{"id":1113,"date":"2016-05-25T06:10:10","date_gmt":"2016-05-25T09:10:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1113"},"modified":"2016-05-25T08:10:09","modified_gmt":"2016-05-25T11:10:09","slug":"temer-vetou-parte-das-medidas-economicas-para-evitar-desgaste-maior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/temer-vetou-parte-das-medidas-economicas-para-evitar-desgaste-maior\/","title":{"rendered":"Temer vetou parte das medidas econ\u00f4micas para evitar desgaste maior"},"content":{"rendered":"<p>Se dependesse da equipe econ\u00f4mica, o pacote anunciado ontem pelo presidente interino, Michel Temer, teria sido muito mais duro. Em negocia\u00e7\u00e3o com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o chefe do Executivo mandou retirar v\u00e1rias das propostas preparadas pelos t\u00e9cnicos, alegando que n\u00e3o havia clima pol\u00edtico para lev\u00e1-las adiante. Estavam no projeto inicial aumento de impostos e reajuste real zero para o funcionalismo p\u00fablico. Temer preferiu n\u00e3o comprar brigas e queimar todo o capital pol\u00edtico neste momento. Alegou que as medidas anunciadas agora s\u00e3o suficientes para resgatar a confian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos e viabiliz\u00e1-las no Legislativo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No diagn\u00f3stico apresentado pelos t\u00e9cnicos, ficou claro que o pa\u00eds est\u00e1 quebrado. As contas n\u00e3o fecham. Seria preciso um arrocho muito duro para que, num prazo de dois anos, o pa\u00eds voltasse a registrar superavit prim\u00e1rio. A aposta, agora, \u00e9 de que, com o pacote que est\u00e1 na rua e depende quase que exclusivamente do Congresso, a perspectiva de retomada do crescimento se coloque no horizonte, ajudando a recuperar as receitas. Isso afastaria a mais desgastante das propostas: o aumento da carga tribut\u00e1ria. Caso a recupera\u00e7\u00e3o se mostre mais demorada que o desejado, a\u00ed, sim, a alta de imposto passar\u00e1 a ser op\u00e7\u00e3o quase que inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temer e Meirelles sabem que n\u00e3o podem falhar. E n\u00e3o esconderam a frustra\u00e7\u00e3o com parte do mercado, que viu com ceticismo as medidas que limitam gastos \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior. Os investidores reclamaram, sobretudo, da falta de detalhamento do que foi anunciado. Para t\u00e9cnicos do governo, ser\u00e1 preciso gastar muita saliva a fim de dar a dimens\u00e3o exata do impacto de se impor um teto para as despesas. Alegam que se trata de uma decis\u00e3o muito agressiva. Nos \u00faltimos 17 anos, em apenas tr\u00eas as despesas do governo n\u00e3o cresceram mais que o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA). Como gostam de usar o econom\u00eas, chamam a medida de nominalismo, isto \u00e9, corre\u00e7\u00e3o apenas pela infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>For\u00e7a de Meirelles<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A despeito das ressalvas dos investidores, todos t\u00eam a exata no\u00e7\u00e3o de que Temer entregou seu mandato, ainda provis\u00f3rio, nas m\u00e3os de Meirelles. O presidente interino precisa que a economia responda ao pacote para reduzir sua desaprova\u00e7\u00e3o popular rapidamente. Os n\u00fameros que o Planalto tem em m\u00e3os ainda apontam para uma atividade despencando, com o desemprego fazendo estragos nas fam\u00edlias. A torcida \u00e9 para que, com algumas das medidas aprovadas pelo Congresso, j\u00e1 em agosto ou setembro, a economia comece a reagir, estancando a sangria da arrecada\u00e7\u00e3o e reduzindo o total de demiss\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temer n\u00e3o tem escapat\u00f3ria. A sa\u00edda de Romero Juc\u00e1 do Minist\u00e9rio do Planejamento sob suspeita de tentar melar a Lava-Jato abriu um flanco desnecess\u00e1rio