{"id":8326,"date":"2018-11-04T10:31:37","date_gmt":"2018-11-04T12:31:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=8326"},"modified":"2018-11-14T11:57:40","modified_gmt":"2018-11-14T13:57:40","slug":"entrevista-mariana-nunes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/entrevista-mariana-nunes\/","title":{"rendered":"Brasiliense Mariana Nunes se mostra mais madura em Carcereiros"},"content":{"rendered":"<h3>No ar em <em>Carcereiros<\/em>, brasiliense Mariana Nunes se v\u00ea numa fase especial da carreira e enfrenta as dificuldades de ser uma atriz negra no pa\u00eds<\/h3>\n<p>A atriz Mariana Nunes est\u00e1 mais madura. Assim como Jana\u00edna, personagem que defende na segunda parte da <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/cinco-motivos-para-assistir-carcereiros\/\"><strong>primeira temporada de <em>Carcereiros<\/em><\/strong><\/a>, seriado exibido nas noites de quinta-feira na Globo. \u00c9 a pr\u00f3pria atriz brasiliense que enxerga esse amadurecimento.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito gostoso retomar um personagem em uma nova temporada porque o personagem se encontra em outro momento da vida, assim como voc\u00ea tamb\u00e9m. \u00c9 meio como amadurecer juntas&#8221;, afirma Mariana, que j\u00e1 gravou a segunda temporada do seriado, prevista para ir ao ar ano que vem.<\/p>\n<p>O amadurecimento apontado por Mariana Nunes tamb\u00e9m est\u00e1, aos poucos, chegando ao mercado, ainda hostil a mulheres e a profissionais negros. &#8220;Eu preciso sempre fazer a primeira cena (e mandar bem!) para que as pessoas da equipe que n\u00e3o me conhecem criem alguma empatia comigo. O que me anima \u00e9 ver que tem uma gera\u00e7\u00e3o nova de negras atrizes chegando com muita for\u00e7a. Tenho muita esperan\u00e7a na nova gera\u00e7\u00e3o\u201d, comenta a atriz.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, Mariana fala sobre teatro, cinema e Bras\u00edlia, cidade onde nasceu &#8212; &#8220;Sinto muita falta dos meus amigos e da minha fam\u00edlia. Gostaria de estar mais presente na cidade&#8221;.<\/p>\n<h2>Entrevista\/\/ Mariana Nunes<\/h2>\n<p><strong>Voc\u00ea voltou h\u00e1 pouco para a segunda parte da primeira temporada de <em>Carcereiros<\/em>. Como \u00e9 retomar um personagem? \u00c9 mais f\u00e1cil do que criar um novo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei se \u00e9 mais f\u00e1cil, mas \u00e9 muito gostoso retomar um personagem em uma nova temporada porque o personagem se encontra em outro momento da vida, assim como voc\u00ea tamb\u00e9m. Entre a primeira e a segunda temporada de Carcereiros se passou mais ou menos um ano. \u00c9 como reencontrar uma pessoa \u00edntima que voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea h\u00e1 algum tempo e que voc\u00eas t\u00eam que se atualizar das mudan\u00e7as, das novidades. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 mais a mesma atriz de um ano atr\u00e1s e o personagem tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 mais a mesma pessoa. \u00c9 meio como amadurecer juntas. Foi muito prazerosa essa experi\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>A Jana\u00edna ter\u00e1 dramas novos nesta temporada? Como ser\u00e1 o desenvolvimento da personagem?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei se j\u00e1 posso falar da segunda temporada porque ainda n\u00e3o entrou nem no Globoplay, mas a Jana\u00edna volta mais madura na rela\u00e7\u00e3o com o Adriano e finalmente consegue alcan\u00e7ar seu sonho.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea trabalhou mais em cinema do que nas outras artes. \u00c9 no set de grava\u00e7\u00e3o que se sente mais \u00e0 vontade?