{"id":23362,"date":"2023-09-03T06:35:18","date_gmt":"2023-09-03T09:35:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=23362"},"modified":"2023-09-02T18:15:53","modified_gmt":"2023-09-02T21:15:53","slug":"drag-race-brasil-mostra-um-brilho-unico-em-aguardada-estreia-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/drag-race-brasil-mostra-um-brilho-unico-em-aguardada-estreia-nacional\/","title":{"rendered":"Drag Race Brasil mostra um brilho \u00fanico em aguardada estreia nacional"},"content":{"rendered":"<h3>Estreia da semana, o reality Drag race Brasil coloca a luz em uma das artes mais potentes do pa\u00eds na atualidade: as drag queens<\/h3>\n<p><strong>Por Pedro Ibarra<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 15 anos uma das drag queens mais famosas do mundo deu in\u00edcio ao que mudaria para sempre o curso dos reality show de televis\u00e3o. Estreava na televis\u00e3o<strong><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/uma-decada-na-tv-rupauls-drag-race-se-mantem-firme-em-popularidade\/\"><em> RuPaul&#8217;s drag race<\/em><\/a><\/strong>, um programa que premiava os maiores talentos da arte drag queen dos Estados Unidos. Apesar de tratar de um nicho espec\u00edfico da comunidade LGBTQIAP+ , o programa fez um sucesso que estourou a bolha e conquistou o mundo. J\u00e1 s\u00e3o 26 Emmys em 63 nomea\u00e7\u00f5es, e RuPaul se tornou a pessoa negra mais agraciada da hist\u00f3ria do pr\u00eamio, com 11. Al\u00e9m disso, o reality virou uma franquia que tem &#8220;sedes&#8221; em v\u00e1rios pa\u00edses. Esta semana chegou a vez do Brasil. Estreia na Paramount+ o t\u00e3o esperado <em>Drag race Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>O programa come\u00e7ou a ser exibido na plataforma de streaming e na <em>MTV<\/em> na \u00faltima quarta-feira com a cara do Brasil. Apresentado por Grag Queen, a drag vencedora da primeira temporada do programa <em>Queen of the universe<\/em>, o reality tem ainda Bruna Braga e Dudu Bertholini completando a mesa. As participantes representam os quatro cantos do pa\u00eds de propor\u00e7\u00f5es continentais: Aquarela (Belo Horizonte-MG), Betina Polaroid (Rio de Janeiro-RJ), Dallas de Vil (Campinas-SP), Diva More (Jaquirana Serra Ga\u00facha-RS), Hellena Malditta (S\u00e3o Gon\u00e7alo-RJ), Melusine Sparkle (S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto-SP), Miranda Lebr\u00e3o (Rio de Janeiro-RJ), Naza (Monte Santo de Minas-MG), Organzza (Rio de Janeiro-RJ), Shannon Skarllet (Rio de Janeiro-RJ), Tristan Soledade (Bel\u00e9m-PA) e Rubi Ocean, a representante de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>A ideia do programa, contudo, n\u00e3o \u00e9 ser mais um pa\u00eds com um <em>Drag race<\/em>, mas, sim, dar a cara de uma na\u00e7\u00e3o para cada pedacinho. &#8220;N\u00e3o \u00e9 apenas um <em>Drag race<\/em>, \u00e9 o <em>Drag race Brasil<\/em>, \u00e9 o nosso <em>Drag race<\/em>. Ele ter\u00e1 temas de runaway, em que elas v\u00e3o apresentar a cidade delas, temas sobre est\u00e9ticas brasileiras. \u00c9 um mundo de possibilidades e de personalidades de gatas muito talentosas&#8221;, explica Grag Queen. &#8220;S\u00e3o queens surreais, com hist\u00f3rias inacredit\u00e1veis e brasileiras. Por\u00e9m, o formato de <em>Drag race<\/em> que todo mundo conhece est\u00e1 l\u00e1&#8221;, completa.<\/p>\n<p>As participantes entregaram tanto que foram capazes de mudar a vida dos jurados. &#8220;Todas elas que passaram por ali me trouxeram aprendizados, n\u00e3o s\u00f3 na arte de maquiar, de performance, de tudo, mas de vida. Elas me trouxeram uma coragem e uma vontade de que cada vez mais eu fosse eu mesma&#8221;, afirma Bruna Braga. &#8220;Elas me trouxeram uma coragem de vida e um brilho no olho. Acho que o brilho que elas colocaram no meu olho \u00e9 o brilho que agora eu tento enxergar a mim mesma&#8221;, complementa.