{"id":12513,"date":"2019-05-12T06:17:41","date_gmt":"2019-05-12T09:17:41","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=12513"},"modified":"2019-05-10T21:21:10","modified_gmt":"2019-05-11T00:21:10","slug":"maes-protecao-nem-sempre-funciona-na-pratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/servidor\/maes-protecao-nem-sempre-funciona-na-pratica\/","title":{"rendered":"M\u00e3es &#8211; prote\u00e7\u00e3o nem sempre funciona na pr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p align=\"JUSTIFY\"><em>Estat\u00edsticas de importantes institutos de pesquisas, no mundo inteiro, apontam que as m\u00e3es s\u00e3o mais produtivas, que a gesta\u00e7\u00e3o aumenta as atividades neurais ligadas \u00e0 criatividade, ao relacionamento interpessoal e ao controle das emo\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Tamb\u00e9m j\u00e1 foi confirmado que elas t\u00eam mais t\u00eam flexibilidade, porque est\u00e3o acostumadas com duplas jornadas e por isso conseguem otimizar o tempo. No entanto, apesar das comprova\u00e7\u00f5es, a maternidade ainda \u00e9 uma grande barreira na busca pelo sucesso no mercado de trabalho. Segundo especialistas, persiste o pensamento de que o empregador n\u00e3o suportar\u00e1 o tempo de afastamento, sem preencher aquela necess\u00e1ria vaga, e tamb\u00e9m que h\u00e1 o risco da perda da fun\u00e7\u00e3o com a licen\u00e7a-maternidade, j\u00e1 que h\u00e1 milhares de desempregados, a tecnologia avan\u00e7a r\u00e1pido e a funcion\u00e1ria voltar\u00e1 desatualizada.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O tempo passa, mas os empecilhos s\u00e3o os mesmos, tanto na convic\u00e7\u00e3o das m\u00e3es, quanto das empresas e dos gestores: receio de a m\u00e3e \u2013 principalmente as de primeira viagem &#8211; faltar ao trabalho, caso o filho passe mal; de ela pedir para chegar mais tarde no trabalho para ir em uma reuni\u00e3o escolar; ou de se atrasar, devido \u00e0 exaust\u00e3o da rotina. Quase sempre, a realidade \u00e9 cruel. Estudo da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) identificou que 50% s\u00e3o demitidas no per\u00edodo de at\u00e9 dois anos ap\u00f3s o t\u00e9rmino da licen\u00e7a, devido \u00e0 mentalidade de que os cuidados com os filhos s\u00e3o praticamente uma exclusividade delas.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">J\u00e1 a Pesquisa dos Profissionais da Catho de 2018, com mais de 2,3 mil m\u00e3es, afirma que 30% das mulheres deixam o trabalho para cuidar dos filhos. Entre os homens, esse n\u00famero \u00e9 quatro vezes menor: 7%. Dani Junco, fundadora e diretora-executiva (CEO) da B2Mamy, aceleradora que conecta m\u00e3es ao ecossistema de inova\u00e7\u00e3o, ao falar sobre o assunto, lembra que o n\u00famero de lares brasileiros chefiados por mulheres cresceu de 23% para 40% entre 1995 e 2015 &#8211; pesquisa Retrato das Desigualdades de G\u00eanero e Ra\u00e7a, de 2017, do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Dani destaca, tamb\u00e9m, que h\u00e1 5,5 milh\u00f5es de crian\u00e7as brasileiras sem o nome do pai na certid\u00e3o de nascimento, pelos dados do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ). \u201cEntre 2005 e 2015, o n\u00famero de fam\u00edlias compostas por m\u00e3es solo subiu de 10,5 milh\u00f5es para 11,6 milh\u00f5es, segundo o IBGE. Das 10,3 milh\u00f5es de crian\u00e7as brasileiras com menos de 4 anos, 83,6% (8,6 milh\u00f5es) tinham como primeira respons\u00e1vel uma mulher, m\u00e3e biol\u00f3gica ou n\u00e3o, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio (Pnad\/2015). E, segundo a consultoria Robert Half, a cada 10 mulheres 4 n\u00e3o conseguem retornar ao mercado ap\u00f3s a licen\u00e7a maternidade\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A empres\u00e1ria fez uma simula\u00e7\u00e3o, que chamou de \u201cdistopia Handsmade Tale\u201d. \u201cAcabamos de acordar com o mundo completamente est\u00e9ril, assim como voc\u00ea j\u00e1 deve ter desejado ao saber que a mo\u00e7a da sua equipe est\u00e1 gr\u00e1vida ou ao ouvir o insuport\u00e1vel choro de uma crian\u00e7a dentro da sua bolha matinal. Eles deixaram de existir, ufa! E agora?