos evang\u00e9licos anti racistas, anti-homofobia, liberais. Me inspirei na Ilka Duarte, m\u00e3e da Sara, que trabalha comigo. Ambas s\u00e3o evang\u00e9licas e eu me dou muito bem com elas, porque elas s\u00e3o mais pr\u00f3ximas do que eu sou. Eu vi e quis que as pessoas pudessem ver como \u00e9 o evang\u00e9lico com amor. O amor \u00e9 o fundamento daquela fam\u00edlia e isso ficou muito evidente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><strong><span class=\"selectable-text copyable-text\">A novela tratou muito do etarismo. Esse \u00e9 um assunto que, de alguma forma, te atravessa?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">Me atravessa porque afinal de contas eu acho que o mundo ainda tarda a ver essa nova gera\u00e7\u00e3o de velhos que \u00e9 a mais jovem que o mundo j\u00e1 viu. Essa gera\u00e7\u00e3o de 60+ \u00e9 viva, namora, tem rela\u00e7\u00f5es sexuais, dan\u00e7a. Quando eu era crian\u00e7a, n\u00e3o existia a express\u00e3o &#8220;namorado da vov\u00f3&#8221;. A novela foi nesse lugar com a Marlene e com a Wilma [interpretada por Renata Sorrah]. A partir do amor por outro homem [o vi\u00favo Hor\u00e1cio, interpretado por Francisco Salgado], a Marlene renasceu. Ela namorou, saiu pra trabalhar, deixou a bolha da fam\u00edlia, resgatou o samba, fez as par\u00f3dias, se livrou da peruca e revelou a alopecia. Ela vai tendo v\u00e1rias camadas de liberta\u00e7\u00e3o. O personagem do Antonio Calloni se interessar por ela na grava\u00e7\u00e3o do filme tamb\u00e9m foi marcante. Ela passou a ter dois homens interessados nela, \u00e0quela altura da idade, e isso excitou as mulheres, que se identificaram com ela. Mulheres falavam comigo na rua. Algumas vieram chorando para falar da alopecia, falaram que iam ao SUS buscar ajuda psicol\u00f3gica. A alopecia atinge mais mulheres negras, a cabe\u00e7a da mulher negra \u00e9 mais ferida. O lance com o Hor\u00e1cio foi maravilhoso. Podia ter tido mais, como cenas de cama, mas a novela cumpriu muito bem esse lugar e eu me senti representada.<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><strong><span class=\"selectable-text copyable-text\">Voc\u00ea sofre preconceito por se relacionar com um homem bem mais jovem?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">N\u00e3o sofro preconceito. Acontece o preconceito, mas eu n\u00e3o sofro. A gente tira de letra. Eu digo: &#8220;N\u00e3o \u00e9 meu filho, o que ele faz comigo filho n\u00e3o faz comigo n\u00e3o&#8221;. E eu falo isso bem safada. Porque tem que naturalizar. A sociedade se acostumou a ver gal\u00e3 de cabelo grisalho, Z\u00e9 Mayer, Fagundes, tudo gato, mas a mulher gata de cabelo grisalho, n\u00e3o. \u00c9 um preconceito patriarcal que a gente vai vencendo. Com meu marido, acham que somos parentes, porque o Jonathan \u00e9 preto e tem olhos verdes tamb\u00e9m. Mas \u00e9 s\u00f3 explicar o papel dele e est\u00e1 tudo bem. Amores s\u00e3o encontros e n\u00e3o t\u00eam explica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><strong><span class=\"selectable-text copyable-text\">Suas participa\u00e7\u00f5es em novelas s\u00e3o bem raras. Voc\u00ea possui algum tipo de ressalva ao g\u00eanero ou os convites n\u00e3o aconteceram?