{"id":114,"date":"2015-06-20T00:10:00","date_gmt":"2015-06-20T03:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/sinais_de_colapso\/"},"modified":"2015-06-20T00:10:00","modified_gmt":"2015-06-20T03:10:00","slug":"sinais_de_colapso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/sinais_de_colapso\/","title":{"rendered":"SINAIS DE COLAPSO"},"content":{"rendered":"\n<p>O governo j\u00e1 est\u00e1 convencido de que a esperada recupera\u00e7\u00e3o da economia n\u00e3o vir\u00e1 mais neste ano e, muito provavelmente, nem em 2016. Os indicadores divulgados ontem sobre infla\u00e7\u00e3o, n\u00edvel de atividade e mercado de trabalho deram a exata dimens\u00e3o do buraco em que o pa\u00eds se meteu. Mas nada doeu tanto no cora\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio do Planalto quanto a pris\u00e3o dos presidentes das duas maiores empreiteiras nacionais, a Odebrecht e a Andrade Gutierrez. <\/p>\n<p>A vis\u00e3o dentro do governo \u00e9 de que o setor da constru\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 vinha sofrendo por causa das investiga\u00e7\u00f5es da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, vai parar por completo. At\u00e9 que se consiga depurar as empresas acusadas de se beneficiarem do gigantesco esquema de corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras, nenhuma grande obra sair\u00e1 do papel. E os poucos empreendimentos que est\u00e3o em andamento devem ser interrompidos. <\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o \u00e9 vital para a economia do pa\u00eds. \u00c9 um dos setores que mais emprega, por n\u00e3o precisar de m\u00e3o de obra t\u00e3o qualificada. Puxa os investimentos e move boa parte da ind\u00fastria. Como todas as grandes companhias est\u00e3o na mira da Justi\u00e7a, com seus donos e diretores sendo investigados e processados, a paralisia \u00e9 geral. \u201cJ\u00e1 n\u00e3o descartamos queda superior a 2% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2015\u201d, admite um ministro. <\/p>\n<p>Para ele, mesmo que o governo se esforce muito para p\u00f4r em pr\u00e1tica o programa de concess\u00f5es de R$ 190 bilh\u00f5es lan\u00e7ado recentemente pela presidente Dilma Rousseff, nada dever\u00e1 sair do papel. V\u00e1rias das empresas que poderiam tocar as obras podem desaparecer do mapa se comprovadas que surrupiaram dinheiro p\u00fablico. Algumas delas, como a OAS, j\u00e1 est\u00e3o em processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial. <\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos esquecer que a Odebrecht e a Andrade Gutierrez t\u00eam neg\u00f3cios que v\u00e3o muito al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o. Em termos de faturamento atual, a Odebrecht \u00e9 a segunda do pa\u00eds, com quase R$ 110 bilh\u00f5es. A Andrade atua em setores estrat\u00e9gicos, como a telefonia\u201d, ressalta o mesmo ministro, com forte tr\u00e2nsito no Planalto. \u201cO que quero dizer com isso \u00e9 que estamos vivendo um momento particularmente terr\u00edvel para o pa\u00eds. Quando olhamos para a frente, tudo est\u00e1 nebuloso. N\u00e3o h\u00e1 rumo. N\u00e3o sabemos o que vai acontecer\u201d, acrescenta. <\/p>\n<p>T\u00e9cnicos do governo reconhecem que, em meio ao terremoto econ\u00f4mico, h\u00e1 o risco de a crise aberta pelo esquema de corrup\u00e7\u00e3o da Petrobras engolfar de vez o Planalto. Todo mundo sabe das fortes liga\u00e7\u00f5es da Odebrecht com o ex-presidente Lula. E Dilma, como ministra da Casa Civil, foi o bra\u00e7o direito do ent\u00e3o chefe para definir obras que eram do interesse do governo. Se est\u00e1 fraca politicamente hoje, a presidente pode se ver numa situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel caso Marcelo