{"id":1097,"date":"2016-05-23T17:01:23","date_gmt":"2016-05-23T20:01:23","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1097"},"modified":"2016-05-23T15:23:53","modified_gmt":"2016-05-23T18:23:53","slug":"com-dilma-no-poder-pib-cairia-49-neste-ano-diz-sergio-vale","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/com-dilma-no-poder-pib-cairia-49-neste-ano-diz-sergio-vale\/","title":{"rendered":"&#8220;Com Dilma no poder, PIB cairia 4,9% neste ano&#8221;, diz S\u00e9rgio Vale"},"content":{"rendered":"<p>POR ROSANA HESSEL<\/p>\n<p><em>O economista-chefe da MB Associados, S\u00e9rgio Vale, v\u00ea com bons olhos a nova equipe econ\u00f4mica e o governo do presidente interino, Michel Temer. Para ele, com o afastamento da presidente Dilma Rousseff, o Produto Interno Bruto (PIB) voltar\u00e1 a crescer no ano que vem, com a volta dos investimentos produtivos e a sinaliza\u00e7\u00e3o de um ajuste fiscal mais consistente. Na avalia\u00e7\u00e3o de Vale, se a petista continuasse no cargo, a situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas ficaria ainda pior, com a retra\u00e7\u00e3o da chegando a 4,9% neste ano e a 2,5% em 2017. <\/em><\/p>\n<p><em>\u201cA mudan\u00e7a de governo trouxe um al\u00edvio. Por isso, esperamos aumento no PIB de 2% ano que vem e n\u00e3o me surpreenderia se vier mais do que isso\u201d, afirma ele, antecipando uma revis\u00e3o das estimativas atuais, de avan\u00e7o de 0,6%. \u201cBasta pensar o que seria se a presidente Dilma n\u00e3o tivesse sa\u00eddo. A recess\u00e3o se estenderia at\u00e9 2018. Os n\u00fameros fiscais piorariam a ponto de a d\u00edvida p\u00fablica bruta poder chegar a 90% do PIB no come\u00e7o de 2019\u201d, avisa.<\/em><\/p>\n<p><em>Pelas contas do economista, o deficit prim\u00e1rio anunciado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de R$ 170,5 bilh\u00f5es neste ano, saltaria, com Dilma para R$ 300 bilh\u00f5es em 2017. O resultado seria mais desemprego, com o pa\u00eds mergulhando em uma profunda depress\u00e3o. Veja, a seguir, os principais pontos da entrevista de Vale ao <strong>Correio<\/strong>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel retomar o crescimento com o governo Temer?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o apenas \u00e9 poss\u00edvel, como \u00e9 altamente prov\u00e1vel. \u00c9 dif\u00edcil acreditar que seja poss\u00edvel repetir a recess\u00e3o que se estende desde 2014. O novo governo, mesmo n\u00e3o tendo apresentado nenhuma proposta concreta ao Congresso ainda, apresenta duas virtudes essenciais para quem quer sinalizar crescimento: transpar\u00eancia e compet\u00eancia, especialmente, no n\u00facleo mais desorganizado, a economia. A ideia de colocar \u00e0s claras todo o deficit p\u00fablico, explicitando os esqueletos deixados por Dilma Rousseff, mostra um governo que vai tentar seguir as regras minimamente. Mais ainda, as pessoas chaves na economia trazem tranquilidade, pois tendem a apresentar medidas que tenham p\u00e9 e cabe\u00e7a, diferente de antes. Por fim, agora, temos um presidente que n\u00e3o tentar\u00e1 ser senhor da raz\u00e3o sobre detalhes \u00ednfimos. Esses ganhos n\u00e3o s\u00e3o pequenos e tendem a desafogar a economia sem muita dificuldade. Vale lembrar o per\u00edodo Collor (1990-1992). Nos seis meses em que a crise foi mais aguda, a ind\u00fastria caiu em m\u00e9dia 11% a cada m\u00eas na compara\u00e7\u00e3o interanual. Dois meses depois, e at\u00e9 o final de 1993, a ind\u00fastria passou a se expandir, em m\u00e9dia, quase 11% a cada m\u00eas, apenas por efeito positivo das expectativas com a troca de governo. \u00c9 por isso que esperamos aumento no PIB de 2% no ano que vem e n\u00e3o me surpreenderei se vier mais do que isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando isso vai acontecer e de que forma? Qual ser\u00e1 a trajet\u00f3ria da d\u00edvida p\u00fablica?