{"id":115,"date":"2015-06-23T11:32:00","date_gmt":"2015-06-23T14:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a_dor_dos_juros\/"},"modified":"2015-06-23T11:32:00","modified_gmt":"2015-06-23T14:32:00","slug":"a_dor_dos_juros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a_dor_dos_juros\/","title":{"rendered":"A DOR DOS JUROS"},"content":{"rendered":"\n<p>O Banco Central n\u00e3o esconde o inc\u00f4modo com a forte alta da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que, desde seu piso, em abril de 2013, passou de 7,25% para 13,75% ao ano. N\u00e3o por acaso, mesmo com todo o discurso linha-dura de que far\u00e1 o que for necess\u00e1rio para levar a infla\u00e7\u00e3o ao centro da meta, de 4,5%, at\u00e9 dezembro de 2016, a institui\u00e7\u00e3o vem buscando argumentos para justificar o fim do ciclo de arrocho monet\u00e1rio o mais rapidamente poss\u00edvel. <\/p>\n<p>Ontem, t\u00e9cnicos do BC trataram de difundir n\u00fameros para os quais o mercado pouco se atentou. Pela primeira vez, as institui\u00e7\u00f5es que mais acertam as proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o, os Top Five, passaram a prever 4,5% de carestia em 2017. J\u00e1 vinham estimando esse mesmo \u00edndice para 2018 e 2019. Outra boa not\u00edcia: reduziram a expectativa para o ano que vem, a 5,21%. Essa previs\u00e3o ainda est\u00e1 longe do que a autoridade monet\u00e1ria quer. Mas, no conjunto, mostra que os agentes econ\u00f4micos est\u00e3o consolidando a vis\u00e3o de que o custo de vida cair\u00e1 com for\u00e7a nos pr\u00f3ximos anos. <\/p>\n<p>Na m\u00e9dia geral, tamb\u00e9m as proje\u00e7\u00f5es para o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) est\u00e3o ancoradas em 4,5% tanto em 2018 e 2019. O BC acredita que, nas pr\u00f3ximas semanas, o mesmo acontecer\u00e1 com as expectativas de 2017. Em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo ano, os t\u00e9cnicos da institui\u00e7\u00e3o admitem a resist\u00eancia dos analistas, que mant\u00eam as previs\u00f5es em 5,5%, diante da piora da carestia nas \u00faltimas semanas. Mas acabar\u00e3o cedendo. <\/p>\n<p>Para Ivo Chermont, economista-chefe da Itaim Asset, est\u00e1 ficando mais claro que o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) n\u00e3o avan\u00e7ar\u00e1 tanto o sinal como muitos vinham imaginando, ou seja, em levar a Selic para 15% ou 16% ao ano. \u201cEstava mais pessimista em rela\u00e7\u00e3o aos juros. Mas tudo indica que a Selic deve ir at\u00e9 14,25% ou 14,50% ao ano\u201d, diz. Em compensa\u00e7\u00e3o, chegado o fim do arrocho, a taxa ficar\u00e1 inalterada por um per\u00edodo mais longo, at\u00e9 que se tenha a certeza de que a infla\u00e7\u00e3o realmente voltou a girar em torno do centro da meta e n\u00e3o no teto, de 6,5%, ou acima dele. <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Pedro Ribeiro, da Nomura Securities, a tend\u00eancia dos juros ficar\u00e1 mais clara a partir de amanh\u00e3, quando o BC divulgar\u00e1 o Relat\u00f3rio Trimestral de Infla\u00e7\u00e3o. Pelas contas dele, diante dos atuais n\u00fameros do IPCA, a autoridade monet\u00e1ria tende a manter a proje\u00e7\u00e3o de 4,9% para o custo de vida em 2016. Uma estimativa mais pr\u00f3xima ao centro da meta s\u00f3 dever\u00e1 ser explicitada no documento a ser liberado em setembro. <\/p>\n<p>Ribeiro ressalta que est\u00e1 mais otimista que a m\u00e9dia do mercado em rela\u00e7\u00e3o aos rumos da Selic. Tanto que, no seu cen\u00e1rio principal, a taxa b\u00e1sica ter\u00e1 apenas mais uma alta, de 0,25 ponto percentual, em julho, para 14% ao ano, com o BC encerrando o ciclo de aperto. Na pior das hip\u00f3teses, admite