{"id":6497,"date":"2018-05-28T09:00:42","date_gmt":"2018-05-28T12:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=6497"},"modified":"2018-05-25T14:13:40","modified_gmt":"2018-05-25T17:13:40","slug":"entrevista-sergio-malheiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/entrevista-sergio-malheiros\/","title":{"rendered":"Sergio Malheiros: &#8220;\u00c9 imposs\u00edvel ser preto no Brasil e n\u00e3o ouvir piadas&#8221;"},"content":{"rendered":"<h3>Ator Sergio Malheiros se prepara para viver um ativista pelas causas raciais em novela. Para ele, o negro precisa saber se colocar na sociedade. Leia entrevista completa com o ator!<\/h3>\n<p>Quem se acostumou a ver Sergio Malheiros como a crian\u00e7a fofa que arrancava sorrisos em programas como <em>Gente inocente<\/em> (2000) e novelas como <em>Da cor do pecado<\/em> (2004) pode se espantar ao ver o ator que ele se tornou. Prestes a estrear na s\u00e9rie <em>Ouro branco<\/em>, da Fox, e escalado para <em>90 graus<\/em>, pr\u00f3xima novela das 19h, Globo, Sergio tem plena consci\u00eancia do poder da profiss\u00e3o que escolheu seguir.<\/p>\n<p>&#8220;A arte \u00e9 transformadora n\u00e3o somente na causa negra, mas em todas as causas. Uma das fun\u00e7\u00f5es da arte \u00e9 fazer refletir a realidade sob nova perspectiva&#8221;, afirma, justificando a escolha por estar numa s\u00e9rie que explora a viol\u00eancia no Rio de Janeiro e numa novela que discutir\u00e1 racismo por meio do personagem dele.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6499\" aria-describedby=\"caption-attachment-6499\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6499\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/05\/Sergio_Malheiros2.jpg\" alt=\"Sergio Malheiros: &quot;a arte \u00e9 transformadora&quot;\" width=\"1200\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/05\/Sergio_Malheiros2.jpg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/05\/Sergio_Malheiros2-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/05\/Sergio_Malheiros2-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/05\/Sergio_Malheiros2-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/05\/Sergio_Malheiros2-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/05\/Sergio_Malheiros2-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6499\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Jeff Segenreich\/Divulga\u00e7\u00e3o. Sergio Malheiros: &#8220;a arte \u00e9 transformadora&#8221;<\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;O cen\u00e1rio que eu vejo \u00e9 um todo, n\u00e3o s\u00f3 no nosso pa\u00eds. \u00c9 evidente que temos poucos negros em pap\u00e9is principais no meio art\u00edstico, assim como em cargos de lideran\u00e7a, mas \u00e9 algo que estamos lutando muito para mudar. O Brasil &#8211; assim como na aboli\u00e7\u00e3o da escravatura &#8211; segue atrasado nessa evolu\u00e7\u00e3o, mas aos poucos vamos conseguir conquistar nosso espa\u00e7o&#8221;, reflete.<\/p>\n<p>Reflexo dos tempos de hoje, as redes sociais s\u00e3o outro meio onde o p\u00fablico pode conhecer mais sobre o ator. &#8220;As pessoas t\u00eam a possibilidade de me conhecer mais e eu tenho a possibilidade de conhecer tamb\u00e9m um pouco das pessoas que curtem meu trabalho. Essa interatividade \u00e9 incr\u00edvel&#8221;, afirma.<\/p>\n<h2>Leia entrevista completa com Sergio Malheiros!<\/h2>\n<p><strong>Como ser\u00e1 a s\u00e9rie <em>Ouro branco<\/em>?