{"id":116,"date":"2015-06-24T00:02:00","date_gmt":"2015-06-24T03:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/o_inferno_de_dilma\/"},"modified":"2015-06-24T00:02:00","modified_gmt":"2015-06-24T03:02:00","slug":"o_inferno_de_dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/o_inferno_de_dilma\/","title":{"rendered":"O INFERNO DE DILMA"},"content":{"rendered":"\n<p>Ainda que com muita reserva, o mercado financeiro j\u00e1 discute a possibilidade de Dilma Rousseff n\u00e3o terminar o governo, seja por meio da ren\u00fancia ou de impeachment. A reprova\u00e7\u00e3o de 65% do governo, n\u00edvel s\u00f3 compar\u00e1vel \u00e0 administra\u00e7\u00e3o Collor de Mello, que caiu por corrup\u00e7\u00e3o, e o desastroso desempenho da economia t\u00eam levado v\u00e1rios analistas a tra\u00e7arem cen\u00e1rios do que pode ocorrer no Brasil caso a petista interrompa o mandato. O que se v\u00ea \u00e9 um pa\u00eds mergulhado no caos. <\/p>\n<p>Todos os estudos mostram, por\u00e9m, que a probabilidade de Dilma n\u00e3o entregar a faixa presidencial a seu sucessor em janeiro de 2019 \u00e9 muito pequena. Por maior que seja a fragilidade pol\u00edtica enfrentada pela chefe do Executivo e mesmo que a economia afunde de vez na recess\u00e3o, tudo indica que haver\u00e1 movimentos em v\u00e1rias frentes para que ela cumpra o mandato que as urnas lhe deram. Os pr\u00f3prios analistas que se dedicaram ao tema acreditam que esse \u00e9 o melhor caminho para o pa\u00eds. A ruptura custaria muito, mas muito caro. <\/p>\n<p>O certo \u00e9 que Dilma n\u00e3o ter\u00e1 sossego. Se antes mesmo de completar seis meses do governo o descontentamento da popula\u00e7\u00e3o com o governo \u00e9 enorme, \u00e0 medida que o tempo for passando, a gritaria vai se agigantar. O Brasil combina hoje tudo o que h\u00e1 de pior na economia: a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 caminhando para 10%, o desemprego atinge em cheio as fam\u00edlias, sobretudo no Nordeste e no Sudeste; o cr\u00e9dito est\u00e1 caro e escasso e o governo est\u00e1 de m\u00e3os atadas para dar algum impulso \u00e0 atividade, por causa das estripulias que fez nos \u00faltimos quatro anos. <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da TOV Corretora, veremos, neste ano, ao menos tr\u00eas trimestres consecutivos de queda do Produto Interno Bruto (PIB), algo sem precedentes em pelo menos um quarto de s\u00e9culo. Se os c\u00e1lculos dele estiverem corretos, a contra\u00e7\u00e3o da atividade ser\u00e1 de 2,2% em 2015, podendo cair mais 0,5% em 2016. Ele ressalta que o governo criou um ambiente t\u00e3o hostil na economia, que, desde o primeiro trimestre de 2013, os investimentos produtivos s\u00f3 caem. <\/p>\n<p>\u201cAssisti, nas \u00faltimas semanas, \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de pelo menos 40 empresas com a\u00e7\u00f5es negociadas em bolsa de valores. Somente duas disseram que n\u00e3o cortariam investimentos\u201d, afirma. No entender dele, n\u00e3o \u00e9 apenas o setor privado que est\u00e1 paralisado. Todo o setor p\u00fablico \u2014 Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios \u2014 est\u00e1 \u00e0 m\u00edngua, com receitas em queda, tendo que interromper obras. O Brasil simplesmente parou. \u201c\u00c9 por isso que o desemprego est\u00e1 em disparada. N\u00e3o ser\u00e1 surpresa se as taxas chegarem ao fim do ano em dois d\u00edgitos\u201d, emenda. <\/p>\n<p>Para Silveira, por mais que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, diga que o ajuste fiscal n\u00e3o est\u00e1 ajudando a afundar a economia, a incapacidade do governo de gastar empurra, sim, o PIB ladeira abaixo. \u201cHoje, simplesmente n\u00e3o existe o gastador de \u00faltima inst\u00e2ncia. Os empres\u00e1rios n\u00e3o investem, o governo est\u00e1 cortando gastos e as fam\u00edlias, reduzindo o consumo\u201d, assinala. <\/p>\n<p>Portanto, quando Levy diz que o pa\u00eds est\u00e1 vivendo uma \u201cressaca\u201d, e que ela