{"id":24383,"date":"2024-08-25T06:00:48","date_gmt":"2024-08-25T09:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=24383"},"modified":"2024-08-23T21:03:18","modified_gmt":"2024-08-24T00:03:18","slug":"elenco-de-cidade-de-deus-o-tempo-nao-para-comenta-sobre-o-retorno-do-universo-iconico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/elenco-de-cidade-de-deus-o-tempo-nao-para-comenta-sobre-o-retorno-do-universo-iconico\/","title":{"rendered":"Elenco de Cidade de Deus: o tempo n\u00e3o para comenta sobre o retorno do universo ic\u00f4nico"},"content":{"rendered":"<h3>Cidade de Deus: a luta n\u00e3o para estreia na Max e conta a vida dos amados personagens 20 anos depois dos acontecimentos do filme<\/h3>\n<p><strong>Por Pedro Ibarra<\/strong><\/p>\n<p>Uma das maiores obras da cinematografia nacional poderia ser intoc\u00e1vel, mas ainda h\u00e1 hist\u00f3ria para contar. O intenso universo de Cidade de Deus est\u00e1 de volta no mesmo ritmo fren\u00e9tico e estreia hoje como s\u00e9rie na Max. Com o t\u00edtulo Cidade de Deus: a luta n\u00e3o para, o seriado busca ir al\u00e9m e adicionar nuances a uma das produ\u00e7\u00f5es mais cultuadas da hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com dire\u00e7\u00e3o de Aly Muritiba, que tamb\u00e9m assina o roteiro ao lado de Sergio Machado, Rodrigo Felha, Armando Pra\u00e7a, Renata Di Carmo e Estev\u00e3o Ribeiro, Cidade de Deus: a luta n\u00e3o para se passa em 2004, exatamente 20 anos depois do enredo do longa. A s\u00e9rie acompanha Wilson Buscap\u00e9 (Alexandre Rodrigues) j\u00e1 como um fotojornalista renomado, mas, assim como o filme, divide tudo em diversos n\u00facleos em uma narrativa din\u00e2mica com mensagem e impacto social. Atores como Roberta Rodrigues, Thiago Martins e Sabrina Rosa voltam aos personagens que viveram na produ\u00e7\u00e3o de 2002.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, antes de uma nova hist\u00f3ria, o seriado \u00e9 o retorno de um dos universos mais amados pelo p\u00fablico brasileiro. &#8220;\u00c9 uma oportunidade imensa voltar para personagens que marcaram a hist\u00f3ria do pa\u00eds. Cidade de Deus foi um filme que marcou um tempo, trouxe um novo olhar, uma nova linguagem, tanto para o audiovisual quanto no geral&#8221;, avalia Roberta Rodrigues, que volta a dar vida \u00e0 Berenice. Esse reencontro entre os atores que fizeram parte dessa hist\u00f3ria e o p\u00fablico, por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 especial. &#8220;Estar de volta \u00e0 Cidade de Deus \u00e9 nost\u00e1lgico, porque eu posso rever meus amigos&#8221;, declara Alexandre Rodrigues em entrevista \u00e0 Revista.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie conta uma nova hist\u00f3ria, d\u00e1 um passo \u00e0 frente, apresenta novos personagens e uma Cidade de Deus que o p\u00fablico n\u00e3o reconhece mais. As guerras de Z\u00e9 Pequeno e Man\u00e9 Galinha s\u00e3o um passado distante, as quest\u00f5es sociais ultrapassam muito a quest\u00e3o do tr\u00e1fico, e quem ficou por ali vive outra vida. &#8220;A s\u00e9rie vai nos viabilizar destrinchar um pouco melhor o futuro desses personagens. Agora a gente consegue ver um pouco dos dramas de cada um deles individualmente&#8221;, pontua Alexandre.<\/p>\n<h2>Inova\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O lan\u00e7amento desenvolve os personagens para discutir o aspecto cultural e familiar da comunidade. A viol\u00eancia existe, mas n\u00e3o \u00e9 mais s\u00f3 sobre corpos pretos no ch\u00e3o. Discute-se mil\u00edcia, impacto do governo, corrup\u00e7\u00e3o e pol\u00edtica. &#8220;\u00c9 uma hist\u00f3ria de luta mesmo, uma hist\u00f3ria de luta que trabalha na dire\u00e7\u00e3o do bem comum. Uma s\u00e9rie sobre a for\u00e7a do coletivo. \u00c9 pol\u00edtica pura, no melhor sentido&#8221;, diz Andreia Horta, atriz que estreia a personagem Jerusa, uma mulher com sede de poder que namora Braddock (Thiago Martins) e pretende chegar ao topo da Cidade de Deus, agora comandada pelo tamb\u00e9m estreante Curi\u00f3 (Marcos Palmeira).<\/p>\n<p>Ou seja, a produ\u00e7\u00e3o realmente faz o novo com base no antigo. &#8220;O equil\u00edbrio sutil entre a homenagem e a inova\u00e7\u00e3o foi o que guiou a gente o tempo inteiro&#8221;, explica o diretor Aly Muritiba. &#8220;Eu trouxe algumas pe\u00e7as basilares do filme para me ajudar a manter a ess\u00eancia, mas tamb\u00e9m chamei um monte de gente nova que estava disposta a respeitar a hist\u00f3ria sem necessariamente reverenciar o longa&#8221;, complementa.