<\/strong><br \/>\nA s\u00e9rie narra a hist\u00f3ria do in\u00edcio da militariza\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de drogas no Rio de Janeiro. Eu interpreto Willbert Fonseca, um bandido s\u00e1dico, violento e extremamente temido no morro. Liderados por Evandro (Raphael Logan), os bandidos do Morro do Dend\u00ea come\u00e7am a tratar o tr\u00e1fico como uma verdadeira empresa. A trama se passa nos anos 1990 e conta um pouco da articula\u00e7\u00e3o das fac\u00e7\u00f5es criminosas com o tr\u00e1fico de drogas e armas.<\/p>\n<p><strong>O seriado mostrar\u00e1 a viol\u00eancia e o tr\u00e1fico no Rio de Janeiro. Falar de um tema t\u00e3o forte na dramaturgia \u00e9 necess\u00e1rio?<\/strong><br \/>\n\u00c9 necess\u00e1rio, sim. Uma das fun\u00e7\u00f5es da arte, na minha opini\u00e3o, \u00e9 fazer refletir a realidade sob nova perspectiva. O completo abandono do estado em \u00e1reas marginalizadas do Rio de Janeiro \u00e9 a realidade de milh\u00f5es de pessoas. Eu acho important\u00edssimo falar sobre esse tema. Principalmente nesse momento em que a viol\u00eancia no Rio de Janeiro chegou a um est\u00e1gio cr\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>Na pr\u00f3xima novela das 19h, <em>90 graus<\/em>, seu personagem ser\u00e1 um surfista que luta pelos direitos dos negros em 1990. De l\u00e1 para c\u00e1, muita coisa mudou?<\/strong><br \/>\nAlguma coisa mudou, sim. A internet, por exemplo, nos ajuda bastante na articula\u00e7\u00e3o pela nossa representatividade. Por\u00e9m, ainda temos muito a conquistar. Por isso continuar a luta \u00e9 t\u00e3o importante. Acredito que maior democratiza\u00e7\u00e3o das m\u00eddias no ajudou a ganhar espa\u00e7o em atividades criativas e art\u00edsticas, mas ainda existe uma enorme car\u00eancia de profissionais negros em cargos de lideran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea v\u00ea o cen\u00e1rio da tev\u00ea brasileira para os negros? Faltam protagonistas negros na nossa televis\u00e3o?<\/strong><br \/>\nO cen\u00e1rio que eu vejo \u00e9 um todo, n\u00e3o s\u00f3 no nosso pa\u00eds. \u00c9 evidente que temos poucos negros em pap\u00e9is principais no meio art\u00edstico, assim como em cargos de lideran\u00e7a, mas \u00e9 algo que estamos lutando muito para mudar. No \u00e2mbito art\u00edstico, tivemos recente o movimento em Hollywood pedindo essa inclus\u00e3o e, nas \u00faltimas premia\u00e7\u00f5es, notamos uma mudan\u00e7a nas indica\u00e7\u00f5es. O Brasil &#8211; assim como na aboli\u00e7\u00e3o da escravatura &#8211; segue atrasado nessa evolu\u00e7\u00e3o, mas aos poucos vamos conseguir conquistar nosso espa\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Pessoalmente voc\u00ea j\u00e1 sofreu racismo? Como lutar contra isso?<\/strong><br \/>\nSim. \u00c9 imposs\u00edvel ser preto no Brasil e n\u00e3o ouvir piadas a respeito do seu cabelo duro, dos estere\u00f3tipos dos negros ou at\u00e9 mesmo coment\u00e1rios preconceituosos disfar\u00e7ados de \u201celogios\u201d. Mas a informa\u00e7\u00e3o e a capacidade de articula\u00e7\u00e3o s\u00e3o nossas maiores armas para lutar contra isso. Precisamos saber nos colocar.<\/p>\n<p><strong>Como a arte pode entrar nessa luta?