o economista, o Copom pode dar mais 0,25 ponto no m\u00eas que vem e 0,25 em setembro, totalizando 14,25%; ou 0,50 ponto em julho e 0,25 na reuni\u00e3o seguinte, chegando a 14,50%. \u201cEstamos esperando o Relat\u00f3rio de Infla\u00e7\u00e3o para revisar nossas estimativas\u201d, admite. <\/p>\n<p>Dilemas <\/p>\n<p>Assim como o mercado est\u00e1 dividido, o debate dentro do Banco Central \u00e9 enorme. H\u00e1 a consci\u00eancia de que a economia est\u00e1 afundando r\u00e1pido demais, com a queda do Produto Interno Bruto (PIB) podendo chegar a 2% neste ano. O problema \u00e9 que tamb\u00e9m a carestia n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9gua. A cada m\u00eas, se mostra pior. O d\u00f3lar, pelo menos, est\u00e1 contribuindo favoravelmente, mantendo-se abaixo dos R$ 3,15 observados em mar\u00e7o, quando foi divulgado o primeiro Relat\u00f3rio de Infla\u00e7\u00e3o deste ano. <\/p>\n<p>\u201cO que vemos \u00e9 uma radicaliza\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o e da queda do PIB\u201d, resume Ivo Chermont, ao descrever o dilema do BC. Para ele, o sofrimento da autoridade monet\u00e1ria ser\u00e1 intenso, uma vez que a reuni\u00e3o do Copom de julho est\u00e1 longe e a de setembro, muito distante. Nesse meio tempo, v\u00e3o aparecer n\u00fameros bastante ruins da atividade. J\u00e1 se ter\u00e1 a clareza de que o segundo trimestre do ano foi perdido, com retra\u00e7\u00e3o entre 1,5% e 2%, e que o terceiro trimestre tamb\u00e9m ser\u00e1 negativo, sem perspectiva de recupera\u00e7\u00e3o \u00e0 frente. <\/p>\n<p>Esse tombo na atividade, por sinal, levar\u00e1 o BC a rever as proje\u00e7\u00f5es para o PIB deste ano. Em mar\u00e7o, a institui\u00e7\u00e3o apontava queda de 0,5% do PIB neste ano, n\u00famero que, no entender de Jo\u00e3o Pedro Ribeiro, tornou-se otimista demais. \u00c9 poss\u00edvel que, por conservadorismo, a autoridade monet\u00e1ria n\u00e3o jogue a toalha de vez, e acabe indicando contra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica entre 1% e 1,2%, o que j\u00e1 ser\u00e1 um baque e tanto para a imagem do governo. <\/p>\n<p>T\u00e9cnicos do BC ressaltam, por\u00e9m, que o menos importante neste momento \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o com o que o Pal\u00e1cio do Planalto vai pensar. Dizem que o que se est\u00e1 colhendo na economia foi o que o governo plantou nos \u00faltimos quatro anos. Sendo assim, em vez de se irritar com os n\u00fameros mostrados pela autoridade monet\u00e1ria, o Executivo deve se empenhar para arrumar a casa o mais rapidamente poss\u00edvel. \u00c9 esse empenho que vai ditar quando a atividade sair\u00e1 do atoleiro em que se encontra. <\/p>\n<p>O ajuste fiscal tocado pela Fazenda, reconhecem os t\u00e9cnicos do BC, \u00e9 muito bem-vindo. Mas os resultados desse ajuste sobre a infla\u00e7\u00e3o s\u00f3 aparecer\u00e3o em 2016, pois o estrago nas contas p\u00fablicas foi enorme. Ningu\u00e9m no entorno de Alexandre Tombini espera, por\u00e9m, o cumprimento da meta de 1,1% do PIB de superavit prim\u00e1rio prometida pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O saldo final tende a ficar mais pr\u00f3ximo de 0,7%, o que j\u00e1 ser\u00e1 um ganho e tanto perto das frustra\u00e7\u00f5es que o BC teve de engolir no primeiro mandato de Dilma Rousseff. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 11h35min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Banco Central n\u00e3o esconde o inc\u00f4modo com a forte alta da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que, desde seu piso, em abril de 2013, passou de 7,25% para 13,75% ao ano. 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