{"id":1016,"date":"2016-05-18T08:29:48","date_gmt":"2016-05-18T11:29:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1016"},"modified":"2016-05-18T08:29:48","modified_gmt":"2016-05-18T11:29:48","slug":"paciencia-curta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/paciencia-curta\/","title":{"rendered":"Paci\u00eancia curta"},"content":{"rendered":"<p>O governo avaliou como positiva a rea\u00e7\u00e3o dos investidores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 equipe econ\u00f4mica anunciada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, mas tem a exata no\u00e7\u00e3o de que o resgate da credibilidade ainda est\u00e1 muito longe. Uma coisa \u00e9 a nomea\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos conceituados para cargos estrat\u00e9gicos. Outra \u00e9 conseguir aprovar medidas impopulares e duras num pa\u00eds dividido. Os primeiros dias de Michel Temer no comando do Pal\u00e1cio do Planalto evidenciaram bem que o peemedebista ainda n\u00e3o tem o apoio necess\u00e1rio para fazer o dever de casa. Por uma raz\u00e3o simples: nem os seus ministros se entendem sobre o caminho a ser seguido. N\u00e3o por acaso, o presidente interino foi obrigado a desautorizar v\u00e1rios dos subordinados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os governistas mais exaltados falam em time dos sonhos na Fazenda. Mas esquecem que, no meio do caminho, h\u00e1 um Congresso muito pulverizado, que n\u00e3o desperta a confian\u00e7a de que os agentes econ\u00f4micos precisam para sair da retaguarda. Para que isso comece a acontecer, Temer ter\u00e1 que dar uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a nos pr\u00f3ximos dias, quando projetos importantes de interesse do governo ir\u00e3o \u00e0 vota\u00e7\u00e3o. O mais importante deles, a mudan\u00e7a da meta fiscal deste ano, que permitir\u00e1 ao setor p\u00fablico fechar no vermelho sem o risco de ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O presidente interino se empenhou, pessoalmente, em articular a vota\u00e7\u00e3o da nova meta. Contudo, continua latente o risco de fracasso e de o governo ter que paralisar as atividades at\u00e9 que o Congresso d\u00ea aval \u00e0 mudan\u00e7a do indicador. O prazo expira no fim de maio. O problema se torna maior porque a equipe econ\u00f4mica que tomou posse ontem sequer sabe o tamanho real do buraco nas contas p\u00fablicas. A cada nova rodada de an\u00e1lise dos n\u00fameros, o rombo se torna maior. Esse, por sinal, \u00e9 o argumento que vem sendo usado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, para adiar a vota\u00e7\u00e3o da meta. Ele quer que o governo defina, como clareza, qual objetivo perseguir\u00e1, para n\u00e3o ser obrigado a pedir nova altera\u00e7\u00e3o ao longo do ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Risco de frustra\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O voto de confian\u00e7a dado ao governo Temer pelos investidores n\u00e3o pode ser entendido como complac\u00eancia. O hist\u00f3rico de frustra\u00e7\u00f5es deixou todos muito ariscos. A paci\u00eancia est\u00e1 curta. Ao menor sinal de derrota no Congresso ou de atraso na reforma da Previd\u00eancia Social, as turbul\u00eancias voltar\u00e3o e os m\u00ednimos sinais de reativa\u00e7\u00e3o da atividade desaparecer\u00e3o por completo. Temer n\u00e3o pode brincar com a economia. Assim como a forte recess\u00e3o, a infla\u00e7\u00e3o alta e o desemprego foram decisivos para o afastamento de Dilma Rousseff, o agravamento da crise encurtar\u00e1 rapidamente o que j\u00e1 \u00e9 provis\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meirelles tem dito aos mais pr\u00f3ximos que n\u00e3o largou o conforto da iniciativa privada para voltar para casa como derrotado. Por isso, assumir\u00e1 parte da articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a fim de levar adiante a aprova\u00e7\u00e3o das medidas que conta para tirar a economia do atoleiro. Ele acredita no empenho do presidente interino de comprar brigas com sindicatos e corpora\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o esconde o temor de que as reformas acabem ficando na promessa. O discurso dos que trabalham com o ministro \u00e9 o de que Temer, por n\u00e3o ter compromisso com as urnas, pode recorrer a medidas duras, como cortes de gastos e mudan\u00e7as nas leis trabalhistas e no sistema previdenci\u00e1rio, sem temer o tiroteio contr\u00e1rio. S\u00f3 o tempo dir\u00e1 se est\u00e3o certos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Planalto, no entanto, sentiu que a for\u00e7a pol\u00edtica do presidente interino n\u00e3o \u00e9 a que se pensava, mesmo com a montanha de votos a favor do impeachment de Dilma. J\u00e1 se observa uma rebeli\u00e3o entre os partidos perif\u00e9ricos por causa da lideran\u00e7a do governo na C\u00e2mara. Cerca de 300 votos estar\u00e3o em jogo, caso Temer insista em dar o cargo para o DEM ou o PSDB. Outro ponto de fragilidade: apesar de a equipe de Meirelles considerar a recria\u00e7\u00e3o da CPMF importante para a arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas, o presidente abriu a possibilidade de retirar da Comiss\u00e3o e Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ) o projeto que trata do tributo. Recuos como esse n\u00e3o soam bem entre os agentes econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Esp\u00edrito animal<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que precisar\u00e1 mostrar for\u00e7a pol\u00edtica, Temer ter\u00e1 que apresentar resultados urgentes na economia. Para isso, precisa resgatar o esp\u00edrito animal do empresariado. Fato que s\u00f3 acontecer\u00e1 se o ajuste fiscal sair do papel, o que permitir\u00e1 ao Banco Central come\u00e7ar a reduzir a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 14,25% ao ano. O futuro presidente do BC, Ilan Goldfajn, n\u00e3o arriscar\u00e1 a reputa\u00e7\u00e3o ao cortar juros se n\u00e3o tiver a certeza de que o Tesouro Nacional est\u00e1 fazendo o imposs\u00edvel para reverter o rombo de at\u00e9 R$ 150 bilh\u00f5es previstos para este ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O atual comandante do BC, Alexandre Tombini, viu sua credibilidade ruir justamente porque acreditou nas falsas promessas do Tesouro de que entregaria superavits suficientes para diminuir a press\u00e3o inflacion\u00e1ria e conter a evolu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica. Mesmo com as seguidas frustra\u00e7\u00f5es, manteve a pol\u00edtica monet\u00e1ria frouxa. Ilan, por v\u00e1rias vezes, criticou esse comportamento leniente do banco. Portanto, \u00e9 esperado que n\u00e3o se deixe enganar. Ele sabe que o mercado n\u00e3o o perdoaria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante desse quadro, o que se pode dizer \u00e9 que Temer e Meirelles est\u00e3o caminhando sobre uma superf\u00edcie muito fr\u00e1gil, que pode romper a qualquer momento. Ou d\u00e3o respostas r\u00e1pidas e contundentes, ou v\u00e3o para o mesmo lado da hist\u00f3ria que est\u00e3o Dilma Rousseff e todos que, com ela, embarcaram nas maluquices que levaram o Brasil para o Buraco. O caminho nessa dire\u00e7\u00e3o \u00e9 bem curto. E as portas est\u00e3o escancaradas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 08h28min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo avaliou como positiva a rea\u00e7\u00e3o dos investidores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 equipe econ\u00f4mica anunciada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, mas tem a exata no\u00e7\u00e3o de que o resgate da credibilidade ainda est\u00e1 muito longe. 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