<\/strong><br \/>\nA arte \u00e9 transformadora, n\u00e3o somente na causa negra, mas em todas as causas. \u00c9 atrav\u00e9s dela que fazemos as pessoas refletirem, seja com hist\u00f3rias ver\u00eddicas ou fict\u00edcias. \u00c9 uma profiss\u00e3o que tem um poder de tocar o p\u00fablico, de causar uma empatia muito forte. A arte educa, disciplina, evolui. \u00c9 preciso dar espa\u00e7o para que essas hist\u00f3rias sejam contadas, para que esse espa\u00e7o seja diplom\u00e1tico e igualit\u00e1rio, s\u00f3 assim a arte ter\u00e1 um poder mais na nossa constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea surfa. Isso est\u00e1 sendo importante na prepara\u00e7\u00e3o do personagem?<\/strong><br \/>\nSim, o surf sempre foi um lazer para mim, uma atividade que eu amo. Mas agora passei a me dedicar mais, j\u00e1 pensando na composi\u00e7\u00e3o do personagem, pesquisando os estilos de pranchas da \u00e9poca e o mundo do surf nos anos 1990.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com outros esportes radicais? Costuma praticar?<\/strong><br \/>\nEu amo. Meu pai \u00e9 faixa preta de carat\u00ea e sempre me incentivou a fazer esportes. Todos eles. Comecei a fazer nata\u00e7\u00e3o com 8 anos, depois ele me levou para a capoeira com 12, depois para o surf com 13&#8230; Atividade f\u00edsica sempre foi uma realidade para mim. E nos \u00faltimos anos eu comecei a voar de parapente, que virou uma outra paix\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Aos 11 anos, voc\u00ea estava chamando a aten\u00e7\u00e3o em <em>Da cor do pecado<\/em>. Naquele momento ser ator era uma brincadeira? Quando se tornou &#8220;de verdade\u201d?<\/strong><br \/>\nEra uma brincadeira s\u00e9ria, com muita responsabilidade. Mas eu acredito que amadureci minha rela\u00e7\u00e3o com o trabalho atrav\u00e9s do tempo. Sempre tive a sensibilidade art\u00edstica dentro de mim, mas aos poucos eu comecei a conseguir canaliz\u00e1-la. Hoje tenho certeza de que \u00e9 isso que eu quero e tenho cada vez mais confian\u00e7a no meu trabalho.<\/p>\n<p><strong>Em <em>Totalmente demais<\/em>, voc\u00ea viveu um vil\u00e3o. \u00c9 muito diferente?<\/strong><br \/>\nFoi uma experi\u00eancia de constru\u00e7\u00e3o completamente diferente de tudo que eu j\u00e1 tinha feito. O vil\u00e3o orbita em um espa\u00e7o distinto no folhetim, e isso nos d\u00e1 uma liberdade art\u00edstica maravilhosa. Eu amei o Jacar\u00e9, \u00e9 um personagem que eu lembro com muito carinho.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea costuma postar muitas coisas, inclusive da vida pessoal, nas redes sociais. Acha que elas s\u00e3o os novos papparazi?<\/strong><br \/>\nTalvez. Nunca tinha pensado por esse \u00e2ngulo. Mas acredito que nas redes eu tenho a possibilidade de ter uma conex\u00e3o com meu p\u00fablico sem nenhum interveniente. Essa conex\u00e3o mais direta, na minha opini\u00e3o, s\u00f3 trouxe benef\u00edcios. As pessoas t\u00eam a possibilidade de me conhecer mais e eu tenho a possibilidade de conhecer tamb\u00e9m um pouco das pessoas que curtem meu trabalho. Essa interatividade \u00e9 incr\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 o Sergio diretor? Tem planos para fazer um longa?<\/strong><br \/>\nTenho muita vontade sim. Fazer um longa \u00e9 o sonho de qualquer diretor. Mas eu ainda sou muito jovem, tenho muito a aprender e ainda preciso lapidar meus projetos. Mas os projetos existem, e s\u00e3o muitos, com muitos parceiros diferentes. Fazer cinema no Brasil \u00e9 sonho de gente corajosa, e sou um desses.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sergio Malheiros se prepara para ser um ativista pelas causas raciais em novela. 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