<\/p>\n<p>&#8220;Quem \u00e9 f\u00e3 do filme, quando assiste a s\u00e9rie, percebe que est\u00e1 dentro de Cidade de Deus, mas depois do segundo epis\u00f3dio percebem que est\u00e1 vendo Cidade de Deus: a luta n\u00e3o para. Ou seja, est\u00e1 vendo al\u00e9m&#8221;, reflete o diretor, que acredita que todo o trabalho \u00e9 muito original. &#8220;Eu n\u00e3o trilhei o caminho que trilhei para chegar aqui agora e imitar o Fernando Meirelles, n\u00e3o tenho voca\u00e7\u00e3o para ser imitador de ningu\u00e9m. Ent\u00e3o, respeitando o que ele fez, eu vou tentar dar alguns passos adiante&#8221;, crava.<\/p>\n<p>Todos os envolvidos, da equipe ao elenco, foram ao m\u00e1ximo para que sa\u00edsse esse produto final. &#8220;N\u00f3s, como artistas, realizadores, pensadores e ativistas, fomos acumulando uma s\u00e9rie de bagagem e despejamos tudo nessa s\u00e9rie&#8221;, diz Aly. O resultado foi uma Cidade de Deus que bebe no passado e caminha para o futuro. &#8220;Eu acho que o mais legal \u00e9 isso, a hist\u00f3ria, a narrativa da s\u00e9rie est\u00e1 repaginada, est\u00e1 atualizada com os tempos, embora a gente esteja falando de 2000&#8221;, adiciona Andreia Horta.<\/p>\n<h2>Responsabilidade e honra<\/h2>\n<p>\u201cVoltar com o meu personagem t\u00e3o ic\u00f4nico \u00e9 de uma grande responsabilidade, mas, se \u00e9 para fazer, \u00e9 para fazer para poder valer\u201d, pontua Alexandre Rodrigues. Esse era o racioc\u00ednio de todos que estavam ali e decidiram voltar para contar mais uma hist\u00f3ria. \u201cEu jamais aceitaria a s\u00e9rie se fosse para fazer de qualquer jeito. Fazer parte disso \u00e9 ser artista e ser artista que quer revolucionar. Todo mundo que estava naquele set fez a vida por meio de revolu\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias\u201d, complementa Roberta Rodrigues.<\/p>\n<p>Para aqueles que n\u00e3o estavam na primeira vez, \u00e9 uma oportunidade de viver um sonho. \u201cMexe com a menina que fui, que nasceu e cresceu na periferia. Poder ser uma das vozes contadoras dessa hist\u00f3ria repaginada, dessa hist\u00f3ria atualizada, \u00e9 uma alegria muito grande\u201d, destaca Horta. \u201cD\u00e1 uma honra de ter conquistado.Eu fiz teste, eu passei no teste. Eu ganhei no dente, eu ganhei na luta boa e justa.Essas coisas n\u00e3o t\u00eam pre\u00e7o\u201d, completa.<\/p>\n<p>Andreia Horta e Marcos Palmeira s\u00e3o nomes consolidados que entraram na empreitada. Por\u00e9m, assim como no filme de 2002, grandes atores est\u00e3o se destacando vindo diretamente do teatro das comunidades. Enquanto h\u00e1 mais de 20 anos eram nomes jovens do Vidigal, agora \u00e9 o coletivo Arteiros da pr\u00f3pria Cidade de Deus que rouba a cena. O que n\u00e3o muda \u00e9 o fato de tudo parecer convergir para que mais hist\u00f3ria seja escrita. \u201cPara mim Cidade de Deus \u00e9 algo espiritual, \u00e9 como se fosse um combinado astral. Parece que a obra escolhe quem ela quer que a represente\u201d, acredita Roberta.<\/p>\n<h2>Do Brasil para o mundo<\/h2>\n<p>Cidade de Deus teve um impacto internacional quase sem precedentes, al\u00e9m de ter sido indicado a quatro pr\u00eamios Oscar, o longa \u00e9 uma das produ\u00e7\u00f5es n\u00e3o gravadas em l\u00edngua mais assistidas da hist\u00f3ria. Andreia Horta lembra de uma passagem da CCXP em que o elenco encontrou Steve Toussaint, um dos atores de Casa do Drag\u00e3o, s\u00e9rie que Cidade de Deus: a luta n\u00e3o para substitui na programa\u00e7\u00e3o da HBO. \u201cEle falou para o elenco que fez parte do original: \u2018eu resolvi me tornar ator quando eu assisti Cidade de Deus\u2019. Ele \u00e9 estrangeiro e um homem negro. Isso \u00e9 de uma pot\u00eancia!\u201d, conta.<\/p>\n<p>Com a produ\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie, foi natural que Warner e a Max apostasse alto na narrativa que estava por vir. \u201ccolocando a gente para substituir Casa do Drag\u00e3o e depois da gente vai vir Penguin \u00e9 porque a gente est\u00e1 fazendo super bem\u201d, exalta Alexandre Rodrigues. \u201cEst\u00e3o colocando a gente para substituir Casa do Drag\u00e3o e depois da gente vai vir Penguin [miniss\u00e9rie sobre o vil\u00e3o do Batman interpretado por Colin Farrell]. Isso \u00e9 porque a gente est\u00e1 fazendo super bem o que nos propusemos a fazer\u201d, comemora Aly Muritiba.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade de Deus: a luta n\u00e3o para estreia na Max e conta a vida dos amados personagens 20 anos depois dos acontecimentos do filme Por Pedro Ibarra Uma das maiores obras da cinematografia nacional poderia ser intoc\u00e1vel, mas ainda h\u00e1 hist\u00f3ria para contar. 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