{"id":109,"date":"2015-06-16T00:01:00","date_gmt":"2015-06-16T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/ciranda_financeira\/"},"modified":"2015-06-16T00:01:00","modified_gmt":"2015-06-16T03:01:00","slug":"ciranda_financeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/ciranda_financeira\/","title":{"rendered":"CIRANDA FINANCEIRA"},"content":{"rendered":"\n<p>As altas taxas de juros est\u00e3o fazendo estragos no or\u00e7amento das fam\u00edlias \u2014 46,3% da renda mensal est\u00e3o comprometidos com d\u00edvidas \u2014, mas sendo motivo de comemora\u00e7\u00e3o por um seleto grupo de bancos e empresas. Com dinheiro de sobra no caixa, esse grupo est\u00e1 aplicando em t\u00edtulos p\u00fablicos que o Banco Central usa para retirar o excesso de recursos em circula\u00e7\u00e3o na economia. S\u00e3o opera\u00e7\u00f5es de curt\u00edssimo prazo, boa parte de apenas um dia. <\/p>\n<p>A quantia que est\u00e1 movimentando esse mercado operado pelo BC chegava, no fim de abril, a R$ 833,3 bilh\u00f5es, o equivalente a 26,3% do total da d\u00edvida p\u00fablica do governo federal. Em tempos de normalidade, o dinheiro deveria estar sendo usado para incrementar a economia. Os bancos, emprestando, e as empresas bancando os investimentos que o pa\u00eds tanto precisa para voltar a crescer. <\/p>\n<p>Como ressalta o economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-diretor da D\u00edvida P\u00fablica do BC, n\u00e3o h\u00e1 por que as empresas e os bancos se arriscarem, se o melhor neg\u00f3cio hoje \u00e9 operar com a autoridade monet\u00e1ria. O Banco Central paga juros expressivos, garante liquidez, uma vez que os t\u00edtulos podem ser devolvidos rapidamente, e o risco de perdas \u00e9 praticamente nulo. <\/p>\n<p>\u201cEstamos falando de juros reais (descontada a infla\u00e7\u00e3o), entre 6% e 8% ao ano. Com esse rendimento, n\u00e3o h\u00e1 como se falar em aumento dos investimentos\u201d, diz Thadeu. \u201cPor consequ\u00eancia, a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o cresce, e o consumo, encolhe. O resultado disso ser\u00e1 um longo processo de recess\u00e3o, no qual j\u00e1 estamos mergulhados\u201d, acrescenta. <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do ex-diretor do BC, n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de mudan\u00e7a t\u00e3o cedo, uma vez que a infla\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 elevada por um bom per\u00edodo e o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) j\u00e1 sinalizou que manter\u00e1 a m\u00e3o pesada sobre a taxa b\u00e1sica (Selic), que est\u00e1 em 13,75% ao ano e pode subir at\u00e9 14,5%, como prev\u00ea boa parte dos analistas privados. \u201cN\u00e3o por acaso, as perspectivas para o Produto Interno Bruto (PIB) s\u00f3 pioram\u201d, ressalta. <\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos de Thadeu, os juros reais de hoje s\u00f3 se assemelham aos observados em 2000, quando o Brasil ainda tentava reconstruir a credibilidade, depois de ter sido obrigado a abrir m\u00e3o do sistema de c\u00e2mbio fixo e adotar o regime de taxas flutuantes. Os juros reais nas alturas eram uma forma de conter a fuga de recursos do pa\u00eds. <\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, o que vemos hoje \u00e9 o Banco Central recorrendo a juros reais de quase 8% ao ano para recuperar a credibilidade que perdeu ao longo do tempo. O BC foi expansionista demais quando o pa\u00eds crescia e, agora, est\u00e1 sendo contracionista em excesso com a economia em recess\u00e3o\u201d, diz. A fatura disso ser\u00e1 composta por queda no PIB e desemprego elevado. <\/p>\n<p>O BC, com seu econom\u00eas pomposo, chama essas opera\u00e7\u00f5es de curt\u00edssimo prazo de compromissadas. Nos tempos de hiperinfla\u00e7\u00e3o, eram denominadas overnight ou ciranda financeira. Independentemente no nome, o que importa, na vis\u00e3o de Thadeu, \u00e9 que elas n\u00e3o combinam com o plano do governo de lan\u00e7ar um ambicioso programa de infraestrutura como forma de reativar a economia. <\/p>\n<p>O pacote de obras ainda \u00e9 uma promessa, com pouqu\u00edssimas regras definidas. Quase a metade dos projetos anunciados se mostra invi\u00e1vel. Quer dizer: com tanta incerteza, ningu\u00e9m abrir\u00e1 m\u00e3o de ganhar, sem nenhum risco, quase 8% acima da infla\u00e7\u00e3o por ano. <\/p>\n<p>Foi esse pa\u00eds das distor\u00e7\u00f5es que Dilma Rousseff criou nos \u00faltimos quatro anos. O pior \u00e9 imaginar que ela n\u00e3o conseguir\u00e1 mudar esse quadro no segundo mandato que lhe foi dado pelas urnas. O pa\u00eds campe\u00e3o dos juros altos vai prevalecer em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds do crescimento sustentado, do emprego e da renda. Pobre Brasil. <\/p>\n<p>GDF sofre derrota <\/p>\n<p>\u00bb O Governo do Distrito Federal, que enfrenta s\u00e9rias dificuldades financeiras, sofreu um baque na Justi\u00e7a. Servidores das \u00e1reas de gest\u00e3o, finan\u00e7as e contabilidade venceram uma longa batalha na Justi\u00e7a, que poder\u00e1 custar at\u00e9 R$ 2,9 bilh\u00f5es aos cofres da capital da Rep\u00fablica. <\/p>\n<p>Confisco de Collor <\/p>\n<p>\u00bb Em 1999, os servidores entraram com uma a\u00e7\u00e3o nos tribunais para cobrar o que chamavam de confisco nos sal\u00e1rios cometido pelo governo Collor de Mello, em 1990. Alegavam que deixaram de ter uma corre\u00e7\u00e3o de 84,32% nos rendimentos. O processo se arrastou, devido ao excesso de protela\u00e7\u00f5es por parte do GDF. <\/p>\n<p>Ganho de R$ 3,2 mi <\/p>\n<p>\u00bb O maior sinal de que o Governo do DF seria derrotado veio do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu as perdas provocadas pelo Plano Collor. Com isso, o juiz respons\u00e1vel pelo caso optou por dar ganho de causa aos servidores. S\u00e3o quase 900 pessoas, que, mantido o valor atual, receber\u00e3o, em m\u00e9dia, R$ 3,2 milh\u00f5es. <\/p>\n<p>Briga ser\u00e1 pesada <\/p>\n<p>\u00bb A Procuradoria do Distrito Federal reconhece a derrota do GDF, mas contesta os valores cobrados pelo funcionalismo. A expectativa \u00e9 de que o atual juiz do caso, que determinou o pagamento, sente com as partes envolvidas e defina um valor menor a ser pago. Os servidores prometem dificultar as negocia\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h01min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As altas taxas de juros est\u00e3o fazendo estragos no or\u00e7amento das fam\u00edlias \u2014 46,3% da renda mensal est\u00e3o comprometidos com d\u00edvidas \u2014, mas sendo motivo de comemora\u00e7\u00e3o por um seleto grupo de bancos e empresas. 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