Odebrecht resolva contar tudo o que sabe. <\/p>\n<p><b>Temor de Dilma<\/b> <\/p>\n<p>Integrantes do Planalto reconhecem que a limpeza na Petrobras e o desmonte do esquema de corrup\u00e7\u00e3o que sempre prevaleceu entre as empreiteiras s\u00e3o vitais para dar uma nova cara \u00e0 economia brasileira, sempre pautada por neg\u00f3cios escusos e privil\u00e9gios. Mas o custo para a atividade, que j\u00e1 est\u00e1 no limbo, ser\u00e1 enorme. \u201cOlhando para a situa\u00e7\u00e3o hoje, posso dizer que a infla\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o menor dos problemas para o BC daqui por diante\u201d, assinala um auxiliar da presidente. \u201cJ\u00e1 ouvimos previs\u00f5es de queda entre 3% e 4% do PIB neste ano e de at\u00e9 1% em 2016, se o setor da constru\u00e7\u00e3o entrar em colapso\u201d, emenda. <\/p>\n<p>O maior medo do governo \u00e9 de que, com a Odebrecht e a Andrade Gutierrez entrando com tudo no alvo da Pol\u00edcia Federal, as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o resvalem para outras empresas estatais, a come\u00e7ar pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES). As duas empreiteiras sempre andaram penduradas na institui\u00e7\u00e3o presidida por Luciano Coutinho. As cr\u00edticas a essa rela\u00e7\u00e3o resultaram, por sinal, em um recente ataque de nervos de Marcelo Odebrecht, que est\u00e1 atr\u00e1s da grade. Ele enfatizou que os empr\u00e9stimos do BNDES a seu grupo s\u00e3o leg\u00edtimos. <\/p>\n<p>Certamente, ningu\u00e9m da c\u00fapula do governo passar\u00e1 o fim de semana tranquilo. O que se prenuncia \u00e9 uma recess\u00e3o econ\u00f4mica brutal, que praticamente enterrar\u00e1 a principal promessa do ministro da Fazenda, Joaquim Levy: cumprir uma meta fiscal de 1,2% do PIB. Se antes do que se viu nesta sexta-feira \u2014 infla\u00e7\u00e3o de 0,99% em junho, queda de 0,84% na atividade em abril, fechamento de 115,6 mil postos de trabalho em maio e pris\u00e3o de empreiteiros que se achavam poderosos demais \u2014 atingir tal objetivo era quase imposs\u00edvel, agora, s\u00f3 resta rezar para n\u00e3o se fechar o ano com deficit. Que heran\u00e7a maldita Dilma nos imp\u00f4s. <\/p>\n<p><b>Sinuca de bico<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb H\u00e1 muito tempo n\u00e3o se v\u00ea o Banco Central em uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o dif\u00edcil. A infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9gua, e a recess\u00e3o da economia se aprofunda. A autoridade monet\u00e1ria j\u00e1 avisou que vai continuar subindo juros. Mas realmente far\u00e1 isso com o pa\u00eds derretendo? <\/p>\n<p><b>Decep\u00e7\u00e3o de Levy<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Joaquim Levy n\u00e3o imaginava que a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds pioraria tanto como se est\u00e1 vendo. Vinha dizendo a auxiliares que os primeiros sinais de retomada da confian\u00e7a de empres\u00e1rios e consumidores come\u00e7ariam a despontar no horizonte muito brevemente. <\/p>\n<p><b>Pior dos piores<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Dilma Rousseff corre o risco de se tornar a pior presidente da hist\u00f3ria republicana se o colapso econ\u00f4mico que se desenha se confirmar. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h10min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo j\u00e1 est\u00e1 convencido de que a esperada recupera\u00e7\u00e3o da economia n\u00e3o vir\u00e1 mais neste ano e, muito provavelmente, nem em 2016. Os indicadores divulgados ontem sobre infla\u00e7\u00e3o, n\u00edvel de atividade e mercado de trabalho deram a exata dimens\u00e3o do buraco em que o pa\u00eds se meteu. 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