{"id":2622,"date":"2024-01-11T14:52:30","date_gmt":"2024-01-11T17:52:30","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=2622"},"modified":"2024-01-11T14:52:30","modified_gmt":"2024-01-11T17:52:30","slug":"o-sabor-do-pequi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/severino\/o-sabor-do-pequi\/","title":{"rendered":"O sabor do pequi"},"content":{"rendered":"<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"font-family: Utopia, serif\"><span style=\"font-size: medium\">Catei muitos frutos do Caryocar brasiliense durante as err\u00e2ncias de menino pelo cerrado. Eu pegava para outros degustarem, pois, naquela \u00e9poca, tinha muito medo dos espinhos. No entanto, recentemente, aprendi a degustar o pequi com cuidado. Gostava de sentir cheiro intenso, percept\u00edvel pelo radar do olfato de longe.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"font-family: Utopia, serif\"><span style=\"font-size: medium\">O arroz com pequi foi eleito a segunda pior comida do Brasil segundo uma pesquisa feita por um site dos Estados Unidos. A comida que \u00e9 muito apreciada pelos goianos e pelos mineiros e v\u00e1rias outros pratos de todo o Brasil foram avaliados por 5.139 mil leitores do site TasteAtlas. Por aqui, todos os jornais e programas televisivos replicaram a not\u00edcia. Mas, como diria o mestre Antonio Houaiss, permitam-me discrepar.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"font-family: Utopia, serif\"><span style=\"font-size: medium\">N\u00e3o considero que os norte-americanos sejam os ju\u00edzes mais abalizados para apreciar as qualidades culin\u00e1rias de qualquer prato. Eles consomem alguns dos piores alimentos do mundo, n\u00e3o porque lhes falte dinheiro, mas por desinforma\u00e7\u00e3o, propaganda enganosa e maus h\u00e1bitos. Aqueles sandu\u00edches fast foods processados s\u00e3o uma f\u00e1brica de obesos e de candidatos ao c\u00e2ncer e a outras doen\u00e7as. Quando tinha 8 anos, meu filho era viciado em uma dessas lanchonetes de origem norte-americana famosa. <\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"font-family: Utopia, serif\"><span style=\"font-size: medium\">Eu tentava dissuadi-lo, sob o argumento de que aqueles sandu\u00edches processados faziam mal \u00e0 sa\u00fade. Ele ignorava e argumentava que eram deliciosos. Mas, certo dia, comeu um sanduba com salmonela, passou mal durante v\u00e1rias semanas e nunca mais consumiu aquele lanche. N\u00e3o quero ditar regras para ningu\u00e9m. No entanto, cada vez mais, considero o valor nutritivo de um alimento para escolher o que eu como. <\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"font-family: Utopia, serif\"><span style=\"font-size: medium\">Isso aconteceu com o pequi. Confesso que n\u00e3o apreciava muito o gosto do fruto do Cerrado. Mas ao conhecer melhor o valor nutritivo, passei a gostar. O pequi \u00e9 riqu\u00edssimo em vitaminas A, B e E. Melhora a vis\u00e3o, a pele, a imunidade e reduz o colesterol ruim. E contribui para combater os radicais livres, que favorecem o surgimento de doen\u00e7as inflamat\u00f3rias. Nada mais discut\u00edvel do que o gosto. Porque, em larga medida, o nosso gosto \u00e9 constru\u00eddo, depende dos valores, dos costumes, da educa\u00e7\u00e3o e da experi\u00eancia. <\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"font-family: Utopia, serif\"><span style=\"font-size: medium\">Antigamente, bastava dar uns 20 passos no Cerrado para topar com uma \u00e1rvore de pequi. Mas agora elas rareiam. Preciso comprar nas feirinhas ou nas beiras de estrada. Os vendedores dizem que o pequi vem de Minas Gerais. <\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"font-family: Utopia, serif\"><span style=\"font-size: medium\">A flor do pequizeiro \u00e9 sensual na forma, no cheiro e na poliniza\u00e7\u00e3o. O \u00f3rg\u00e3o sexual masculino da flor se divide em centenas de estames, filamentos pontiagudos. Um \u00fanico exemplar pode ter mais de 50 estames, explica a professora Sueli Maria Gomes, do Departamento de Bot\u00e2nica da Universidade de Bras\u00edlia (UNB), em entrevista a Concei\u00e7\u00e3o Freitas, publicada no Correio Braziliense. \u00c9 uma caracter\u00edstica pouco comum nas esp\u00e9cies do planeta.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"font-family: Utopia, serif\"><span style=\"font-size: medium\">A poliniza\u00e7\u00e3o acontece \u00e0 noite. N\u00e3o \u00e9 uma fertiliza\u00e7\u00e3o convencional, n\u00e3o s\u00e3o os passarinhos ou as abelhas os respons\u00e1veis pela multiplica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. A flor do pequi escolheu um polinizador mais viril \u2013 o morcego. Os mam\u00edferos voadores s\u00e3o atra\u00eddos pelo cheiro exalado pelas p\u00e9talas internas da flor, ensina Sueli Gomes: \u201cEm cada noite, uma das tr\u00eas flores ficam abertas pela infloresc\u00eancia quando s\u00e3o visitadas pelos morcegos, que fazem a poliniza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><span style=\"font-family: Utopia, serif\"><span style=\"font-size: medium\">O pequizeiro est\u00e1 tombado por decreto. O nome cient\u00edfico \u00e9 Caryocar brasiliense, vem do grego caryon (n\u00facleo ou noz) e kara (cabe\u00e7a), refer\u00eancia \u00e0 forma arredondada do fruto. A flor er\u00f3tica produz o fruto do pequi \u00e9 rico em vitaminas A e E, al\u00e9m de minerais como o f\u00f3sforo. O nome com origem no tupy (py+casca) e qui (espinho). O pequi materializa a beleza, a um s\u00f3 tempo, \u00e1spera e delicada do Cerrado. <\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Catei muitos frutos do Caryocar brasiliense durante as err\u00e2ncias de menino pelo cerrado. Eu pegava para outros degustarem, pois, naquela \u00e9poca, tinha muito medo dos espinhos. No entanto, recentemente, aprendi a degustar o pequi com cuidado. Gostava de sentir cheiro intenso, percept\u00edvel pelo radar do olfato de longe. 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