passar\u00e1, est\u00e1 jogando para a plateia. O Brasil est\u00e1 doente e a doen\u00e7a foi provocada nos quatro primeiros anos do governo Dilma. Curar o pa\u00eds levar\u00e1 muito mais tempo do que se livrar de uma simples ressaca. <\/p>\n<p><b>Fantasmas<\/b> <\/p>\n<p>Mesmo que Levy minimize a gravidade da situa\u00e7\u00e3o, o mercado financeiro vai se apegar ao discurso dele com todas as for\u00e7as. A vis\u00e3o \u00e9 de que, ruim com o ministro, pior sem ele. Ao se manter no cargo, num governo fraco politicamente, Levy funciona como a garantia que haver\u00e1 o m\u00ednimo de racionalidade na pol\u00edtica econ\u00f4mica. Essa depend\u00eancia do mercado \u00e9 tamanha, que a maior parte dos analistas aceita, sem traumas, a redu\u00e7\u00e3o da meta de superavit prim\u00e1rio deste ano para algo entre 0,6% e 0,7% do PIB, metade do 1,2% prometido pelo ministro. <\/p>\n<p>O que importa, na vis\u00e3o dos economistas privados, \u00e9 que Dilma n\u00e3o volte a se cercar de pessoas com pensamento semelhante ao de Guido Mantega e Arno Augustin, que, na condi\u00e7\u00e3o de ministro da Fazenda e de Secret\u00e1rio do Tesouro Nacional, respectivamente, recorreram a maquiagens e a truques fiscais para mostrar uma sa\u00fade que as contas p\u00fablicas n\u00e3o tinham. Essas manobras, por sinal, s\u00e3o a maior amea\u00e7a ao mandato de Dilma segundo os estudos de analistas de peso. Se ela tiver as contas de 2014 rejeitadas pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), a oposi\u00e7\u00e3o ter\u00e1 um forte argumento para pedir o impeachment. <\/p>\n<p>Em meio \u00e0 tempestade, a presidente tem procurado mostrar equil\u00edbrio na condu\u00e7\u00e3o do governo neste segundo mandato. Mas sabe que viver\u00e1 um inferno. N\u00e3o h\u00e1 s\u00f3 uma not\u00edcia boa no horizonte, por mais que o Pal\u00e1cio do Planalto tente cri\u00e1-la. N\u00e3o bastassem o desastre econ\u00f4mico e as sovas que o Congresso lhe tem imposto, h\u00e1 o risco de o lama\u00e7al oriundo da corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras engolfar de vez o governo. <\/p>\n<p>A pris\u00e3o de Marcelo Odebrecht, presidente da maior construtora do pa\u00eds, por meio da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, tornou-se uma espada apontada para o cora\u00e7\u00e3o da petista. Se ele resolver abrir a boca, Bras\u00edlia vai ruir. Dilma tem a exata no\u00e7\u00e3o do tamanho do risco que corre. Mas, nesse caso, s\u00f3 lhe resta contar com a sorte, o que \u00e9 muito pouco. <\/p>\n<p><b>Morte nas estradas<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb O pa\u00eds ter\u00e1 uma boa oportunidade para discutir, hoje e amanh\u00e3, em semin\u00e1rios no Rio Janeiro e em S\u00e3o Paulo, os custos dos acidentes de tr\u00e2nsito para a economia. Somente em 2012, foram 45,7 mil v\u00edtimas fatais, um \u00f3bito a cada 12 minutos. Com isso, o Produto Interno Bruto (PIB) perdeu R$ 62,4 bilh\u00f5es. Dados mais recentes, da Universidade de Michigan (EUA), apontam o Brasil como o 42\u00ba pa\u00eds em mortes por colis\u00f5es de tr\u00e2nsito em 2014. <\/p>\n<p><b>Servidores se armam<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Os servidores p\u00fablicos j\u00e1 se preparam para perturbar o governo ao longo do m\u00eas de julho. Eles receberam informa\u00e7\u00f5es preliminares de que podem ficar sem qualquer reajuste em 2016, devido ao ajuste fiscal tocado por Joaquim Levy. Se nada mudar no horizonte, o Minist\u00e9rio do Planejamento come\u00e7ar\u00e1 a se reunir com todas as carreiras para mostrar como est\u00e3o as contas p\u00fablicas e o que a Uni\u00e3o pode oferecer. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h01mi   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda que com muita reserva, o mercado financeiro j\u00e1 discute a possibilidade de Dilma Rousseff n\u00e3o terminar o governo, seja por meio da ren\u00fancia ou de impeachment. 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