{"id":4557,"date":"2017-12-07T10:56:14","date_gmt":"2017-12-07T12:56:14","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=4557"},"modified":"2017-12-07T10:56:14","modified_gmt":"2017-12-07T12:56:14","slug":"mouhamed-harfouch-comemora-fazer-malhacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/mouhamed-harfouch-comemora-fazer-malhacao\/","title":{"rendered":"Mouhamed Harfouch comemora fazer o Boris de Malha\u00e7\u00e3o: \u201cPersonagem lindo que fala sobre \u00e9tica para jovens\u201d"},"content":{"rendered":"<h3>Em entrevista ao Pr\u00f3ximo Cap\u00edtulo, ator Mouhamed Harfouch, o Boris de <em>Malha\u00e7\u00e3o<\/em>, fala sobre a novela, cinema, a filha e pol\u00edtica. Leia a \u00edntegra do nosso bate papo com ele!<\/h3>\n<p><em>Malha\u00e7\u00e3o<\/em> costuma ter os n\u00facleos de estudantes e professores\/pais bem definidos. Geralmente, os dois coexistem, mas pouco dividem os conflitos e emo\u00e7\u00f5es. Com a atual temporada, Malha\u00e7\u00e3o \u30fc Viva a diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 assim. Os pais e professores dividem emo\u00e7\u00f5es, conflitos, d\u00favidas e certezas. Muito mais perto da vida real.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio que o ator Mouhamed Harfouch d\u00e1 vida ao orientador e professor de \u00e9tica e cidadania Boris. Amado pelos alunos do Cora Coralina e do Grupo, escolas da temporada, ele incentiva cada menino e tenta descobrir nos jovens um potencial a ser explorado. Assim como Mouhamed acredita ser o ideal, Boris compartilha com os pais o dever de educar.<\/p>\n<p>&#8220;A rela\u00e7\u00e3o entre a casa e a escola, entre os pais e professores \u00e9 algo que necessita estar integrado&#8221;, diz o ator, numa fala que poderia ser muito bem do personagem. (<a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/daphne-bozaski\/\"><strong>A gente tamb\u00e9m entrevistou a Ben\u00ea, lembra?<\/strong><\/a>)<\/p>\n<p>Boris \u00e9 um personagem que vai do c\u00e9u ao ser exaltado pelos estudantes ao inferno, quando a rival Malu (Daniela Galli) o acusa de assediar a jovem Lica (Manoela Aliperti) sem provas e, mais, sem que a menina tenha se sentido ofendida. Coisas de novela, n\u00e9? Claro que n\u00e3o!<\/p>\n<p>&#8220;Por causa do B\u00f3ris, recebi depoimentos de professores que passaram pela mesma situa\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o tiveram a mesma sorte do B\u00f3ris, que acabou conseguindo provar sua inoc\u00eancia. Precisamos estar sempre atentos porque por mais que as apar\u00eancias apontem para uma conclus\u00e3o, n\u00e3o podemos julgar sem provas nem sem ouvirmos ambas as partes. Isto \u00e9 um princ\u00edpio b\u00e1sico do Direito&#8221;, conta Mouhamed.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, Mouhamed fala mais sobre Malha\u00e7\u00e3o (ele adora fazer a novela e a gente adora que ele esteja nela!), sobre paternidade, educa\u00e7\u00e3o, m\u00fasica, poesia, cinema e tantas outras coisas.<\/p>\n<h2>Confira a entrevista completa com Mouhamed Harfouch!<\/h2>\n<p><strong>A atual temporada de <em>Malha\u00e7\u00e3o<\/em>, entre outros temas, fala sobre a qualidade do ensino no pa\u00eds. Voc\u00ea acha que cenas como a do discurso de Doris a respeito das escolas p\u00fablicas podem ajudar de alguma forma na luta pela melhoria da educa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAcho que um grande passo para avan\u00e7armos essa luta no Brasil \u00e9 mostrar as dificuldades que as escolas p\u00fablicas enfrentam todos os dias para conseguirem se manter de p\u00e9 mesmo com toda falta de infraestrutura e condi\u00e7\u00f5es dignas por parte daqueles que deveriam olhar a educa\u00e7\u00e3o como pilar b\u00e1sico de uma sociedade. Discursos como o da D\u00f3ris nos fazem refletir sobre esta import\u00e2ncia, nos lembram da fun\u00e7\u00e3o transformadora da educa\u00e7\u00e3o e seus agentes. Nos mostram que a \u00fanica sa\u00edda para a falta de \u00e9tica e moral deste pa\u00eds \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o entre os n\u00facleos mais experiente e mais jovem em <em>Malha\u00e7\u00e3o<\/em>?<\/strong><br \/>\n\u00c9 maravilhosa. Eu sempre escutei o quanto \u00e9 especial estar nesse produto que promove esse encontro entre jovens e veteranos. \u00c9 uma troca t\u00e3o saud\u00e1vel, t\u00e3o importante e necess\u00e1ria para todos os lados&#8230; Se, para eles, nossa experi\u00eancia \u00e9 um aprendizado, para n\u00f3s, a vitalidade e frescor dessa turma nos servem de motiva\u00e7\u00e3o para uma reconex\u00e3o com o nosso come\u00e7o. Aprendo muito com eles. E que galera dedicada e talentosa a desta temporada! Tenho muito orgulho!