{"id":1080,"date":"2016-05-22T15:28:17","date_gmt":"2016-05-22T18:28:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1080"},"modified":"2016-05-23T14:30:05","modified_gmt":"2016-05-23T17:30:05","slug":"luz-se-abre-no-horizonte-e-pib-pode-crescer-ate-21-em-2017%e2%80%8f","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/luz-se-abre-no-horizonte-e-pib-pode-crescer-ate-21-em-2017%e2%80%8f\/","title":{"rendered":"Luz se abre no horizonte e PIB pode crescer at\u00e9 2,1% em 2017\u200f"},"content":{"rendered":"<p>POR PAULO SILVA PINTO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Num pa\u00eds destro\u00e7ado pela recess\u00e3o e pelo desemprego, qualquer sinal de poss\u00edvel melhora faz a diferen\u00e7a. E a simples troca da equipe econ\u00f4mica pelo presidente interino, Michel Temer, abriu uma faixa de luz num horizonte turbulento. N\u00e3o por acaso, v\u00e1rios analistas de mercado j\u00e1 veem crescimento levemente maior do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017. Tudo s\u00e3o proje\u00e7\u00f5es, mas que funcionam como est\u00edmulo para um Brasil movido pelo pessimismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os economistas s\u00e3o enf\u00e1ticos. Para este ano, o quadro j\u00e1 est\u00e1 dado, independentemente do que a equipe chefiada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, venha a fazer. A contra\u00e7\u00e3o do PIB se manter\u00e1 at\u00e9 pelo menos o terceiro trimestre e as demiss\u00f5es infernizar\u00e3o a vida das fam\u00edlias. A travessia at\u00e9 2017 exigir\u00e1 paci\u00eancia e sangue-frio. Se o time de Temer n\u00e3o recorrer a estripulias, ser\u00e1 poss\u00edvel botar a cabe\u00e7a para fora do atoleiro e respirar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a parte mais aguda do problema pol\u00edtico foi superado, e que n\u00f3s podemos voltar a discutir a economia\u201d, avalia Evandro Buccini, economista-chefe da Rio Bravo Investimentos, que far\u00e1 a revis\u00e3o de seus n\u00fameros apenas no pr\u00f3ximo m\u00eas. \u201cO vi\u00e9s \u00e9 de alta para 2017\u201d. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, a disposi\u00e7\u00e3o do governo de fazer um ajuste fiscal consistente, assumindo um rombo maior nas contas p\u00fablicas, de R$ 170,5 bilh\u00f5es, d\u00e1 \u00e2nimo novo a empres\u00e1rios e investidores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o economista-chefe da Quantitas Asset Management, Ivo Chermont, a mudan\u00e7a de chave do pessimismo para otimismo, ainda que comedida, se deve, basicamente, ao an\u00fancio da equipe econ\u00f4mica. \u201cOs nomes anunciados s\u00e3o bons\u201d, frisa. Ele ressalta que o pequeno crescimento do pr\u00f3ximo ano, algo como 0,6%, ser\u00e1 proporcionado pela melhora da confian\u00e7a, em um ambiente que vai se aproveitar da uma base muito deprimida de compara\u00e7\u00e3o. Em 2015, o PIB tombou 3,8% e deve ter queda semelhante neste ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando empres\u00e1rios e consumidores acham que as coisas v\u00e3o melhorar, a tend\u00eancia \u00e9 de que se concretize, de fato, uma mudan\u00e7a positiva. Buccini reconhece, por\u00e9m, que h\u00e1 diverg\u00eancias consider\u00e1veis entre os colegas que j\u00e1 traduziram o otimismo para 2017 em n\u00fameros. A mudan\u00e7a mais radical foi a do Credit Suisse, que saiu de uma queda de 1% do PIB \u2014 seria a terceira consecutiva \u2014 para uma alta de 0,5% (veja quadro). A aposta do banco \u00e9 de melhora do tr\u00e2nsito pol\u00edtico do novo governo, o que permitir\u00e1 a aprova\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias que ajudem a governabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1, no mercado, ceticismo quanto \u00e0s chances de avan\u00e7o da reforma da Previd\u00eancia e de