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Apesar de gostar muito de set (eu amo filmar) acho que me sinto mais \u00e0 vontade no teatro. No set existe muita gente trabalhando ao mesmo tempo e no mesmo espa\u00e7o que voc\u00ea e isso te exige muita concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8327\" aria-describedby=\"caption-attachment-8327\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8327\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/11\/mariana-nunes_diego2.jpg\" alt=\"Atriz Mariana Nunes\" width=\"1200\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/11\/mariana-nunes_diego2.jpg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/11\/mariana-nunes_diego2-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/11\/mariana-nunes_diego2-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/11\/mariana-nunes_diego2-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/11\/mariana-nunes_diego2-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2018\/11\/mariana-nunes_diego2-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8327\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Diego Bresani. Mariana Nunes est\u00e1 em estado de gra\u00e7a na TV<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><em>Carcereiros<\/em> tem uma linguagem cinematogr\u00e1fica e \u00e9 dirigido pelo Jos\u00e9 Eduardo Belmonte, que \u00e9 um cineasta. Isso facilitou o trabalho para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nEu j\u00e1 trabalho com o Belmonte h\u00e1 bastante tempo. Primeiro fizemos o longa Alem\u00e3o, que depois virou s\u00e9rie para a televis\u00e3o e nesse processo tivemos que filmar novas cenas. Depois veio a primeira temporada de Carcereiros e no come\u00e7o deste ano veio a segunda. Fora isso, antes de come\u00e7armos a filmar, n\u00f3s conversamos muito sobre o trabalho, sobre a linguagem proposta, sobre meu personagem, roteiro e texto. Foram muitas as etapas de constru\u00e7\u00e3o o que, com certeza, ajudou na minha composi\u00e7\u00e3o para esse trabalho.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea fez tr\u00eas filmes internacionais. Sonha em se mudar para Hollywood e deixar o pa\u00eds?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 filmei em Portugal e na Argentina. O filme americano que fiz foi filmado aqui no Brasil. Acho interessante passar temporadas fora do pa\u00eds. Em Lisboa passei tr\u00eas meses quando filmei S\u00e3o Jorge e foi muito bom ver de perto o movimento cultural da cidade: as festas de rua quando o tempo come\u00e7a a esquentar, assistir a filmes no Cine S\u00e3o Jorge, acompanhar os festivais de cinema, conhecer locais que n\u00e3o s\u00e3o pontos tur\u00edsticos, observar os imigrantes no pa\u00eds e como eles s\u00e3o vistos por l\u00e1. Ali\u00e1s, isso me ajudou muito na minha composi\u00e7\u00e3o para esse filme. Na Argentina foi mais r\u00e1pido, tenho que voltar para conhecer um pouco mais o pa\u00eds. N\u00e3o penso em sair do Brasil, mas temporadas s\u00e3o sempre bem vindas.<\/p>\n<p><strong>Ainda \u00e9 mais complicada a carreira de uma atriz negra no Brasil? Por que?