<\/p>\n<p><strong>O Boris acaba lidando com a quest\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o ser papel dos pais ou da escola. Como pai, como voc\u00ea v\u00ea essa quest\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAcho que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo continuado, com v\u00e1rios agentes que atuam neste caminho. Ela, sem d\u00favida, come\u00e7a em casa, mas continua na escola e se completa ao longo da vida. A rela\u00e7\u00e3o entre a casa e a escola, entre os pais e professores \u00e9 algo que necessita estar integrado. Por isso, pensamos tanto na hora de escolher a escola onde vamos colocar nossos filhos. Temos que estar de acordo com o pensamento pedag\u00f3gico, a linha de ensino, e os valores que s\u00e3o passados para nossas crian\u00e7as. Como pai, me preocupo muito em entender e colaborar neste processo.<\/p>\n<p><strong>O Boris acabou se envolvendo numa delicada trama com a Lica, na qual uma aluna se apaixona por um professor e acabam o acusando injustamente de ass\u00e9dio. Voc\u00ea acha que a forma com que a situa\u00e7\u00e3o foi retratada refor\u00e7a a necessidade de sempre se ouvir os dois lados?<\/strong><br \/>\nSempre. Qualquer julgamento onde s\u00f3 consideramos um lado n\u00e3o \u00e9 um julgamento. Essa palavra pressup\u00f5e ouvir ambas as partes e atrav\u00e9s da verdade buscar uma solu\u00e7\u00e3o para qualquer conflito. Por causa do B\u00f3ris, recebi depoimentos de professores que passaram pela mesma situa\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o tiveram a mesma sorte do B\u00f3ris, que acabou conseguindo provar sua inoc\u00eancia. Precisamos estar sempre atentos porque por mais que as apar\u00eancias apontem para uma conclus\u00e3o, n\u00e3o podemos julgar sem provas nem sem ouvirmos ambas as partes. Isto \u00e9 um princ\u00edpio b\u00e1sico do direito.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4558\" aria-describedby=\"caption-attachment-4558\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4558\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/12\/mouhamed.jpg\" alt=\"B\u00f3ris e D\u00f3ris discutem a qualidade da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds em Malha\u00e7\u00e3o\" width=\"1200\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/12\/mouhamed.jpg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/12\/mouhamed-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/12\/mouhamed-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/12\/mouhamed-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/12\/mouhamed-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/12\/mouhamed-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4558\" class=\"wp-caption-text\">B\u00f3ris e D\u00f3ris discutem a qualidade da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds em Malha\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Como veio o convite para viver o Boris? Chegou a pensar em n\u00e3o aceitar por ser em <em>Malha\u00e7\u00e3o<\/em>?<\/strong><br \/>\nVeio pelo Paulinho Silvestrini, nosso diretor, o que me deixou muito feliz pois j\u00e1 havia trabalhado com ele em P\u00e9 na jaca. Quando soube que o autor era o Cao Hamburger fiquei mais feliz ainda. E quando me falaram sobre o papel e que falar\u00edamos sobre educa\u00e7\u00e3o me apaixonei. Pensar em n\u00e3o fazer por ser Malha\u00e7\u00e3o? Jamais! Pelo contr\u00e1rio, aceitaria principalmente por ser Malha\u00e7\u00e3o. Que produto tem essa longevidade dentro da emissora? Com um p\u00fablico que sempre se renova mas nunca perde a fidelidade? Tendo a oportunidade de me conectar com os jovens atrav\u00e9s de um personagem lindo que fala sobre \u00e9tica, cidadania e educa\u00e7\u00e3o num momento t\u00e3o oportuno de descren\u00e7a do pa\u00eds? Tenho imensa felicidade de estar num trabalho com essa qualidade humana e t\u00e9cnica.<\/p>\n<p><strong>Muitos de seus pap\u00e9is s\u00e3o de origem \u00e1rabe ou mu\u00e7ulmana ou carregam isso de alguma forma. Isso te incomoda? Tem medo de ficar estereotipado?<\/strong><br \/>\nFiz tr\u00eas personagens \u00e1rabes, para ser sincero: um argelino, um liban\u00eas e um palestino. E fiz mais de 100 personagens na minha carreira que n\u00e3o t\u00eam qualquer liga\u00e7\u00e3o com este universo. \u00c9 claro que estes tr\u00eas marcaram por terem feito sucesso na televis\u00e3o, mas mesmo na tev\u00ea venho de uma sequ\u00eancia de trabalhos onde n\u00e3o h\u00e1 qualquer rela\u00e7\u00e3o com minha origem. Nunca aceitei ou recusei um trabalho na vida por causa da origem do personagem. Isto \u00e9 t\u00e3o diminuto. Penso na hist\u00f3ria que vou contar, se me toca, se posso tocar o outro, emocionar, instigar, questionar, se me possibilita um desafio como artista. Isso, sim, me preocupa. Isso me motiva. R\u00f3tulos sempre v\u00e3o existir porque somos reducionistas. Mas cabe a n\u00f3s enquanto artistas irmos al\u00e9m de uma leitura rasteira.