{"id":23383,"date":"2023-09-08T08:06:32","date_gmt":"2023-09-08T11:06:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=23383"},"modified":"2023-09-07T20:08:21","modified_gmt":"2023-09-07T23:08:21","slug":"rodrigo-franca-questiona-a-humanidade-em-cena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/rodrigo-franca-questiona-a-humanidade-em-cena\/","title":{"rendered":"Rodrigo Fran\u00e7a questiona a humanidade em cena"},"content":{"rendered":"<h3>No ar em <em>Arcanjo renegado<\/em>, multiartista e ativista carioca potencializa representatividade preta<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Patrick Selvatti<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ator, autor, produtor e produto. Rodrigo Fran\u00e7a \u00e9 uma pot\u00eancia, principalmente quando se fala em representatividade negra. Escritor de tr\u00eas livros, inovou ao trazer para a literatura a figura do <em>Pequeno Pr\u00edncipe Preto<\/em>, fruto de uma pe\u00e7a de teatro que exalta a beleza e a ancestralidade negra como s\u00edmbolo de realeza.\u00a0Somente neste ano, Fran\u00e7a est\u00e1 \u00e0 frente de tr\u00eas pe\u00e7as teatrais \u2014 incluindo a aclamada <em>JORGE para sempre VER\u00c3O<\/em>, que homenageia o \u00edcone Jorge Laffond e seu personagem Vera Ver\u00e3o. &#8220;N\u00e3o conhe\u00e7o outro artista completo. A cultura deste pa\u00eds deve ao Laffond, querendo ou n\u00e3o&#8221;, exalta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No cinema, o multiartista de 45 anos assinou a dire\u00e7\u00e3o do filme <em>Barba, cabelo &amp; bigode<\/em>, com Solange Couto e Lucas Koka Penteado, dispon\u00edvel na Netflix. No streaming, aguarda a estreia da s\u00e9rie <em>Veronika<\/em> e da terceira temporada do sucesso <em>Arcanjo renegado<\/em>, produ\u00e7\u00f5es em que atua. E, h\u00e1 algumas semanas, marcou presen\u00e7a no especial exibido pelo Multishow, o <em>Humor Negro<\/em>, que tonaliza as vozes negras da com\u00e9dia no Brasil.<\/p>\n<h4>Humor negro<\/h4>\n<p dir=\"ltr\">Estrelado apenas por comediantes pretos com stand-up e esquetes inspiradas no cotidiano, o projeto busca ressignificar uma express\u00e3o associada ao racismo, ainda que, para Rodrigo,\u00a0existam fatos hist\u00f3ricos que n\u00e3o d\u00e1 para amenizar contextualizando \u00e0 \u00e9poca ou mesmo personalidades. &#8220;Por\u00e9m, a forma\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica a partir do colonizador trar\u00e1 alguns termos pejorativos que grupos ou coletivos podem ressignificar. Trazer o termo Humor Negro como uma esp\u00e9cie de g\u00eanero veio da jornalista Val Benvindo. Porque fazemos uma com\u00e9dia diferenciada. O nosso fazer rir n\u00e3o \u00e9 uma forma de opress\u00e3o, como outras escolas de humor&#8221;, argumenta ele, que celebra 31 anos de carreira e, apesar das d\u00e9cadas de estrada, especialmente nos palcos, passou a ser conhecido nacionalmente ao participar do <em>Big Brother Brasil<\/em>, em 2019.<\/p>\n<h4>Toler\u00e2ncia<\/h4>\n<p dir=\"ltr\">Atacar o preconceito e a intoler\u00e2ncia\u00a0\u00e9 uma marca do trabalho de Fran\u00e7a,\u00a0ativista pelos direitos civis, sociais e pol\u00edticos da popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil.\u00a0Em <em>Veronika<\/em>, que ser\u00e1 exibida pelo Globoplay, ele d\u00e1 vida a Pai Adhemar, um sacerdote religioso que tem o seu terreiro invadido pela mil\u00edcia. Para ele, a\u00a0fic\u00e7\u00e3o forma parte da moral do brasileiro e \u00e9 importante que ela retrate a realidade que choca e necessita de interven\u00e7\u00e3o. &#8220;Colocar como cena, de forma respons\u00e1vel, um terreiro sendo depredado por intoler\u00e2ncia religiosa \u00e9 fundamental. N\u00e3o estar\u00e1 de forma gratuita, descontextualizada&#8221;, explica.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Rodrigo lembra que ainda se banaliza mortes como a da lideran\u00e7a quilombola e Ialorix\u00e1 Bernadete Pac\u00edfico. &#8220;A arte n\u00e3o consegue modificar uma sociedade, mas faz a sociedade refletir sobre si&#8221;, defende o ator, que, em <em>Arcanjo renegado<\/em>, empresta o corpo ao\u00a0deputado estadual Ivanir Semog, aliado da personagem de Cris Vianna, a Ma\u00edra, que \u00e9 presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. &#8220;\u00c9 fundamental termos personagens feitos por atores e atrizes negros na grande esfera do poder pol\u00edtico partid\u00e1rio com \u00f3timas narrativas.&#8221;<\/p>\n<h4>Narrativa \u00e9 poder<\/h4>\n<p dir=\"ltr\">Para Fran\u00e7a, o movimento que vem colocando pretos no protagonismo nas novelas \u00e9 um feito que deve ser comemorado, mas sem se acomodar. &#8220;Negar o avan\u00e7o seria negar uma luta hist\u00f3rica. Mas ainda estamos caminhando lentamente. N\u00e3o tem como regredir, mas temos que avan\u00e7ar mais&#8221;, observa. O carioca acredita na import\u00e2ncia de que os profissionais negros estejam em todos os campos do audiovisual.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Porque narrativa \u00e9 poder, que estejamos escrevendo, dirigindo, iluminando&#8230; E que possamos encontrar personagens negros e negras com uma hist\u00f3ria digna, decente e que represente pot\u00eancia&#8221;, acrescenta Rodrigo, destacando que ainda se v\u00ea o fetiche sobre as dores do povo preto, principalmente com o per\u00edodo de escraviza\u00e7\u00e3o sendo contado de forma &#8220;leviana e irrespons\u00e1vel&#8221;. &#8220;N\u00f3s amamos, consumimos, sonhamos&#8230; Onde est\u00e1 a nossa humanidade em cena?&#8221;, questiona.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ar em Arcanjo renegado, multiartista e ativista carioca potencializa representatividade preta &nbsp; Patrick Selvatti Ator, autor, produtor e produto. 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