{"id":103,"date":"2015-05-09T00:10:00","date_gmt":"2015-05-09T03:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/acredite_se_quiser\/"},"modified":"2015-05-09T00:10:00","modified_gmt":"2015-05-09T03:10:00","slug":"acredite_se_quiser","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/acredite_se_quiser\/","title":{"rendered":"ACREDITE SE QUISER"},"content":{"rendered":"\n<p>Assessores muito pr\u00f3ximos da presidente Dilma Rousseff vibraram com os resultados da infla\u00e7\u00e3o de abril, de 0,71%. A despeito de, no acumulado de 12 meses, o custo de vida ter atingido 8,17%, o maior n\u00edvel em 11 anos, o discurso foi o de que o pior da carestia est\u00e1 ficando para tr\u00e1s. A tend\u00eancia, dizem, \u00e9 de que, m\u00eas a m\u00eas, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) v\u00e1 cedendo, consolidando a vis\u00e3o disseminada pelo Banco Central de que, ao fim de 2016, pela primeira vez, desde que Dilma tomou posse, em 2011, o custo de vida ficar\u00e1 no centro da meta, de 4,5%. <\/p>\n<p>Dentro do governo, a vis\u00e3o positiva sobre a infla\u00e7\u00e3o vem acompanhada da perspectiva de retomada do crescimento econ\u00f4mico. Assessores de Dilma recorrem a todo tipo de argumento para assegurar que o pa\u00eds sair\u00e1 mais r\u00e1pido do atoleiro do que o mercado financeiro acredita. Ressaltam que o al\u00edvio na carestia far\u00e1 com que as fam\u00edlias voltem a consumir. Destacam que a perspectiva de infla\u00e7\u00e3o na meta levar\u00e1 os empres\u00e1rios a desengavetarem investimentos. Enfatizam que a combina\u00e7\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o menor com a aprova\u00e7\u00e3o do ajuste fiscal no Congresso reverter\u00e1 a paralisia que est\u00e1 travando os neg\u00f3cios. <\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o discurso do governo \u00e9 bonito. Mas, diante do estrago que Dilma fez na economia e da fragilidade pol\u00edtica que ela enfrenta, a ponto de temer sair \u00e0s ruas para n\u00e3o ser vaiada, falar em recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica neste momento \u00e9, no m\u00ednimo, precipitado. Antes de melhorar, a economia vai piorar muito, com disparada do desemprego, aumento do calote e desconfian\u00e7a generalizada dos consumidores. N\u00e3o ser\u00e1 a desacelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o que far\u00e1 o filme de terror que estamos assistindo se transformar em uma obra recheada de boas not\u00edcias. <\/p>\n<p>Tudo no Brasil continua muito errado. N\u00e3o h\u00e1 um plano claro de governo. O que se est\u00e1 fazendo em termos de ajuste fiscal s\u00e3o paliativos. Como bem ressaltou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas levar\u00e1 pelo menos cinco anos. Com isso, a capacidade de investimentos da Uni\u00e3o estar\u00e1 limitada. Sozinho, o setor privado, que sofre com a recess\u00e3o, n\u00e3o ser\u00e1 capaz de tocar as obras que poderiam dar novo dinamismo \u00e0 atividade. Muitos empres\u00e1rios dizem que o momento n\u00e3o \u00e9 de ampliar a produ\u00e7\u00e3o, mas de enxugar custos para sobreviv\u00eancia. <\/p>\n<p>A ind\u00fastria sofre com a falta de competitividade. O real continua valorizado, reduzindo a for\u00e7a das exporta\u00e7\u00f5es. O custo unit\u00e1rio do sal\u00e1rio tamb\u00e9m se mant\u00e9m elevado. A produtividade est\u00e1 no ch\u00e3o. Os juros, capitaneados pelo Banco Central, nas alturas. Tudo est\u00e1 jogando contra a recupera\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB). O consolo \u00e9 que, n\u00e3o fosse o ajuste fiscal que Levy est\u00e1 tentando tocar, a economia brasileira teria neste ano encolhimento de ao menos 4%. O tombo deve ficar entre 