{"id":1059,"date":"2016-05-21T06:28:18","date_gmt":"2016-05-21T09:28:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1059"},"modified":"2016-05-21T10:30:51","modified_gmt":"2016-05-21T13:30:51","slug":"filme-de-horror","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/filme-de-horror\/","title":{"rendered":"Filme de horror"},"content":{"rendered":"<p>Que o Or\u00e7amento da Uni\u00e3o sempre foi considerado uma obra de fic\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m. Mas, na gest\u00e3o da presidente afastada, Dilma Rousseff, todos os limites do bom senso foram superados. O rombo estimado para o governo federal de R$ 170,5 bilh\u00f5es neste ano representa quase o dobro do buraco previsto pela equipe do ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa, que foi escalado pela petista para rebater os novos n\u00fameros. Vai dizer o qu\u00ea? Se prevalecer a verdade, ele ter\u00e1 que assumir que, ao calcular a meta fiscal, com estimativa de deficit de R$ 96,6 bilh\u00f5es, tentou camuflar a realidade, ou seja, enganar a popula\u00e7\u00e3o, como foi feito na campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o de 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas \u00e9 de descalabro, como diz o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e pode ficar ainda pior se o Tesouro tiver de arcar com d\u00edvidas entre R$ 9 bilh\u00f5es e R$ 40 bilh\u00f5es da quebrada Eletrobras. Isso comprova que a administra\u00e7\u00e3o de Dilma n\u00e3o economizou nos truques cont\u00e1beis, que pedalou sem d\u00f3 as despesas, que gastou o que n\u00e3o podia, que deu calote sem constrangimento e que sustentou privil\u00e9gios a grupos espec\u00edficos movidos pela corrup\u00e7\u00e3o. Agora, para corrigir tudo isso, o pa\u00eds ter\u00e1 que fazer um esfor\u00e7o monstruoso. N\u00e3o haver\u00e1 sa\u00edda f\u00e1cil. Mas, como sempre acontece, a maior parcela da fatura recair\u00e1 sobre os mais pobres, que n\u00e3o t\u00eam como se proteger dos desarranjos da economia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na verdade, a destrui\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as do pa\u00eds j\u00e1 tem punido a popula\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio de 2015, quando caiu a m\u00e1scara da gest\u00e3o desastrosa de Dilma. A gastan\u00e7a desenfreada provocou a disparada da infla\u00e7\u00e3o, que se mant\u00e9m resistente, mesmo com os juros nas alturas \u2014 o IPCA-15 de maio, de 0,86%, foi o mais elevado para o m\u00eas desde 1996. O desemprego praticamente dobrou e bate recorde em todas as regi\u00f5es do Brasil, sendo que, no Nordeste, reduto eleitoral do PT, o quadro \u00e9 dram\u00e1tico. H\u00e1 previs\u00f5es de que os 11,1 milh\u00f5es de desempregados de hoje no pa\u00eds se transformem em 14 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Arte de se superar<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar do espanto que o rombo projetado pelo atual governo provoca, pelo tamanho, era mais que esperado. Dilma sempre gosta de se superar para pior. Foi assim com o Produto Interno Bruto (PIB). Quando ela assumiu, em 2011, o pa\u00eds crescia a um ritmo de 7%. No ano passado, houve queda de 3,8% e, em 2016, o tombo pode chegar aos 4%. Desde 1930 e 1931, n\u00e3o se via dois anos seguidos de retra\u00e7\u00e3o da atividade. A infla\u00e7\u00e3o de 10,67% em 2015 foi a maior em 12 anos. E mais: o Brasil n\u00e3o convive com uma taxa b\u00e1sica de juros (Selic), de 14,25% ao ano, desde 2006. Nas contas p\u00fablicas, o buraco saltou de R$ 32,5 bilh\u00f5es em 2014, para R$ 111 bilh\u00f5es no ano seguinte, e, agora, alcan\u00e7ar\u00e1 R$ 170,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 ou n\u00e3o \u00e9 o retrato do desastre? O