<\/strong><br \/>\nA volta do crescimento n\u00e3o \u00e9 para este ano. Alguma melhora nos dados de PIB, na margem, j\u00e1 pode acontecer no segundo semestre. Mas a recupera\u00e7\u00e3o efetiva s\u00f3 ocorrer\u00e1 em 2017, inclusive no mercado de trabalho, que ainda ter\u00e1 alta de desemprego em 2016. Da mesma forma, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel esperar revers\u00e3o forte dos n\u00fameros fiscais. Independentemente de qual ser\u00e1 o n\u00famero deste ano, se o governo sinalizar caminhar para zero de deficit no ano que vem, j\u00e1 est\u00e1 de bom tamanho. E talvez n\u00e3o seja t\u00e3o dif\u00edcil. Se, neste ano, o deficit do governo central (Tesouro Nacional, Previd\u00eancia Social e Banco Central) terminar em R$ 150 bilh\u00f5es (menor que a estimativa oficial de R$ 170,5 bilh\u00f5es), com os ajustes que ser\u00e3o feitos, para chegar a zero no ano que vem, precisar\u00edamos de queda real de gastos de 2,5% e aumento real de receita de 4,5%. Ou seja, nada imposs\u00edvel, especialmente, pela receita, que pode ter uma recupera\u00e7\u00e3o importante se houver crescimento da economia. A d\u00edvida p\u00fablica bruta dever\u00e1 bater, no ano que vem, em 80% do PIB, mas a tend\u00eancia seria muito pior se fosse feito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que falta para a confian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos voltar?<\/strong><br \/>\nBasta pensar o que seria se a presidente Dilma n\u00e3o tivesse sa\u00eddo. A recess\u00e3o se estenderia at\u00e9 2018, com queda de PIB no ano que vem de pelo menos 2,5%. Os n\u00fameros fiscais piorariam a ponto de a d\u00edvida p\u00fablica bruta chegar a 90% do PIB no come\u00e7o de 2019. O deficit prim\u00e1rio facilmente bateria em R$ 300 bilh\u00f5es ano que vem, considerando que, neste ano, chegaria em R$ 200 bilh\u00f5es. O risco fiscal pioraria o quadro de infla\u00e7\u00e3o, que se manteria acima do teto da meta (de 6,5%), e o d\u00f3lar bateria, facilmente, em R$ 5. Esse cen\u00e1rio catastr\u00f3fico alternativo \u00e9 o que precisa estar na cabe\u00e7a de todo mundo que poder\u00e1 come\u00e7ar a achar que crescer 2% no ano que vem \u00e9 pouco. Quando se percebe que tudo isso foi evitado, gradativamente, a volta \u00e0 normalidade resgatar\u00e1 a confian\u00e7a. Quando o governo Itamar Franco (que sucedeu Collor) surgiu, ningu\u00e9m o via como um l\u00edder carism\u00e1tico para tirar o pa\u00eds do caos. Mesmo assim, a queda de 0,5% de PIB em 1992 virou alta de quase 5% no ano seguinte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A nova equipe econ\u00f4mica tem nomes fortes, que foram bem aceitos pelo mercado. Mas s\u00f3 isso \u00e9 suficiente para a retomada?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 suficiente, mas \u00e9 mais do que necess\u00e1rio. Pensar pol\u00edticas econ\u00f4micas de qualidade dependem, inicialmente, de uma boa equipe. H\u00e1 muito tempo n\u00e3o t\u00ednhamos isso e, finalmente, os principais postos na \u00e1rea econ\u00f4mica est\u00e3o nas m\u00e3os de quem entende do que est\u00e1 falando. Mais ainda, \u00e9 uma equipe integrada, n\u00e3o \u00e9 como o falso triunvirato que se forjou em 2015 com a Fazenda, o Banco Central e o Planejamento. Naquela \u00e9poca, Joaquim Levy (ex-Fazenda) estava claramente sozinho e o triunvirato verdadeiro inclu\u00eda Dilma Rousseff. Desta vez, h\u00e1 um triunvirato com um presidente que coordena, que arbitra e n\u00e3o que quer decidir sobre o futuro de qualquer alfinete. Esse ganho n\u00e3o \u00e9 pequeno para um pa\u00eds em que o presidente tem poder alavancado com as medidas provis\u00f3rias. Sabendo fazer o trabalho com o Congresso com um m\u00ednimo de normalidade, pode-se conseguir muito, mesmo que n\u00e3o seja tudo que se deseja em termos de reformas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os principiais desafios do novo governo? O que \u00e9 preciso para enfrent\u00e1-los?<\/strong><br \/>\nA maior expectativa recair\u00e1 menos nas medidas em si, que ser\u00e3o de boa qualidade, mas na capacidade de aprov\u00e1-las no Congresso. Todo mundo estar\u00e1 de olho nas primeiras propostas e como e qu\u00e3o r\u00e1pido ser\u00e3o aprovadas. O grande papel de Temer n\u00e3o dever\u00e1 ser o de aprovar as reformas que desafiam o pa\u00eds h\u00e1 tanto tempo, como a da Previd\u00eancia, a tribut\u00e1ria e a trabalhista. Quem sabe, alguma coisa poder sair da\u00ed. O mandato dele ser\u00e1 o do evitar a amplia\u00e7\u00e3o do desastre, entregando a casa minimamente em ordem para quem entrar em 2019. N\u00e3o se pode, nem se deve, pedir mais do que isso. O trabalho de destrui\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos anos n\u00e3o permite avan\u00e7os muito mais significativos do que apagar o grande inc\u00eandio que a presidente Dilma proporcionou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 17h01min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR ROSANA HESSEL O economista-chefe da MB Associados, S\u00e9rgio Vale, v\u00ea com bons olhos a nova equipe econ\u00f4mica e o governo do presidente interino, Michel Temer. 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