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">Adoro fazer novelas. Aconteceu menos do que eu desejei, mas na medida da minha independ\u00eancia. N\u00e3o fiquei presa a convites. Estou sempre em cartaz no teatro [o mon\u00f3logo autoral <em>Parem de falar mal da rotina<\/em> est\u00e1 em turn\u00ea h\u00e1 21 anos] e eu amo. N\u00e3o fa\u00e7o papel bobo, sempre me chamam para pap\u00e9is fortes. Eu queria mais convites como esse, que tem arcos dram\u00e1ticos t\u00e3o desafiantes. Conheci tantos colegas que morreram sem ter esse desejo realizado. Grandes atores ficaram presos aos pap\u00e9is perif\u00e9ricos, de servi\u00e7o, passaram a novela toda como empregados sem import\u00e2ncia no enredo, e isso nos maltratou muito. Ent\u00e3o, minha aus\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 fruto desse racismo brasileiro. Mas isso est\u00e1 mudando de forma expoente e expressiva. A Clara Moneke [a Kate, de Vai na f\u00e9] \u00e9 a marca desse novo modelo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><strong><span class=\"selectable-text copyable-text\">Voc\u00ea est\u00e1 no ar tamb\u00e9m na reprise de <em>Mulheres Apaixonadas<\/em>, sucesso de 2003. Em que lugar Elisa Lucinda mais mudou nesses 20 anos?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">Olha, \u00f3tima pergunta, para a qual eu n\u00e3o estava preparada. Eu mudei fisicamente, mas eu gosto e me reconhe\u00e7o. Meu grande medo \u00e9 n\u00e3o me reconhecer no espelho da minha alma. Me vejo com mais marcas do tempo, mas com a mesma sensualidade, o tes\u00e3o pela vida, a vontade de inovar, sendo criativa, ousada, destemida&#8230; Essa Elisa eu quero encontrar toda hora. Agora, mudou a rela\u00e7\u00e3o com o amor, estou mais tranquila. J\u00e1 fui mais manipulada e oprimida nas rela\u00e7\u00f5es. E tamb\u00e9m constru\u00ed uma carreira de respeito no Brasil. Eu loto teatros, independentemente de estar fazendo novela. Nesses 20 anos, eu fiz um desenho que eu gosto de ver. Na minha arte, no meu voto, na minha novela, no meu livro, sou eu, est\u00e1 tudo entrela\u00e7ado.<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><strong><span class=\"selectable-text copyable-text\">O que te inspirou a produzir o <em>Parem de falar mal da rotina<\/em> e a que voc\u00ea atribui o sucesso do espet\u00e1culo ap\u00f3s 20 anos?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">A pe\u00e7a tem uma chave: voc\u00ea \u00e9 o autor da sua vida. Ela \u00e9 sua, uma cria\u00e7\u00e3o sua, uma organiza\u00e7\u00e3o, uma log\u00edstica que \u00e9 fruto da sua escolha. E eu atualizo a pe\u00e7a porque ela me ensinou, assim como a vida tamb\u00e9m. Por exemplo, n\u00e3o havia a palavra ass\u00e9dio quando comecei, n\u00e3o havia transfobia. O sucesso \u00e9 a atualiza\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio de fazer um espet\u00e1culo que interessa o seu tempo. \u00c9 um mon\u00f3logo de quase tr\u00eas horas, sempre lotado, \u00e9 um acontecimento do qual me orgulho. Em Bras\u00edlia, j\u00e1 fiz umas dez temporadas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><strong><span class=\"selectable-text copyable-text\">A atua\u00e7\u00e3o na luta contra o fascismo e contra o racismo e o machismo estruturais \u00e9 uma marca de Elisa Lucinda. Em que momento da sua vida voc\u00ea percebeu que a sua imagem e a sua voz poderiam fazer diferen\u00e7a no mundo?