<\/p>\n<p>&#8220;Fica uma li\u00e7\u00e3o muito importante para n\u00f3s, para todos, e a gente espera que para as nossas espectadoras tamb\u00e9m. A import\u00e2ncia de valorizar a arte drag brasileira, global, de apoiar as nossas drags locais, de aumentar e apoiar plataformas como <em>Drag race<\/em>, que geram visibilidade, capacita\u00e7\u00e3o, eleva a percep\u00e7\u00e3o e o ganho de pessoas LGBTs e drag queens&#8221;, pontua Dudu Bertholini.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas membros da mesa acreditam que a sinergia e a conex\u00e3o da bancada \u00e9 uma das mais intensas da franquia, algo entre &#8220;conex\u00e3o de almas&#8221; e &#8220;amigas que andam de bra\u00e7os dados no recreio&#8221;. Por\u00e9m, para eles, o trabalho \u00e9 exaltar as participantes que est\u00e3o ali dando a vida em looks, performances e desafios. &#8220;A gente sempre faz o melhor que pode para que o tecido humano, por baixo de tudo isso, acompanhe o brilho dos tecidos e lam\u00eas que a gente vai ver naquela passarela&#8221;, diz Bertholini.<\/p>\n<h2>By popular demand<\/h2>\n<p>A estreia de <em>Drag race<\/em> vem ap\u00f3s um sucesso inacredit\u00e1vel do reality no Brasil. O programa tem f\u00e3s em todo o territ\u00f3rio nacional, a ponto de, em diversas cidades, bares fecharem para eventos exclusivos de transmiss\u00e3o de epis\u00f3dios importantes da franquia. O <em>Drag race Brasil<\/em> era muito pedido, pois o pa\u00eds tem muitos talentos na arte drag. Mesmo que tenha vindo depois de t\u00edtulos como Queen stars Brasil e Caravana das drags, o programa chega com status de principal reality do tema no pa\u00eds pela base s\u00f3lida de f\u00e3s que j\u00e1 tem.<\/p>\n<p>Grag Queen era uma dessas f\u00e3s e, agora, \u00e9 a apresentadora mais nova entre todos os programas da franquia. Portanto, para al\u00e9m de profissional, tem algo muito pessoal nesta conquista. &#8220;Sou fascinada, desde a primeira temporada at\u00e9 a \u00faltima. Eu assisti a tudo. Sei quem ganhou, quem perdeu, quem saiu, quem entrou. As minhas amigas me chamavam de m\u00e1quina de <em>Drag race<\/em>, eu realmente sou muito f\u00e3. Comecei a fazer drag por conta de <em>Drag race<\/em>&#8220;, diz a artista de 28 anos.<\/p>\n<p>Ela garante que, por mais que tenha lutado muito para conquistar este espa\u00e7o, n\u00e3o est\u00e1 fazendo isso s\u00f3 por si. &#8220;Estou realizando um sonho que eu sonhei, mas que \u00e9 da na\u00e7\u00e3o brasileira, um Drag race nacional. Eu s\u00f3 vou vivenciar esse sonho da melhor maneira, de camarote, na melhor cadeira que dava para sentar&#8221;, reflete.<\/p>\n<p>A anfitri\u00e3 do programa acredita que o mundo tem muito a aprender com o &#8220;jeitinho brasileiro&#8221; de fazer drag e viver como parte da comunidade LGBTQIAP+ do pa\u00eds. &#8220;O jeitinho brasileiro \u00e9 uma forma de falar que traduz o amor e o respeito em rela\u00e7\u00e3o ao que voc\u00ea acredita. \u00c9 ir atr\u00e1s sem medir esfor\u00e7os. Ser drag no Brasil \u00e9 fazer roupa de papel, peruca de l\u00e3, \u00e9 usar um vestido emprestado da m\u00e3e, ou \u00e9 gastar R$ 200 em uma fantasia para ganhar da festa um copo de gin. Ser drag no Brasil \u00e9 ser drag porque ama&#8221;, exalta Grag. &#8220;A gente v\u00ea muita drag come\u00e7ando do nada, sendo desrespeitada por baladas e desprotegida. Fazer uma arte pol\u00edtica pode fazer com que voc\u00ea corra perigo, sim. O jeitinho brasileiro, portanto, n\u00e3o deixa de ser sobreviv\u00eancia&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>A mensagem