{"id":25085,"date":"2025-10-22T08:00:40","date_gmt":"2025-10-22T11:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=25085"},"modified":"2025-10-21T18:04:14","modified_gmt":"2025-10-21T21:04:14","slug":"boots-tem-qualidades-mas-erra-ao-tentar-ser-engracada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/boots-tem-qualidades-mas-erra-ao-tentar-ser-engracada\/","title":{"rendered":"\u2018Boots\u2019 tem qualidades, mas erra ao tentar ser engra\u00e7ada"},"content":{"rendered":"<p>Os f\u00e3s de s\u00e9ries devem se lembrar de meados dos anos 2000, quando as dram\u00e9dias come\u00e7aram a ganhar espa\u00e7o nas telinhas. \u00c9 dif\u00edcil cravar a precursora do g\u00eanero, j\u00e1 que tra\u00e7os desse tipo de produ\u00e7\u00e3o podem ser identificados desde <em>E.R.<\/em> e <em>Early Edition<\/em> (ainda nos anos 1990), at\u00e9 sucessos dos anos 2000, como <em>Desperate housewives<\/em> e <em>Nurse Jackie<\/em>.<br \/>\nA partir de 2010, as dram\u00e9dias conquistaram tanto espa\u00e7o que quase se tornaram regra. Mesmo nas s\u00e9ries com \u201cepis\u00f3dio da semana\u201d (as chamadas &#8220;procedurals&#8221;), era preciso incluir uma piada em meio a um enredo s\u00e9rio. A verdade, contudo, \u00e9 que, apesar da popularidade, as dram\u00e9dias n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de colocar na tela.<em> Boots<\/em> mostra isso na pr\u00e1tica: a nova produ\u00e7\u00e3o da Netflix tem qualidades que a fazem prosperar, mas trope\u00e7a ao tentar equilibrar humor e drama.<\/p>\n<p>A primeira temporada da s\u00e9rie, criada por Andy Parker e baseada no livro <em>The pink marine<\/em>, de Greg Cope White, acompanha a verdadeira saga de Cameron Cope (Miles Heizer), um jovem gay que decide entrar para o treinamento do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos para acompanhar o melhor amigo, Ray (Liam Oh) \u2014 tudo isso em meados dos anos 1990. <em>Boots<\/em> foi vendida nas redes sociais como \u201ca s\u00e9rie que mostra o mundo gay no ex\u00e9rcito\u201d, mas vai bem al\u00e9m disso.<\/p>\n<p>Como \u00e9 poss\u00edvel imaginar, o ambiente militar n\u00e3o \u00e9 acolhedor para homossexuais \u2014 pelo contr\u00e1rio. O treinamento tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para Cope. Ainda assim, movido pelo amor ao pa\u00eds e pela cren\u00e7a no direito de estar onde quiser, ele tenta prosperar ao lado de outros jovens, que tamb\u00e9m enfrentam seus pr\u00f3prios dilemas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BOOTS | Official Trailer | Netflix\" width=\"1440\" height=\"810\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2mjN2f5tu2s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>Boots<\/em> tem qualidades importantes, e a maior delas \u00e9 saber apresentar boas hist\u00f3rias. Todos os arcos de Cope \u2014 da m\u00e3e disfuncional ao \u201cclone\u201d imagin\u00e1rio \u2014 s\u00e3o interessantes, e os personagens coadjuvantes tamb\u00e9m s\u00e3o excepcionais. No in\u00edcio da s\u00e9rie, destacam-se os g\u00eameos Cody e John Bowman (interpretados por Brandon Tyler Moore e Blake Burt, respectivamente), com uma trama cheia de camadas e bem conduzida. J\u00e1 no meio da temporada, o foco se volta para Sullivan (Max Parker), o sargento gay que se esconde nas profundezas de um arm\u00e1rio de amargura e m\u00e1goas. Os coadjuvantes s\u00e3o t\u00e3o bons que isso se torna um problema: acabam \u201croubando\u201d o interesse do p\u00fablico em Cope, que, em certos momentos, desaparece para dar espa\u00e7o \u00e0s outras hist\u00f3rias.<\/p>\n<h2>O drama, a com\u00e9dia e o ex\u00e9rcito<\/h2>\n<p>Retratar as for\u00e7as armadas norte-americanas n\u00e3o \u00e9 novidade em Hollywood \u2014 h\u00e1 in\u00fameros exemplos entre filmes e s\u00e9ries. Ainda assim, o tema continua a despertar curiosidade, e <em>Boots<\/em> mant\u00e9m o interesse com ritmo \u00e1gil e personagens envolventes.<\/p>\n<p>O principal trope\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, est\u00e1 no esfor\u00e7o for\u00e7ado de transform\u00e1-la em uma dram\u00e9dia. Chega a ser desconfort\u00e1vel ver o peso emocional de uma cena ser quebrado por uma piada de peido ou fezes. N\u00e3o parece ser essa a forma mais eficaz de explorar o g\u00eanero.<\/p>\n<p><em>Boots<\/em> entret\u00e9m, emociona e tem bons momentos. Mas n\u00e3o espere gargalhadas nem um drama profundo. Nesse meio-termo, a s\u00e9rie perde parte da for\u00e7a \u2014 e mostra que fazer rir e chorar na mesma medida continua sendo um desafio para a TV.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, <em>Boots<\/em> \u00e9 um retrato sincero de uma gera\u00e7\u00e3o que tenta se encontrar entre vulnerabilidade e bravura \u2014 e que, por isso mesmo, merecia uma condu\u00e7\u00e3o mais cuidadosa. Ainda que falhe em dosar o riso e o choro, a s\u00e9rie acerta ao lembrar que coragem nem sempre tem uniforme, e que \u00e0s vezes o verdadeiro campo de batalha \u00e9 simplesmente o de ser quem se \u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os f\u00e3s de s\u00e9ries devem se lembrar de meados dos anos 2000, quando as dram\u00e9dias come\u00e7aram a ganhar espa\u00e7o nas telinhas. \u00c9 dif\u00edcil cravar a precursora do g\u00eanero, j\u00e1 que tra\u00e7os desse tipo de produ\u00e7\u00e3o podem ser identificados desde E.R. e Early Edition (ainda nos anos 1990), at\u00e9 sucessos dos anos 2000, como Desperate housewives e Nurse Jackie. 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