e deu for\u00e7a aos que defendem a volta de Dilma Rousseff ao poder. O presidente interino ficou incomodado com isso. Analistas dizem que at\u00e9 a queda de Juc\u00e1, eram remotas as chances de a petista voltar ao poder. Agora, a probabilidade passou a ser de 10%, baixa, mas perigosa, sobretudo se o governo n\u00e3o conseguir avan\u00e7ar com as medidas que prometem reverter o descalabro fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meirelles se encarregou que sair a campo para defender o pacote. Est\u00e1 se municiando de todos os n\u00fameros para desmontar teses de que o fracasso est\u00e1 no horizonte. O ministro n\u00e3o admite a possibilidade de repetir a trajet\u00f3ria de Joaquim Levy, que chegou \u00e0 Fazenda com todas as pompas e saiu pelas portas dos fundos. Foi defenestrado dentro do governo e tratado com desd\u00e9m no Congresso. A assessores, Meirelles tem cobrado empenho para que tudo o que for apresentado tenha consist\u00eancia, n\u00e3o seja visto como bravata. Disso, o pa\u00eds est\u00e1 cheio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Barreiras \u00e0 vista<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que o governo mais teme \u00e9 que aspectos jur\u00eddicos acabem embarreirando propostas importantes, como a devolu\u00e7\u00e3o de R$ 100 bilh\u00f5es ao Tesouro Nacional pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES). Um dos criadores da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), Jos\u00e9 Roberto Afonso diz que h\u00e1 pareceres do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) contr\u00e1rios \u00e0 opera\u00e7\u00e3o. A Fazenda alega que tudo est\u00e1 nos conformes e que o banco n\u00e3o ter\u00e1 problema para fazer caixa, pois poder\u00e1 vender todo tipo de t\u00edtulos que tem em carteira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, d\u00favidas n\u00e3o faltam. Por isso, quanto mais transpar\u00eancia o governo der \u00e0s medidas e \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es com o Congresso, mais consistente ser\u00e1 o pacote e mais r\u00e1pido vir\u00e1 a confian\u00e7a. Investidores s\u00e3o bichos ariscos, sempre veem o diabo nos detalhes. Ficaram ainda mais arredios depois de tantas promessas n\u00e3o cumpridas de Dilma. V\u00e1rios deles alegam que a presen\u00e7a de Meirelles na Fazenda \u00e9 uma garantia de que n\u00e3o haver\u00e1 estripulias na pol\u00edtica econ\u00f4mica. Mas, sozinho, o ministro da Fazenda n\u00e3o far\u00e1 milagre. Precisar\u00e1 de um bom empurr\u00e3o da pol\u00edtica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os investidores torcem para que o pacote de ajuste fiscal d\u00ea resultados logo para que o Banco Central possa \u201ccomprar\u201d a proposta de redu\u00e7\u00e3o do deficit p\u00fablico. A partir do momento em que houver uma clara dire\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica de gastos p\u00fablicos, a autoridade monet\u00e1ria poder\u00e1 come\u00e7ar a reduzir a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 14,25% ao ano desde o ano passado. A redu\u00e7\u00e3o do custo do dinheiro \u00e9 a m\u00fasica que os agentes econ\u00f4micos mais querem ouvir. Mas isso precisar\u00e1 ser muito bem combinado com o futuro presidente do BC, Ilan Goldfajn. Ele n\u00e3o est\u00e1 disposto a manchar sua biografia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 06h10min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se dependesse da equipe econ\u00f4mica, o pacote anunciado ontem pelo presidente interino, Michel Temer, teria sido muito mais duro. Em negocia\u00e7\u00e3o com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o chefe do Executivo mandou retirar v\u00e1rias das propostas preparadas pelos t\u00e9cnicos, alegando que n\u00e3o havia clima pol\u00edtico para lev\u00e1-las adiante. 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