que fica \u00e9 que Grag Queen apenas representa um sonho que \u00e9 de todas as pessoas que decidem gastar horas do dia pensando em conceito, maquiagem, figurino e peruca para ter uma noite especial. &#8220;Eu bato no peito com muito orgulho de estar \u00e0 frente de algo novo, que vai gerar oportunidades para muitas gatas que querem fazer o pr\u00f3prio sonho acontecer, de ver o pr\u00f3prio conceito sair do papel, de ter condi\u00e7\u00f5es para bancar as pr\u00f3prias fam\u00edlias e de elevar a arte drag, que \u00e9 muito irada. \u00c9 preciso apenas olhar para a gente&#8221;, cobra. &#8220;As drags provam por A B que d\u00e1 para fazer qualquer coisa com uma peruca na cabe\u00e7a e um sorriso no rosto&#8221;, conclui.<\/p>\n<h2>A queen do cerrado<\/h2>\n<p>O p\u00fablico de Bras\u00edlia j\u00e1 tem uma dire\u00e7\u00e3o no que diz respeito \u00e0 torcida. Rubi Ocean \u00e9 a \u00fanica competidora do Centro-Oeste. Nascida e criada em Bras\u00edlia, ela j\u00e1 se monta h\u00e1 anos, mas, atualmente, trabalha mais na \u00e1rea da costura, fazendo roupas para outras drag queens.<\/p>\n<p>Quando surgiu a oportunidade de se inscrever no programa, viu que seria a hora de se reconectar com a Rubi &#8220;da balada&#8221;. &#8220;Eu me perguntei: &#8216;ser\u00e1 que eu consigo bater de frente com essas gatinhas que se montam dia e noite e participam de eventos e festas sempre?&#8217;. E logo vim com a resposta. Amo fazer arte drag. Ser uma artista drag n\u00e3o \u00e9 estar s\u00f3 na balada. E hoje em dia a gente percebe o tanto que essa vertente \u00e9 enorme&#8221;, lembra. &#8220;Mergulhar nessa percep\u00e7\u00e3o dentro de mim me fez ter coragem de falar assim: &#8216;vai l\u00e1 e mostra seu talento, que voc\u00ea \u00e9 uma queen da moda, uma queen que costura, e que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de balada que vivem as gays deste planeta&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>Antes de artista drag, Rubi \u00e9 uma f\u00e3 que come\u00e7ou a se montar nas festas de Bras\u00edlia. Com isso, ser a \u00fanica drag da capital no programa tem um gosto muito mais saboroso. &#8221; \u00c9 uma responsabilidade e uma honra muito grande. E eu me emociono toda vez que penso que, se a gente for ver a n\u00edvel Centro-Oeste, sou a \u00fanica queen da regi\u00e3o&#8221;, exalta. &#8220;Fico muito feliz, \u00e9 uma responsabilidade muito grande, porque eu represento drag queens do Distrito Federal, de Goi\u00e1s e do Mato Grosso que s\u00e3o incr\u00edveis, converso com elas e est\u00e3o todas euf\u00f3ricas com minha participa\u00e7\u00e3o&#8221;, confidencia. &#8220;\u00c9 isso, a seca do cerrado, o deserto do cerrado, ca\u00edram todos sobre as minhas costas. Sou a queen do cerrado, n\u00e3o \u00e9 mesmo?&#8221;, brinca.<\/p>\n<p>Para ela, al\u00e9m de um sonho, o Drag race Brasil foi sobre autodescoberta. &#8220;Eu me conheci de uma forma muito louca&#8221;, conta a artista, que tem como principal orgulho o fato de ter aproveitado. &#8220;Tenho uma certeza que voc\u00eas podem ter, que eu me joguei, eu me entreguei, eu vivi aquele momento do come\u00e7o ao fim, e fui, principalmente, fiel a mim mesma. Ent\u00e3o, al\u00e9m de muita alta costura, voc\u00eas v\u00e3o perceber a entrega da Rubi nessa competi\u00e7\u00e3o&#8221;, adianta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estreia da semana, o reality Drag race Brasil coloca a luz em uma das artes mais potentes do pa\u00eds na atualidade: as drag queens Por Pedro Ibarra H\u00e1 15 anos uma das drag queens mais famosas do mundo deu in\u00edcio ao que mudaria para sempre o curso dos reality show de televis\u00e3o. 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