{"id":17868,"date":"2020-09-30T16:43:11","date_gmt":"2020-09-30T19:43:11","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=17868"},"modified":"2020-09-30T16:45:09","modified_gmt":"2020-09-30T19:45:09","slug":"trabalhadores-dos-setores-publico-e-privado-fizeram-355-greves-no-primeiro-semestre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/servidor\/trabalhadores-dos-setores-publico-e-privado-fizeram-355-greves-no-primeiro-semestre\/","title":{"rendered":"Trabalhadores dos setores p\u00fablico e privado fizeram 355 greves no primeiro semestre"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de trabalho, sa\u00fade e seguran\u00e7a, e pagamento de sal\u00e1rios e direitos foram as principais causas das paralisa\u00e7\u00f5es. Os trabalhadores da esfera privada cruzaram os bra\u00e7os mais vezes. No entanto, em termos proporcionais, 60% das horas paradas no primeiro semestre\u00a0de 2020 foram na esfera p\u00fablica<\/strong><\/em><\/p>\n<p>No primeiro semestre de 2020, houve no pa\u00eds 355 greves, segundo levantamento do Sistema de Acompanhamento de Greves (SAG) do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese). Os trabalhadores do setor privado foram respons\u00e1veis por 195 paralisa\u00e7\u00f5es e os do setor p\u00fablico, por 160.<\/p>\n<p>A maioria das greves (90%), aponta o estudo, incluiu nas reivindica\u00e7\u00f5es itens de car\u00e1ter defensivo, ou seja, exigia cumprimento de condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de trabalho, sa\u00fade e seguran\u00e7a ou eram contra o descumprimento de direitos estabelecidos em acordo, conven\u00e7\u00e3o coletiva ou lei<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quantidade de horas paradas, que equivale \u00e0 soma das horas de cada\u00a0greve, as mobiliza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores da esfera p\u00fablica, no entanto, superaram aquelas\u00a0da esfera privada: em termos proporcionais, 60% das horas paradas no primeiro semestre<br \/>\nde 2020 corresponderam a paralisa\u00e7\u00f5es na esfera p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Dura\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nNeste semestre, 60% das greves encerraram-se no mesmo dia em que foram\u00a0deflagradas e 10% alongaram-se por mais de 10 dias.<\/p>\n<p><strong>N\u00famero de trabalhadores<\/strong><br \/>\nDas 355 paralisa\u00e7\u00f5es, 54 tinham informa\u00e7\u00f5es sobre o n\u00famero de\u00a0grevistas envolvidos (cerca de 15% do total). Dessas, 70% reuniram at\u00e9\u00a0200 grevistas. Apenas em 2% dos protestos, as paralisa\u00e7\u00f5es reuniram com mais de 2 mil trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>Greves de advert\u00eancia<\/strong><br \/>\nS\u00e3o mobiliza\u00e7\u00f5es que t\u00eam como estrat\u00e9gia o an\u00fancio\u00a0antecipado do tempo de dura\u00e7\u00e3o \u2013 com a defini\u00e7\u00e3o, na ocasi\u00e3o em que s\u00e3o deflagradas,\u00a0do momento em que ser\u00e3o interrompidas. Das 355 greves, houve 139 (39%) de advert\u00eancia\u00a0e 211 (59%), por tempo indeterminado.<\/p>\n<p><strong>Abrang\u00eancia<\/strong><br \/>\nNo conjunto das paralisa\u00e7\u00f5es, a propor\u00e7\u00e3o de movimentos organizados em\u00a0empresa ou unidade foi preponderante (64%) em rela\u00e7\u00e3o aos movimentos que\u00a0abrangeram toda a categoria profissional (36%).<\/p>\n<p><strong>Motiva\u00e7\u00f5es das greves<\/strong><br \/>\nPara cada greve, o conjunto das reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores foi examinado pelo Dieese e<br \/>\nclassificado de acordo com o car\u00e1ter que apresenta.