{"id":118,"date":"2015-06-26T00:10:00","date_gmt":"2015-06-26T03:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/sopro_de_bom_senso\/"},"modified":"2015-06-26T00:10:00","modified_gmt":"2015-06-26T03:10:00","slug":"sopro_de_bom_senso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/sopro_de_bom_senso\/","title":{"rendered":"SOPRO DE BOM SENSO"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o foi um debate trivial dentro do governo a redu\u00e7\u00e3o da banda de flutua\u00e7\u00e3o da meta de infla\u00e7\u00e3o, de dois para 1,5 ponto percentual, a partir de 2017. No que dependesse do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, haveria tanto a diminui\u00e7\u00e3o da meta, de 4,5% para 4,25%, como a mudan\u00e7a no teto e no piso do objetivo perseguido pelo Banco Central. <\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio, sabia-se que a presidente Dilma Rousseff n\u00e3o permitiria uma meta mais ousada de infla\u00e7\u00e3o, sob o argumento de que isso poderia impedir a retomada do crescimento, j\u00e1 que o BC teria que manter juros elevados por um per\u00edodo muito longo. Mas ela acabou cedendo na quest\u00e3o da banda de flutua\u00e7\u00e3o, que, daqui a dois anos, passar\u00e1 a ser de 3% e 6%, ante os 2,5% e 6,5% atuais. <\/p>\n<p>A empreitada de Levy teve, sobretudo, o apoio do presidente do BC, Alexandre Tombini, que assumiu um discurso duro contra a carestia, depois de quatro anos de leni\u00eancia do governo, que acreditou no conto de fadas de que um pouco mais de infla\u00e7\u00e3o ajudaria o pa\u00eds a acelerar o crescimento econ\u00f4mico. <\/p>\n<p>O sinal que o governo tenta emitir aos agentes de mercado \u00e9 o de que o compromisso com o controle da infla\u00e7\u00e3o \u00e9 irrevers\u00edvel. Mas ser\u00e1 preciso muito mais do que uma banda menor da meta inflacion\u00e1ria para que empres\u00e1rios e consumidores deem o voto de confian\u00e7a que o Pal\u00e1cio do Planalto tanto anseia. <\/p>\n<p>Nos \u00faltimos quatro anos, Dilma brincou demais com a infla\u00e7\u00e3o, que se situou no limite da toler\u00e2ncia ou acima dele. Os resultado est\u00e3o a\u00ed. Produto Interno Bruto (PIB) com queda superior a 1%, custo de vida acima de 9%, desemprego subindo desde o fim do ano passado e renda dos trabalhadores despencando. Tudo indica que viveremos, entre 2015 e 2016, a pior recess\u00e3o que se tem not\u00edcia desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. <\/p>\n<p>O quadro dram\u00e1tico da economia, por sinal, foi descrito sem constrangimento pelos economistas que se reuniram com Levy ontem. O ministro quis saber se a recess\u00e3o de hoje tem a ver mais com fatores c\u00edclicos, que ser\u00e3o superados em um prazo curto de tempo, ou decorre de fatores estruturais. Ouviu que o pa\u00eds n\u00e3o soube aproveitar os bons ventos que vigoraram na d\u00e9cada passada para fazer o dever de casa, as grandes reformas constitucionais. <\/p>\n<p>Portanto, o Brasil ainda est\u00e1 fadado a apresentar taxas med\u00edocres de crescimento. \u00c9 verdade que o controle da infla\u00e7\u00e3o ser\u00e1 vital para permitir a retomada da confian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos, e o ajuste fiscal que Levy promete entregar d\u00e1 a calma necess\u00e1ria para que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o degringole de vez. Mas o governo tem de fazer muito mais. A redu\u00e7\u00e3o da banda da meta \u00e9 um sopro de vida num horizonte conturbado que se coloca \u00e0 frente. Nada mais do que isso. <\/p>\n<p><b>Linguagem do mar<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb A reuni\u00e3o do ministro da Fazenda com 16 economistas foi marcada pela linguagem mar\u00edtima. Ressaca, \u00e2ncora e remar contra a mar\u00e9 foram express\u00f5es que dominaram os discursos de Levy e dos convidados. <\/p>\n<p><b>Decep\u00e7\u00e3o na Fazenda<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Parte dos economistas recebidos por Levy foi embora sem ser ouvida pelo ministro. O encontro come\u00e7ou com meia hora de atraso, e o ministro saiu antes da hora combinada. A frustra\u00e7\u00e3o foi grande.  <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 00h10min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o foi um debate trivial dentro do governo a redu\u00e7\u00e3o da banda de flutua\u00e7\u00e3o da meta de infla\u00e7\u00e3o, de dois para 1,5 ponto percentual, a partir de 2017. 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