<\/strong><br \/>\nCom certeza! Quando voc\u00ea entra em um set onde os profissionais da produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o te conhecem \u00e9 quase que normal eles te tratarem como figurante. Isso se deve a um imagin\u00e1rio mundial, eu diria, de que uma pessoa com a minha apar\u00eancia n\u00e3o pode ser &#8220;a atriz&#8221; do filme. Eu preciso sempre fazer a primeira cena (e mandar bem!) para que as pessoas da equipe que n\u00e3o me conhecem criem alguma empatia comigo. Em alguns lugares de trabalho ainda se espera uma postura d\u00f3cil do profissional negro e quando isso n\u00e3o acontece um estranhamento \u00e9 instaurado no ambiente. N\u00f3s, negrxs, estamos sempre medindo o quanto devemos falar sobre &#8220;o racismo nosso de cada dia&#8221; ou n\u00e3o, o quanto as pessoas v\u00e3o entender o que estamos falando ou n\u00e3o. Sobre g\u00eanero \u00e9 a mesma coisa. Na maioria das vezes \u00e9 muito dif\u00edcil falar sobre quest\u00f5es problem\u00e1ticas de g\u00eanero ou ra\u00e7a relacionadas ao roteiro, aos personagens ou at\u00e9 mesmo nas rela\u00e7\u00f5es pessoais entre os integrantes da equipe porque na maioria das vezes os diretores e roteiristas s\u00e3o homens brancos. N\u00e3o \u00e9 uma &#8220;m\u00e1 vontade&#8221;, mas sim uma limita\u00e7\u00e3o em entender e pensar sobre aquele que \u00e9 diferente deles. Eu tive muita sorte nos meus \u00faltimos trabalhos onde, de cinco filmes, todos foram dirigidos por homens (quatro brancos), a maioria com uma abertura muito grande pro di\u00e1logo e para uma constru\u00e7\u00e3o conjunta. Mas a escuta ainda \u00e9 algo raro. O que me anima \u00e9 ver que tem uma gera\u00e7\u00e3o nova de negras atrizes chegando com muita for\u00e7a. Tenho muita esperan\u00e7a na nova gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1 \u00e0 espera de uma protagonista na tev\u00ea ou para voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 isso que importa?<\/strong><br \/>\nProtagonizar algo \u00e9 sempre um bom desafio. Acabei de fazer uma protagonista no filme do Pedro Von Kruger e \u00e9 muita responsabilidade n\u00e3o s\u00f3 pelo trabalho, mas por guiar, de alguma forma, o tom do filme. Sendo protagonista, em geral, voc\u00ea contracena com diversos atores que muitas vezes fazem apenas uma ou duas cenas em todo o filme. \u00c9 importante passar seguran\u00e7a para o outro, jogar junto, trocar no olhar. Quando isso acontece o trabalho s\u00f3 tem a ganhar.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea \u00e9 brasiliense. Como \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o com a cidade atualmente?<\/strong><br \/>\nAh\u2026 Tenho ido t\u00e3o pouco a Bras\u00edlia\u2026 Sinto muita falta dos meus amigos e da minha fam\u00edlia. Gostaria de estar mais presente na cidade.<\/p>\n<p><strong>Teve que sair de Bras\u00edlia para chegar ao patamar que chegou hoje na carreira ou foi uma coisa que aconteceu?<\/strong><br \/>\nTive que sair. Eu fazia muito teatro em Bras\u00edlia, mas chegou um momento em que os diretores com os quais eu trabalhava montaram uma pe\u00e7a onde n\u00e3o teria um personagem para mim. Isso me bateu como um sinal de que eu deveria tentar de outra forma e ent\u00e3o decidi ir para S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acompanha o cen\u00e1rio teatral daqui? Como avalia esse momento, em que se tenta revitalizar o Teatro Dulcina e estamos sem o Teatro Nacional?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tenho acompanhado muito de perto mas \u00e9 muito triste ver o Dulcina passando por maus momentos. Uma escola que j\u00e1 foi t\u00e3o completa com curso de c\u00eanicas, pl\u00e1sticas e m\u00fasica\u2026 a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho de uma das maiores atrizes da nossa hist\u00f3ria, um dos melhores teatros de Bras\u00edlia, com a melhor ac\u00fastica\u2026 agora nesse estado\u2026 \u00e9 muito triste. O Teatro Nacional \u00e9 um dos maiores patrim\u00f4nios da cidade. Apesar de ser um espa\u00e7o que abrigava produ\u00e7\u00f5es com ingressos car\u00edssimos, alguns invi\u00e1veis para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o do DF, ainda assim \u00e9 uma perda muito grande para a cidade ele estar fechado.