mais assustador, por\u00e9m, \u00e9 saber que n\u00e3o veremos a sa\u00edda dos escombros t\u00e3o cedo. Para Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas Asset Management, se tudo der certo na pol\u00edtica econ\u00f4mica que ser\u00e1 tocada por Meirelles, ainda veremos deficit p\u00fablico em 2017. O crescimento da economia, acredita ele, ser\u00e1 de modesto 0,6%, com vi\u00e9s de baixa, e o desemprego continuar\u00e1 aumentando. \u201cO governo Dilma escondeu demais o jogo. Mentiu na pe\u00e7a de fic\u00e7\u00e3o que \u00e9 o Or\u00e7amento. Aumentou gastos no apagar das luzes, superdimensionou receitas. N\u00e3o tinha como dar certo\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Chermont destaca que o rombo de R$ 170,5 bilh\u00f5es, equivalente a 2,75% do PIB, representa apenas uma pequena parcela do buraco nas finan\u00e7as do governo. Quando inclu\u00eddos os gastos com juros, o deficit nominal chega nos 10% do PIB. N\u00e3o h\u00e1 pa\u00eds emergente com um resultado t\u00e3o ruim. Esses n\u00fameros ajudam a entender porque a d\u00edvida p\u00fablica pulou de 52% para 67% do PIB desde que Dilma chegou ao Pal\u00e1cio do Planalto. Pelas estimativas de especialistas, se o governo n\u00e3o conseguir conter a gastan\u00e7a, o endividamento pode atingir o correspondente a 80% das riquezas produzidas pelo pa\u00eds at\u00e9 o fim do ano que vem. \u00c9 por isso que o Brasil perdeu a chancela de bom pagador pelas ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Risco da politicagem<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meirelles fala que o rombo de R$ 170,5 bilh\u00f5es \u00e9 realista e consistente com a realidade do pa\u00eds. N\u00e3o apresentou, por\u00e9m, medidas concretas para revert\u00ea-lo ao longo do tempo. Dada a situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para paliativos. Ou a administra\u00e7\u00e3o de Michel Temer encara de vez o problema, sem politicagem, ou poder\u00e1 pegar o chap\u00e9u e sair de cena rapidinho. O que o Brasil precisa neste momento \u00e9 de um governo capaz, despreocupado com elei\u00e7\u00f5es e com for\u00e7a suficiente para convencer o Congresso da import\u00e2ncia de aprovar projetos que v\u00e3o mexer com interesses e reverter privil\u00e9gios arraigados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2014, a maioria da popula\u00e7\u00e3o decidiu dar mais um mandato a Dilma, a despeito de todas as evid\u00eancias de que ela estava quebrando o pa\u00eds. O processo de impeachment aberto pelo Senado pode apear de vez a petista do poder. Mas n\u00e3o encurtar\u00e1 o sofrimento da popula\u00e7\u00e3o, a quem caber\u00e1 arcar com mais impostos e adiar o tempo da aposentadoria. Escolhas erradas fazem parte da vida. O que n\u00e3o pode \u00e9 insistir no erro, justamente o que fez Dilma, mesmo tendo sido alertada sobre o caminho perigoso para o qual ela estava levando o Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO que vimos nos \u00faltimos anos no governo foi um laborat\u00f3rio no qual se realizaram experi\u00eancias terr\u00edveis. Mesmo com tudo de ruim que se produzia, as apostas eram dobradas\u201d, afirma Ivo Chermont. Portanto, avisa ele, neste momento, apenas o di\u00e1logo n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para resgatar a economia e o pa\u00eds. Ser\u00e1 preciso cortar na carne. Governo, empresas e fam\u00edlias podem se preparar para um per\u00edodo dif\u00edcil antes de o horizonte se abrir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h30min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que o Or\u00e7amento da Uni\u00e3o sempre foi considerado uma obra de fic\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m. 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