\u00a0Neste primeiro semestre, 90% das greves inclu\u00edam itens de car\u00e1ter defensivo na pauta, sendo que tanto a men\u00e7\u00e3o ao descumprimento de direitos como \u00e0\u00a0manuten\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es vigentes ocuparam a mesma propor\u00e7\u00e3o (52%) na pauta.<\/p>\n<p><strong>Reivindica\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nAs relacionadas ao pagamento de vencimentos em atraso (sal\u00e1rio, f\u00e9rias\u00a0e d\u00e9cimo terceiro) foram as mais frequentes (37%). Em seguida, presente em 26% das\u00a0greves, est\u00e1 a exig\u00eancia de reajuste nos sal\u00e1rios e nos pisos salariais.<\/p>\n<p><strong>Formas de resolu\u00e7\u00e3o dos conflitos<\/strong><br \/>\nDas 355 greves registradas no primeiro semestre de 2020, apenas 118 (33%)\u00a0tinham informa\u00e7\u00f5es sobre os meios para a resolu\u00e7\u00e3o dos conflitos. Na maior\u00a0parte (85%), chegou-se a termo por meio da negocia\u00e7\u00e3o direta e\/ou mediada; em\u00a0quase um ter\u00e7o (31%), houve algum tipo de envolvimento do Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Resultados das greves<\/strong><br \/>\nDas 103 greves (29% do total anual) sobre as quais foi poss\u00edvel ter informa\u00e7\u00f5es a\u00a0respeito do desfecho, em 73% houve algum \u00eaxito no atendimento \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Greves e horas paradas no funcionalismo p\u00fablico<\/strong><br \/>\nNo primeiro semestre de 2020, o Dieese registrou 135 greves nos tr\u00eas n\u00edveis\u00a0administrativos do funcionalismo p\u00fablico, que contabilizaram seis mil horas\u00a0paradas. Os servidores municipais deflagraram pouco mais de dois ter\u00e7os dessas paralisa\u00e7\u00f5es\u00a0(67%), com propor\u00e7\u00e3o um pouco menor (58%) no total de horas paradas.<\/p>\n<p>Das greves dos servidores p\u00fablicos estaduais, 14 foram de funcion\u00e1rios da seguran\u00e7a p\u00fablica; nove, por servidores da sa\u00fade; oito, por servidores da educa\u00e7\u00e3o; e dez, por servidores de outras secretarias (ou de v\u00e1rias secretarias em conjunto). &#8220;Uma foi em uma funda\u00e7\u00e3o, outra por servidores de um dos Judici\u00e1rios estaduais&#8221;, detalha o Dieese.<\/p>\n<p>Nos servi\u00e7os p\u00fablicos municipais, 37 foram deflagradas por servidores da educa\u00e7\u00e3o;\u00a024 por servidores da sa\u00fade; quatro por servidores da seguran\u00e7a p\u00fablica; e, 25 por servidores\u00a0de outras secretarias (ou de v\u00e1rias secretarias em conjunto).<\/p>\n<p><strong>Motiva\u00e7\u00f5es das greves<\/strong><br \/>\nNo funcionalismo p\u00fablico, 78% das greves inclu\u00edram itens de car\u00e1ter defensivo na\u00a0pauta. Reajuste dos sal\u00e1rios e dos pisos salariais foram as\u00a0mais frequentes nas pautas das greves do funcionalismo p\u00fablico (67%). Em seguida, est\u00e3o as\u00a0exig\u00eancias de melhoria nas condi\u00e7\u00f5es e no local de trabalho, al\u00e9m de adequadas\u00a0ferramentas e insumos (42%).<\/p>\n<p>Itens de pauta pol\u00edtica tamb\u00e9m est\u00e3o presentes (41%): a exig\u00eancia de investimentos\u00a0para a melhoria na presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e seguran\u00e7a, al\u00e9m de\u00a0protestos contra as reformas da Previd\u00eancia, apresentadas pelos estados e munic\u00edpios.