{"id":23440,"date":"2023-09-11T15:13:38","date_gmt":"2023-09-11T18:13:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=23440"},"modified":"2023-09-11T15:13:38","modified_gmt":"2023-09-11T18:13:38","slug":"critica-one-piece-estreia-na-netflix-superando-expectativas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/critica-one-piece-estreia-na-netflix-superando-expectativas\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: One Piece estreia na Netflix superando expectativas"},"content":{"rendered":"<h3>Live-action de One Piece se torna um marco para as adapta\u00e7\u00f5es de anime, provando que boas hist\u00f3rias transcendem o papel e a caneta.<\/h3>\n<p><strong>Por Khalil Santos<\/strong><\/p>\n<p>Um dos mang\u00e1s e animes mais populares da hist\u00f3ria, ganhou sua aguardada adapta\u00e7\u00e3o com \u201cpessoas reais\u201d. <em>One Piece<\/em> estreou na <strong><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/tag\/netflix\/\">Netflix<\/a><\/strong> e caiu por terra com a fal\u00e1cea de que animes n\u00e3o podem ser adaptados para live-action. O esfor\u00e7o da gigante vermelha do streaming j\u00e1 foi bem recompensado com a s\u00e9rie assistida por mais de 18 milh\u00f5es de pessoas na semana de lan\u00e7amento e posicionada no Top 10 de 93 pa\u00edses ao redor do globo.<\/p>\n<p><em>One Piece<\/em> \u00e9 um mang\u00e1 japon\u00eas, denomina\u00e7\u00e3o para o quadrinho asi\u00e1tico lido detr\u00e1s para frente, mais comercializado de todos os tempos, com cerca de 500 milh\u00f5es c\u00f3pias vendidas no mundo. Criado por Eiichiro Oda em 1997, o mang\u00e1 conta a hist\u00f3ria de <strong><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/diversao-e-arte\/2020\/01\/31\/interna_diversao_arte,824677\/live-action-de-one-piece.shtml\">Luffy<\/a><\/strong> e sua tripula\u00e7\u00e3o do navio Chap\u00e9u de Palha em busca do tesouro lend\u00e1rio <em>One Piece<\/em>. Ele lista entre as hist\u00f3rias mais longas contadas no g\u00eanero do mang\u00e1, e sua adapta\u00e7\u00e3o em anime (Desenho japon\u00eas) figura tamb\u00e9m entre os mais longos, contando hoje com 1074 epis\u00f3dios lan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros s\u00f3 demonstram a magnitude que a franquia possu\u00eda antes da adapta\u00e7\u00e3o, a vontade de fomentar uma comunidade de <em>One Piece<\/em> foi tanta na plataforma, que no mesmo ano em que o live-action foi anunciado, a Netflix trouxe o anime para o seu cat\u00e1logo e ainda dublou seus epis\u00f3dios para torna-l\u00f3 mais acess\u00edvel. Um movimento que refletiu s\u00f3 agora em grande escala, quando as vi\u00favas da s\u00e9rie procuraram a continua\u00e7\u00e3o dos eventos retratados no live-action. Falando deles\u2026<\/p>\n<h2>Romance Dawn<\/h2>\n<figure id=\"attachment_23444\" aria-describedby=\"caption-attachment-23444\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-23444\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/09\/Retranca-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-23444\" class=\"wp-caption-text\">Cena de One Piece | Netflix\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>A hist\u00f3ria de <em>One Piece<\/em> come\u00e7a quando o intitulado Rei dos Piratas, Gol D. Roger \u00e9 capturado pela marinha e est\u00e1 prestes a ser executado, mas antes lan\u00e7a uma charada aos presentes: \u201cMinhas riquezas e tesouros? Se voc\u00eas quiserem, eu os deixo pegar. Procurem por ele, deixei tudo naquele lugar!\u201d. Com essas palavras ele deu in\u00edcio a Grande Era dos Piratas, onde todos foram ao mar em busca do tesouro perdido e misterioso, o One Piece.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o princ\u00edpio da jornada, a verdadeira trama come\u00e7a anos depois, quando Monkey D. Luffy parte ao mar em busca de realizar seu sonho de se tornar o Rei dos Piratas. A inoc\u00eancia do rapaz \u00e9 tanta que quando ele decide se aventurar pelos mares, Luffy nem tem no\u00e7\u00e3o alguma sobre como navegar.