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea \u00e9 compositor e j\u00e1 gravou um EP com cinco faixas. \u00c9 poss\u00edvel conciliar as duas carreiras ou a m\u00fasica \u00e9 mais como um hobby?<\/strong><br \/>\nSempre tive uma rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica. Componho desde os 15 anos quando me reunia com meus amigos e irm\u00e3o para tocarmos. Tive uma banda chamada Mentsana na adolesc\u00eancia. A m\u00fasica sempre me serviu como um espa\u00e7o de medita\u00e7\u00e3o e para colocar minhas ideias para fora. Sempre levei como um hobby, uma v\u00e1lvula de escape, at\u00e9 porque a carreira de ator foi me levando e sou grato por isso. Mas tamb\u00e9m foi atrav\u00e9s de um convite para protagonizar o musical da Broadway Ou tudo ou nada que tive a coragem de gravar algumas composi\u00e7\u00f5es e fazer o EP. Acabei reencontrando um antigo parceiro de banda e de l\u00e1 para c\u00e1 tenho tocado com mais frequ\u00eancia. Acho que \u00e9 dif\u00edcil conciliar as duas profiss\u00f5es, mas \u00e9 poss\u00edvel. Temos in\u00fameros exemplos disso tanto aqui como l\u00e1 fora.<\/p>\n<p><strong>O Boris escreve poemas. Qual \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com a poesia, j\u00e1 que voc\u00ea \u00e9 compositor? Vai levar alguma poesia sua para ele?<\/strong><br \/>\nEncaro minhas composi\u00e7\u00f5es como poesias musicadas. Tenho uma m\u00fasica, inclusive, que fala isso: A poesia est\u00e1 ao alcance de todos, basta estarmos dispon\u00edveis para as suas manifesta\u00e7\u00f5es. O problema \u00e9 que passamos grande parte do tempo consumindo futuro, mergulhados no mundo encantado da internet e cada vez mais adormecidos para o agora. O B\u00f3ris tem sua pr\u00f3pria poesia, n\u00e3o precisa da minha. (risos)<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea, al\u00e9m de ator, tem forma\u00e7\u00e3o em direito. A inseguran\u00e7a da carreira art\u00edstica ainda adia a realiza\u00e7\u00e3o do sonho de muitos atores?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei se adia. Acredito que o sonho precisa servir como inspira\u00e7\u00e3o para a a\u00e7\u00e3o e atrav\u00e9s disso termos um objetivo para alcan\u00e7ar a nossa felicidade. Se vamos ou n\u00e3o, quem sabe? Mas \u00e9 preciso caminhar. Ter f\u00e9, acreditar e fazer acontecer o nosso momento. N\u00e3o d\u00e1 para esperar o telefone tocar. Al\u00e9m do mais, o que \u00e9 seguro na vida, al\u00e9m do seguro de vida?<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem filhos pequenos. Como v\u00ea a qualidade da programa\u00e7\u00e3o infantil na tev\u00ea brasileira?<\/strong><br \/>\nHoje temos muitos produtos interessantes sendo realizados na TV, como Detetives do Pr\u00e9dio Azul e Valentins. Minha filha ama e tem a vantagem de montar a pr\u00f3pria programa\u00e7\u00e3o sem esperar o hor\u00e1rio para ver determinado programas. Al\u00e9m dos cl\u00e1ssicos Castelo R\u00e1-tim-bum e S\u00edtio do Pica Pau amarelo que a minha filha ama e tem a cole\u00e7\u00e3o inteira em DVD. Na minha \u00e9poca, t\u00ednhamos menos op\u00e7\u00f5es e n\u00e3o havia essa gama de canais espec\u00edficos para crian\u00e7as que encontramos na TV fechada.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea est\u00e1 prestes a estrear o filme <em>Uma pitada de sorte<\/em>. Pode falar um pouco sobre esse trabalho?<\/strong><br \/>\nTerminei as grava\u00e7\u00f5es do filme numa sexta e no s\u00e1bado j\u00e1 estava provando figurino para o B\u00f3ris em <em>Malha\u00e7\u00e3o<\/em>. Foi uma del\u00edcia reencontrar a minha amiga Fabiana Karla e fazer seu par rom\u00e2ntico. \u00c9 uma com\u00e9dia divertid\u00edssima onde fa\u00e7o um taxista chamado Lug\u00e3o, um tipo meio bronco mas doce, que sonha em ter uma academia de muscula\u00e7\u00e3o e conversa com os pr\u00f3prios b\u00edceps que chama de lugones. No seu carro, embora bronco, ele s\u00f3 ouve Mozart, m\u00fasica que o faz acelerar at\u00e9 o destino dos clientes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista ao Pr\u00f3ximo Cap\u00edtulo, ator Mouhamed Harfouch, o Boris de Malha\u00e7\u00e3o, fala sobre a novela, cinema, a filha e pol\u00edtica. 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