{"id":2510,"date":"2023-09-25T18:22:52","date_gmt":"2023-09-25T21:22:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=2510"},"modified":"2023-09-25T18:22:52","modified_gmt":"2023-09-25T21:22:52","slug":"a-mestria-de-dulcina-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/severino\/a-mestria-de-dulcina-2\/","title":{"rendered":"A mestria de Dulcina 2"},"content":{"rendered":"<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><strong><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: calibri, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Severino Francisco<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: calibri, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Em meio \u00e0s amea\u00e7as de extin\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o de Teatro que Dulcina de Moraes criou em Bras\u00edlia, encontrei um precioso depoimento de Fernanda Montenegro em um livro magrinho, mas denso, da cole\u00e7\u00e3o Aplauso (Ed. Imprensa Oficial de S\u00e3o Paulo). Na obra, Fernanda reitera a opini\u00e3o expressa in\u00fameras vezes de que Dulcina foi a personalidade mais importante do teatro brasileiro do s\u00e9culo 20 e, realmente, a nossa primeira atriz moderna.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: calibri, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">O depoimento de Fernanda ressalta os m\u00faltiplos talentos de Dulcina, todos mobilizados em favor do teatro: a atriz, a diretora, a empres\u00e1ria, a empreendedora, a l\u00edder em defesa dos direitos da classe e a vision\u00e1ria apaixonada pela educa\u00e7\u00e3o. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: calibri, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Acompanhemos a voz de Fernanda: &#8220;Dulcina de Moraes, para mim, como personalidade de teatro, \u00e9 a pessoa que mais fez por n\u00f3s no s\u00e9culo que passou. Ela desde cedo fez a sua companhia, no in\u00edcio s\u00f3 de pe\u00e7as nacionais. Ela abrasileirou a pros\u00f3dia nos palcos do Brasil, porque o sotaque nobre era portugu\u00eas. Ela tirou o ponto. Construiu cen\u00e1rios. Tirou os tel\u00f5es pintados.&#8221;<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: calibri, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Com raro poder de s\u00edntese, Fernanda continua enumerando as qualidades e as realiza\u00e7\u00f5es de Dulcina, uma mulher el\u00e9trica, carism\u00e1tica e divertida, a um s\u00f3 tempo, ut\u00f3pica e pragm\u00e1tica: &#8220;Teve um repert\u00f3rio extremamente qualificado. Ela acabou com a carteirinha de prostituta das atrizes e conseguiu o dia de descanso obrigat\u00f3rio. Ela patrocinava in\u00fameros concursos de pe\u00e7as para descobrir atores e autores. Muitos autores e atores nasceram a\u00ed. Dirigia muito e dirigia bem. &#8220;<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: calibri, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Fernanda chama a aten\u00e7\u00e3o para um aspecto pouco mencionado quando se fala em Dulcina: as inova\u00e7\u00f5es na ilumina\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as teatrais: &#8220;Uma coisa que Dulcina tamb\u00e9m introduziu, antes de Ziembinski, foi uma ilumina\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica, n\u00e3o aquela luz geral; havia uma sofistica\u00e7\u00e3o de ilumina\u00e7\u00e3o nos espet\u00e1culos de Dulcina.&#8221;<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: calibri, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Quando resolveu fundar uma escola de teatro no Rio de Janeiro, Dulcina chamou o que havia de melhor em termos de professores, para o corpo docente da sua Funda\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro, lembra Fernanda. Depois, veio para Bras\u00edlia para criar a sua Escola de Artes: &#8220;E morreu muito velhinha e muito pobrezinha, sem nada, absolutamente nada. E o que \u00e9 mais grave: esquecida. Uma mulher da import\u00e2ncia dela&#8221;.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"> <span style=\"font-family: calibri, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Com todas as dificuldades, aos trancos e barrancos, a Faculdade Dulcina formou centenas de artistas e arte-educadores. \u00c9 um legado vivo e nada desprez\u00edvel. O cancelamento do leil\u00e3o que liquidaria o projeto de Dulcina para o pagamento de d\u00edvidas trabalhistas foi uma vit\u00f3ria prec\u00e1ria, mas importante da dignidade de Bras\u00edlia, gra\u00e7as a mobiliza\u00e7\u00e3o dos jovens, dos amigos e da imprensa. Apesar de dever mais de 20 milh\u00f5es no total, o projeto de Dulcina ainda tem salva\u00e7\u00e3o. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: calibri, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">\u00c9 preciso conseguir uma ampla articula\u00e7\u00e3o, envolvendo inclusive o minist\u00e9rio da Cultura, de Margareth Menezes. O BRB investe R$ 52 milh\u00f5es por ano no Flamengo, clube do Rio de Janeiro. Menos da metade resolveria os problemas da Faculdade e do teatro Dulcina. O Museu do Ipiranga, em S\u00e3o Paulo, recebeu recursos de 36 empresas para o projeto de moderniza\u00e7\u00e3o e reformas, com recursos de R$ 235 milh\u00f5es. Por que o projeto do Dulcina na capital do pa\u00eds n\u00e3o pode receber R$ 20 milh\u00f5es?<\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Severino Francisco Em meio \u00e0s amea\u00e7as de extin\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o de Teatro que Dulcina de Moraes criou em Bras\u00edlia, encontrei um precioso depoimento de Fernanda Montenegro em um livro magrinho, mas denso, da cole\u00e7\u00e3o Aplauso (Ed. Imprensa Oficial de S\u00e3o Paulo). 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