<\/p>\n<p><strong>Alguns de seus pr\u00f3ximos projetos s\u00e3o com nomes da cidade, como o Renato Barbieri. Como \u00e9 a parceria entre artistas de Bras\u00edlia? H\u00e1 como se fosse uma &#8220;turma&#8221;?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei te dizer se tem isso de &#8220;turma&#8221;. Estou fora de Bras\u00edlia h\u00e1 bastante tempo. Acho que o convite para participar do filme do Renato vem por conta do meu amadurecimento profissional e n\u00e3o por fazer parte de uma turma em Bras\u00edlia. \u00c9 pelo menos como eu penso.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea fez trabalhos com forte vi\u00e9s pol\u00edtico, como <em>Liberdade Liberdade<\/em>, <em>Alem\u00e3o<\/em> e <em>O mecanismo<\/em>. Posicionar-se \u00e9 um dever da arte?<\/strong><br \/>\nNa minha opini\u00e3o sim, mas isso vai de artista pra artista. Na minha arte tento sempre me posicionar de forma clara, mas muitas vezes, como atriz de uma obra, voc\u00ea n\u00e3o tem autonomia nem espa\u00e7o para colocar o seu posicionamento. A atriz e o ator, apesar de serem a &#8220;cara&#8221; do trabalho, na maioria das vezes est\u00e3o a servi\u00e7o de muitas demandas. N\u00e3o \u00e9 sempre que voc\u00ea tem a possibilidade de marcar o seu posicionamento. \u00c9 claro que a gente sempre pode dizer n\u00e3o para um trabalho (o que n\u00e3o significa que essa op\u00e7\u00e3o seja f\u00e1cil porque na nossa profiss\u00e3o o que a gente mais quer e precisa \u00e9 trabalhar!), mas entre a leitura de um roteiro, as filmagens, a montagem, a exibi\u00e7\u00e3o do filme na tela e as considera\u00e7\u00f5es da cr\u00edtica, muitas coisas acontecem.<\/p>\n<p><strong>Como fazer isso sem desrespeitar quem pensa de forma diferente?<\/strong><br \/>\nAcho que fazer arte inclui tamb\u00e9m o di\u00e1logo com o p\u00fablico, com a cr\u00edtica e com &#8220;o que pensa diferente&#8221;. N\u00e3o acho que isso signifique necessariamente mudar o trabalho a partir da opini\u00e3o de terceiros, mas acho que arte \u00e9 tamb\u00e9m troca. N\u00f3s artistas temos muito medo da cr\u00edtica, da n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o, do que v\u00e3o falar, de quem n\u00e3o gosta do nosso trabalho. Estamos muito mal acostumados com aplausos. \u00c9 quase como que as obras tivessem por objetivo maior o acerto sendo que, ao meu ver, o importante \u00e9 o debate, o desdobramento. Me cansa muito sair de um espet\u00e1culo ou filme onde h\u00e1 a presen\u00e7a dos realizadores e a primeira pergunta que os artistas envolvidos te fazem \u00e9: \u201cGostou?\u201d. N\u00e3o existe o tempo de deixar fruir da sensa\u00e7\u00e3o p\u00f3s-obra. Tampouco existe espa\u00e7o para questionamentos ou conversas que possam desenvolver a obra para al\u00e9m dela mesma ou qui\u00e7\u00e1 neg\u00e1-la. Falar que n\u00e3o gostou ent\u00e3o \u00e9 quase que sin\u00f4nimo de ruptura da rela\u00e7\u00e3o. N\u00e3o dizer nada causa um mal estar danado! Essa \u00e9 uma coisa da qual sinto falta dos meus tempos de Bras\u00edlia. Na minha \u00e9poca acho que \u00e9ramos mais espont\u00e2neos para falar sobre arte. Ou ser\u00e1 apenas nostalgia? N\u00e3o sei.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ar em Carcereiros, brasiliense Mariana Nunes se v\u00ea numa fase especial da carreira e enfrenta as dificuldades de ser uma atriz negra no pa\u00eds A atriz Mariana Nunes est\u00e1 mais madura. 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