<\/p>\n<p>In\u00e3ki Godoy assume a personalidade el\u00e9trica e inabal\u00e1vel de Luffy, que no mang\u00e1 \u00e9 um protagonista animado e cego por um sonho que busca alcan\u00e7ar mesmo que lhe custe tudo, movimento parecido com o de outros famosos protagonistas da m\u00eddia como Naruto, Gon, Goku, Midoriya e Hinata. Esse arqu\u00e9tipo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o utilizado em obras ocidentais, ent\u00e3o poderia gerar uma indiferen\u00e7a no p\u00fablico. Por\u00e9m, esse lado de olhar o Luffy como um bobo animado \u00e9 visto pelos personagens da pr\u00f3pria obra, inicialmente com Mackenyu, que interpreta o ca\u00e7ador de piratas sisudo Roronoa Zoro, e Emily Rudd, como a ladra esperta Nami.<\/p>\n<p>A din\u00e2mica inicial do elenco gira entorno desse estranhamento dos personagens, mas assim como no mang\u00e1, o trio de Romance Dawn se complementa nos dois primeiros epis\u00f3dios e demonstra uma transposi\u00e7\u00e3o excelente das caracter\u00edsticas feitas por Eiichiro Oda para um p\u00fablico diferente. T\u00e3o potente que, ainda assim, ressoa com os f\u00e3s de <em>One Piece<\/em>.<\/p>\n<h2>O jeito certo de contar<\/h2>\n<figure id=\"attachment_23445\" aria-describedby=\"caption-attachment-23445\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-23445\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/09\/Retranca-2-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-23445\" class=\"wp-caption-text\">Cena de One Piece | Netflix\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os roteiristas Matt Owens e Steve Maeda, apesar de se manterem fi\u00e9is ao material original de Oda, resolveram se aproveitar informa\u00e7\u00f5es de cap\u00edtulos mais distantes para fortalecer o enredo da primeira temporada, focando os epis\u00f3dios em desenvolver a motiva\u00e7\u00e3o de cada um dos tripulantes. Todos t\u00eam o pr\u00f3prio momento de contar o porqu\u00ea buscam seus sonhos e revelar seus passados traum\u00e1ticos nas \u00e1guas de East Blue. A \u00fanica figura que foge essa l\u00f3gica \u00e9 Usopp, interpretado por Jacob Gibson, que de longe foi o personagem mais deixado de lado pela adapta\u00e7\u00e3o, mesmo fiel \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o original, ficou muito fora do holofote. Em seus dois epis\u00f3dios, ele n\u00e3o faz muita coisa, e o foco \u00e9 desviado para contar o passado de Zoro e sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo das espadas.<\/p>\n<p>Um personagem ganhou uma adapta\u00e7\u00e3o quase melhor do que a sua vers\u00e3o de papel foi o cozinheiro elegante Sanji, interpretado por Taz Skyler, que al\u00e9m de entregar com primor o jeito cafajeste e convencido do personagem, mostra ainda um passado <em>ipsis literis<\/em> com o material original. Ele entrega um desfecho at\u00e9 melhor para a cultura ocidental, o que com certeza vai pegar pessoas que n\u00e3o eram f\u00e3s previamente da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Agora, um ponto fraco da s\u00e9rie e que constantemente retorna \u00e9 o n\u00facleo da Marinha, que parece existir s\u00f3 para mostrar um \u201coutro lado\u201d que nunca chega em lugar algum. Nos epis\u00f3dios de Usopp, eles parecem perdidos com o que fazer com os membros deste n\u00facleo e todos t\u00eam apari\u00e7\u00f5es jogadas no meio da trama.<\/p>\n<p>Outro ponto, que \u00e9 totalmente entend\u00edvel, mas que pode decepcionar os f\u00e3s, est\u00e1 no fato das vilas dentro da s\u00e9rie n\u00e3o s\u00e3o muito desenvolvidas, com as pessoas nelas sendo apenas figurantes. Enquanto no material original, em todos os lugares que os Chap\u00e9us de Palha aportam, Oda sempre faz quest\u00e3o de mostrar e relacion\u00e1-los com personagens secund\u00e1rios. Isso n\u00e3o chega a prejudicar a s\u00e9rie, para quem n\u00e3o conhece o mang\u00e1, mas pode dar essa sensa\u00e7\u00e3o de falta para os leitores de <em>One Piece<\/em>.