\u201d, questiona. Os resultados seriam desastrosos. Primeiro, diz, o faturamento de R$ 50 bilh\u00f5es que representa o segmento infantil, de acordo com a Consultoria Nielsen, deixaria de ser injetado na economia. \u201cN\u00e3o est\u00e3o somados aqui turismo, entretenimento e outras \u00e1reas correlatas que atendem a esses 20% da popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em segundo lugar, com a popula\u00e7\u00e3o envelhecendo, n\u00e3o teria m\u00e3o de obra suficiente para manter alguns servi\u00e7os. \u201cSem falar das novas cabe\u00e7as que n\u00e3o nasceriam.Portanto, pesquisa, inova\u00e7\u00e3o e desenvolvimento seriam escassos. Terceiro, se voc\u00ea parar meio mil\u00e9simo para pensar comigo, bum, acabou o mundo, que \u00e9 bem maior que esse seu umbigo a\u00ed\u201d, provoca Dani Junco. Claudia Consalter, m\u00e3e de g\u00eameos e fundadora da Orthodontic, rede de cl\u00ednicas de ortodontia, assinala o preconceito com m\u00e3es trabalhadoras. \u201cPercebo que \u00e9 uma quest\u00e3o cultural. Em minha experi\u00eancia, senti que as pessoas achavam estranho quando eu deixava meus filhos na escola o dia inteiro\u201d, relata.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Entre as cinco dicas que Luzia Costa, CEO do Grupo Cetro (S\u00f3brancelhas, Beryllos e DepilShop), d\u00e1 para quem \u00e9 m\u00e3e e quer iniciar a vida empreendedora, a principal \u00e9: enfrente julgamentos e aceite ajuda. \u201cSem d\u00favidas, muitas pessoas ir\u00e3o te criticar por dedicar um tempo do seu dia para trabalho e vida profissional, deixando filhos com av\u00f3s, bab\u00e1s, escolinhas, entre outros. Mas precisamos sempre realizar nossos sonhos, ter nossas ambi\u00e7\u00f5es at\u00e9 mesmo para dar condi\u00e7\u00f5es melhores para nossos filhos. Por isso, enfrente, aguente firme, pois s\u00f3 voc\u00ea sabe os motivos das suas escolhas. Tome as r\u00e9deas da sua vida e, se precisar, pe\u00e7a ajuda para pessoas que te apoiam\u201d, ensina.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><strong>A lei e a vida real<\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A Secretaria Especial de Previd\u00eancia e Trabalho do Minist\u00e9rio da Economia destaca, entre os benef\u00edcios para as trabalhadoras, a licen\u00e7a-maternidade \u2013 direito previsto na Constitui\u00e7\u00e3o &#8211; que, somente em 2018, atendeu mais de 53 mil mulheres no Brasil. Jo\u00e3o Badari, especialista em direito previdenci\u00e1rio do escrit\u00f3rio Aith, Badari e Luchin Advogados, lembra que a licen\u00e7a \u00e9 assegurada por lei desde 1943. \u201cAtualmente, o empregador \u00e9 obrigado a conceder 120 dias, mas \u00e9 poss\u00edvel estender at\u00e9 180 para os que aderirem ao programa Empresa Cidad\u00e3, que gera benef\u00edcios fiscais para os contratantes\u201d, conta.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A lei \u00e9 de 1943, mas, na pr\u00e1tica, nem sempre funciona. Para superar as dificuldades, m\u00e3es raramente contam com ajuda. Mesmo assim, muitas narram hist\u00f3rias de sucesso. Claudia Santos, aos 38 anos, tem dois filhos (21 e 15 anos) e uma neta de 3 anos. Come\u00e7ou a trabalhar aos 14 anos, em Bel\u00e9m (PA). \u201cFazia salgados e vendia em uma banquinha\u201d. Aos 17 anos, foi trabalhar em um restaurante, com a mesma fun\u00e7\u00e3o. Engravidou em seguida e n\u00e3o aguentou o calor do fog\u00e3o. Preferiu pedir as contas. \u201cDeixei o emprego antes de ser demitida. Ouvia o chefe dizendo que mulher gr\u00e1vida \u00e9 problema porque falta ao servi\u00e7o e aumenta o custo por causa do sal\u00e1rio-fam\u00edlia. Fui trabalhar em casa. S\u00f3 consegui voltar a trabalhar fora depois de dois anos\u201d, diz.