{"id":1095,"date":"2016-05-23T15:19:00","date_gmt":"2016-05-23T18:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1095"},"modified":"2016-05-23T15:19:00","modified_gmt":"2016-05-23T18:19:00","slug":"demitidos-trabalhadores-proximos-dos-50-anos-cairam-na-informalidade-e-vao-sofrer-muito-com-reforma-da-previdencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/demitidos-trabalhadores-proximos-dos-50-anos-cairam-na-informalidade-e-vao-sofrer-muito-com-reforma-da-previdencia\/","title":{"rendered":"Demitidos, trabalhadores pr\u00f3ximos dos 50 anos ca\u00edram na informalidade e v\u00e3o sofrer com reforma da Previd\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>POR MARINELLA CASTRO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A reforma da Previd\u00eancia Social proposta pelo governo de Michel Temer ser\u00e1 um fardo para os trabalhadores que est\u00e3o na metade final do prazo para a aposentadoria. Estudos mostram que, nos \u00faltimos anos, mesmo quando o mercado de trabalho estava aquecido, as empresas optaram por demitir empregados entre 45 e 50 anos, que encontraram s\u00e9rias dificuldades para retornar \u00e0 ativa com carteira assinada. Muitos desses trabalhadores ca\u00edram a informalidade e perderam um tempo precioso na contagem de tempo para encerrar as carreiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA sociedade contempor\u00e2nea vive o fen\u00f4meno da fragiliza\u00e7\u00e3o da segunda metade da carreira. As empresas demitem cada vez mais funcion\u00e1rios com 45, 50 anos, que acabam se tornando empreendedores, consultores, trabalhadores precarizados de v\u00e1rias formas. A primeira provid\u00eancia que tomam, os de mais baixa renda, \u00e9 interromper a contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 Previd\u00eancia\u201d, diz Jorge Felix, especialista em economia da longevidade e pesquisador do tema na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para ele, \u00e9 importante que, ao propor mudan\u00e7as no sistema previdenci\u00e1rio, Temer leve em considera\u00e7\u00e3o a diversidade do mercado de trabalho. E isso se far\u00e1 por meio das regras de transi\u00e7\u00e3o. A meta do governo \u00e9 apresentar ao Congresso, ainda no in\u00edcio de junho, o projeto de reforma. A ideia \u00e9 fixar idade m\u00ednima para aposentadoria de 65 anos para homens e de 63 para as mulheres. Caso essa proposta seja rejeitada, a alternativa ser\u00e1 aprimorar o modelo em vigor, o 85\/95, que soma o tempo de contribui\u00e7\u00e3o com a idade. O piso come\u00e7aria em 90 anos para as mulheres e em 100 anos para os homens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O objetivo do governo \u00e9 estender em pelo menos 10 anos a idade m\u00e9dia dos aposentados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), hoje de 55 anos. Esse alongamento do prazo se tornou regra em todo o mundo, devido \u00e0 longevidade da popula\u00e7\u00e3o. O Brasil est\u00e1 atrasado nesse processo por causa da grande resist\u00eancia do Congresso, que considera o tema impopular, e das centrais sindicais. Mesmo os governos mais populares, como o de Lula, n\u00e3o quiseram comprar essa briga. O problema \u00e9 que, diante do r\u00e1pido envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e do desemprego, o rombo da Previd\u00eancia est\u00e1 dobrando a cada dois anos. Deve fechar 2016 em R$ 146 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Complemento<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Wilton Cant\u00e3o completou 57 anos esse ano e se aposentou no m\u00eas passado. Ele come\u00e7ou a trabalhar antes da maioridade, mas de contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 Previd\u00eancia foram cerca de 30 anos. Wilton se sente aliviado por ter escapado de uma poss\u00edvel mudan\u00e7a das regras e ter conseguido se aposentar como motorista de \u00f4nibus e caminh\u00f5es. \u201cO mercado de trabalho n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para quem tem mais de 45 anos, as empresas preferem os mais jovens. \u00c9 dif\u00edcil conseguir um emprego com carteira assinada quando se est\u00e1 mais velho\u201d, diz. O aposentado recebe cerca de R$ 1,3 mil por m\u00eas, mas considera que o benef\u00edcio n\u00e3o \u00e9 suficiente. Seu plano \u00e9 continuar a trabalhar por conta pr\u00f3pria na zona rural, cultivando hortali\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dados do IBGE mostram que um a cada quatro brasileiros que se aposentam continuam trabalhando para complementar a renda. Cerca de 20 milh\u00f5es de benefici\u00e1rios recebem um sal\u00e1rio m\u00ednimo Como os benef\u00edcios no Brasil s\u00e3o muito baixos, a aposentadoria tornou-se uma complementa\u00e7\u00e3o de renda. Especialista em mercado de trabalho, o professor Jo\u00e3o Bonomo, do Ibmec, afirma que, historicamente, as oportunidades para os idosos s\u00e3o restritas. Ele acredita que a reforma da Previd\u00eancia \u00e9 inevit\u00e1vel e que o mercado de trabalho se transforma a uma velocidade que nem todos conseguem acompanhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aos 48 anos, Rosa Seppe, professora da educa\u00e7\u00e3o especial, est\u00e1 pr\u00f3ximo de se aposentar, j\u00e1 que completou 28 anos de contribui\u00e7\u00e3o. Ela considera injusta uma regra que estenda a idade de trabalho para quem est\u00e1 prestes a ter acesso ao benef\u00edcio. \u201cAlguns setores absorvem a m\u00e3o de obra mais experientes, mas n\u00e3o s\u00e3o todos, a maioria prefere os mais jovens. O mercado de trabalho cobra muito e oferece pouco, \u00e9 a qualidade total sem condi\u00e7\u00f5es correspondentes de trabalho\u201d, critica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 15h18min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR MARINELLA CASTRO &nbsp; A reforma da Previd\u00eancia Social proposta pelo governo de Michel Temer ser\u00e1 um fardo para os trabalhadores que est\u00e3o na metade final do prazo para a aposentadoria. 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