{"id":1132,"date":"2016-05-27T06:30:10","date_gmt":"2016-05-27T09:30:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=1132"},"modified":"2016-05-27T13:34:32","modified_gmt":"2016-05-27T16:34:32","slug":"cultura-de-ministerios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/cultura-de-ministerios\/","title":{"rendered":"Cultura de minist\u00e9rios"},"content":{"rendered":"<p>POR PAULO SILVA PINTO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda vamos dedicar muito do nosso suor cotidiano para sustentar o Estado brasileiro. N\u00e3o apenas os servi\u00e7os p\u00fablicos, que consomem uma fra\u00e7\u00e3o do dinheiro dos impostos, mas, sobretudo, a paquid\u00e9rmica burocracia, que s\u00f3 cresceu na hist\u00f3ria recente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A responsabilidade disso \u00e9 de todos n\u00f3s, brasileiros, que enxergamos no governo o melhor ref\u00fagio que existe. N\u00e3o nos cansamos de defender o tamanho do Estado, na cren\u00e7a de que, quanto maior, mais protegidos estamos. Prova disso \u00e9 a recente pol\u00eamia pela manuten\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que deveria importar \u00e9 a cultura e n\u00e3o o minist\u00e9rio. Quem defende uma coisa acha que est\u00e1 mirando a outra. Mas n\u00e3o \u00e9 assim. Qual seria o problema de a pol\u00edtica cultural estar integrada em outra pasta? Nenhuma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A quest\u00e3o essencial \u00e9 que tipo de pol\u00edtica cultural queremos, quais os objetivos e os meios para atingi-los. Na falta de um bom plano, \u00e9 melhor ter um \u00f3rg\u00e3o. Quem ganha mesmo s\u00e3o os lobistas, que ser\u00e3o bem tratados em suas viagens a Bras\u00edlia e ter\u00e3o maiores chances de ver seus pleitos atendidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Pal\u00e1cio Capanema, no Rio de Janeiro, foi ocupado nos recentes protestos dos artistas pela recria\u00e7\u00e3o da pasta. Essa joia da arquitetura modernista surgiu nos anos 1930 e 1940 gra\u00e7as \u00e0 iniciativa do ministro Gustavo Capanema. \u00c0 \u00e9poca, a pasta que ele comandava era a da Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade, da qual a cultura fazia parte. Carlos Drummond de Andrade era chefe de gabinete.\u00a0No governo de Dilma Rousseff, o Brasil chegou a ter 39 minist\u00e9rios. O presidente interino, Michel Temer, come\u00e7ou com 23, mas pulou pra 24.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O argumento \u00e9 que muitos pa\u00edses t\u00eam um Minist\u00e9rio da Cultura. Um exemplo \u00e9 a Fran\u00e7a, a quintess\u00eancia da burocracia. Mesmo assim, o gabinete de Fran\u00e7ois Hollande tem apenas 16 pastas. Apenas uma a mais do que os Estados Unidos. O Reino Unido supera ambos, com 17. Isso se deve ao fato de a Esc\u00f3cia, a Irlanda do Norte e o Pa\u00eds de Gales precisarem de um ministro cada um, para manter pol\u00edticas que contenham a onda separatista. Sem isso, seriam, portanto, s\u00f3 14.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Sem resultados<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em pa\u00edses anglo-sax\u00f5es, o termo minist\u00e9rio foi at\u00e9 mesmo substitu\u00eddo por um mais prosaico: departamento, chefiado por um secret\u00e1rio ou secret\u00e1ria. Entre n\u00f3s, \u00e9 dif\u00edcil sonhar com o fim da cultura dos minist\u00e9rios.\u00a0Basta observar resultados comparativos com outros pa\u00edses para se dar conta de que essa paix\u00e3o pela estrutura governamental est\u00e1 longe de se traduzir em resultados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tome-se o caso da educa\u00e7\u00e3o. O Brasil dedica \u00e0 \u00e1rea 19% dos gastos p\u00fablicos. Os pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), grupo que re\u00fane as na\u00e7\u00f5es mais desenvolvidas, direcionam 13%, em m\u00e9dia. Em rela\u00e7\u00e3o ao Produto Interno Bruto (PIB), o gasto brasileiro \u00e9 de 6,1%, enquanto a m\u00e9dia da OCDE \u00e9 de 5,6%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo assim, s\u00f3 os 5% melhores alunos do Brasil t\u00eam desempenho no Pisa, exame internacional de educa\u00e7\u00e3o, igual \u00e0 m\u00e9dia da OCDE, segundo o boletim iDados, do Instituto Alfa e Beto. Houve ligeira melhora na \u00faltima d\u00e9cada, em ritmo muito lento, por\u00e9m. Nessa toada, de acordo com a proje\u00e7\u00e3o dos pesquisadores, s\u00f3 em 2060 a m\u00e9dia do Brasil vai se igualar \u00e0 da OCDE.\u00a0At\u00e9 l\u00e1, muito dinheiro vai escorrer pelo ralo da burocracia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h30min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR PAULO SILVA PINTO &nbsp; Ainda vamos dedicar muito do nosso suor cotidiano para sustentar o Estado brasileiro. 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