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Claudia saiu de Bel\u00e9m, veio para Bras\u00edlia e se fortaleceu. Hoje, faz faculdade de Enfermagem. Atualmente trabalha em um restaurante. \u201cSaio de casa \u00e0s 5h15 e retorno \u00e0s 23 horas, para conseguir pagar as contas e o aluguel. Mas n\u00e3o abandono os estudos. Minha filha (21 anos) me ajuda. Ela tamb\u00e9m estuda. Est\u00e1 cursando Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o\u201d, conta, orgulhosa. Maire Laide Albernaz Neiva, 62, administra um restaurante de sucesso, com 20 funcion\u00e1rios, depois de criar tr\u00eas filhas (43, 41 e 38 anos). \u201cComecei cedo, aos 14 anos, como uma esp\u00e9cie de cont\u00ednuo de ag\u00eancia de autom\u00f3veis. Aos 15 anos, fui transferida para a \u00e1rea de cobran\u00e7a. Depois fui para a Tesouraria e cheguei a chefe do setor financeiro, aos 25 anos\u201d, relata Meire.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">As tr\u00eas filhas foram criadas, praticamente, dentro da concession\u00e1ria. Os patr\u00f5es montaram ber\u00e7o e a infraestrutura para as crian\u00e7as. \u201cMas nunca tirei licen\u00e7a-maternidade. Voltava a trabalhar 15 ap\u00f3s ter nen\u00e9m. Precisava do dinheiro e tinha a op\u00e7\u00e3o de ganhar dobrado\u201d, afirma. Aos 30 anos, Maire, que saiu de Paracatu, interior de Minas Gerais, com apenas dois anos, come\u00e7ou a trabalhar com moda. Chegou a ter tr\u00eas lojas em Bras\u00edlia. Entrou quando foi poss\u00edvel para a Faculdade de Moda. Conseguiu o diploma aos 50 anos. Uma vit\u00f3ria para quem tem uma m\u00e3e de 85 anos \u201cque n\u00e3o sabe ler nem escrever\u201d. \u201cHoje, minhas filhas t\u00eam vidas pr\u00f3prias. Mas ainda cuido de minha m\u00e3e e de uma sobrinha especial de 45 anos\u201d, destaca.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Grasiela Maria de Ara\u00fajo, 36, entrou para o mercado de trabalho aos 18 anos.Iniciou como atendente em uma lanchonete. J\u00e1 tem um filho de 18 anos e outros dois, de 15 e 6 anos, de uma uni\u00e3o est\u00e1vel que j\u00e1 dura 17 anos. \u201cA gente ouve o tempo todo que m\u00e3e n\u00e3o trabalha, faz corpo mole. \u00c9 dif\u00edcil. J\u00e1 perdi emprego porque de cara disseram que eu n\u00e3o estaria dispon\u00edvel para viajar\u201d, assinala. Grasiela faz parte das estat\u00edsticas daquelas m\u00e3es demitidas ao retornar. \u201cQuando tive o terceiro filho, em 2013, tirei a licen\u00e7a e mais um m\u00eas de f\u00e9rias. Ao voltar, fui desligada\u201d. Mas n\u00e3o esmoreceu. Fez bicos enquanto esperava emprego de carteira assinada, que s\u00f3 veio dois anos depois. \u201cEntrei na Justi\u00e7a, consegui uma creche, com a ajuda do meu marido que me auxiliou em tudo\u201d, diz Grasiela.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A tributarista Rhuana Rodrigues, 38, \u00e9 s\u00f3cia do Chenut, Oliveira, Santiago Advogados. Casada desde 2006, teve o primeiro filho, de quatro anos, aos 33 anos. O segundo \u00e9 recente: est\u00e1 com apenas 3 meses. \u201cEspecialmente comigo, n\u00e3o houve discrimina\u00e7\u00e3o, porque sou dona do meu neg\u00f3cio e diretora de Recursos Humanos do escrit\u00f3rio. Mas ou\u00e7o hist\u00f3rias terr\u00edveis. Algumas mulheres penam depois da maternidade\u201d, conta. O marido de Rhuana, com a mesma idade, \u00e9 servidor. \u201c\u00c9 claro que o peso maior da responsabilidade com os filhos sempre recai sobre a m\u00e3e. Mas costumo dizer que meu marido n\u00e3o ajuda, ele compartilha o cuidado com as crian\u00e7as\u201d, argumenta. Durante o tempo da licen\u00e7a-maternidade, Rhuana aproveitou que o \u201cbeb\u00ea dormia o dia inteiro\u201d, para concluir a monografia de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em direito digital.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estat\u00edsticas de importantes institutos de pesquisas, no mundo inteiro, apontam que as m\u00e3es s\u00e3o mais produtivas, que a gesta\u00e7\u00e3o aumenta as atividades neurais ligadas \u00e0 criatividade, ao relacionamento interpessoal e ao controle das emo\u00e7\u00f5es Tamb\u00e9m j\u00e1 foi confirmado que elas t\u00eam mais t\u00eam flexibilidade, porque est\u00e3o acostumadas com duplas jornadas e por isso conseguem otimizar o tempo. 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