<\/p>\n<p><strong>Greves e horas paradas nas empresas estatais<\/strong><br \/>\nNo primeiro semestre de 2020, o SAG-Dieese cadastrou 25 greves, que paralisaram\u00a0por 636 horas as atividades. Os trabalhadores do setor de servi\u00e7os fizeram uase tr\u00eas quartos dessas greves (72%), embora tenham permanecido menos\u00a0tempo com os bra\u00e7os cruzados (52% das horas paradas).<\/p>\n<p><strong>Motiva\u00e7\u00f5es das greves<\/strong><br \/>\nNas estatais, 96% das greves inclu\u00edram itens de car\u00e1ter defensivo\u00a0relacionados basicamente \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es j\u00e1 vigentes\u00a0(92%). Itens de car\u00e1ter propositivo n\u00e3o estiveram presentes.<\/p>\n<p><strong>Reivindica\u00e7\u00f5e<\/strong>s<br \/>\nQuase metade da pauta das estatais (48%), neste\u00a0primeiro semestre, eram itens diretamente relacionados \u00e0 pandemia do novo\u00a0coronav\u00edrus: medidas de seguran\u00e7a sanit\u00e1ria no local de trabalho;\u00a0fornecimento de EPIs (m\u00e1scaras, \u00e1lcool em gel e luvas); e, o acompanhamento, em testagens, da poss\u00edvel contamina\u00e7\u00e3o entre trabalhadores.<\/p>\n<p>Protestos a favor do investimento nos servi\u00e7os p\u00fablicos, contra a reforma da\u00a0Previd\u00eancia e contra projetos de privatiza\u00e7\u00e3o vieram a seguir, e ocuparam cerca de um ter\u00e7o\u00a0da pauta (32%).<\/p>\n<p><strong>Greves e horas paradas na esfera privada<\/strong><br \/>\nNo per\u00edodo, o Dieese registrou 195 greves, que contabilizaram 4,5 mil horas paradas. As\u00a0no setor de servi\u00e7os corresponderam a 78% das mobiliza\u00e7\u00f5es e a 86%\u00a0das horas paradas.<\/p>\n<p>Das greves apuradas na esfera privada, 103 (53%) ocorreram na regi\u00e3o Sudeste. No\u00a0Nordeste, foram 49 paralisa\u00e7\u00f5es (25%); no Sul, 28 (14%); no Norte, nove (5%);\u00a0e, no Centro-Oeste, seis (3%).<\/p>\n<p>Nos servi\u00e7os privados, os trabalhadores dos transportes (especialmente os\u00a0rodovi\u00e1rios do transporte coletivo) paralisaram 87 vezes (45%); na categoria Turismo e Hospitalidade (que envolve principalmente\u00a0trabalhadores de servi\u00e7os gerais, limpeza e coleta de lixo), paralisaram 32 vezes (16%); os\u00a0profissionais dos estabelecimentos privados de educa\u00e7\u00e3o, 10 vezes (5%); e, os<br \/>\ndos estabelecimentos privados de sa\u00fade, tamb\u00e9m 10 vezes (5%).<\/p>\n<p>Na ind\u00fastria, a maioria dos movimentos (25, ou 13%) foi de metal\u00fargicos.\u00a0Os trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o fizeram 10 greves (5%).<\/p>\n<p><strong>Motiva\u00e7\u00f5es das greves<\/strong><br \/>\nNa pauta reivindicat\u00f3ria de 97% das greves na esfera privada estiveram\u00a0presentes itens de car\u00e1ter defensivo, com predomin\u00e2ncia de pleitos relativos ao\u00a0descumprimento de direitos.<\/p>\n<p>A exig\u00eancia de pagamento de atrasados (sal\u00e1rios, f\u00e9rias, d\u00e9cimo terceiro e vale\u00a0salarial) comp\u00f4s a pauta da maioria (61%). Itens relativos \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 assist\u00eancia m\u00e9dica foram inclu\u00eddos em 28%\u00a0dessas greves. Condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a sanit\u00e1ria ocuparam o\u00a0terceiro lugar de import\u00e2ncia (16%).<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><br \/>\nDas 355 greves no setor privado, na primeira metade do ano de 2020, no primeiro trimestre, que<br \/>\nterminou pouco depois do an\u00fancio das primeiras medidas de prote\u00e7\u00e3o contra o novo coronav\u00edrus, ocorriam cerca de 84 paralisa\u00e7\u00f5es por m\u00eas. No segundo, com o impacto da\u00a0pandemia, esse n\u00famero caiu para 34.