Cortes superiores poderão barrar adiamento de reajustes

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O congelamento dos reajustes dos servidores, em 2018, se passar pelo Congresso, deverá ser condenado pelo Judiciário. Estudos de várias entidades sindicais apontam que a medida anunciada pelo governo, para economizar R$ 5,1 bilhões, é ilegal e inconstitucional e já foi reprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). No caso dos servidores do Maranhão, o STJ, ao julgar uma ação de professores, obrigou o governo do Estado a cumprir o acordo, por entender que, na data de publicação da lei, “o reajuste passou a integrar o patrimônio jurídico dos professores”.

Para o STJ, a administração não poderia ter revogado o pagamento, nem por meio de Medida Provisória, “em desrespeito aos princípios do direito adquirido e da irredutibilidade de vencimentos”. Eventual omissão na execução da lei caracteriza, lembrou o STJ, “crime de responsabilidade do administrador”. O governo não tem amparo nem na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A LRF determina que, quando a despesa total com pessoal exceder a 95% do limite prudencial, “será vedada a concessão de aumentos/reajustes a servidores públicos”.

Ou seja, o governo pode não dar aumento, mas está impedido de suspender os que já foram concedidos. Se estavam no orçamento, não poderão ser anulados ou postergados. O Plenário do STF também decidiu de forma semelhante, ao reconhecer o direito adquirido a reajustes previstos em lei para servidores do Estado do Tocantins (TO). Por maioria, o STF declarou a inconstitucionalidade do não pagamento. Questionado, o Ministério do Planejamento não explicou como será concretizado esse adiamento dos reajustes acordados depois de mais de dois anos de negociação.

Por meio de nota informou que “a medida constará de ato juridicamente fundamentado, ainda a ser encaminhado ao Congresso Nacional para análise e aprovação”. De acordo com Carlos Silva, vice-presidente do Fórum Nacional das Carreiras de Estado (Fonacate), antes mesmo do anúncio dos cortes de despesas, quando o assunto começou a ser ventilado, o Fórum pediu explicações ao Planejamento e até o momento não recebeu resposta. O ministério apenas informou quanto deixará de desembolsar, mas não explicou a metodologia a ser aplicada.

“O que nos deixa no escuro e na impossibilitados de fazer previsão”, afirmou Carlos Silva. A maioria das carreira de Estado receberam aumento de 27,9% em quatro parcelas. Faltam receber 6,65%, em 2018, e 6,31%, em 2019. “Fizermos vários cálculos levando em consideração os diferentes índices acordados pelo funcionalismo. Se o governo decidir pagar tudo em 2019, terá que incluir nos contracheques mais 13,95%. Mas a questão é que ninguém sabe o que vai acontecer”, assinalou.

2 thoughts on “Cortes superiores poderão barrar adiamento de reajustes

  1. O que me espanta é que os servidores estão se mobilizando apenas pra reverter as decisões absurdas do governo, quando deveriam é começar a protestar nas ruas pelo impeachment ou renúncia de Temer. Se mantido no poder Temer continuará com sua odiosa sanha contra todos os servidores públicos, já que não espera ser reeleito e assim se dá o direito de tomar medidas absurdas e impopulares. Se Temer for deposto assume Rodrigo Maia, um político que precisa pensar em sua reeleição. E aí ele certamente não estará tão à vontade assim pra fazer desgraças como as do Temeroso…

  2. O foco desse pessoal da equipe economica está errado propositalmente ou é incompetência mesmo?
    O nível da discussão é mais amplo. Esse reducionismo envolto no peso do Executivo Federal é equivocado, no mínimo.
    O problema é a falta de recursos? Vamos olhar a divisão do bolo do orçamento da União:
    1. 50% para rolagem da dívida pública
    2. 20% FPE/FPM para Estados e Municípios
    3. 20% Duodécimos para Jud/Leg/MPF
    A conta é obvia que 90% do orçamento da União é de despesas obrigatórias e muito, mas muito mal gastas… ou vc acha q o país vai se desenvolver sem Eduação, pesquisa, etc… ou então q vai atrais turistas com os níveis de insegurança pública atuais?

    A crise não vai acabar tão cedo. E o país vai continuar no caminho da falência a passos largos.

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