{"id":112,"date":"2015-06-19T08:42:00","date_gmt":"2015-06-19T11:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/manobra_na_meta\/"},"modified":"2015-06-19T08:42:00","modified_gmt":"2015-06-19T11:42:00","slug":"manobra_na_meta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/manobra_na_meta\/","title":{"rendered":"MANOBRA NA META"},"content":{"rendered":"\n<p>O Banco Central n\u00e3o esconde o desconforto com um movimento identificado dentro do governo e no mercado financeiro para que o Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN) mude a meta de infla\u00e7\u00e3o de 2016 e defina um n\u00famero menor que 4,5% para 2017. Esse movimento ganhou for\u00e7a nos \u00faltimos dias, diante da proximidade da reuni\u00e3o do CMN, marcada para a pr\u00f3xima quinta-feira. <\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os rumores espalhados pelas mesas de opera\u00e7\u00f5es de bancos e corretoras, com n\u00fameros para todos os gostos. O mais forte deles aponta para uma meta ajustada de 5% ou 5,5% no ano que vem, ante os 4,5% atuais, o que livraria o BC de pesar ainda mais a m\u00e3o sobre a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 13,75% anuais. A justificativa \u00e9 a de que derrubar a infla\u00e7\u00e3o deste ano, de quase 9%, \u00e0 metade em 2016 exigir\u00e1 um arrocho monet\u00e1rio enorme. A Selic teria que chegar a 16% ao ano. <\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o, dizem os que defendem essa tese, o CMN definiria, para 2017, uma meta menor, de 4% ou 4,25%, como forma de refor\u00e7ar, junto aos agentes econ\u00f4micos, o compromisso do governo de derrubar a carestia. Da\u00ed por diante, o movimento de redu\u00e7\u00e3o da meta de infla\u00e7\u00e3o seria cont\u00ednuo, para que, ao longo do tempo, atingisse 3%, n\u00edvel no qual se estabilizaria. Esse \u00edndice \u00e9 pr\u00f3ximo ao observado em boa parte dos pa\u00edses emergentes. <\/p>\n<p>Para t\u00e9cnicos do BC, reduzir a meta a ser perseguida pela autoridade monet\u00e1ria \u00e9 um sonho antigo. Isso foi tentado na gest\u00e3o de Henrique Meirelles \u00e0 frente da institui\u00e7\u00e3o e, logo que tomou posse, Alexandre Tombini destacou a import\u00e2ncia de o pa\u00eds ter infla\u00e7\u00e3o mais condizente com a observada no mundo desenvolvido. Mas o tema nunca avan\u00e7ou por resist\u00eancia da presidente Dilma Rousseff. Na vis\u00e3o dela, uma meta muito baixa exigiria juros altos demais e, por consequ\u00eancia, crescimento med\u00edocre \u2014 vis\u00e3o equivocada, ressalte-se. <\/p>\n<p>Infelizmente, destacam t\u00e9cnicos do BC, esse n\u00e3o \u00e9 o momento para se falar em mudan\u00e7a de meta inflacion\u00e1ria, sobretudo para 2016. Elevar o objetivo perseguido pela autoridade monet\u00e1ria, mesmo que de 4,5% para 5%, indicaria um sinal totalmente diferente do que vem pregando Tombini e subordinados. Com a credibilidade em baixa, a institui\u00e7\u00e3o tem insistido que levar\u00e1 o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) para o centro da meta at\u00e9 o fim de 2016. E far\u00e1 o que for necess\u00e1rio para que n\u00e3o haja frustra\u00e7\u00e3o nessa empreitada. <\/p>\n<p>Dentro do governo, a defesa de uma meta inflacion\u00e1ria maior para 2016 \u00e9 vis\u00edvel entre os integrantes pol\u00edticos, que n\u00e3o escondem a apreens\u00e3o com os rumos da economia. O discurso \u00e9 o de que as medidas adotadas para arrumar a casa foram fortes demais, seja na \u00e1rea fiscal, seja na monet\u00e1ria. O Produto Interno Bruto (PIB), em vez de mostrar rea\u00e7\u00e3o, encolheu assustadoramente, e o desemprego n\u00e3o para de crescer. O melhor, portanto, seria dar um al\u00edvio moment\u00e2neo para que o BC parasse de subir os juros. <\/p>\n<p>Os t\u00e9cnicos