outras mudan\u00e7as estruturais. Mas se argumenta que seria de grande valor a aprova\u00e7\u00e3o de medidas mais corriqueiras, como a Desvincula\u00e7\u00e3o das Receitas da Uni\u00e3o (DRU), que permitiria realocar at\u00e9 30% dos recursos que hoje t\u00eam destina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria. Isso facilita o corte de despesas do Or\u00e7amento sem provocar o colapso de servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Banco Fibra tem a previs\u00e3o mais favor\u00e1vel entre as j\u00e1 divulgadas, de alta de 2,1% para o PIB em 2017, tendo sa\u00eddo de um incremento de 1%, que j\u00e1 estava acima da m\u00e9dia do mercado. O boletim Focus, do Banco Central, prev\u00ea alta m\u00e9dia de 0,5%. Na vis\u00e3o do economista-chefe do Fibra, Cristiano Oliveira, indicadores da ind\u00fastria, com\u00e9rcio e servi\u00e7os sugerem que os empres\u00e1rios acham que \u201co pior j\u00e1 passou\u201d, e se preparam para a retomada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Morgan Stanley elevou de 0,6% para 1,1% a proje\u00e7\u00e3o de crescimento no ano que vem. Para a institui\u00e7\u00e3o, em 2016, em vez de o PIB recuar 4,3%, cair\u00e1, agora, 3,8%, ficando em linha como a maior parte do mercado. A taxa b\u00e1sica de juros (Selic), por sua vez, baixar\u00e1 de 14,25% para 13,25% at\u00e9 o fim deste ano, com a \u201cmaior das pol\u00edticas econ\u00f4micas para os pr\u00f3ximos trimestres\u201d, na an\u00e1lise do economista-chefe da institui\u00e7\u00e3o Arthur Carvalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Limita\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Buccini, a volatilidade nas estimativas se deve \u00e0 diferen\u00e7a de peso que cada analista atribui ao endividamento das empresas e das pessoas. Ele acha que isso n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o alto quanto alguns imaginam, pelo hist\u00f3rico de alavancagem da maior parte das companhias. O economista admite, contudo, que \u00e9 dif\u00edcil ter uma no\u00e7\u00e3o n\u00edtida disso a partir dos dados dispon\u00edveis, limitados a empresas com a\u00e7\u00f5es negociadas em bolsa. Analistas de grandes bancos podem ter uma vis\u00e3o um pouco mais clara, a partir dos dados das carteiras de cr\u00e9ditos das pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do Bradesco, segundo maior banco privado, veio uma revis\u00e3o para cima do n\u00famero de 2017. Subiu pouco: apenas 0,2 ponto. Saiu de 1,3% de alta \u2014 uma das mais generosas entre as previs\u00f5es anteriores \u2014 para 1,5%. O economista-chefe da institui\u00e7\u00e3o, Octavio de Barros, atesta que a pesquisa mensal que a equipe realiza com 4 mil empresas demonstra que os pedidos em carteira pararam de se reduzir e que os estoques come\u00e7am a se contrair, o que indica a necessidade de produzir mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cautela<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, v\u00ea uma grande dist\u00e2ncia entre a melhora da situa\u00e7\u00e3o das empresas e a retomada dos investimentos produtivos, vitais para o salto do PIB. \u201cA capacidade ociosa ainda \u00e9 muito grande. A ind\u00fastria ainda vai religar m\u00e1quinas primeiro antes de ampliarem f\u00e1bricas\u201d, avisa. Na avalia\u00e7\u00e3o de Buccini, h\u00e1 um lado positivo nessa sobra de equipamentos, pr\u00e9dios e linhas de montagem: tudo j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1, pronto para elevar a produ\u00e7\u00e3o. Quando os empres\u00e1rios identificarem o momento de fazer isso, poder\u00e3o, rapidamente, intensificar a atividade. As empresas v\u00e3o lucrar mais e contratar trabalhadores para atender a novos pedidos, colocando a economia para funcionar em outro ritmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, destaca