<\/p>\n<p>&#8220;No in\u00edcio dos alertas contra a contamina\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus, em abril, o perigo da doen\u00e7a\u00a0chegou mesmo a suscitar alguma movimenta\u00e7\u00e3o entre os trabalhadores \u2013 especialmente\u00a0entre os funcion\u00e1rios de empresas de telemarketing. Entretanto, o efeito maior, sem d\u00favida,\u00a0foi no sentido de interromper greves importantes em andamento; em especial na educa\u00e7\u00e3o\u00a0(pelo reajuste do Piso Nacional do Magist\u00e9rio) e na sa\u00fade (contra as frequentes\u00a0irregularidades trabalhistas cometidas nas unidades de sa\u00fade administradas por\u00a0Organiza\u00e7\u00f5es Sociais)&#8221;, informa o Dieese.<\/p>\n<p>No primeiro caso, entre os profissionais da educa\u00e7\u00e3o, a suspens\u00e3o das aulas pelos\u00a0governos estaduais e municipais, como medida de preven\u00e7\u00e3o, retirava das greves sua a capacidade elementar de press\u00e3o pela interrup\u00e7\u00e3o do trabalho. &#8220;Somavam-se a\u00a0isso as dificuldades in\u00e9ditas de realiza\u00e7\u00e3o de assembleias deliberativas em meio a exig\u00eancias\u00a0de confinamento dom\u00e9stico e distanciamento social (dificuldades que, mais tarde, em alguns\u00a0casos, seriam contornadas atrav\u00e9s do uso de recursos t\u00e9cnicos de comunica\u00e7\u00e3o)&#8221;, assinala o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os trabalhadores da sa\u00fade, o brusco deslocamento do debate p\u00fablico para a\u00a0centralidade das atividades de cuidado hospitalar e a resposta de governos estaduais e\u00a0prefeituras, com mais recursos para as pastas de sa\u00fade, provavelmente exerceram algum efeito corretor nos casos de m\u00e1 gest\u00e3o, car\u00eancia de recursos p\u00fablicos e irregularidades trabalhistas (atrasos de sal\u00e1rios, principalmente); o que tamb\u00e9m levou \u00e0\u00a0diminui\u00e7\u00e3o do protesto (ainda que se saiba hoje que, mesmo diante da amea\u00e7a real de colapso\u00a0dos servi\u00e7os de sa\u00fade, pr\u00e1ticas duvidosas de gest\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o tenham conseguido\u00a0renunciar ao seu quinh\u00e3o), destaca o Dieese.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 que se cogitar, al\u00e9m disso, a hip\u00f3tese de que, no caso de administra\u00e7\u00f5es onde o\u00a0atraso no pagamento dos vencimentos dos profissionais permaneceu, o arrefecimento\u00a0grevista acabou relacionado a um sentido de miss\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade que, diante\u00a0da amea\u00e7a do descontrole pand\u00eamico e do que isso implicaria em perdas humanas, passou a\u00a0desconsiderar a possibilidade de encampar protestos mais vigorosos&#8221;, reitera.<\/p>\n<p>Entre abril e junho, os trabalhadores do transporte coletivo urbano tornaram-se,\u00a0indiscutivelmente, a grande categoria grevista (quase a \u00fanica, na verdade); em a\u00e7\u00e3o contra<br \/>\nos atrasos de sal\u00e1rios, demiss\u00f5es e redu\u00e7\u00e3o de remunera\u00e7\u00e3o; e, por medidas de seguran\u00e7a<br \/>\nsanit\u00e1ria, como fornecimento de \u00e1lcool em gel, luvas e m\u00e1scaras. Por outro lado, com a<br \/>\nredu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de \u00f4nibus em circula\u00e7\u00e3o, em quase todas as grandes cidades brasileiras,<br \/>\nas empresas alegaram dificuldades na capta\u00e7\u00e3o da receita que permitiria a regulariza\u00e7\u00e3o dos<br \/>\npagamentos.