{"id":24417,"date":"2024-10-06T06:30:16","date_gmt":"2024-10-06T09:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=24417"},"modified":"2024-10-04T16:41:21","modified_gmt":"2024-10-04T19:41:21","slug":"a-franquia-faz-satira-humana-sobre-hollywood-na-max","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/a-franquia-faz-satira-humana-sobre-hollywood-na-max\/","title":{"rendered":"A franquia faz s\u00e1tira humana sobre Hollywood na Max"},"content":{"rendered":"<h3>\u00a0Sam Mendes, Daniel Br\u00fchl, Jessica Heynes, Armando Ianoucci e Jon Brown comentam sobre a nova estreia da Max que ri das super produ\u00e7\u00f5es de Hollywood<\/h3>\n<p><strong>Por Pedro Ibarra<\/strong><\/p>\n<p>As cr\u00edticas ao cinema de super-her\u00f3is e \u00e0s franquias dos chamados blockbusters, ou arrasa quarteir\u00f5es em portugu\u00eas, t\u00eam sido cada vez mais recorrentes. Entendendo a pasteuriza\u00e7\u00e3o do cinema como uma terra f\u00e9rtil para fazer gra\u00e7a, a Max lan\u00e7a hoje a s\u00e9rie A franquia. Uma com\u00e9dia metalingu\u00edstica que olha para dentro de Hollywood para encontrar as piadas.<\/p>\n<p>O novo seriado acompanha o primeiro assistente de dire\u00e7\u00e3o Daniel (Himesh Patel), que trabalha na mais nova saga de super-her\u00f3is intitulada Tecto. O filme fict\u00edcio trata sobre um vigilante capaz de fazer terremotos e voar com um martelo invis\u00edvel. A produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 atrasada e passa por problemas com o roteiro e a excentricidade do diretor Eric (Daniel Br\u00fchl) e dos atores Adam (Billy Magnussen) e Peter (Richard E. Grant).<\/p>\n<p>A s\u00e9rie foi criada por Jon Brown e dirigida pelo vencedor do Oscar Sam Mendes. Ela \u00e9 baseada em experi\u00eancias c\u00f4micas que Sam Mendes teve quando filmava os dois filmes mais populares que j\u00e1 dirigiu, <strong><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/diversao-e-arte\/2012\/11\/23\/interna_diversao_arte,335354\/javier-bardem-ofusca-o-007-de-daniel-craig-em-operacao-skyfall.shtml\">007: opera\u00e7\u00e3o Skyfall<\/a><\/strong> e 007 contra Spectre, somados a entrevistas e refer\u00eancias sobre o cinema denominado pipoca. A ideia \u00e9 questionar e satirizar o &#8220;fazer da lingui\u00e7a&#8221;, os bastidores desse cinema mainstream que movimenta bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano.<\/p>\n<p>A gra\u00e7a presente nos epis\u00f3dios \u00e9 concentrada no texto. O estranhamento dos di\u00e1logos e as rea\u00e7\u00f5es ao car\u00e1ter inusitado das situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o o trunfo do fazer rir. &#8220;O c\u00f4mico s\u00e3o os personagens que amam a ideia de fazer esse tipo de filme, mas de alguma forma est\u00e3o fazendo em uma \u00e9poca em que essa coisa rom\u00e2ntica j\u00e1 morreu&#8221;, explica Jon Brown.<\/p>\n<p>&#8220;Pela minha pr\u00f3pria experi\u00eancia, posso dizer o qu\u00e3o tr\u00e1gico e engra\u00e7ado pode ser trabalhar nesses parques lun\u00e1ticos e megaloman\u00edacos que s\u00e3o essas sagas e universo de franquia&#8221;, afirma Daniel Br\u00fchl que j\u00e1 trabalhou em sagas imensas como o Universo Cinematogr\u00e1fico da Marvel (<strong><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/tag\/mcu\/\">MCU<\/a><\/strong>) e em um dos filmes sobre Cloverfield. &#8220;Eu vivi a dor, a frustra\u00e7\u00e3o, os flashes de esperan\u00e7a e a implos\u00e3o. Todos esses altos e baixos&#8221;, complementa o ator.