1% e 1,5%. Em 2016, quando o governo vislumbra tempos melhores, o avan\u00e7o da atividade tende a se situar entre zero e 0,5%. Ou seja, na soma dos dois anos, o saldo ainda ser\u00e1 bastante negativo. <\/p>\n<p>Em termos de contra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, a situa\u00e7\u00e3o vivida pelo Brasil hoje \u00e9 semelhante \u00e0 que se viu nos Estados Unidos entre 2008 e 2009, logo depois do estouro da bolha imobili\u00e1ria. A grande diferen\u00e7a \u00e9 que os norte-americanos puderam dar est\u00edmulos \u00e0 atividade. Com a infla\u00e7\u00e3o baixa, o Federal Reserve (Fed), o BC dos EUA, jogou as taxas de juros para pr\u00f3ximo de zero. Al\u00e9m disso, injetou trilh\u00f5es de d\u00f3lares na economia a fim de estimular o consumo. <\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 de m\u00e3os atadas. A infla\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m, persistentemente, acima de 8%, obrigando o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) a pesar a m\u00e3o sobre a taxa b\u00e1sica (Selic), a ponto de os analistas j\u00e1 falarem em juros de 14% ao ano \u2014 est\u00e3o em 13,25%. O caixa do Tesouro Nacional est\u00e1 destru\u00eddo. N\u00e3o h\u00e1 confian\u00e7a na presidente Dilma. Por mais que ela tenha terceirizado a administra\u00e7\u00e3o \u2014 na pol\u00edtica, o comando est\u00e1 com o vice-presidente Michel Temer; na economia, com Levy \u2014, os agentes econ\u00f4micos temem retrocessos. <\/p>\n<p>Pode ser que o BC de Alexandre Tombini finalmente cumpra a promessa de levar a infla\u00e7\u00e3o para o centro da meta ao fim do ano que vem. Ser\u00e1 motivo de regozijo pela popula\u00e7\u00e3o, sobretudo a mais pobre, que j\u00e1 enfrenta dificuldades para levar comida \u00e0 mesa. Mas dizer que o sucesso da autoridade monet\u00e1ria \u00e9 o passaporte para um futuro promissor requer muita boa vontade. Nem mesmo no pa\u00eds de fic\u00e7\u00e3o que o PT apresenta em seus programas eleitorais isso seria poss\u00edvel. <\/p>\n<p><b>Varejo no vermelho<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Para se ter ideia de como a recupera\u00e7\u00e3o da economia est\u00e1 distante, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgar\u00e1, na pr\u00f3xima quinta-feira, o resultado do varejo. A proje\u00e7\u00e3o do Banco Santander \u00e9 de queda de 0,5% em mar\u00e7o e de 1% no primeiro trimestre. <\/p>\n<p><b>Atividade retra\u00edda<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Na sexta-feira, ser\u00e1 a vez de o Banco Central ratificar o p\u00e9ssimo desempenho da atividade. Se os economistas estiverem corretos, o IBC-Br, \u00edndice que funciona como uma pr\u00e9via do PIB, dever\u00e1 apontar contra\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima de 0,4% em mar\u00e7o e de 0,5% nos primeiros tr\u00eas meses do ano. <\/p>\n<p><b>Desconectados do mundo<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Funcion\u00e1rios do BC est\u00e3o indignados com os cortes de gastos promovidos pela institui\u00e7\u00e3o para se adequar ao ajuste fiscal. Impress\u00f5es, s\u00f3 com c\u00f3digo de autoriza\u00e7\u00e3o. A internet funciona apenas durante 20 minutos, em dois per\u00edodos do dia. Para os t\u00e9cnicos, se o limite de impress\u00f5es traz certa racionalidade, a restri\u00e7\u00e3o ao uso da internet atrapalha muito, pois os deixa isolados do mundo na maior parte do dia. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h01min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assessores muito pr\u00f3ximos da presidente Dilma Rousseff vibraram com os resultados da infla\u00e7\u00e3o de abril, de 0,71%. 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