{"id":7026,"date":"2018-07-10T10:00:00","date_gmt":"2018-07-10T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=7026"},"modified":"2018-07-08T20:11:34","modified_gmt":"2018-07-08T23:11:34","slug":"hannah-gadsby-e-o-stand-up-nanette","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/hannah-gadsby-e-o-stand-up-nanette\/","title":{"rendered":"Por que todo mundo est\u00e1 falando de Hannah Gadsby e o stand-up Nanette?"},"content":{"rendered":"<h3><em>Nanette<\/em>, stand-up da comediante australiana Hannah Gadsby, estreou na Netflix em junho e desde ent\u00e3o se tornou motivo de coment\u00e1rio nas redes sociais. E tem motivo: \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o de vida!<\/h3>\n<p>Provavelmente, nos \u00faltimos dias, em algum momento a sua timeline nas redes sociais foi invadida pelos nomes Hannah Gadsby e Nanette &#8212; pelo menos, a minha foi. E, para mim, nenhum deles queria dizer alguma coisa. Fiquei ainda mais curiosa porque a imagem da atriz me era familiar &#8212; sim, ap\u00f3s jogar o nome de Hannha Gadsby no Google me dei conta de que ela fez parte elenco da com\u00e9dia <em>Please like me<\/em>, que j\u00e1 falamos aqui no blog, <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/critica-please-like-me\/\">relembre<\/a>. Ent\u00e3o, entrei no meu aplicativo da Netflix e l\u00e1 fui assistir <em>Nanette<\/em>, que, claro estava no topo do servi\u00e7o assim que entrei. E, logo que comecei a assistir ao stand-up, entendi o motivo do alarde em torno do espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>Primeiramente \u00e9 preciso dizer que <em>Nanette<\/em> n\u00e3o \u00e9 um stand-up padr\u00e3o. Apesar de Hannah estar sozinha em cima de um palco fazendo piadas, isso n\u00e3o dura o espet\u00e1culo inteiro. Pelo contr\u00e1rio, Hannah resolve contar a sua hist\u00f3ria real de uma vida abusiva e complicada por conta das dificuldades encontradas para se aceitar l\u00e9sbica e o riso d\u00e1 espa\u00e7o para aquele n\u00f3 na garganta.<\/p>\n<p>Hannah \u00e9 natural de uma pequena cidade da Ilha da Tasm\u00e2nia, na Austr\u00e1lia, onde at\u00e9 1997 ser homossexual era, al\u00e9m de pecado, crime. Ao longo de sua vida, sofreu abuso sexual e uma s\u00e9rie de preconceitos, alguns vindos dela mesma, que durante anos usou a autodeprecia\u00e7\u00e3o como forma de fazer com\u00e9dia. At\u00e9 hoje, aos 40 anos, n\u00e3o teve coragem de se assumir para av\u00f3.<\/p>\n<h2><em>Nanette<\/em>, de Hannah Gadsby<\/h2>\n<figure id=\"attachment_7028\" aria-describedby=\"caption-attachment-7028\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7028\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/07\/hannah-gadsby.jpg\" alt=\"Cr\u00e9dito: Netflix\/Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"1200\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/07\/hannah-gadsby.jpg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/07\/hannah-gadsby-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/07\/hannah-gadsby-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/07\/hannah-gadsby-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/07\/hannah-gadsby-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/07\/hannah-gadsby-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-7028\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Netflix\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao contar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria no palco, Hannah estabelece uma conex\u00e3o e debate assuntos atuais e importantes, como sexualidade, g\u00eanero, misoginia, machismo, preconceito, sa\u00fade mental e ass\u00e9dio sexual. Ela exp\u00f5e todos esses temas de forma forte e incisiva e cria uma tens\u00e3o proposital ao espectador, principalmente, aquele que ela denomina como &#8220;h\u00e9tero branco padr\u00e3o&#8221;, que, no espet\u00e1culo, acaba se tornando alvo de suas piadas.<\/p>\n<p>E, mais do que isso, Hannah coloca em cheque o humor como se conhece hoje. Logo no in\u00edcio ela fala que usava a autodeprecia\u00e7\u00e3o em seus espet\u00e1culos para fazer piada, mas que entendeu que isso, em vez de ajud\u00e1-la, a feria mais ainda: &#8220;Tenho questionado essa coisa de com\u00e9dia. N\u00e3o me sinto mais confort\u00e1vel fazendo isso. Constru\u00ed uma carreira no humor autodepreciativo. E n\u00e3o quero mais fazer. [&#8230;] Porque, voc\u00eas entendem que autodeprecia\u00e7\u00e3o significa quando vem de algu\u00e9m que est\u00e1 \u00e0 margem? N\u00e3o \u00e9 humildade. \u00c9 humilha\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Ao abordar todos esses temas, Hannah se conecta com o espectador e, muito mais do que fazer rir, d\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o de empatia, regada\u00a0a frases sensacionais, que ficam na cabe\u00e7a do espectador por muito tempo ap\u00f3s o final. Como essa, que define muito bem <em>Nanette<\/em>: &#8220;Rir n\u00e3o \u00e9 o rem\u00e9dio. O que cura s\u00e3o as hist\u00f3rias. O riso \u00e9 s\u00f3 o mel que ado\u00e7a o rem\u00e9dio amargo&#8221;. E Hannah s\u00f3 queria que ouvissem a dela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nanette, stand-up da comediante australiana Hannah Gadsby, estreou na Netflix em junho e desde ent\u00e3o se tornou motivo de coment\u00e1rio nas redes sociais. E tem motivo: \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o de vida! 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