Informações truncadas provocaram imenso nervosismo na Receita Federal e acirraram a histórica guerra por poder entre auditores e analistas tributários. Tudo começou, segundo Silvia Alencar, presidente do Sindireceita (representa analistas), com um comunicado do secretário Jorge Rachid de que o Ministério do Planejamento iria, na semana passada, chamar as categorias para apresentar uma proposta de reajuste salarial e de valorização das classes. Mas o projeto que foi ventilado, disse, teria brotado de articulações internas pouco debatidas. Aí, a ferida, que nunca cicatriza, foi exposta novamente.
Os auditores, segundo Cláudio Damasceno, presidente do Sindifisco, se sentiram, de alguma forma, contemplados com o anúncio de Rachid. A oferta governamental supostamente melhorada teria sido, avaliou, resultado dos 11 meses de paralisações pontuais. Mas os analistas entenderam que ela só beneficiava os donos da casa (auditores). Os analistas protestaram. Fizeram dois dias de “vigília – leia-se, paralisação -, na tentativa de reunir os pares (para analisar uma proposta que sequer foi apresentada).
Resultado: duelaram entre si, paralisaram a Receita, prejudicaram os contribuintes pessoas físicas e jurídicas. Os cidadãos, em alguns Estados, tiveram o atendimento não-emergencial suspenso, por conta dos analistas. E como há quase um ano os auditores não desafiam o governo, a arrecadação vem caindo. As micro e pequenas empresas não conseguem resolver as pendências impeditivas para optar pelo Simples Nacional, de acordo com a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon). Apesar da pressão recíproca, nada avançou. A velha e enxovalhada discórdia não produziu efeitos práticos.
O lado perverso: brigões e provocadores tiveram que absorver nova desilusão: sem graça, como criança birrenta que faz malcriação, foram obrigados a aceitar mais um adiamento imposto pelo Executivo e o fato de que o governo só apresentará proposta esta semana. Fato que ainda não foi confirmado pelo Planejamento. Técnicos do órgão disseram que a resposta aos valentões que apreciam um bom confronto ainda está sendo finalizada. Auditores e analistas deveriam se mirar na Polícia Federal. Delegados e agentes, escrivães e papiloscopistas (EPAs) tentam se acertar. Lá, em consequência do belo gesto, o clima interno já está mais leve.


9 thoughts on “TENSÃO DESNECESSÁRIA”
Se o Sindireceita não quisesse, na marra, que os analistas se tornassem auditores, isso não estaria acontecendo.
Mais estranho ainda é que são raros os analistas que admitem isso, ou seja, o sindicato trabalha à margem da vontade dos servidores.
Boa noite Cláudio, participe da discussão com seriedade, não fale bobagens ou se você não tem conhecimento dos fatos não fale do que você não sabe. Essas afirmações falsas e irresponsáveis são prejudiciais ao clima institucional que já está bastante desgastado por atitudes como essas.
Você realmente não conhece a luta do Sindireceita. Os Analistas lutam por atribuições definidas em lei. São dois cargos distintos com atribuições próprias, mas só um cargo tem sua atribuições reconhecidas legalmente. Se um ou outro Analista tem essa pretensão, certamente não representa o pensamento da categoria. Nunca o sindicato manisfestou tal intenção. Ao contrário, sua luta sempre foi pelo reconhecimento do trabalho do Analista e pelas atribuições legalmente definidas.
As atribuições dos analistas já estão previstas em lei parágrafo (2o do art 6o da lei 10593).
Pode-se conversar sobre outras atribuições? Claro que sim! Os analistas precisam assumir outra posição na Receita. Apenas é mister ressalvar as atribuições privativas, como o lançamento. Outras atividades que os auditores desempenham não só podem como devem ser transmitidas a outros cargos, como analistas e ATAS.
Esse processo precisa ser negociado e discutido às claras…
A pauta remuneratória poderia ser discutida em conjunto? Claro que sim! O problema é que não há certeza se no meio de uma negociação remuneratória, não haverá nova tentativa de usurpação de competência, como já ocorreu outras tantas vezes, a exemplo das emendas à MP 660. Se as tratativas forem às claras, de forma republicana, com participação inclusive de NÃO membros das diretorias de ambos os sindicatos, eu não só sou favorável como me candidato a compor o grupo.