<\/p>\n<p>As paralisa\u00e7\u00f5es de trabalhadores dos Correios tamb\u00e9m foram se tornando\u00a0particularmente importantes neste primeiro semestre. Diante do adoecimento de colegas, eles denunciaram as aglomera\u00e7\u00f5es nas unidades de trabalho da empresa, exigindo a\u00a0dist\u00e2ncias m\u00ednimas entre os postos de trabalho,\u00a0desinfec\u00e7\u00f5es frequentes dessas unidades e testagens que indiquem se nelas existe a\u00a0circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus \u2013 al\u00e9m, \u00e9 claro, do fornecimento de \u00e1lcool em gel e de m\u00e1scaras.<\/p>\n<p>&#8220;Em um contexto no qual as necess\u00e1rias interdi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias de car\u00e1ter preventivo\u00a0acabaram, como esperado, por diminuir expressivamente o ritmo das atividades econ\u00f4micas\u00a0(embora n\u00e3o igualmente entre os diversos tipos de atividades) e, assim, tamb\u00e9m as\u00a0possibilidades de protesto dos trabalhadores, \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o deixar de mencionar que essa\u00a0redu\u00e7\u00e3o vem ocorrer precisamente em meio a um j\u00e1 acentuado movimento de decl\u00ednio na\u00a0deflagra\u00e7\u00e3o de greves e paralisa\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma o Dieese.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, embora esse tipo de a\u00e7\u00e3o esteja longe de se relacionar de forma simples e causal com\u00a0uma ou outra vari\u00e1vel econ\u00f4mica ou pol\u00edtica, \u00e9 poss\u00edvel apontar (como j\u00e1 tem sido feito em\u00a0balan\u00e7os de greves de anos anteriores), sem muita dificuldade, fatores que, em seu conjunto,\u00a0atuam de forma a desestimular a mobiliza\u00e7\u00e3o grevista: a perman\u00eancia dos n\u00fameros do desemprego em altos patamares e o avan\u00e7o do trabalho informal; as expectativas pouco<br \/>\nconfiantes no surgimento de um futuro melhor \u2013 refor\u00e7adas por uma difusa sensa\u00e7\u00e3o de<br \/>\ninstabilidade derivada das recentes reconfigura\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do pa\u00eds; e, por fim, a asfixia do<br \/>\nfinanciamento das entidades sindicais ap\u00f3s a reforma de 2019.<\/p>\n<p>Ainda assim, esse mesmo semestre, logo em seu in\u00edcio, de acordo com o estudo, foi marcado pela greve de 20\u00a0dias dos trabalhadores da Petrobras, em fevereiro \u2013 o segundo maior movimento de<br \/>\nprotesto na empresa; atr\u00e1s, apenas, da conhecida greve de 1995, que durou 31 dias\u00a0e tamb\u00e9m terminou em 30 de julho, v\u00e9spera do \u201cbreque dos Apps\u201d. O movimento nacional de\u00a0paralisa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores dos servi\u00e7os de entrega por aplicativos, com reivindica\u00e7\u00f5es\u00a0como o reajuste nos valores pagos por servi\u00e7o, o apoio das empresas em casos de acidentes\u00a0e o fornecimento de itens de prote\u00e7\u00e3o como \u00e1lcool em gel e m\u00e1scaras, evidenciou as condi\u00e7\u00f5es\u00a0de precariza\u00e7\u00e3o e dilapida\u00e7\u00e3o extrema do trabalhador, embutidas sob as promessas\u00a0luminosas da nova economia da informa\u00e7\u00e3o, finaliza o Dieese.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de trabalho, sa\u00fade e seguran\u00e7a, e pagamento de sal\u00e1rios e direitos foram as principais causas das paralisa\u00e7\u00f5es. Os trabalhadores da esfera privada cruzaram os bra\u00e7os mais vezes. 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