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">\u00a0<\/span><span class=\"selectable-text copyable-text\">Eu sempre percebi. Numa das primeiras\u00a0pe\u00e7as teatrais, em Vit\u00f3ria, que foi uma cria\u00e7\u00e3o coletiva, esse grupo de atores, o Fantasias de A\u00e7\u00facar, j\u00e1 queria fazer diferen\u00e7a. A gente criticava a ditadura. Eu sou de uma gera\u00e7\u00e3o que entende a arte como tradutora do tempo e revolucion\u00e1ria. Ela \u00e9 livre, ela pode fazer coisas, criticar, retratar, questionar, acrescentar. Ent\u00e3o, desde muito cedo, eu acreditei que, se a arte n\u00e3o servisse para fornecer alguns dados interessantes ou algum olhar sobre o meu tempo, n\u00e3o interessava ent\u00e3o ser artista. Eu acho que a arte \u00e9 a grande leitura humana, e eu estou nessa.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><strong><span class=\"selectable-text copyable-text\">Voc\u00ea se enxerga em um cargo p\u00fablico?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">Eu n\u00e3o me enxergo em cargo p\u00fablico porque eu acho que poderia at\u00e9 execut\u00e1-lo, mas n\u00e3o gosto de fazer reuni\u00e3o com gente chata. Eu n\u00e3o gosto, eu n\u00e3o gosto de acordar cedo, virar funcion\u00e1ria. Isso n\u00e3o \u00e9 pra mim. Gosto de ser artista. Me chamaram pra ser secret\u00e1ria de cultura do Estado do Esp\u00edrito Santo, mas eu j\u00e1 n\u00e3o dou conta de tanta coisa que eu quero fazer com a minha arte, que dir\u00e1 exercendo outro cargo. Eu sou uma jogadora que eu acho que funciono melhor solta. Eu acho que eu posso colaborar bastante, com v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, estando livre.<\/span><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\" dir=\"ltr\"><strong><span class=\"selectable-text copyable-text\">Bras\u00edlia \u00e9 uma cidade que respira pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m transpira arte. Como \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com a cidade?\u00a0 \u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"selectable-text copyable-text iq0m558w g0rxnol2\"><span class=\"selectable-text copyable-text\">\u00a0<\/span><span class=\"selectable-text copyable-text\">Amo Bras\u00edlia. Eu at\u00e9 fiz um poema, acho que \u00e9 <em>Carta ao amante<\/em>. Um poema tratando o c\u00e9u da capital como meu amante. Eu acho o c\u00e9u em Bras\u00edlia o mais lindo do mundo. &#8220;C\u00e9u de Bras\u00edlia tra\u00e7o do arquiteto&#8221;, como diz o Djavan. Eu amo, muito, muito essa cidade. Bras\u00edlia \u00e9 de um amor no meu cora\u00e7\u00e3o, sabe? Tenho ra\u00edzes amorosas a\u00ed.\u00a0Tem Hugo Rodas, tem Diana Paix\u00e3o, pessoas que me acolheram na cidade. Chico Neto, Chico Sant&#8217;Anna, S\u00e9rgio Sartori, \u00e9 muita gente que eu conhe\u00e7o. Z\u00e9lia Duncan, Ellen Ol\u00e9ria, Gabriel Grossi. Eu sou cercada\u00a0por Bras\u00edlia, minha vida \u00e9 entrela\u00e7ada com Bras\u00edlia. Tem minha parceira de vida, a Tha\u00eds Dum\u00eat. Enfim, um lugar muito importante para mim. A capital do pa\u00eds \u00e9 cheia de gente bacan\u00e9rrima, a despeito de existir tanta corrup\u00e7\u00e3o, essa mania de servi\u00e7o p\u00fablico que tem. Um povo muito bacana, numa cidade cheia de \u00e1rvores, que s\u00f3 precisa ser menos desigual como todas as cidades do Brasil.<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Despedindo-se da Marlene de Vai na f\u00e9, a atriz, dramaturga e poetisa capixaba, de 65 anos, fala sobre carreira e sua luta contra o machismo, o racismo e o etarismo por meio da arte \u00a0 Por Patrick Selvatti \u00a0 O p\u00fablico da tev\u00ea n\u00e3o est\u00e1 muito acostumado a ver Elisa Lucinda nas novelas. 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