Mandado de despejo aos mandarins do mundo

Publicado em Servidor

Em resposta a um funcionário público de destacada carreira que pode fazer o país parar, que declarou, por escrito, no Blog do Vicente, que sua classe tem que ser respeitada como “autoridade de Estado e não como RELES servidores”, um leitor desse Blog, IGUALMENTE servidor, após denunciar a arrogância corporativa, pediu que esta jornalista publicasse, com o título acima, o seguinte poema:

Ultimatum

Fora tu,
reles
esnobe
plebeu
E fora tu, imperialista das sucatas,
charlatão da sinceridade
e tu, da juba socialista, e tu, qualquer outro

Ultimatum a todos eles
e a todos que sejam como eles,
todos.

Monte de tijolos com pretensões a casa
inútil luxo, megalomania triunfante
e tu, Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral
que nem te queria descobrir

Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular,
que confundis tudo!
Vós, anarquistas deveras sinceros
socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores
para quererem deixar de trabalhar.
Sim, todos vós que representais o mundo,
homens altos,
passai por baixo do meu desprezo.
Passai aristocratas de tanga de ouro,
passai frouxos.
Passai radicais do pouco!
Quem acredita neles?
Mandem tudo isso para casa
descascar batatas simbólicas

fechem-me isso tudo a chave
e deitem a chave fora.
Sufoco de ter somente isso à minha volta.
Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas
Abram mais janelas
do que todas as janelas que há no mundo.

Nenhuma idéia grande,
nenhuma corrente política
que soe a uma idéia grão!
E o mundo quer a inteligência nova,
a sensibilidade nova.

O mundo tem sede de que se crie.
O que aí está a apodrecer a vida,
quando muito, é estrume para o futuro.
O que aí está não pode durar
porque não é nada.

Eu, da raça dos navegadores,
afirmo que não pode durar!
Eu, da raça dos descobridores,
desprezo o que seja menos
que descobrir um novo mundo.

Proclamo isso bem alto,
braços erguidos,
fitando o Atlântico

e saudando abstratamente o infinito.

Álvaro de Campos – 1917

6 thoughts on “Mandado de despejo aos mandarins do mundo

  1. Por favor, vamos deixar Fernando Pessoa fora de briga de comadres. O contexto desse poema eh a primeira guerra mundial e o Brasil hoje trava uma guerra é contra a corrupção. E verdade seja dita as carreiras que até agora não receberam aumento são justamente a Polícia Federal e a Receita Federal.

  2. Magistrados, Procuradores, Auditores, dentre outros cargos são autoridades pertencentes à carreiras típicas de estado. E qual é o problema disso? Se outros se sentem coitadinhos, basta estudar e passar no concurso.

  3. Confundir auditores que tem qualquer curso superior com magistrados e procuradores que têm formação jurídica só revela como as coisas estão na Receita Federal . Já quiseram se equiparar até a delegados tentando entrar de carona na PEC das carreiras jurídicas.. É claro que levaram tinta.
    Com todo respeito, os auditores deveriam ter formação em ciências contábeis pois na realidade são os contadores da União .
    Alguém vai ter que dar um freio de arrumação na Receita Federal.

    1. Não há confusão! Auditores-Fiscais tem suas prerrogativas, competências e autoridade definidas pela CF88, art 37, XXII, CTN arts 142, 149, 194 e 196, arts 195, III e 910 a 920 do RIR/99, art 6° da Lei 10593/2002. Seus vencimentos historicamente se equiparam ao de outras carreiras típicas de Estado como os Delegados da PF, os Advogados da União, Juízes Federais e Procuradores da República. A Receita Federal sempre será a maior interessada em sua maior excelência, mas há tempos já é um órgão de excelência e referência mundial. Auditores-Fiscais são rasgadamente elogioados e respeitados por seus pares na PGFN, MPF, DPF e Justiça Federal – vide Lava Jato et alli.

    2. Os Auditores-Fiscais foram aprovados em concurso público cuja dificuldade na disciplina de contabilidade é tão grande que mesmo bacharéis em contábeis não conseguem aprovação. O concurso é público: basta ser aprovado nas duas fases do concurso e poderá ser nomeado Auditor-Fiscal.

  4. Esse argumento é falacioso. Nunca ouvi falar que bacharéis em Ciências Contábeis não conseguem aprovação nos concursos da Receita Federal .
    Conheço diversos amigos da Receita Federal que são formados em Ciências Contábeis .
    Esse negócio de concurso difícil é questão de estudar e tempo .
    Barra pesada de verdade são os concursos para a magistratura, ministério público e carreiras jurídicas em geral, com fases que exigem verdadeiro conhecimento do seu mister.
    Agora, atribuir dificuldade de concurso à importância de cargo pode não ser uma regra válida: concurso de Miss Brasil é difícil, não exige escolaridade e o cargo tem pouca importância. Eu mesmo até deixei de assistir.

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