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Artigo: O surdo, a sombra dele e o russo

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, vai ficar mais seis anos no comando do país

Por LUIZ RECENA GRASSI, de Portugal

Vladimir Putin fez os discursos da semana. Lançou petardos contra os mosqueteiros União Europeia-Estados Unidos-Organização do Tratado do Atlântico Norte, tipo bombardeios a Ucrânia. Bateu feio e anunciou o momento atual como o mais perigoso desde a 2ª. Guerra Mundial. Mais: denunciou os yanques de proibir os ucranianos de negociar caminhos de paz.

 

A liderança da Casa Branca é que não estaria a querer. Pode ser exagero, mais provocação que realidade. Porém, a pontaria parece afinada e alvos diplomáticos foram atingidos. Tudo isso levando tapas tiros e mísseis, perdendo gente e território conquistado. Pouco, mas derrota tem efeito moral, deprime. Com fôlego, sobrou tempo para outros avisos.

 

Curtos e com recados: não é a Rússia a inimiga do ocidente; acabou a mobilização parcial de novos soldados; conhece os candidatos na eleição brasileira e não tem problemas com o Brasil; população civil de Kherson evacuada e outros comentários sem o mesmo valor.

 

Deu tempo de anunciar novas medidas contra o abecedário homossexual russo e apoiar o prefeito de Moscou a fabricar carros Moskovich, dos tempos soviéticos, em fábrica francesa abandonada pela da Renault no início da guerra e das sanções de europeus e americanos. Ideia parte de um projeto com a China, que prevê a produção dos caminhões pesados Kamaz e parceria em motores e veículos elétricos. Chineses reagiram rápido para dizer que querem aprofundar relações e apoiar a Rússia em todos os níveis. A criatividade do Kremlin é eficiente e tem eco.

 

Do outro lado do oceano, Joe Biden fez ouvidos moucos, não ouviu nada, calado estava e assim ficou. Num canto do vasto mundo, o ucraniano, sombra do líder da América, manteve o discurso de propaganda. Virou analista. Repetiu comentários das poucas conquistas recentes. No sábado, bombardeou Sebastopol. Foi infeliz, levou de volta a suspensão, pela Rússia, do escoamento de grãos via Mar Negro, o que não deve ir além das dores de cabeça.

 

Nenhuma letra sobre o apagão elétrico de dois dias na capital Kiev, em área que não sofria ataques desde o último abril. Quatro milhões de pessoas sem energia. Parte bombardeada ficou sem capacidade de produção por certo tempo. Biden não entendeu o movimento sobe-e-desce dos russos; Zelensky entende um pouco e não explica nada. Cabeça e alma russas não são simples de entender, não são fáceis de traduzir. A batalha final em Kherson não começou, o combate fatal continua sem data. Muito movimento de tropas e ausência de resultado expressivo. Biden surdo, Zelenski à sombra. Dias de Putin. Sem prazos, sucessos ou previsões além da vitória nos discursos.

 

O CORREIO SABE PORQUE VIU

 

Estava lá. A alma russa é mesmo um assunto. O sentimento do povo. Frio, calor, sensibilidade, tristeza, raiva. Risos e lágrimas. E anedotas sempre, feitas em Moscou e replicadas no país, ou pensadas fora, as famosas anedotas da Cia.

 

O congressista yanque líder de Comissão diplomática ouviu falar no assunto e pediu visita. Tempos soviéticos de guerra fria, garantia de segurança e qualidade. Foram sete políticos, um tradutor e o mujique dono do trenó. No meio da Sibéria gelada surgem lobos ferozes.

 

O tradutor traduz e o mujique aconselha, lacônico: diz ao presidente para deixar três dos deles. Sob protesto, ficam, alimentam-se os lobos e a viagem segue. Até novos lobos, nova conversa e sacrifício. Segue a viagem, os lobos voltam. O líder do grupo pergunta o que fazer, agora só tem ele, está sozinho.

 

O mujique faz manobra, para, tirar debaixo do banco uma metralhadora e fuzila os lobos! Em choque, o congressista pergunta porque não fez aquilo antes, no primeiro grupo de lobos. O mujique responde impassível: tem uma garrafa de vodka e só dá para três. Podemos lanchar. Alma russa.