que o ambiente \u00e9 de grande cautela. \u201cAs pessoas e as empresas est\u00e3o muito machucadas. H\u00e1 endividamento, h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es de recupera\u00e7\u00e3o judicial. Mas, pelo menos, n\u00e3o h\u00e1 mais uma situa\u00e7\u00e3o em que o comando do governo n\u00e3o se convence da gravidade da crise\u201d, nota. Ela acha que os maiores riscos est\u00e3o na situa\u00e7\u00e3o fiscal. Neste ano, o deficit previsto pela equipe econ\u00f4mica cresceu 76,5%. Passou de R$ 96,6 bilh\u00f5es para R$ 170,5 bilh\u00f5es. Em rela\u00e7\u00e3o a 2017, a situa\u00e7\u00e3o real \u00e9 uma inc\u00f3gnita, diante das frustra\u00e7\u00f5es de receitas e de esqueletos que saem do arm\u00e1rio a cada dia na \u00e1rea das despesas. \u201cEssas surpresas podem tornar a situa\u00e7\u00e3o pior do que se espera em 2017, o que adiar\u00e1 a queda de juros e a recupera\u00e7\u00e3o\u201d, vaticina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Jos\u00e9 M\u00e1rcio, economista-chefe da Opus Investimentos e professor da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), o governo precisa cortar gastos com a Previd\u00eancia, o que depende de reformas estruturais, como a Previd\u00eancia, e reajustar sal\u00e1rios de funcion\u00e1rios p\u00fablicos abaixo da infla\u00e7\u00e3o. Ele lembra que esses dois itens s\u00e3o respons\u00e1veis por 70% das despesas n\u00e3o financeiras da Uni\u00e3o. \u201cSe Temer acha que vai conseguir fazer alguma coisa sem aprovar medidas impopulares, est\u00e1 enganado\u201d, diz. Buccini, da Rio Bravo, esperava maior for\u00e7a pol\u00edtica do governo na semana passada. Frustrou-se quando o Planalto se viu obrigado a escolher Andr\u00e9 Moura (PSC-SE) l\u00edder do governo na C\u00e2mara. \u201cMas talvez fosse ut\u00f3pico esperar que o PMDB tivesse for\u00e7a para resolver tudo\u201d, pondera.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Capacidade de produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embora o ceticismo quanto \u00e0 retomada da demanda ainda prevale\u00e7a nas f\u00e1bricas, h\u00e1 t\u00eanues sinais alentadores. Sondagem realizada pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria El\u00e9trica e Eletr\u00f4nica (Abinee) demonstra que 71% das empresas do setor suspenderam investimentos em aumento da capacidade produtiva at\u00e9 abril. Mas 7% ainda pretendem investir at\u00e9 dezembro. E 43% planejam ampliar a capacidade produtiva a partir de 2017. Outras 33%, de 2018 em diante. Ainda restam 17% que n\u00e3o t\u00eam inten\u00e7\u00e3o de investir nos pr\u00f3ximos anos, as mais preocupantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte de al\u00edvio (em %)<\/strong><br \/>\nBancos revisam para cima as proje\u00e7\u00f5es de crescimento para o PIB de 2017<\/p>\n<p><strong>Institui\u00e7\u00f5es\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Antes\u00a0\u00a0\u00a0 Agora<\/strong><br \/>\nBradesco\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 1,3\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0 1,5<br \/>\nBanco Fibra\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 1,0 \u00a0\u00a0 \u00a0 2,1<br \/>\nCredit Suisse\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0 -1,0 \u00a0 \u00a0 0,5<br \/>\nBank of America\u00a0 \u00a0 \u00a0 0,8\u00a0\u00a0\u00a0 1,5<br \/>\nMorgan Stanley\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 0,6\u00a0\u00a0\u00a0 1,1<\/p>\n<p><strong>Fontes:<\/strong> bancos<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 15h28min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR PAULO SILVA PINTO &nbsp; Num pa\u00eds destro\u00e7ado pela recess\u00e3o e pelo desemprego, qualquer sinal de poss\u00edvel melhora faz a diferen\u00e7a. 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