que recha\u00e7am tais argumentos dizem que foi justamente a leni\u00eancia com a infla\u00e7\u00e3o, o discurso de que um pouquinho mais de carestia n\u00e3o faria mal a ningu\u00e9m, a raz\u00e3o principal de o pa\u00eds estar mergulhado hoje na recess\u00e3o. No primeiro mandato, Dilma seguiu piamente essa receita, sem que ningu\u00e9m lhe botasse os p\u00e9s no ch\u00e3o. Chegou ao ponto de obrigar o BC a reduzir os juros para 7,25% ao ano, os menores da hist\u00f3ria, mesmo com o custo de vida apontando para cima. Resultado: a confian\u00e7a de empres\u00e1rios e consumidores desabou. <\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1, portanto, com manobras na meta inflacion\u00e1ria para que o BC suba menos os juros, que o governo voltar\u00e1 a estimular a economia. Pelo contr\u00e1rio. A confian\u00e7a que j\u00e1 est\u00e1 baixa ficar\u00e1 ainda menor. Est\u00e1 provado que recorrer a expedientes suspeitos n\u00e3o funciona. S\u00f3 traz preju\u00edzos. As pedaladas fiscais que o digam. As manobras nas contas p\u00fablicas podem levar o pa\u00eds a um novo rebaixamento, agora pela ag\u00eancia Moody\u2019s, e, se o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o n\u00e3o recuar, haver\u00e1 uma puni\u00e7\u00e3o in\u00e9dita ao governo. <\/p>\n<p>N\u00e3o custa lembrar que o CMN \u00e9 composto pelo presidente do BC e pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa. At\u00e9 agora, os tr\u00eas t\u00eam dado claras demonstra\u00e7\u00f5es de que est\u00e3o empenhados em tocar a pol\u00edtica econ\u00f4mica corretamente, sem truques. Tomara que n\u00e3o caiam no canto da sereia, pois, se a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ruim agora, ficar\u00e1 ainda pior. <\/p>\n<p><b>Primeiro teste<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb O Pal\u00e1cio do Planalto considerou positiva a rea\u00e7\u00e3o ao novo modelo de aposentadoria apresentado ontem. A aposta \u00e9 de que o Congresso n\u00e3o criar\u00e1 problemas para a aprova\u00e7\u00e3o da Medida Provis\u00f3ria 676. <\/p>\n<p><b>Muito por fazer<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Para o mercado financeiro, o governo evitou o pior, o fim do fator previdenci\u00e1rio. Mas ser\u00e1 preciso fazer muito mais para que a Previd\u00eancia Social reduza o peso no rombo das contas p\u00fablicas. <\/p>\n<p><b>Muita calma<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Os investidores estrangeiros est\u00e3o, aos poucos, reduzindo o pessimismo com o Brasil. Mas isso est\u00e1 longe de dizer que v\u00e3o retomar, com for\u00e7a, o fluxo de recursos para o pa\u00eds. <\/p>\n<p><b>EUA na frente<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb O que realmente interessa para os investidores estrangeiros hoje \u00e9 o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, que est\u00e1 a caminho. S\u00f3 quando esse movimento se concretizar voltar\u00e3o a olhar para os pa\u00edses emergentes com apetite. <\/p>\n<p><b>Sexta do desastre<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb A sexta-feira ser\u00e1 terr\u00edvel para o governo, com a divulga\u00e7\u00e3o de tr\u00eas indicadores negativos: infla\u00e7\u00e3o em alta (IPCA-15), economia em queda (IBC-Br) e aumento das demiss\u00f5es (Caged). A semana n\u00e3o poderia fechar de pior forma. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 08h42min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Banco Central n\u00e3o esconde o desconforto com um movimento identificado dentro do governo e no mercado financeiro para que o Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN) mude a meta de infla\u00e7\u00e3o de 2016 e defina um n\u00famero menor que 4,5% para 2017. 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