<\/p>\n<p>A atriz de com\u00e9dia Jessica Heynes \u00e9 a encarregada da maior parte das trocas com Br\u00fchl, j\u00e1 que interpreta a assistente e supervisora de roteiro Steph. Apesar de n\u00e3o ter sido de um grande blockbuster, a atriz compartilha a vis\u00e3o de que esses bastidores da produ\u00e7\u00e3o podem ser c\u00f4micos. &#8220;Essas produ\u00e7\u00f5es s\u00e3o um ponto de partida incr\u00edvel para a com\u00e9dia. Voc\u00ea tem esse mundo incr\u00edvel, enorme e complexo. Esse lugar \u00e9 cheio de situa\u00e7\u00f5es inusitadas e conceitualmente isso j\u00e1 \u00e9 uma ideia muito interessante para com\u00e9dia&#8221;, analisa. &#8220;\u00c9 divertido acompanhar todas essas pessoas excelentes na profiss\u00e3o que exercem se desdobrando para tirar esse monstro do ch\u00e3o&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Em uma hist\u00f3ria como essa, com escolhas complexas de roteiro e cenas que unem o riso \u00e0 tens\u00e3o, \u00e9 preciso concord\u00e2ncias entre os atores, como foi com Heynes e Br\u00fchl. O entrosamento precisa estar em dia. &#8220;\u00c9 como m\u00fasica, \u00e9 preciso acertar a nota e o tom. \u00c9 preciso se ajustar, encontrar o groove para voc\u00ea mesmo e com o grupo&#8221;, reflete o ator, que vive Eric. &#8220;Sinto que trabalhei com os melhores. Tem muita energia, e o tom c\u00f4mico estava certo. Eu e Jessica, por exemplo, era como se estiv\u00e9ssemos tocando jazz&#8221;, elogia Br\u00fchl, em entrevista \u00e0 Revista.<\/p>\n<h2>Nomes pequenos dos cr\u00e9ditos<\/h2>\n<p>Quando levantada a ideia de uma com\u00e9dia sobre as pessoas dos bastidores do cinema, n\u00e3o se pensou primariamente que h\u00e1 um outro efeito muito positivo: exaltar o trabalho daqueles menos favorecidos na din\u00e2mica da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica. &#8220;N\u00f3s imaginamos que seria uma s\u00e1tira, mas o Jon conseguiu encapsular a romantiza\u00e7\u00e3o e a esperan\u00e7a que est\u00e3o presentes na produ\u00e7\u00e3o de um filme. Essa vontade de fazer algo maravilhoso&#8221;, pontua Sam Mendes. &#8220;A hist\u00f3ria est\u00e1 com a cabe\u00e7a na s\u00e1tira e o cora\u00e7\u00e3o no drama humano&#8221;, filosofa.<\/p>\n<p>&#8220;O que eu gosto de A franquia \u00e9 que tem a com\u00e9dia e a s\u00e1tira, mas, ainda assim, celebra os hor\u00e1rios terr\u00edveis, os dias longos, filmar \u00e0 noite e tudo mais. \u00c9 bom ver um retrato disso e como isso afeta as pessoas&#8221;, destaca Armando Ianucci, produtor executivo da s\u00e9rie conhecido com um dos criadores do sucesso da com\u00e9dia Veep. &#8220;Em eventos como o Oscar e o Emmy, voc\u00ea celebra parte das pessoas, a maioria dos mais celebrados est\u00e1 na tela, por exemplo. No entanto, h\u00e1 toda uma equipe que voc\u00ea sabe que \u00e9 quem faz acontecer&#8221;, completa.<\/p>\n<p>H\u00e1 algo de muito pessoal tamb\u00e9m em pessoas que j\u00e1 trabalharam nos bastidores abrirem essa porta dos fundos de Hollywood. &#8220;Eu trabalhei nos \u00faltimos 15 anos da minha carreira de roteirista. Nem tudo era o que eu queria fazer, ent\u00e3o eu prometia que n\u00e3o investiria esfor\u00e7o maior do que fazer o meu melhor trabalho poss\u00edvel. Por\u00e9m, no momento que voc\u00ea bota a caneta no papel, voc\u00ea est\u00e1 doando uma parte sua para o projeto. \u00c9 assim que eles te pegam, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o se jogar de cabe\u00e7a naquilo&#8221;, confidencia Jon.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica pode ser feroz quando o resultado n\u00e3o \u00e9 bom. Entretanto, isso n\u00e3o significa que o trabalho dos nomes pequenos que passam r\u00e1pido nos cr\u00e9ditos do final do filme n\u00e3o foi bom. &#8220;As pessoas podem ter cr\u00edticas sobre o resultado dessas sagas e franquias, mas posso garantir que cada um que entra para o projeto est\u00e1 tentando fazer o absoluto melhor que pode&#8221;, crava o criador. &#8220;O que parte o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 quando voc\u00ea v\u00ea o produto final e questiona para onde foi todo aquele talento e trabalho duro. O sistema em que essas pessoas ganham a vida \u00e9 disfuncional e est\u00e1 quebrado&#8221;, critica.<\/p>\n<h2>Crise no cinema de her\u00f3is?<\/h2>\n<figure id=\"attachment_24418\" aria-describedby=\"caption-attachment-24418\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-24418\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2024\/10\/Afranquia-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2024\/10\/Afranquia-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2024\/10\/Afranquia-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2024\/10\/Afranquia-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2024\/10\/Afranquia-800x533.