Existe um desentendimento do que seja a luta do Sindireceita. Eles representam a todos nós analistas. Aqueles que têm ideias e propostas adequadas e que possam ajudar na solução de tantos pontos de nossa pauta de reivindicações deveria se engajar e contribuir para que os trabalhos sejam cada vez mais exitosos. Cada um que dê o melhor de si. Fofocas e mimimis só servem para poluir o processo de deliberações. Saber o que fazer está claro. Resta que ajudem a resolver COMO fazer.
Por favor, parem com isso. NÃO QUEREMOS SER FISCAL, queremos respeito por nosso trabalho. Essa afirmação falsa só pode ser feita por sindicalistas dos fiscais que só ver seus interesses próprias satisfeitos. Juro que em uma Delegacia que trabalhei eu vi dois fiscais saindo de uma reunião, que na époda era Unafisco, comentando muito bravos: Se o governo quiser dar 20.000,00 para nós e 15.000,00 para analistas, esses caras não querem!. Na ópoca o de analista, inicial, era em torno de 4.000,00. Pensa bem, não fazemos outra cois senão nos defender de vocês, quando deveriam é estar lutando por aumento de salários e benefícios de vocês. Ao invés de buscar seus direitos, fazem por nos acusar o tempo todo. Se cada um na sua esfera, lutássemos juntos, iríamos muito mais longe, independentemente de distância salarial de cada cargo de uma mesma carreira. Como diria o Mindoim: Que lástima!.
Colegas analistas. Eu acredito piamente em vocês. Acredito que não querem ser auditores com o trem da alegria.
Acontece que essa não é o que a direção sindical de vocês faz.
Talvez seja o caso de vocês elegerem alguém que respeite a CF88 e a Lei.
A agressão sem fim que sua presidente faz é o que então?
Sobre as atribuições, concordo plenamente. Quem tem que bater o martelo é a Adm da RFB.
Aos auditores que sofreram lavagem cerebral: Na última AGN do Sindireceita, ocorrida em agosto de 2015, foi elaborada uma carta oficial, amplamente debatida pelos representantes de toda a base, que diz claramente que os analistas não querem ser auditores sem prestar o concurso. Esta carta é pública.
Há exceções? Sim, sempre há, assim como também existem auditores que compreendem que a autoridade se consegue com o trabalho desenvolvido e não com um pedaço de papel para pendurar na parede, fazer plaquinha, ou um boton para pendurar no pescoço e ficar igual a uma árvore de natal. (Até porque a autoridade já existe no papel.)
Sobre as agressões da Silvia. Ow! Acordem! Desapeguem disso. Ela não é o espelho de todos os analistas assim como nem todo auditor é igual ao Damasceno (que nunca atacou ninguém, né? santinho!) (ou são todos iguais a ele?). A verdade é que a Sílvia (goste ou não dela) fala muito bem e se comunica muito melhor que qualquer um da diretoria do Sindifisco. E isso faz com que essa diretoria gaste RIOS de dinheiro para difamá-la.
Os dois sindicatos estão vivendo dessa briga. O Sindifisco elegeu a separação da carreira como bandeira principal. Na verdade quer expulsar da carreira aqueles que nela entraram pela porta da frente. Deveria ter a decência de olhar para o próprio umbigo e perceber que o problema (para os dois cargos) é o inchaço que ocorreu devido à entrada dos fiscais previdenciários, dos antigos CAF, IAA, IBC e quase uma dezena de outros cargos que nunca prestaram ou passaram num concurso para a Receita Federal (incluindo muitos de 91). O Sindireceita vive de tentar se manter na carreira e conseguir alguma atribuição definida em lei.
Reajuste e dinheiro no bolso, que é bom, ninguém vai conseguir.
Procurei por tudo e não achei esta tal carta.
Mas não importa: os atos valem por 1milhão de palavras.
Não somos cegos. Vemos o trab parlamentar que a “dra” Sílvia faz, atacando nossas atribuições legais (MP 666, por ex).
De novo: concordo plenamente que vocês deveriam ter atribuições claras e definidas. Só que quem tem definir isso é a administração. Afinal, ela que vai receber o trabalho.