<\/p>\n<h2>Akuma no Mi e os efeitos especiais<\/h2>\n<figure id=\"attachment_23443\" aria-describedby=\"caption-attachment-23443\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-23443\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2023\/09\/Retranca-3-1024x640.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"640\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-23443\" class=\"wp-caption-text\">Cena de One Piece | Netflix\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Luffy (ou a Netflix) ainda possui um problema maior com qual tem que lidar em um mundo onde existe mais \u00e1gua do que terra, seus poderes de Akuma no Mi ou tamb\u00e9m conhecida como Fruta do Diabo. Ela recebe esse nome, porque seus usu\u00e1rios perdem a habilidade de nadar depois que a comem, uma tremenda desvantagem no mundo de <em>One Piece<\/em>.<\/p>\n<p>Um dos maiores enigmas para o live-action seria essa adapta\u00e7\u00e3o dos poderes para o mundo de carne e osso, j\u00e1 que na anima\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais f\u00e1cil representar exageros gr\u00e1ficos porque a m\u00eddia permite. Contudo, podia facilmente destoar dentro do padr\u00e3o \u201cseriado fant\u00e1stico\u201d que a Netflix quis dar \u00e0 One Piece. As duas que s\u00e3o bem destacadas na trama, \u00e9 a de Luffy, a Gomu Gomu no Mi ou a Fruta da Borracha e a Bara Bara no Mi de Buggy, o pirata palha\u00e7o, os efeitos s\u00e3o aceit\u00e1veis, n\u00e3o matam a suspens\u00e3o de descren\u00e7a do p\u00fablico, ou seja, s\u00e3o cr\u00edveis. Mas em rela\u00e7\u00e3o a brigas, o destaque dos combates vai para Zoro e Sanji, os dois atores fazem muito bem as coreografias e a edi\u00e7\u00e3o n\u00e3o fica constantemente cortando as lutas, o que deixa claro a movimenta\u00e7\u00e3o e o entendimento dos golpes.<\/p>\n<p>Enquanto a cen\u00e1rios e ambientes, a maioria (sen\u00e3o 100%) se passa em sets fechados. Entretanto, isso n\u00e3o tira a sensa\u00e7\u00e3o de ambiente externo, com cenas com muita luz, e ambienta\u00e7\u00e3o colorida. Vale um destaque para o barco restaurante, Baratie, que al\u00e9m de protagonizar os melhores epis\u00f3dios do seriado, foi constru\u00eddo em tamanho real para passar mais credibilidade ao espectador.<\/p>\n<h2>Pirata que estica<\/h2>\n<p>Animes e mang\u00e1s sempre parecem inadapt\u00e1veis, gra\u00e7as as grandes diferen\u00e7as culturais entre o ocidente e o oriente, e geralmente quem busca transpor essas obras remove muito das caracter\u00edsticas que fazem delas \u00fanicas. Mesmo com essas barreiras, <em>One Piece<\/em> esfregou na cara de <em>Dragon Ball Evolution<\/em>, <em>Cowboy Bebop<\/em> e <em>Death Note<\/em> (As duas \u00faltimas produ\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria Netflix) que \u00e9, sim, poss\u00edvel se manter fiel ao material original e ainda assim fazer uma adapta\u00e7\u00e3o que enalte\u00e7a o produto inicial\u00a0e crie curiosidade em quem nunca o consumiu.<\/p>\n<p><em>One Piece<\/em> da Netflix \u00e9 uma excelente porta de entrada ao mundo rico criado Eiichiro Oda, afinal adapta a maioria de seus personagens com exatid\u00e3o, e demonstra como a hist\u00f3ria tem mensagens poderosas sobre o poder dos sonhos e dos la\u00e7os constru\u00eddos atrav\u00e9s da amizade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Live-action de One Piece se torna um marco para as adapta\u00e7\u00f5es de anime, provando que boas hist\u00f3rias transcendem o papel e a caneta. 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