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2024\/10\/Afranquia-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2024\/10\/Afranquia-230x153.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2024\/10\/Afranquia.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-24418\" class=\"wp-caption-text\">A franquia brinca com o cinema de super her\u00f3is | Max\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Se a s\u00e9rie tivesse sido lan\u00e7ada no auge do cinema da Marvel, a discuss\u00e3o seria diferente. A fase que vive o cinema de her\u00f3is \u00e9 de baixa e a s\u00e9rie acaba sendo mais uma punhalada nesse formato que tem sido o favorito nos ataques da cr\u00edtica e f\u00e3s. No entanto, Sam Mendes nega que isso \u00e9 uma crise. &#8220;N\u00e3o acho que Hollywood est\u00e1 em crise, acho que \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o de como s\u00e3o feitos esses tipos de filmes&#8221;, fala o diretor. &#8220;S\u00f3 \u00e9 uma crise, se as pessoas pararem de ir aos cinemas, e as pessoas n\u00e3o pararam. Elas apenas est\u00e3o limitando o que querem ver nas telonas.&#8221;<\/p>\n<p>O vencedor do Oscar de 2000 por <strong><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/diversao-e-arte\/2015\/07\/23\/interna_diversao_arte,491687\/fotografo-cria-serie-de-fotos-para-desafiar-os-padrao-de-beleza-tradic.shtml\">Beleza Americana<\/a><\/strong> acha que a demanda mudou e, por isso, tem sido mais dif\u00edcil agradar o p\u00fablico f\u00e3 dos her\u00f3is. &#8220;A demanda agora \u00e9 por um espet\u00e1culo grandioso, imersivo, atordoante e sensorial de entretenimento. Isso \u00e9 particular do cinema agora, porque voc\u00ea consegue ter praticamente qualquer coisa em uma tela grande em casa. O espa\u00e7o que os filmes t\u00eam que ocupar \u00e9 mais estreito&#8221;, classifica. &#8220;Pessoalmente, isso me empolga menos. Por\u00e9m, outras pessoas pensam diferentes&#8221;, opina.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as no consumo de cinema precisam ser acompanhadas por altera\u00e7\u00f5es na ind\u00fastria. &#8220;Quando eu cresci, apenas um filme popular tinha v\u00e1rias sequ\u00eancias: o 007. Atualmente, as pessoas t\u00eam rela\u00e7\u00f5es profundas com sagas que duram por anos e d\u00e9cadas em alguns casos&#8221;, lembra Mendes, que n\u00e3o faz ju\u00edzo de valor a esses grandes universos. &#8220;N\u00e3o d\u00e1 para tirar valor do amor pela narrativa que nos faz imergir em um universo. Isso n\u00e3o \u00e9 insignificante, apenas diferente. As pessoas querem estar por dentro das hist\u00f3rias e querem ter um momento alheio das pr\u00f3prias vidas&#8221;, prop\u00f5e.<\/p>\n<p>&#8220;Alguns desses filmes podiam ser melhores? Sim! Existe alguma forma de eles serem feitos de forma mais funcional? Sim! Contudo, ainda h\u00e1 possibilidade de um Pantera Negra ou um Batman: o cavaleiro das trevas sair disso tamb\u00e9m desafiando o modelo. Ou seja, \u00e9 poss\u00edvel contar hist\u00f3rias que refletem bem sua realidade usando um mundo ficcional e completamente imagin\u00e1rio. S\u00f3 \u00e9 muito dif\u00edcil&#8221;, desenvolve o diretor. Sam Mendes aproveita o espa\u00e7o para fazer o apelo: &#8220;Se a vontade \u00e9 fazer esse tipo de filme, pelo menos fa\u00e7amos eles bons ao inv\u00e9s de s\u00f3 faz\u00ea-los&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Sam Mendes, Daniel Br\u00fchl, Jessica Heynes, Armando Ianoucci e Jon Brown comentam sobre a nova estreia da Max que ri das super produ\u00e7\u00f5es de Hollywood Por Pedro Ibarra As cr\u00edticas ao cinema de super-her\u00f3is e \u00e0s franquias dos chamados blockbusters, ou arrasa quarteir\u00f5es em portugu\u00eas, t\u00eam sido cada vez mais recorrentes. 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